terça-feira, julho 22, 2008

Solano, cem anos


Nesta semana, mais precisamente no dia 24 de julho, completam-se cem anos do nascimento de um dos mais significativos poetas populares brasileiros. Solano Trindade foi poeta, pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Nasceu em 1908, no bairro de São José, no Recife (PE), era filho de Manuel Abílio, mestiço, sapateiro, e da quituteira Dona Emerenciana de Jesus. Estudou até completar um ano de desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Solano teve uma importante militância à causa desenvolvida em favor de um povo até ento oprimido.

Começou a militância a partir de 1930, quando começou a compor poemas afro-brasileiros e, já integrado nesta corrente, participa em 1934 do I e II Congresso Afro-Brasileiro, no Recife e Salvador. Em 1936 fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro, que tinha o objetivo de divulgar os intelectuais e artistas negros. Em 1940 transfere-se para Belo Horizonte. Depois chegou ao Rio Grande do Sul, fixando-se por um tempo em Pelotas, onde fundou com o poeta Balduíno de Oliveira um grupo de arte popular. Esta foi sua primeira tentativa de criar um teatro do povo, o que não se concretizou devido à enchente de 1941, que carregou todo o material. Voltou então para Recife, indo logo depois para o Rio, onde no "Café Vermelhinho", detém-se a discutir e a conversar com jovens poetas e intelectuais, artistas de teatro, políticos e jornalistas. Ali fez sucesso.

Em 1944, edita o livro "Poemas de uma vida simples", onde se encontra o seu declamad�ssimo "Trem sujo da Leopoldina". Em 1945 funda o Comitê Democrático Afro-brasileiro, com Raimundo Souza Dantas, Aladir Custódio e Corsino de Brito. Em 1954 está em São Paulo, criando na cidade de Embu, um pólo de cultura e tradições afro-americanas. Em São Paulo também funda o Teatro Popular Brasileiro - TPB, onde desenvolveu uma intensa atividade cultural voltada para o folclore e para a denúncia do racismo. Em 1955 viaja para a Europa, com o TPB, onde dá espetáculos de canto e dança. Em 1958 edita "Seis tempos de poesia"; em 1961, "Cantares ao meu povo" (com uma reunião de poemas anteriores).

Solano Trindade faleceu no Rio de janeiro, em 19 de fevereiro de 1974, aos 66 anos.


Tem gente com fome

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Piiiiii

Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha
Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Tantas caras tristes
querendo chegarem algum destino
em algum lugar
Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer

Mas o freio de ar
todo autoritário
manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuuu


SOU NEGRO


SOU NEGRO
MEUS AVÓS FORAM QUEIMADOS
PELO SOL DA ÁFRICA
MINH’ALMA RECEBEU O BATISMO DOS TAMBORES
ATABAQUES, GONGUÊS E AGOGÔS

CONTARAM-ME QUE MEUS AVÓS
VIERAM DE LOANDA
COMO MERCADORIA DE BAIXO PREÇO
PLANTARAM CANA PRO SENHOR DO ENGENHO NOVO
E FUNDARAM O PRIMEIRO MARACATU
DEPOIS MEU AVÔ BRIGOU COM UM DANADO
NAS TERRAS DE ZUMBI
ERA VALENTE COMO QUÊ
NA CAPOEIRA OU NA FACA
ESCREVEU NÃO LEU
O PAU COMEU
NÃO FOI UM PAI JOÃO
HUMILDE E MANSO
MESMO VOVÓ
NÃO FOI DE BRINCADEIRA
NA GUERRA DOS MALÉS
ELA SE DESTACOU
NA MINH’ALMA FICOU
O SAMBA
O BATUQUE
O BAMBOLEIO
E O DESEJO DE LIBERTAÇÃO...


In:“SOLANO TRINDADE CANTARES AO MEU POVO”
ED FULGOR
1961


Gravata Colorida
Quando eu tiver bastante pão
para meus filhos
para minha amada
pros meus amigos
e pros meus vizinhos
quando eu tiver
livros para ler
então eu comprarei
uma gravata colorida
larga
bonita
e darei um laço perfeito
e ficarei mostrando
a minha gravata colorida
a todos os que gostam
de gente engravatada...

Quem tá gemendo?

Quem tá gemendo,

Negro ou carro de boi?
Carro de boi geme quando quer,
Negro, não,
Negro geme porque apanha,
Apanha pra não gemer...

Gemido de negro é cantiga,
Gemido de negro é poema...

Gemem na minh'alma,
A alma do Congo,
Da Niger, da Guiné,
De toda África enfim...
A alma da América...
A alma Universal...

Quem tá gemendo,
negro ou carro de boi?

sexta-feira, julho 04, 2008

Respirando água


Não agüento mais essa neblina que assola a cidade. Há uma semana Porto Alegre é só umidade e cerração. O sol tá nos devendo uma visita há dias. Estamos respirando água. Pô, São Pedro, alivia...

quarta-feira, junho 25, 2008

Obrigado, Dudu



Eu costumo dizer que, como jornalista, eu gosto muito do que faço. No entanto, nem sempre eu faço o que quero.

Mas, ontem foi um dia especial. Motivador. Um aluno do IPA, portador de paralisia cerebral, mostrando determinação e superação dos obstáculos naturais, defendeu sua monografia no curso de Jornalismo. Mandamos releases para a imprensa e a notícia bombou, com repercussão no país inteiro através dos telejornais, sites noticiosos (Terra, G1, UOL)e também foi capa da Zero Hora do dia de hoje. Foi até matéria que encerrou a edição do Jornal Nacional (o sonho de quem é assessorado por jornalistas). Com direito até a lágrimas e voz embargada da Fátima Bernardes.

A cada aparição do jovem Eduardo Purper na tevê ou na internet, nós, a equipe da Assessoria, comemorávamos como se tivéssemos feito um gol. E, na verdade, foi. Um gol de placa. Principalmente do Dudu, que nos fez trabalhar no pré e no pós evento de maneira apaixonada e felizes por vermos concretizado o fruto do nosso trabalho.

Sem dúvida, um golaço. É isso aí, Dudu. Muito obrigado.

terça-feira, junho 17, 2008

Jamelão, meu parente



Ao receber a notícia da morte do cantor Jamelão (1913-2008) eu senti como se eu tivesse perdido um parente querido. Explico: eu me criei, desde pequeno, escutando a voz tronitroante do sr. José Bispo Clementino dos Santos, através dos discos que o meu pai tinha. E o pai (ardoroso fã) gostava de cantar as mesmas músicas imitando o timbre de voz do Jamela. Além de ouvir o fino da dor-de-cotovelo (Lupicínio Rodrigues, Lúcio Cardim e Ari Barroso, entre outros), eu também curtia aquela voz que entoava os sambas da Estação Primeira de Mangueira.
Ou seja, a voz de Jamelão estava permanentemente presente em nossa casa. Era como se fosse o irmão mais velho do meu pai. Ambos torciam pelas cores verde e rosa. No futebol, o pai era flamenguista roxo, e Jamelão, vascaíno de vestir camisa. Mas este último detalhe pouco importava.

Uma das minhas grandes frustrações foi não ter conseguido conhecer pessoalmente o Jamelão. E por duas vezes, na época em que eu trabalhava na Rede Bandeirantes, eu QUASE consegui.
Na primeira, lá pelos idos de 1997, eu apresentava um programa de carnaval na Band AM, aos sábados, e o Jamelão estaria em Porto Alegre naquele dia. Rolou o boato de que o Jamelão poderia visitar os estúdios da rádio, pois um dos outros apresentadores do programa garantiu que o velho intérprete apareceria. Que nada! Fiquei quatro horas no ar e nada do Seu José Bispo aparecer.

Na outra vez, em 2000, Jamelão veio a POA inaugurar a boate Se Acaso Você Chegasse, de propriedade do filho de Lupcínio. Como todos sabem, Jamelão foi o intérprete maior das músicas de Lupi. Só que o show de inauguração aconteceria na noite de uma quinta-feira, e o programa que eu trabalhava, chamado Manhã Bandeirantes, ia ao ar das 9h30 às 11h e o cantor só chegaria na cidade durante a tarde. Putz!

Depois disso, as vindas de Jamelão a POA passaram a ser mais escassas, eu saí da rádio e não tive mais oportunidade, profissionalmente, de ter contato com o cantor. Na semana em que meu pai morreu, Jamelão estava completando 90 anos. O aniversário do cantor aconteceu no dia 12 de maio e meu pai fez a passagem quatro dias depois. E, no hospital, eu lembro de ter falado pro meu pai sobre o aniversário do Jamelão. E eu tinha visto, dias antes, o CD "Cada vez melhor", que era o mais recente lançamento. Pensei em comprar, gravar numa fitinha k-7 e entregar para o pai escutar no hospital. Infelizmente, não deu tempo...

Mas eu me lembro a primeira vez que eu vi o Jamelão. Eu tinha uns 5, 6 anos, e ele pôs o auditório Araújo Vianna inteiro pra gingar com o samba enredo da Mangueira naquele carnaval: "oba-ba, oba oba-bá/ é a Mãe do Ouro/ que vem nos salvar".

Para quem gosta, aí vai um link do disco "Jamelão interpreta Lupicínio Rodrigues", gravado em 1972, extraído do blog Cápsula da Cultura. Siga em paz, velho mestre!




* Para baixar o arquivo é só clicar no link (não se preocupe, não é vírus). Vai abrir uma página, depois, é clicar onde diz "star the download". Aí é só escolher entre abrir o arquivo (que virá zipado) ou salvar em alguma pasta do pc.


segunda-feira, junho 16, 2008

Coisa estranha


É muito estranho para um torcedor gremista ver o técnico Adenor Bachi, o Tite, fardado de colorado.

O treinador, responsável pela penúltima boa fase do clube (a última boa fase foi vivida até o final do ano passado, com Mano Menezes), é um excelente profissional que até hoje os tricolores suspiram de saudade. Digamos que Tite, Mano e Felipão formam uma espécie de "santíssima trindade" entre os treinadores que marcaram época no estádio Olímpico nos últimos 15 anos.
Estranho, muito estranho.

sábado, maio 31, 2008

Visão restrita de Santa Maria


Algumas ruas do centro de Santa Maria (RS) vistas do 8º andar de um hotel da cidade da Boca do Monte. Manhã de um domingo no final do mês de abril...

sexta-feira, maio 02, 2008

Em memória de Aimé Césaire*


Faleceu dia 17 de abril o político martiniquenho Aimé Césaire, aos 94 anos. Grande poeta da Negritude, cantada em seu célebre poema de 1939, "Caderno de volta ao país natal", onde afirmou: "É-belo-e-bom-e-legítimo ser negro".


Césaire foi um dos fundadores da Negritude e um anticolonialista determinado. Parlamentar francês-martiniquenho entre 1945 e 1994. Foi inicialmente membro do Partido Comunista Francês, fundou o Partido Progressista Martiniquenho, aderiu ao Partido Socialista, enfim, combateu toda sua vida pela liberdade e pela dignidade do ser humano, do povo martiniquenho, em particular, do povo negro, especialmente.


Seu nome completo era Aimé Fernand David Césaire, nascido aos 26 de junho de 1913 em Basse Pointe, na Martinica, e falecido no dia 17 ultimo em Fort-de-France.


"Uma grande voz se apaga, a de um homem de opinião, de criatividade, de testemunho, que, durante toda sua vida, foi um despertador de consciências, uma lucidez sobre o seu tempo, um portador de esperanças para todos os humilhados, um combatente incansável pela dignidade humana", declarou a ex-presidenciável socialista francesa Ségolène Royal, em Poitou.


Césaire esteve no Brasil no início da década de 1960. Em 2006 seu nome foi indicado por uma instituição da Bélgica para o Prêmio Nobel da Paz, no momento em que o Congo teve a primeira experiência de eleições livres para presidente da República.


Reconhecemos em Aimé Césaire a importância do seu pensamento, de sua obra e de seu trabalho político, de sua profunda sinceridade com suas causas.


O poeta surrealista francês André Breton, em prefácio ao "Caderno de volta ao país natal", considerou Césaire "o maior poeta surrealista do século XX". Ao prefaciar a Antologia da poesia negra e malgaxe, organizada por Léopold Senghor, uma outra liderança da Negritude, Jean-Paul Sartre considerou longamente a beleza e o espírito provocador e revoltado dos poemas de Césaire. O que queriam os brancos, se perguntava Sartre. Ele esperava que os brancos recebessem a literatura dos negros com o respeito que é devido aos bons autores, e não como se acolhessem produções de crianças precoces.


Césaire preocupava-se com a condição humana do negro em qualquer lugar do planeta, de um modo tal que suas reflexões interessam não apenas aos negros, mas a todos aqueles que desejam uma humanização do mundo em que vivemos.


Ele foi membro do Partido Comunista Francês, do qual se afastou em 1956, e fundou o Partido Progressista Martiniquenho, no qual permaneceu toda sua vida, como representante de seu povo no Parlamento Francês.


A poesia de Aimé Césaire é uma realização que ilustra o melhor do surrealismo literário no século XX. O texto surrealista valoriza as descobertas da psicanálise: o inconsciente, as livres associações de idéias, etc. Não é por acaso que Aimé Césaire parte para o texto histórico e para o teatro.


No texto histórico e nas peças de teatro, as questões cruciais da identidade cultural ganharão sua complexidade e profundidade próprias, de modo acessível.


No teatro, a questão racial, a questão étnica e cultural, as questões políticas relativas às ilhas francesas no Caribe ou à independência de países africanos ganham vida e serão polemizadas de um modo tal que se tornam importantes para todo leitor interessado na humanização das relações sociais e culturais, independentemente de raça, religião ou origem geográfica.


Para compreender toda a dimensão de Aimé Césaire, é indispensável reler sua obra poética, mas sobretudo sua teatrologia: Uma temporada no Congo (Une saison au Congo), A tragédia do Rei Cristóvão (do Haiti), E os Cães se calavam, Uma tempestade etc, que retratam as experiências chaves na política dos povos negros, na África, no Caribe, nas Américas.


Dos escritores do negro-renascimento americano, dos poetas e escritores da Negritude antilhana, os herdeiros espirituais retomarão o conceito, palavras, idéias, sugestões de estilo, fragmentos de emoções compartilhadas, a serem expressos de outra maneira, a serem aprofundados.

Césaire e a Negritude

O substantivo Negritude é cunhado em 1939, em um texto famoso do poeta martiniquenho Aimé Césaire: O Caderno de volta ao país natal. A idéia de volta é a de um retorno à realidade própria do antilhano, situando-o emocionalmente nas Antilhas, historicamente vinculado à África, à Europa, às Américas.


Para os africanos, o objetivo de uma retomada da procura da "identidade negra" é o enraizamento nos valores negro-africanos e a abertura aos "valores complementares das demais raças", na linguagem de Senghor, liderança africana da Negritude.


Assim, a questão da identidade cultural será muito importante para antilhanos e africanos, em um mesmo momento histórico. O Movimento Modernista, no Brasil (1917-1945) teve preocupações e objetivos semelhantes aos da Negritude antilhana: busca a afirmação de uma identidade cultural brasileira.


Aimé Césaire e Mário de Andrade lançaram sobre o mundo um olhar novo que, graças a eles, já não era mais o mesmo. As contradições, tão presentes em suas obras, estão fortemente ligadas a um ideal do eu deslocado para as mais diversas terras que formam estas sociedades: Américas, África, Europa, Ásia: "Europa. África. Ásia. Eu ouço urrar o aço, o tam-tam dentre a mata, o templo dentre os bananais. E eu sei que é o homem quem fala".


Césaire está muito consciente do fato de que ao expressar-se com verdade, também expressa um povo, uma cultura. Em uma entrevista na revista Tropiques, ele considera que fazer "arte pela arte" é inadmissível: "Eu consideraria como um monstro de egoísmo um martinicano que fizesse arte pela arte. Significaria que ele nunca olhou diante dele, em frente a ele. Há uma sorte de intolerância da situação coletiva, isto me engaja".


O poema “Corpo perdido” (Corps perdu) é significativo da fantasia de poder libertar as ilhas do peso emocional e histórico da escravidão que alimentou toda a obra do poeta. Peso do qual, individualmente, ele de fato libertou-se, pela literatura, como vimos em seu livro Moi, laminaire... , de 1983.


Como observou Jean-Paul Sartre em seu ensaio Orfeu Negro, a utilização do termo "negro" não podia ser senão o primeiro aspecto importante de uma linguagem recuperadora da dignidade ultrajada. E tal uso marcará assim a produção literária da negritude dos anos 30 como da jovem Negritude brasileira que renasce nos anos 70.

* texto extraído de artigo de Maria de Lourdes Teodoro, ao Jornal Ìrohin Online.

quarta-feira, abril 30, 2008

Ronaldo e o "narciso ao avesso" dos brasileiros



Ao ter escutado e lido muitas piadas de mau gosto, zoações e sacanagens que o povo está fezendo envolvendo o escândalo do jogador Ronaldo Fenômeno com as travestis, fico pensando naquela frase do Nelson Rodrigues: "o brasileiro é um Narciso ao contrário, que cospe na própria imagem..."

Que Ronaldo é um craque de bola, não se discute. Afinal, ninguém recebe gratuitamente, por parte dos espanhóis, o apelido de "Fenômeno", ganho no tempo em que o atleta jogava no Barcelona. O cara surgiu nas profundezas da miséria do subúrbio carioca de Bento Ribeiro, venceu na vida graças ao seu talento, teve uma lesão fudidaça no ano 2000, passou 1 ano se recuperando e, em 2002, presenteou os brasileiros com o pentacampeonato na Copa da Coréia/Japão. E, em troca, recebe o quê? Apelidos desairosos, como Ronaldo Gorducho, Fofucho e zoação total por causa deste lamentável episódio.


Na Argentina, mesmo tendo cheirado todas as carreiras do mundo e estar mais gordo do que muito Rei Momo do carnaval brasileiro, os portenhos até hoje endeusam Maradona e ainda acreditam que Dieguito "Mano de Dios" seja melhor do que Pelé.


Na Copa de 1998, no jogo das quartas-de-final entre Inglaterra x Argentina, o então jovem David Beckham foi expulso antes da metade do 1º tempo, colocando o English Team em maus lençóis na partida. No dia seguinte à desclassificação na Copa, os jornais ingleses elegeram Beckham como vilão daquela decisão e chamaram o jogador de "stupid boy". Pouco tempo depois, Beckham (que joga beeem menos do que Ronaldo) reverteu o jogo a seu favor. A opinião pública inglesa e mundial passou a comer na sua mão, o cara se transformou em sinônimo de elegância, educação britânica, refino e sofisticação. Nem o fato da mulher dele, a ex-Spice Girl Vitória Adams ter declarado certa vez que "David usa as minhas calcinhas" abalou o prestígio do metrossexual. Já Ronaldo, aqui no Brasil...


Com a grana que tem, o Fenômeno poderia ter todas as mulheres (ou travestis) de programa que ele quisesse. Por ser uma pessoa pública, talvez tivesse dispensado pouca atenção a esse fato. No entanto, está claro que aconteceu uma extorsão. Só que Ronaldo está bastante visado pela lesão no joelho, por ter sido chamado de gordo em plena Copa do Mundo, por ter sido visto em noitadas, etc. Mas a intolerância e a troça cruel dos brasileiros o lincharam publicamente.

Força, Ronaldo!

quarta-feira, abril 23, 2008

Salve, Jorge!


Jorge da Capadócia

(Jorge Ben Jor)

Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos, não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e nao me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal

Armas de fogo,meu corpo não alcançará
Espadas, facas e lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Jorge é de Capadócia, viva Jorge!
Jorge é de Capadócia, salve Jorge!

Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor
Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor

Ogam toca pra Ogum
Ogam toca pra Ogum
Ogam, Ogam toca pra Ogum

Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia


Jorge BenJor - Jorge de Capadócia

sexta-feira, abril 04, 2008

Eu tenho um sonho


Há 40 anos um tiro calou a voz do reverendo Martin Luther King Jr. A bala pode ter calado a voz, mas não calou o sonho.


Relembre - ou conheça - o mais famoso discurso de King, "I have a dream" (Eu tenho um sonho), proferido em 28 de agosto de 1963, nos degraus do Lincoln Memorial, em Washington DC.




quarta-feira, abril 02, 2008

Flagrante na AL




Flagrante do Brisa, quando acompanhava, no plenário da Assembléia Legislativa, o Grande Expediente que homenageou os 85 anos do Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista. Paletó, gravata, sapato e uma marra sem tamanho...hehehehe. O jeito de estar formal e compenetrado me lembrou dos tempos que eu trabalhava na assessoria de imprensa do Palácio Piratini.

sexta-feira, março 14, 2008

Não ao rodízio!


Estamos em 2008, ano eleitoral e de propostas eleitoreiras. A mais nova idéia de jerico da cidade é um projeto que está sendo discutido na Câmara de Vereadores que propõe a adoção de rodízio de automóveis em Porto Alegre.

O projeto, idealizado por um vereador, até que é dotada de boa intenção: propõe um revezamento de veículos num raio de 15 quilômetros a partir do centro da Capital entre segunda e sexta-feira a fim de reduzir os engarrafamentos na cidade. Medida semelhante já existe há mais de 10 anos em São Paulo.

Sabiamente, a prefeitura afirma que não adotará revezamento.

Ora, comparar a realidade do trânsito de São Paulo com Porto Alegre com São Paulo é um desvario. Aqui não há a frota de veículos que tem a terra da garoa. A capital paulista adota o rodízio desde 1997 e tem uma frota de 6 milhões de veículos. O índice é 10 vezes maior do que os 591 mil registrados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) em dezembro na capital gaúcha.

E de mais a mais, quem seria atingido pela medida? Nós, motoristas particulares, já que veículos de carga, transporte coletivo e escolar, táxis, motos, guinchos e ambulâncias não fariam parte do projeto, assim como acredito que os veículos oficiais também não.

Numa leitura mais aprofundada, percebe-se que o projeto lembra aquela piada de que se um paciente vai ao dentista com dor de dente, o médico prefere arrancar o dente para que não sinta mais dor, ao invés de tratá-lo.

Quais seriam as soluções, além (obviamente) de qualificar o transporte coletivo? Que tal começar por uma varredura nos milhares de carros que circulam irregulares pela cidade?Quantos automóveis circulam pela cidade sem que os documentos estejam em dia? Quantos motoristas dirigem sem estarem habilitados (sei de gente que não tem nem certidão de nascimento, o que dirá carteira de motorista)? E os DKWs, kombis, brasílias e caminhonetes detonadas que rodam por aí impunemente sem cinto de segurança, faróis queimados e com os pneus carecas oferecendo serviços de fretes e carretos na frente dos supermercados e armarinhos? E os condutores que circulam por aí com os pontos estourados na habilitação? E as carroças que atravancam as grandes avenidas a qualquer hora do dia?

Propor rodízio de carros é muito simples, afinal, é mais fácil proibir do que educar ou realmente atacar os problemas que interessam. Além do que, o projeto não resolve definitivamente o problema. Quem é dependente de automóvel e - principalmente - tem condições financeiras, é capaz até de comprar outro carro para fugir do rodízio.

quinta-feira, março 13, 2008

Obrigado, gente!


Agradeço a todas as pessoas que me deram força e encaminharam palavras de carinho e de estímulo ou que simplesmente me ligaram, escreveram ou mandaram e-mails e scraps querendo saber como eu estava. São gestos simples, mas que neste momento se revelam muito preciosos. Valeuzão!

sexta-feira, março 07, 2008

A estrela mais linda é ela


Desde ontem, dia 6 de março, a constelação que decora o céu ficou ainda mais brilhante, ainda mais forte. É que chegou uma estrela nova, forte, linda, bondosa e toda amorosa.


O nome desta estrela é Maria da Conceição. Desde ontem, minha mãe deixou este plano terrestre para se tornar uma estrela. Ao meu ver, a estrela mais bonita e radiante que existe no céu. Eu, egoisticamente, queria que ela ainda estivesse aqui junto conosco. Mas o Arquiteto do Universo assim quis e chamou a minha mãe para o lado Dele. E sabe como é, com o Chefe não tem tergiversação.

A saúde da Dona Maria ficou debilitada de fevereiro para cá. As dores começaram a ser constantes nela. E imagino que fossem dores lancinantes, porque minha mãe nunca foi de fazer fita.

Tudo aconteceu muito rápido. Entre terça e quarta-feira foram 3 hospitais envolvidos. Infelizmente, o coração gigante e bondoso dela (coração de mãe mesmo) parou de bater na manhã de quinta-feira. Ela foi embora, mas foi melhor desse jeito do que viver sofrendo ou ficar com seqüelas.

É, minha gente. Para morrer, basta estar vivo. Tanto com o meu pai quanto agora com a minha mãe, foi tudo muito rápido. Acredito que Deus, Oxalá, Jeová, Tupã, Alá, Zeus ou seja qual for o Ente Superior que nos guia quando chama para Si essas pessoas especiais, o faz sem que elas sofram. Claro que para nós, que ficamos, o sofrimento é enorme.

Chorei bastante, me emocionei, mas tenho a consciência tranqüila de que fui um bom filho, que eu sempre tratei a minha mãe com muito carinho, com muito afeto e amor, me preocupava com ela e tudo que a gente pôde fazer para mantê-la aqui conosoco foi feito. Eu ja tinha dito isso quando da morte do pai: se eu pudesse doar anos da minha vida para o meu pai ou a minha mãe viverem um pouco mais eu faria.

Bem, o que interessa agora é que mamãe descansou e, de certa forma, nós, familiares, também, pois quando uma pessoa adoece, toda a familia fica doente também. Esse é o consolo que fica.
Portanto, para aqueles que a conheceram (e para os que não a conheceram também) quando olharem para o céu e virem uma estrela bem brilhante, abanem para ela e digam "Oi, dona Maria". Com um pouco de atenção, vocês poderão reparar que a estrela irá sorrir e retribuir o aceno também.

E depois de quase 5 anos de separação, minha mãe, Dona Maria se reencontra novamente com meu pai, o Seu Paris. Já que eles estão juntos novamente e provavelmente felizes, aqui eu fico feliz por eles também.

Obrigado por tudo. Te amo, mamãe querida!

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Bissexto


Hoje é 29 de fevereiro. É, pois é, 2008 é um ano bissexto. Mais um dia no nosso calendário. Nada de muito importante ou muito útil, apesar da data cair numa sexta-feira e a constatação (que pode soar manjada) de que o ano está indo rápido demais. Ou será que a gente não tem nem mais tempo para ver o tempo passar?

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

BBBrrrr...

Mas isso era certo que iria acontecer. Jaque Khury, a primeira participante a ser eliminada da oitava edição do reallity show (argh!) Big Brother Brasil irá estampar a capa da Playboy no mês de março.





O BBB é isso. Fábrica de celebridades efêmeras, inúteis, frívola e que contribui diariamente para o embotamento do cérebro do telespectador.

O jornalista José Simão definiu bem o que é o BBB: é um monte de gente sem nada pra fazer assistindo algumas pessoas não fazerem nada.

Para quem não conhece, existe até um blog de zoação, o Big Bosta Brasil. Mas é sinal que até esses dispensam um tempo para essa bomba.


quarta-feira, fevereiro 27, 2008

MSN fora do ar




Bem que eu notei que algo estava diferente. Eu clicava, clicava, tentava acessar e não conseguia. E eu pensava que era só comigo. Uma pane mundial tirou o messenger MSN do ar ontem. As causas do problema não foram divulgadas pela Microsoft. O Brasil é um dos países com mais contas desse serviço: são 34 milhões de usuários...

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Bah, 2ª feira é f...




Garfield é um sábio. Êta diazinho xaroposo que é segunda-feira. Começar a semana é difícil. Começar de novo, então, é bucha...

Depois da expectativa pela chegada do fim de semana, a 2ª é um anticlímax. Na quinta-feira vem a ansiedade pelo fíndi que se avizinha. A sexta-feira já é o momento em que se está com o pé que é um leque. Sábado e domingo é ócio e entretenimento para quem está de folga. Mesmo para quem trabalha é outro clima. O trânsito está menos selvagem, o ritmo é de plantão, a cidade está menos paranóica. Bancos estão fechados, o número de ônibus cirulando diminui pela metade, quase não se vê caminhões nas ruas.

O tédio já começa no entardecer de domingo. Na tevê, rola Faustão (argh!), Fantástico, Big Brother (aaargh!!) e Teledormindo (putz) já prenunciam que o dia seguinte é dia de São Pega.
Eu evito a segunda-feira. No trabalho, quando eu saio de férias, eu sempre retorno numa terça, nunca em uma segunda.

Geralmente quando rola de, por direito ou merecimento, me oferecem um dia de folga, ao contrário da maioria dos viventes (eu não sei por que), que preferem antecipar o início do fim de semana folgando numa sexta, eu faço o contrário. Eu prefiro prolongar o fim de semana. Prefiro trabalhar na sexta e folgar na segunda e começar a semana na terça. Fiquei sabendo esses tempos que o "domingo" dos padres acontecem às segundas. Experimente encontrar uma igreja aberta na segunda-feira. Não achará. Até que não é uma má idéia, não?