segunda-feira, outubro 13, 2008

STF pode derrubar diploma para jornalista


O Supremo Tribunal Federal (STF) pode derrubar, ainda neste semestre, a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Segundo matéria do site Congresso em Foco, dos 11 ministros que julgarão o recurso extraordinário do Ministério Público Federal que questiona a regulamentação profissional da categoria, seis já se manifestaram de alguma forma contra a exigência de formação específica em jornalismo. A reportagem chama atenção para o fato de que alguns ministros já terem sinalizado, nos bastidores ou em decisões anteriores, sua posição sobre o tema. Um deles é o próprio presidente do STF, Gilmar Mendes, relator do caso.

Em 2006, uma medida cautelar relatada por Mendes, na 2ª Turma do Supremo, permitiu que pessoas sem diploma continuassem a exercer o jornalismo. Os ministros Cezar Peluso, Celso de Mello e Joaquim Barbosa referendaram a posição de Gilmar. Eros Grau e Ricardo Lewandowski não participaram da análise do recurso, mas declararam que não se deveria exigir formação específica para jornalistas, já que, na opinião deles, o exercício profissional não dependeria de conhecimentos específicos.

A matéria lembra que a possibilidade de derrubada da obrigatoriedade do diploma de jornalista não se restringe à ação do Judiciário. Propostas vindas do Executivo e do Legislativo também apresentam mecanismos de flexibilização da exigência de graduação específica para a área. O recurso está pronto para entrar na pauta.

Pesquisa de opinião realizada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)/Sensus revelou que 74,3% dos dois mil entrevistados em território nacional disseram ser a favor do diploma, contra 13,9% que defendem a atuação jornalística sem o documento. O presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo, prometeu entregar cópias da pesquisa aos 11 ministros do STF.

sexta-feira, outubro 03, 2008

CQC sabatina os prefeituráveis de POA

Rafael Cortez, do CQC (TV Band, segundas, às 22h) sabatinou os(as) candidatos(as) à prefeitura de Porto Alegre. Menos o Fogaça.

Muito legal. Confira!!

terça-feira, setembro 30, 2008

Horário eleitoral


Até que enfim está terminando a torturante propaganda eleitoral gratuita, tanto no rádio quanto na tv. Confesso que, ao contrário de eleições passadas, não estou tão interessado neste tipo de programação.

Até porque é sempre aqueles papinhos, promessas e a amídia bombardeia os espectadores com overdoses cavalares de entrevistas "exclusivas" e debates. Cada emissora de rádio, cada emissora de tevê, cada jornal e cada site querem faser "a sua" entrevista com cada candidato, o que acarreta repetição e enfado.

E alguns candidatos a vereadores? Nossa, dá vontade jogar a tevê ou o rádio pela janela, com tanta criatividade.

Enquanto isso, sou mais o horário eleitoral do Pânico na TV. Humor tem que ser para profissional.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Que mico!


Acordo.

Ligo o rádio. Propaganda eleitoral.

- Puxa, horário político? Deve ser entre 7 e 7 e meia.

Vejo o relógio de pulso. Os dois ponteiros apontados para o doze.

- Pô, fala sério! O relógio parou ontem à meia-noite? Putz...

O sol entrando por entre as frestas da veneziana.

Ligo o celular. Hora: 12:01.

Sobressalto.

- Caraca!

Pego o controle remoto e ligo a tevê. Cristina Ranzolin dando bom-dia e começando o Jornal do Almoço.

Tudo o que eu tinha para fazer pela manhã ficou para trás. Meu Deus, que mico!

sábado, setembro 20, 2008

Parabéns!





















Seu aniversário
(Lulu Santos)
Canta: Lulu Santos

Hoje é seu dia
É muito justo
Que seja tão especial
Toda a sua tribo
Também concorda
E acha supernatural

A gente quer tanto bem a você
Sua alegria contagia a todos nós
A gente quer é lhe devolver
Parte do que você
Traz pra gente

Parabéns! Parabéns!
Hoje é o seu aniversário
Parabéns! Parabéns!
Mais uma volta no calendário


Que você sorria
É o que importa
Baby! todo dia
Ter você presente
É nossa sorte
É o que nos faz potentes

A gente quer tanto bem a você
Sua inocência purifica todos nós
A gente quer é lhe devolver
Parte do que você
Faz pra gente

Parabéns! Parabéns!
Hoje é o seu aniversário
Parabéns! Parabéns!
Mais uma volta no calendário


A gente quer tanto bem a você
Sua energia modifica todos nós
E quer é lhe devolver
Parte do que você
É pra gente!

Parabéns! Parabéns!
Hoje é o seu aniversário
Parabéns! Parabéns!
Mais uma volta no calendário


E essa é pra você tocar
Na sua festa...



domingo, setembro 07, 2008

Não vi


Acabou a Expointer e, graças a Deus, não vi boizinhos, vaquinhas, cavalinhos, porquinhos e ovelhinhas. Faz dois anos que não piso no Parque Assis Brasil, em Esteio. E espero não ter que ir para lá nos próximos anos. Eu é que sei o que sofri...

terça-feira, setembro 02, 2008

Um convite

Meu amigo e ex-colega de Fabico e hoje escritor e poeta consagrado Fabrício Carpinejar vai autografar no próximo dia 9, na Livraria Cultura, do Shopping Bourbon Country, "Canalha", seu mais recente livro, uma coletânea de crônicas.


Está aí mais uma obra deste artista "performático, poliédrico e hiperativo", como se define.



sábado, agosto 30, 2008

Hoje, preciso de você...

Nossa! Como estou romântico hoje...




Só Hoje

(Fernanda Mello e Rogério Flausino)

Jota Quest

Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito
Nem que seja só pra te levar pra casa
Depois de um dia normal
Olhar teus olhos de promessas fáceis
E te beijar a boca de um jeito que te faça rir
(que te faça rir)

Hoje eu preciso te abraçar
Sentir teu cheiro de roupa limpa
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz!

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria
Em estar vivo

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia
Que eu faço tudo errado sempre, sempre.

Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje

(solo)

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria
Em estar vivo

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia
Que eu faço tudo errado sempre, sempre

Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso!
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje (repete 2x)

quarta-feira, agosto 20, 2008

Da série "Teu passado te condena"...

Dois momentos nos anos 80 em que eu canalizava minhas energias em prol da música (principalmente do rock and roll).

Abaixo, Eduardo "Zé" Garcya (bass), eu (drums), Ricardo "Steve" Boeira (lead guitar) e Márcio Allegretti (keyboards), em 1989. Banda INVASÃO A DOMICÍLIO, aquela que poderia ter sido...



Aqui, uma banda "paralela", comigo (sentado em cima da mesa, detalhe para a meia branca com o sapato preto), Marcio, Zé e o saudoso Nêgo Sílvio (de óculos). O ano era 1988.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Por fora do Festival de Gramado


Terminou ontem a 36ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Tá, e daí? Certamente que você não verá em nenhum cinema perto de você os filmes que foram exibidos e/ou premiados na mostra deste ano. Nem na do ano passado, nem na do retrasado. Com sorte, poderá assistir a alguma película premiada durante a programação do Canal Brasil. Daqui a uns 6 meses.


Festival de cinema de filmes brasileiros é assim que funciona. É tipo festa privê, fechada, feita e direcionada para os seus pares. E o povo? O povo fica se acotovelando atrás do cordão de isolamento para ver os astros e estrelas caminharem no tapete vermelho em direção ao Palácio dos Festivais.


Ah, parabéns a todos os premiados do festival de cinema (que eu não sei quem são).

terça-feira, julho 22, 2008

Solano, cem anos


Nesta semana, mais precisamente no dia 24 de julho, completam-se cem anos do nascimento de um dos mais significativos poetas populares brasileiros. Solano Trindade foi poeta, pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Nasceu em 1908, no bairro de São José, no Recife (PE), era filho de Manuel Abílio, mestiço, sapateiro, e da quituteira Dona Emerenciana de Jesus. Estudou até completar um ano de desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Solano teve uma importante militância à causa desenvolvida em favor de um povo até ento oprimido.

Começou a militância a partir de 1930, quando começou a compor poemas afro-brasileiros e, já integrado nesta corrente, participa em 1934 do I e II Congresso Afro-Brasileiro, no Recife e Salvador. Em 1936 fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro, que tinha o objetivo de divulgar os intelectuais e artistas negros. Em 1940 transfere-se para Belo Horizonte. Depois chegou ao Rio Grande do Sul, fixando-se por um tempo em Pelotas, onde fundou com o poeta Balduíno de Oliveira um grupo de arte popular. Esta foi sua primeira tentativa de criar um teatro do povo, o que não se concretizou devido à enchente de 1941, que carregou todo o material. Voltou então para Recife, indo logo depois para o Rio, onde no "Café Vermelhinho", detém-se a discutir e a conversar com jovens poetas e intelectuais, artistas de teatro, políticos e jornalistas. Ali fez sucesso.

Em 1944, edita o livro "Poemas de uma vida simples", onde se encontra o seu declamad�ssimo "Trem sujo da Leopoldina". Em 1945 funda o Comitê Democrático Afro-brasileiro, com Raimundo Souza Dantas, Aladir Custódio e Corsino de Brito. Em 1954 está em São Paulo, criando na cidade de Embu, um pólo de cultura e tradições afro-americanas. Em São Paulo também funda o Teatro Popular Brasileiro - TPB, onde desenvolveu uma intensa atividade cultural voltada para o folclore e para a denúncia do racismo. Em 1955 viaja para a Europa, com o TPB, onde dá espetáculos de canto e dança. Em 1958 edita "Seis tempos de poesia"; em 1961, "Cantares ao meu povo" (com uma reunião de poemas anteriores).

Solano Trindade faleceu no Rio de janeiro, em 19 de fevereiro de 1974, aos 66 anos.


Tem gente com fome

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Piiiiii

Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha
Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Tantas caras tristes
querendo chegarem algum destino
em algum lugar
Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer

Mas o freio de ar
todo autoritário
manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuuu


SOU NEGRO


SOU NEGRO
MEUS AVÓS FORAM QUEIMADOS
PELO SOL DA ÁFRICA
MINH’ALMA RECEBEU O BATISMO DOS TAMBORES
ATABAQUES, GONGUÊS E AGOGÔS

CONTARAM-ME QUE MEUS AVÓS
VIERAM DE LOANDA
COMO MERCADORIA DE BAIXO PREÇO
PLANTARAM CANA PRO SENHOR DO ENGENHO NOVO
E FUNDARAM O PRIMEIRO MARACATU
DEPOIS MEU AVÔ BRIGOU COM UM DANADO
NAS TERRAS DE ZUMBI
ERA VALENTE COMO QUÊ
NA CAPOEIRA OU NA FACA
ESCREVEU NÃO LEU
O PAU COMEU
NÃO FOI UM PAI JOÃO
HUMILDE E MANSO
MESMO VOVÓ
NÃO FOI DE BRINCADEIRA
NA GUERRA DOS MALÉS
ELA SE DESTACOU
NA MINH’ALMA FICOU
O SAMBA
O BATUQUE
O BAMBOLEIO
E O DESEJO DE LIBERTAÇÃO...


In:“SOLANO TRINDADE CANTARES AO MEU POVO”
ED FULGOR
1961


Gravata Colorida
Quando eu tiver bastante pão
para meus filhos
para minha amada
pros meus amigos
e pros meus vizinhos
quando eu tiver
livros para ler
então eu comprarei
uma gravata colorida
larga
bonita
e darei um laço perfeito
e ficarei mostrando
a minha gravata colorida
a todos os que gostam
de gente engravatada...

Quem tá gemendo?

Quem tá gemendo,

Negro ou carro de boi?
Carro de boi geme quando quer,
Negro, não,
Negro geme porque apanha,
Apanha pra não gemer...

Gemido de negro é cantiga,
Gemido de negro é poema...

Gemem na minh'alma,
A alma do Congo,
Da Niger, da Guiné,
De toda África enfim...
A alma da América...
A alma Universal...

Quem tá gemendo,
negro ou carro de boi?

sexta-feira, julho 04, 2008

Respirando água


Não agüento mais essa neblina que assola a cidade. Há uma semana Porto Alegre é só umidade e cerração. O sol tá nos devendo uma visita há dias. Estamos respirando água. Pô, São Pedro, alivia...

quarta-feira, junho 25, 2008

Obrigado, Dudu



Eu costumo dizer que, como jornalista, eu gosto muito do que faço. No entanto, nem sempre eu faço o que quero.

Mas, ontem foi um dia especial. Motivador. Um aluno do IPA, portador de paralisia cerebral, mostrando determinação e superação dos obstáculos naturais, defendeu sua monografia no curso de Jornalismo. Mandamos releases para a imprensa e a notícia bombou, com repercussão no país inteiro através dos telejornais, sites noticiosos (Terra, G1, UOL)e também foi capa da Zero Hora do dia de hoje. Foi até matéria que encerrou a edição do Jornal Nacional (o sonho de quem é assessorado por jornalistas). Com direito até a lágrimas e voz embargada da Fátima Bernardes.

A cada aparição do jovem Eduardo Purper na tevê ou na internet, nós, a equipe da Assessoria, comemorávamos como se tivéssemos feito um gol. E, na verdade, foi. Um gol de placa. Principalmente do Dudu, que nos fez trabalhar no pré e no pós evento de maneira apaixonada e felizes por vermos concretizado o fruto do nosso trabalho.

Sem dúvida, um golaço. É isso aí, Dudu. Muito obrigado.

terça-feira, junho 17, 2008

Jamelão, meu parente



Ao receber a notícia da morte do cantor Jamelão (1913-2008) eu senti como se eu tivesse perdido um parente querido. Explico: eu me criei, desde pequeno, escutando a voz tronitroante do sr. José Bispo Clementino dos Santos, através dos discos que o meu pai tinha. E o pai (ardoroso fã) gostava de cantar as mesmas músicas imitando o timbre de voz do Jamela. Além de ouvir o fino da dor-de-cotovelo (Lupicínio Rodrigues, Lúcio Cardim e Ari Barroso, entre outros), eu também curtia aquela voz que entoava os sambas da Estação Primeira de Mangueira.
Ou seja, a voz de Jamelão estava permanentemente presente em nossa casa. Era como se fosse o irmão mais velho do meu pai. Ambos torciam pelas cores verde e rosa. No futebol, o pai era flamenguista roxo, e Jamelão, vascaíno de vestir camisa. Mas este último detalhe pouco importava.

Uma das minhas grandes frustrações foi não ter conseguido conhecer pessoalmente o Jamelão. E por duas vezes, na época em que eu trabalhava na Rede Bandeirantes, eu QUASE consegui.
Na primeira, lá pelos idos de 1997, eu apresentava um programa de carnaval na Band AM, aos sábados, e o Jamelão estaria em Porto Alegre naquele dia. Rolou o boato de que o Jamelão poderia visitar os estúdios da rádio, pois um dos outros apresentadores do programa garantiu que o velho intérprete apareceria. Que nada! Fiquei quatro horas no ar e nada do Seu José Bispo aparecer.

Na outra vez, em 2000, Jamelão veio a POA inaugurar a boate Se Acaso Você Chegasse, de propriedade do filho de Lupcínio. Como todos sabem, Jamelão foi o intérprete maior das músicas de Lupi. Só que o show de inauguração aconteceria na noite de uma quinta-feira, e o programa que eu trabalhava, chamado Manhã Bandeirantes, ia ao ar das 9h30 às 11h e o cantor só chegaria na cidade durante a tarde. Putz!

Depois disso, as vindas de Jamelão a POA passaram a ser mais escassas, eu saí da rádio e não tive mais oportunidade, profissionalmente, de ter contato com o cantor. Na semana em que meu pai morreu, Jamelão estava completando 90 anos. O aniversário do cantor aconteceu no dia 12 de maio e meu pai fez a passagem quatro dias depois. E, no hospital, eu lembro de ter falado pro meu pai sobre o aniversário do Jamelão. E eu tinha visto, dias antes, o CD "Cada vez melhor", que era o mais recente lançamento. Pensei em comprar, gravar numa fitinha k-7 e entregar para o pai escutar no hospital. Infelizmente, não deu tempo...

Mas eu me lembro a primeira vez que eu vi o Jamelão. Eu tinha uns 5, 6 anos, e ele pôs o auditório Araújo Vianna inteiro pra gingar com o samba enredo da Mangueira naquele carnaval: "oba-ba, oba oba-bá/ é a Mãe do Ouro/ que vem nos salvar".

Para quem gosta, aí vai um link do disco "Jamelão interpreta Lupicínio Rodrigues", gravado em 1972, extraído do blog Cápsula da Cultura. Siga em paz, velho mestre!




* Para baixar o arquivo é só clicar no link (não se preocupe, não é vírus). Vai abrir uma página, depois, é clicar onde diz "star the download". Aí é só escolher entre abrir o arquivo (que virá zipado) ou salvar em alguma pasta do pc.


segunda-feira, junho 16, 2008

Coisa estranha


É muito estranho para um torcedor gremista ver o técnico Adenor Bachi, o Tite, fardado de colorado.

O treinador, responsável pela penúltima boa fase do clube (a última boa fase foi vivida até o final do ano passado, com Mano Menezes), é um excelente profissional que até hoje os tricolores suspiram de saudade. Digamos que Tite, Mano e Felipão formam uma espécie de "santíssima trindade" entre os treinadores que marcaram época no estádio Olímpico nos últimos 15 anos.
Estranho, muito estranho.

sábado, maio 31, 2008

Visão restrita de Santa Maria


Algumas ruas do centro de Santa Maria (RS) vistas do 8º andar de um hotel da cidade da Boca do Monte. Manhã de um domingo no final do mês de abril...

sexta-feira, maio 02, 2008

Em memória de Aimé Césaire*


Faleceu dia 17 de abril o político martiniquenho Aimé Césaire, aos 94 anos. Grande poeta da Negritude, cantada em seu célebre poema de 1939, "Caderno de volta ao país natal", onde afirmou: "É-belo-e-bom-e-legítimo ser negro".


Césaire foi um dos fundadores da Negritude e um anticolonialista determinado. Parlamentar francês-martiniquenho entre 1945 e 1994. Foi inicialmente membro do Partido Comunista Francês, fundou o Partido Progressista Martiniquenho, aderiu ao Partido Socialista, enfim, combateu toda sua vida pela liberdade e pela dignidade do ser humano, do povo martiniquenho, em particular, do povo negro, especialmente.


Seu nome completo era Aimé Fernand David Césaire, nascido aos 26 de junho de 1913 em Basse Pointe, na Martinica, e falecido no dia 17 ultimo em Fort-de-France.


"Uma grande voz se apaga, a de um homem de opinião, de criatividade, de testemunho, que, durante toda sua vida, foi um despertador de consciências, uma lucidez sobre o seu tempo, um portador de esperanças para todos os humilhados, um combatente incansável pela dignidade humana", declarou a ex-presidenciável socialista francesa Ségolène Royal, em Poitou.


Césaire esteve no Brasil no início da década de 1960. Em 2006 seu nome foi indicado por uma instituição da Bélgica para o Prêmio Nobel da Paz, no momento em que o Congo teve a primeira experiência de eleições livres para presidente da República.


Reconhecemos em Aimé Césaire a importância do seu pensamento, de sua obra e de seu trabalho político, de sua profunda sinceridade com suas causas.


O poeta surrealista francês André Breton, em prefácio ao "Caderno de volta ao país natal", considerou Césaire "o maior poeta surrealista do século XX". Ao prefaciar a Antologia da poesia negra e malgaxe, organizada por Léopold Senghor, uma outra liderança da Negritude, Jean-Paul Sartre considerou longamente a beleza e o espírito provocador e revoltado dos poemas de Césaire. O que queriam os brancos, se perguntava Sartre. Ele esperava que os brancos recebessem a literatura dos negros com o respeito que é devido aos bons autores, e não como se acolhessem produções de crianças precoces.


Césaire preocupava-se com a condição humana do negro em qualquer lugar do planeta, de um modo tal que suas reflexões interessam não apenas aos negros, mas a todos aqueles que desejam uma humanização do mundo em que vivemos.


Ele foi membro do Partido Comunista Francês, do qual se afastou em 1956, e fundou o Partido Progressista Martiniquenho, no qual permaneceu toda sua vida, como representante de seu povo no Parlamento Francês.


A poesia de Aimé Césaire é uma realização que ilustra o melhor do surrealismo literário no século XX. O texto surrealista valoriza as descobertas da psicanálise: o inconsciente, as livres associações de idéias, etc. Não é por acaso que Aimé Césaire parte para o texto histórico e para o teatro.


No texto histórico e nas peças de teatro, as questões cruciais da identidade cultural ganharão sua complexidade e profundidade próprias, de modo acessível.


No teatro, a questão racial, a questão étnica e cultural, as questões políticas relativas às ilhas francesas no Caribe ou à independência de países africanos ganham vida e serão polemizadas de um modo tal que se tornam importantes para todo leitor interessado na humanização das relações sociais e culturais, independentemente de raça, religião ou origem geográfica.


Para compreender toda a dimensão de Aimé Césaire, é indispensável reler sua obra poética, mas sobretudo sua teatrologia: Uma temporada no Congo (Une saison au Congo), A tragédia do Rei Cristóvão (do Haiti), E os Cães se calavam, Uma tempestade etc, que retratam as experiências chaves na política dos povos negros, na África, no Caribe, nas Américas.


Dos escritores do negro-renascimento americano, dos poetas e escritores da Negritude antilhana, os herdeiros espirituais retomarão o conceito, palavras, idéias, sugestões de estilo, fragmentos de emoções compartilhadas, a serem expressos de outra maneira, a serem aprofundados.

Césaire e a Negritude

O substantivo Negritude é cunhado em 1939, em um texto famoso do poeta martiniquenho Aimé Césaire: O Caderno de volta ao país natal. A idéia de volta é a de um retorno à realidade própria do antilhano, situando-o emocionalmente nas Antilhas, historicamente vinculado à África, à Europa, às Américas.


Para os africanos, o objetivo de uma retomada da procura da "identidade negra" é o enraizamento nos valores negro-africanos e a abertura aos "valores complementares das demais raças", na linguagem de Senghor, liderança africana da Negritude.


Assim, a questão da identidade cultural será muito importante para antilhanos e africanos, em um mesmo momento histórico. O Movimento Modernista, no Brasil (1917-1945) teve preocupações e objetivos semelhantes aos da Negritude antilhana: busca a afirmação de uma identidade cultural brasileira.


Aimé Césaire e Mário de Andrade lançaram sobre o mundo um olhar novo que, graças a eles, já não era mais o mesmo. As contradições, tão presentes em suas obras, estão fortemente ligadas a um ideal do eu deslocado para as mais diversas terras que formam estas sociedades: Américas, África, Europa, Ásia: "Europa. África. Ásia. Eu ouço urrar o aço, o tam-tam dentre a mata, o templo dentre os bananais. E eu sei que é o homem quem fala".


Césaire está muito consciente do fato de que ao expressar-se com verdade, também expressa um povo, uma cultura. Em uma entrevista na revista Tropiques, ele considera que fazer "arte pela arte" é inadmissível: "Eu consideraria como um monstro de egoísmo um martinicano que fizesse arte pela arte. Significaria que ele nunca olhou diante dele, em frente a ele. Há uma sorte de intolerância da situação coletiva, isto me engaja".


O poema “Corpo perdido” (Corps perdu) é significativo da fantasia de poder libertar as ilhas do peso emocional e histórico da escravidão que alimentou toda a obra do poeta. Peso do qual, individualmente, ele de fato libertou-se, pela literatura, como vimos em seu livro Moi, laminaire... , de 1983.


Como observou Jean-Paul Sartre em seu ensaio Orfeu Negro, a utilização do termo "negro" não podia ser senão o primeiro aspecto importante de uma linguagem recuperadora da dignidade ultrajada. E tal uso marcará assim a produção literária da negritude dos anos 30 como da jovem Negritude brasileira que renasce nos anos 70.

* texto extraído de artigo de Maria de Lourdes Teodoro, ao Jornal Ìrohin Online.

quarta-feira, abril 30, 2008

Ronaldo e o "narciso ao avesso" dos brasileiros



Ao ter escutado e lido muitas piadas de mau gosto, zoações e sacanagens que o povo está fezendo envolvendo o escândalo do jogador Ronaldo Fenômeno com as travestis, fico pensando naquela frase do Nelson Rodrigues: "o brasileiro é um Narciso ao contrário, que cospe na própria imagem..."

Que Ronaldo é um craque de bola, não se discute. Afinal, ninguém recebe gratuitamente, por parte dos espanhóis, o apelido de "Fenômeno", ganho no tempo em que o atleta jogava no Barcelona. O cara surgiu nas profundezas da miséria do subúrbio carioca de Bento Ribeiro, venceu na vida graças ao seu talento, teve uma lesão fudidaça no ano 2000, passou 1 ano se recuperando e, em 2002, presenteou os brasileiros com o pentacampeonato na Copa da Coréia/Japão. E, em troca, recebe o quê? Apelidos desairosos, como Ronaldo Gorducho, Fofucho e zoação total por causa deste lamentável episódio.


Na Argentina, mesmo tendo cheirado todas as carreiras do mundo e estar mais gordo do que muito Rei Momo do carnaval brasileiro, os portenhos até hoje endeusam Maradona e ainda acreditam que Dieguito "Mano de Dios" seja melhor do que Pelé.


Na Copa de 1998, no jogo das quartas-de-final entre Inglaterra x Argentina, o então jovem David Beckham foi expulso antes da metade do 1º tempo, colocando o English Team em maus lençóis na partida. No dia seguinte à desclassificação na Copa, os jornais ingleses elegeram Beckham como vilão daquela decisão e chamaram o jogador de "stupid boy". Pouco tempo depois, Beckham (que joga beeem menos do que Ronaldo) reverteu o jogo a seu favor. A opinião pública inglesa e mundial passou a comer na sua mão, o cara se transformou em sinônimo de elegância, educação britânica, refino e sofisticação. Nem o fato da mulher dele, a ex-Spice Girl Vitória Adams ter declarado certa vez que "David usa as minhas calcinhas" abalou o prestígio do metrossexual. Já Ronaldo, aqui no Brasil...


Com a grana que tem, o Fenômeno poderia ter todas as mulheres (ou travestis) de programa que ele quisesse. Por ser uma pessoa pública, talvez tivesse dispensado pouca atenção a esse fato. No entanto, está claro que aconteceu uma extorsão. Só que Ronaldo está bastante visado pela lesão no joelho, por ter sido chamado de gordo em plena Copa do Mundo, por ter sido visto em noitadas, etc. Mas a intolerância e a troça cruel dos brasileiros o lincharam publicamente.

Força, Ronaldo!