Se
existe um dia da consciência negra, um dia da mulher ou um dia do
índio, é porque, como diria Caetano, "alguma coisa está fora da ordem",
algo está muito errado.
Acho impressionante quando vejo pessoas quererem ainda desqualificar o dia 20 de novembro, data escolhida pelos movimentos negros para exaltarmos a afrodescendência e referendarmos a unidade de luta pela liberdade de informação, manifestação religiosa e cultural. Consciência negra é buscar maior participação e cidadania para os afro-brasileiros e dizer não ao racismo, à discriminação e ao preconceito racial.
Muitos racistas tentam se opor ao 20 de novembro e todo esse ativismo por uma consciência dos afro-brasileiros. São muito bonitas frases como "alma não tem cor" ou "todos somos
iguais" ou, ainda, "precisamos de uma consciência humana". Isso qualquer um sabe ou
deveria saber. No entanto, esse discurso é muito cômodo para quem não é atingido por
overdoses maciças e cotidianas de preconceito, discriminação, ódio e intolerância.
E
dê-lhe exigir boa aparência para o candidato a uma vaga de emprego, ser
contra as cotas, destruir terreiros, escorraçar imigrantes e refugiados
africanos e caribenhos, perseguir candidatas negras em concursos de
beleza, chamar desportistas de macacos, postar comentários raivosos sobre famosos nas redes sociais, se recusar a ser atendido por comerciantes negros, expulsar crianças negras de lojas de grife, exterminar jovens negros, dar tiros durante uma passeata de mulheres negras, entre outras situações injuriosas.
Se existe um dia de consciência
negra não é porque queremos, e sim, porque se faz necessário.
Verdades, algumas meias-verdades e outras nem tão verdadeiras assim... O que importa é o que interessa e o que não interessa não importa. It's all true!!!
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sexta-feira, novembro 20, 2015
sexta-feira, setembro 05, 2014
Momento errado
O episódio da torcedora Patrícia Moreira, que foi flagrada pelas câmeras de televisão nas arquibancadas da Arena do Grêmio, proferindo ofensas racistas contra o goleiro Aranha, durante o jogo entre Grêmio e Santos, no dia 28 de agosto, válido pela Copa do Brasil, me lembra aqueles casos dos tempos de colégio em bancar o maria-vai-com-as-outras.
O que aconteceu com a guria é bem o que ocorre diariamente nas salas de aula do país inteiro: se o Fulano está fazendo, vou fazer também... A turma está uma tremenda bagunça, o professor aparentemente perdeu o controle, os aluninhos fazendo a maior laúza, com gritos, assobios, lançamento de aviõezinhos e bolinhas de papel. Aí, um aluno que tira notas medianas e que não é do mal e nem bagunceiro, inventa de "ir na onda", dá um berro ou solta uma gracinha infeliz, pensando que seu ato ficaria encoberto naquele furdunço. Eis que magicamente o barulho cessa, o professor se vira e surpreende o bagunceiro pouca-prática, que é punido exemplarmente com a expulsão da sala ou até uma suspensão, e é avisado que só retornará à escola se estiver acompanhado do pai ou responsável.
Não sou psicólogo, mas isso talvez algum profissional do ramo possa explicar melhor do que eu. A atitude de pessoas pacíficas muitas vezes são regidas pelo grupo no qual está inserido do que pelo indivíduo em si. Patricia xingou o goleiro de "macaco" porque “entrou na onda” da torcida, que já gritava a palavra depreciativa. Isso por si só não justifica as ofensas ditas pela moça durante a partida.
O pecado dessa azarada torcedora, assim como o do estudante aprendiz de bagunceiro, foi "ter ido na onda" e abrir a boca no momento errado.
terça-feira, novembro 20, 2012
A tal da "Consciência Negra"...
Quando te disserem que você quer dividir o Brasil em “pretos” e “brancos”, mostre que essa divisão sempre existiu. Se insistirem na acusação, mostre que, neste país, 124 anos após a Abolição, em todas as instâncias, o Poder é sempre branco. Até mesmo como técnicos de futebol ou carnavalescos de escolas de samba, os negros só aparecem como exceção.
Quando te disserem que o Brasil é um país mestiço, concorde. Mas ressalve que essa mestiçagem só ocorre, com naturalidade, na base da pirâmide social, e nunca nas altas esferas do Poder.
Quando te jogarem na cara a afirmação de que a África também teve escravidão, ensine a eles a diferença entre “servidão” e “cativeiro”. Mostre que a escravidão tradicional africana tinha as mesmas características da instituição em outras partes do mundo, principalmente numa época em que essa era a forma usual de exploração da força de trabalho. O bom escravo podia casar na família do seu senhor, e até tornar-se herdeiro. E assim, se, por exemplo, no século XVII, Zumbi dos Palmares teve escravos, como parece certo, foi exatamente dentro desse contexto histórico e social.
Se ainda insistirem, responda que embora africanos também tenham vendido africanos como escravos, a África não ganhou nada com o escravismo, muito pelo contrário. Mas a Europa, esta sim, deu o seu grande salto, assumindo o protagonismo mundial, graças ao capital que acumulou com a escravidão africana.
Quando, de dedo em riste, te disserem que cotas raciais são uma forma de preconceito e que o certo seriam "cotas sociais", responda que praticamente todos os segmentos sociais já foram beneficiados com cotas: filhos de fazendeiros, militares, mulheres, idosos, deficientes físicos, etc. Depois questione ao seu interlocutor a razão pela qual quando o afro-descendente reivindica a sua ação afirmativa esta lhes é negada.
Quando te questionarem por que consciência negra, "se não há uma consciência branca, judia, nipônica, selenita, helênica, marciana", tenha a pachorra de responder que - parafraseando Leopold Senghor – não é racismo ou complexo de inferioridade e, sim, um anseio legitimo de expansão e crescimento. Não é separatismo, segregacionismo, ressentimento, ódio ou desprezo pelos outros grupos que constituem a Nação brasileira.
Consciência Negra somos nós, em nossa real dimensão de seres humanos, sabendo claramente o que somos, de onde viemos e para onde vamos, interagindo, de igual pra igual, com todos os outros seres humanos, em busca de um futuro de força, paz, estabilidade e desenvolvimento. Fui claro?
Meu muito obrigado a Nei Lopes e ao Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África.
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Pisada na bola diplomática
Despertei da minha hibernação em função de uma declaração infeliz do cônsul do Haiti em São Paulo, Sr. George Samuel Antoine. Antes de conceder uma entrevista para uma equipe de jornalismo do SBT, o diplomata perdeu a democracia ao ofender o povo africano (“O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano tá foda”), e também ao declarar que a tragédia "está sendo boa para o país se tornar conhecido". Demonstrações infelizes de racismo, arrogância e falta de sensibilidade.
quinta-feira, julho 05, 2007
Intolerância nos tempos de cólera...
Ainda me causa engulhos aquelas pichações com insultos racistas contra a implementação de cotas raciais que emporcalharam os muros e as calçadas nos arredores do Campus Central da Ufrgs nos últimos dias do mês de junho. Meu Deus!
Já não bastasse a insegurança e a impunidade, agora estamos vítimas também da intolerância!
Tudo isso porque o debate a respeito das ações afirmativas não é qualificado. A maioria das opiniões que leio, vejo e escuto e que se mostram contrários à medida mudam o foco sobre a discussão, sempre cantando o mesmo refrão de que “as cotas têm que ser sociais e não raciais”, chegando ao requinte de questionar “por que elaborar cotas apenas para os negros e não para as outras etnias”? Ou o discurso surrado de que “é preciso melhorar a educação no Brasil e dar acesso à população ao ensino básico”. Ok, mas isso, na prática, só empurra o problema com a barriga e não se resolve nem uma coisa nem outra.
No Brasil, as cotas são realidade em 16 universidades federais e em mais 19 universidades estaduais de Ensino Superior. E o Rio Grande do Sul, estado mais caucasiano do país, nesse aspecto, vem se caracterizando pelo atraso. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que deveria ter votado as cotas em junho, cancelou a reunião e ainda não estabeleceu nova data. Na Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a discussão não deve ocorrer neste ano. A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) não iniciou o debate.
Eu ainda quero escutar de algum filósofo, historiador, atropólogo ou intelectual que explique porque conflitos raciais acontecem nas regiões do ponto cardeal sul. O que é que tem esse tal de sul? É o sul dos Estados Unidos, África do Sul, sul do Brasil...
Se eu não encontrar ninguém que me responda isso eu mesmo pesquisar esse assunto que renderia teses e até livros.



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Já não bastasse a insegurança e a impunidade, agora estamos vítimas também da intolerância!
Tudo isso porque o debate a respeito das ações afirmativas não é qualificado. A maioria das opiniões que leio, vejo e escuto e que se mostram contrários à medida mudam o foco sobre a discussão, sempre cantando o mesmo refrão de que “as cotas têm que ser sociais e não raciais”, chegando ao requinte de questionar “por que elaborar cotas apenas para os negros e não para as outras etnias”? Ou o discurso surrado de que “é preciso melhorar a educação no Brasil e dar acesso à população ao ensino básico”. Ok, mas isso, na prática, só empurra o problema com a barriga e não se resolve nem uma coisa nem outra.
No Brasil, as cotas são realidade em 16 universidades federais e em mais 19 universidades estaduais de Ensino Superior. E o Rio Grande do Sul, estado mais caucasiano do país, nesse aspecto, vem se caracterizando pelo atraso. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que deveria ter votado as cotas em junho, cancelou a reunião e ainda não estabeleceu nova data. Na Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a discussão não deve ocorrer neste ano. A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) não iniciou o debate.
Eu ainda quero escutar de algum filósofo, historiador, atropólogo ou intelectual que explique porque conflitos raciais acontecem nas regiões do ponto cardeal sul. O que é que tem esse tal de sul? É o sul dos Estados Unidos, África do Sul, sul do Brasil...
Se eu não encontrar ninguém que me responda isso eu mesmo pesquisar esse assunto que renderia teses e até livros.



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