sexta-feira, maio 02, 2008

Em memória de Aimé Césaire*


Faleceu dia 17 de abril o político martiniquenho Aimé Césaire, aos 94 anos. Grande poeta da Negritude, cantada em seu célebre poema de 1939, "Caderno de volta ao país natal", onde afirmou: "É-belo-e-bom-e-legítimo ser negro".


Césaire foi um dos fundadores da Negritude e um anticolonialista determinado. Parlamentar francês-martiniquenho entre 1945 e 1994. Foi inicialmente membro do Partido Comunista Francês, fundou o Partido Progressista Martiniquenho, aderiu ao Partido Socialista, enfim, combateu toda sua vida pela liberdade e pela dignidade do ser humano, do povo martiniquenho, em particular, do povo negro, especialmente.


Seu nome completo era Aimé Fernand David Césaire, nascido aos 26 de junho de 1913 em Basse Pointe, na Martinica, e falecido no dia 17 ultimo em Fort-de-France.


"Uma grande voz se apaga, a de um homem de opinião, de criatividade, de testemunho, que, durante toda sua vida, foi um despertador de consciências, uma lucidez sobre o seu tempo, um portador de esperanças para todos os humilhados, um combatente incansável pela dignidade humana", declarou a ex-presidenciável socialista francesa Ségolène Royal, em Poitou.


Césaire esteve no Brasil no início da década de 1960. Em 2006 seu nome foi indicado por uma instituição da Bélgica para o Prêmio Nobel da Paz, no momento em que o Congo teve a primeira experiência de eleições livres para presidente da República.


Reconhecemos em Aimé Césaire a importância do seu pensamento, de sua obra e de seu trabalho político, de sua profunda sinceridade com suas causas.


O poeta surrealista francês André Breton, em prefácio ao "Caderno de volta ao país natal", considerou Césaire "o maior poeta surrealista do século XX". Ao prefaciar a Antologia da poesia negra e malgaxe, organizada por Léopold Senghor, uma outra liderança da Negritude, Jean-Paul Sartre considerou longamente a beleza e o espírito provocador e revoltado dos poemas de Césaire. O que queriam os brancos, se perguntava Sartre. Ele esperava que os brancos recebessem a literatura dos negros com o respeito que é devido aos bons autores, e não como se acolhessem produções de crianças precoces.


Césaire preocupava-se com a condição humana do negro em qualquer lugar do planeta, de um modo tal que suas reflexões interessam não apenas aos negros, mas a todos aqueles que desejam uma humanização do mundo em que vivemos.


Ele foi membro do Partido Comunista Francês, do qual se afastou em 1956, e fundou o Partido Progressista Martiniquenho, no qual permaneceu toda sua vida, como representante de seu povo no Parlamento Francês.


A poesia de Aimé Césaire é uma realização que ilustra o melhor do surrealismo literário no século XX. O texto surrealista valoriza as descobertas da psicanálise: o inconsciente, as livres associações de idéias, etc. Não é por acaso que Aimé Césaire parte para o texto histórico e para o teatro.


No texto histórico e nas peças de teatro, as questões cruciais da identidade cultural ganharão sua complexidade e profundidade próprias, de modo acessível.


No teatro, a questão racial, a questão étnica e cultural, as questões políticas relativas às ilhas francesas no Caribe ou à independência de países africanos ganham vida e serão polemizadas de um modo tal que se tornam importantes para todo leitor interessado na humanização das relações sociais e culturais, independentemente de raça, religião ou origem geográfica.


Para compreender toda a dimensão de Aimé Césaire, é indispensável reler sua obra poética, mas sobretudo sua teatrologia: Uma temporada no Congo (Une saison au Congo), A tragédia do Rei Cristóvão (do Haiti), E os Cães se calavam, Uma tempestade etc, que retratam as experiências chaves na política dos povos negros, na África, no Caribe, nas Américas.


Dos escritores do negro-renascimento americano, dos poetas e escritores da Negritude antilhana, os herdeiros espirituais retomarão o conceito, palavras, idéias, sugestões de estilo, fragmentos de emoções compartilhadas, a serem expressos de outra maneira, a serem aprofundados.

Césaire e a Negritude

O substantivo Negritude é cunhado em 1939, em um texto famoso do poeta martiniquenho Aimé Césaire: O Caderno de volta ao país natal. A idéia de volta é a de um retorno à realidade própria do antilhano, situando-o emocionalmente nas Antilhas, historicamente vinculado à África, à Europa, às Américas.


Para os africanos, o objetivo de uma retomada da procura da "identidade negra" é o enraizamento nos valores negro-africanos e a abertura aos "valores complementares das demais raças", na linguagem de Senghor, liderança africana da Negritude.


Assim, a questão da identidade cultural será muito importante para antilhanos e africanos, em um mesmo momento histórico. O Movimento Modernista, no Brasil (1917-1945) teve preocupações e objetivos semelhantes aos da Negritude antilhana: busca a afirmação de uma identidade cultural brasileira.


Aimé Césaire e Mário de Andrade lançaram sobre o mundo um olhar novo que, graças a eles, já não era mais o mesmo. As contradições, tão presentes em suas obras, estão fortemente ligadas a um ideal do eu deslocado para as mais diversas terras que formam estas sociedades: Américas, África, Europa, Ásia: "Europa. África. Ásia. Eu ouço urrar o aço, o tam-tam dentre a mata, o templo dentre os bananais. E eu sei que é o homem quem fala".


Césaire está muito consciente do fato de que ao expressar-se com verdade, também expressa um povo, uma cultura. Em uma entrevista na revista Tropiques, ele considera que fazer "arte pela arte" é inadmissível: "Eu consideraria como um monstro de egoísmo um martinicano que fizesse arte pela arte. Significaria que ele nunca olhou diante dele, em frente a ele. Há uma sorte de intolerância da situação coletiva, isto me engaja".


O poema “Corpo perdido” (Corps perdu) é significativo da fantasia de poder libertar as ilhas do peso emocional e histórico da escravidão que alimentou toda a obra do poeta. Peso do qual, individualmente, ele de fato libertou-se, pela literatura, como vimos em seu livro Moi, laminaire... , de 1983.


Como observou Jean-Paul Sartre em seu ensaio Orfeu Negro, a utilização do termo "negro" não podia ser senão o primeiro aspecto importante de uma linguagem recuperadora da dignidade ultrajada. E tal uso marcará assim a produção literária da negritude dos anos 30 como da jovem Negritude brasileira que renasce nos anos 70.

* texto extraído de artigo de Maria de Lourdes Teodoro, ao Jornal Ìrohin Online.

quarta-feira, abril 30, 2008

Ronaldo e o "narciso ao avesso" dos brasileiros



Ao ter escutado e lido muitas piadas de mau gosto, zoações e sacanagens que o povo está fezendo envolvendo o escândalo do jogador Ronaldo Fenômeno com as travestis, fico pensando naquela frase do Nelson Rodrigues: "o brasileiro é um Narciso ao contrário, que cospe na própria imagem..."

Que Ronaldo é um craque de bola, não se discute. Afinal, ninguém recebe gratuitamente, por parte dos espanhóis, o apelido de "Fenômeno", ganho no tempo em que o atleta jogava no Barcelona. O cara surgiu nas profundezas da miséria do subúrbio carioca de Bento Ribeiro, venceu na vida graças ao seu talento, teve uma lesão fudidaça no ano 2000, passou 1 ano se recuperando e, em 2002, presenteou os brasileiros com o pentacampeonato na Copa da Coréia/Japão. E, em troca, recebe o quê? Apelidos desairosos, como Ronaldo Gorducho, Fofucho e zoação total por causa deste lamentável episódio.


Na Argentina, mesmo tendo cheirado todas as carreiras do mundo e estar mais gordo do que muito Rei Momo do carnaval brasileiro, os portenhos até hoje endeusam Maradona e ainda acreditam que Dieguito "Mano de Dios" seja melhor do que Pelé.


Na Copa de 1998, no jogo das quartas-de-final entre Inglaterra x Argentina, o então jovem David Beckham foi expulso antes da metade do 1º tempo, colocando o English Team em maus lençóis na partida. No dia seguinte à desclassificação na Copa, os jornais ingleses elegeram Beckham como vilão daquela decisão e chamaram o jogador de "stupid boy". Pouco tempo depois, Beckham (que joga beeem menos do que Ronaldo) reverteu o jogo a seu favor. A opinião pública inglesa e mundial passou a comer na sua mão, o cara se transformou em sinônimo de elegância, educação britânica, refino e sofisticação. Nem o fato da mulher dele, a ex-Spice Girl Vitória Adams ter declarado certa vez que "David usa as minhas calcinhas" abalou o prestígio do metrossexual. Já Ronaldo, aqui no Brasil...


Com a grana que tem, o Fenômeno poderia ter todas as mulheres (ou travestis) de programa que ele quisesse. Por ser uma pessoa pública, talvez tivesse dispensado pouca atenção a esse fato. No entanto, está claro que aconteceu uma extorsão. Só que Ronaldo está bastante visado pela lesão no joelho, por ter sido chamado de gordo em plena Copa do Mundo, por ter sido visto em noitadas, etc. Mas a intolerância e a troça cruel dos brasileiros o lincharam publicamente.

Força, Ronaldo!

quarta-feira, abril 23, 2008

Salve, Jorge!


Jorge da Capadócia

(Jorge Ben Jor)

Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos, não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e nao me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal

Armas de fogo,meu corpo não alcançará
Espadas, facas e lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Jorge é de Capadócia, viva Jorge!
Jorge é de Capadócia, salve Jorge!

Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor
Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor

Ogam toca pra Ogum
Ogam toca pra Ogum
Ogam, Ogam toca pra Ogum

Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia


Jorge BenJor - Jorge de Capadócia

sexta-feira, abril 04, 2008

Eu tenho um sonho


Há 40 anos um tiro calou a voz do reverendo Martin Luther King Jr. A bala pode ter calado a voz, mas não calou o sonho.


Relembre - ou conheça - o mais famoso discurso de King, "I have a dream" (Eu tenho um sonho), proferido em 28 de agosto de 1963, nos degraus do Lincoln Memorial, em Washington DC.




quarta-feira, abril 02, 2008

Flagrante na AL




Flagrante do Brisa, quando acompanhava, no plenário da Assembléia Legislativa, o Grande Expediente que homenageou os 85 anos do Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista. Paletó, gravata, sapato e uma marra sem tamanho...hehehehe. O jeito de estar formal e compenetrado me lembrou dos tempos que eu trabalhava na assessoria de imprensa do Palácio Piratini.

sexta-feira, março 14, 2008

Não ao rodízio!


Estamos em 2008, ano eleitoral e de propostas eleitoreiras. A mais nova idéia de jerico da cidade é um projeto que está sendo discutido na Câmara de Vereadores que propõe a adoção de rodízio de automóveis em Porto Alegre.

O projeto, idealizado por um vereador, até que é dotada de boa intenção: propõe um revezamento de veículos num raio de 15 quilômetros a partir do centro da Capital entre segunda e sexta-feira a fim de reduzir os engarrafamentos na cidade. Medida semelhante já existe há mais de 10 anos em São Paulo.

Sabiamente, a prefeitura afirma que não adotará revezamento.

Ora, comparar a realidade do trânsito de São Paulo com Porto Alegre com São Paulo é um desvario. Aqui não há a frota de veículos que tem a terra da garoa. A capital paulista adota o rodízio desde 1997 e tem uma frota de 6 milhões de veículos. O índice é 10 vezes maior do que os 591 mil registrados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) em dezembro na capital gaúcha.

E de mais a mais, quem seria atingido pela medida? Nós, motoristas particulares, já que veículos de carga, transporte coletivo e escolar, táxis, motos, guinchos e ambulâncias não fariam parte do projeto, assim como acredito que os veículos oficiais também não.

Numa leitura mais aprofundada, percebe-se que o projeto lembra aquela piada de que se um paciente vai ao dentista com dor de dente, o médico prefere arrancar o dente para que não sinta mais dor, ao invés de tratá-lo.

Quais seriam as soluções, além (obviamente) de qualificar o transporte coletivo? Que tal começar por uma varredura nos milhares de carros que circulam irregulares pela cidade?Quantos automóveis circulam pela cidade sem que os documentos estejam em dia? Quantos motoristas dirigem sem estarem habilitados (sei de gente que não tem nem certidão de nascimento, o que dirá carteira de motorista)? E os DKWs, kombis, brasílias e caminhonetes detonadas que rodam por aí impunemente sem cinto de segurança, faróis queimados e com os pneus carecas oferecendo serviços de fretes e carretos na frente dos supermercados e armarinhos? E os condutores que circulam por aí com os pontos estourados na habilitação? E as carroças que atravancam as grandes avenidas a qualquer hora do dia?

Propor rodízio de carros é muito simples, afinal, é mais fácil proibir do que educar ou realmente atacar os problemas que interessam. Além do que, o projeto não resolve definitivamente o problema. Quem é dependente de automóvel e - principalmente - tem condições financeiras, é capaz até de comprar outro carro para fugir do rodízio.

quinta-feira, março 13, 2008

Obrigado, gente!


Agradeço a todas as pessoas que me deram força e encaminharam palavras de carinho e de estímulo ou que simplesmente me ligaram, escreveram ou mandaram e-mails e scraps querendo saber como eu estava. São gestos simples, mas que neste momento se revelam muito preciosos. Valeuzão!

sexta-feira, março 07, 2008

A estrela mais linda é ela


Desde ontem, dia 6 de março, a constelação que decora o céu ficou ainda mais brilhante, ainda mais forte. É que chegou uma estrela nova, forte, linda, bondosa e toda amorosa.


O nome desta estrela é Maria da Conceição. Desde ontem, minha mãe deixou este plano terrestre para se tornar uma estrela. Ao meu ver, a estrela mais bonita e radiante que existe no céu. Eu, egoisticamente, queria que ela ainda estivesse aqui junto conosco. Mas o Arquiteto do Universo assim quis e chamou a minha mãe para o lado Dele. E sabe como é, com o Chefe não tem tergiversação.

A saúde da Dona Maria ficou debilitada de fevereiro para cá. As dores começaram a ser constantes nela. E imagino que fossem dores lancinantes, porque minha mãe nunca foi de fazer fita.

Tudo aconteceu muito rápido. Entre terça e quarta-feira foram 3 hospitais envolvidos. Infelizmente, o coração gigante e bondoso dela (coração de mãe mesmo) parou de bater na manhã de quinta-feira. Ela foi embora, mas foi melhor desse jeito do que viver sofrendo ou ficar com seqüelas.

É, minha gente. Para morrer, basta estar vivo. Tanto com o meu pai quanto agora com a minha mãe, foi tudo muito rápido. Acredito que Deus, Oxalá, Jeová, Tupã, Alá, Zeus ou seja qual for o Ente Superior que nos guia quando chama para Si essas pessoas especiais, o faz sem que elas sofram. Claro que para nós, que ficamos, o sofrimento é enorme.

Chorei bastante, me emocionei, mas tenho a consciência tranqüila de que fui um bom filho, que eu sempre tratei a minha mãe com muito carinho, com muito afeto e amor, me preocupava com ela e tudo que a gente pôde fazer para mantê-la aqui conosoco foi feito. Eu ja tinha dito isso quando da morte do pai: se eu pudesse doar anos da minha vida para o meu pai ou a minha mãe viverem um pouco mais eu faria.

Bem, o que interessa agora é que mamãe descansou e, de certa forma, nós, familiares, também, pois quando uma pessoa adoece, toda a familia fica doente também. Esse é o consolo que fica.
Portanto, para aqueles que a conheceram (e para os que não a conheceram também) quando olharem para o céu e virem uma estrela bem brilhante, abanem para ela e digam "Oi, dona Maria". Com um pouco de atenção, vocês poderão reparar que a estrela irá sorrir e retribuir o aceno também.

E depois de quase 5 anos de separação, minha mãe, Dona Maria se reencontra novamente com meu pai, o Seu Paris. Já que eles estão juntos novamente e provavelmente felizes, aqui eu fico feliz por eles também.

Obrigado por tudo. Te amo, mamãe querida!

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Bissexto


Hoje é 29 de fevereiro. É, pois é, 2008 é um ano bissexto. Mais um dia no nosso calendário. Nada de muito importante ou muito útil, apesar da data cair numa sexta-feira e a constatação (que pode soar manjada) de que o ano está indo rápido demais. Ou será que a gente não tem nem mais tempo para ver o tempo passar?

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

BBBrrrr...

Mas isso era certo que iria acontecer. Jaque Khury, a primeira participante a ser eliminada da oitava edição do reallity show (argh!) Big Brother Brasil irá estampar a capa da Playboy no mês de março.





O BBB é isso. Fábrica de celebridades efêmeras, inúteis, frívola e que contribui diariamente para o embotamento do cérebro do telespectador.

O jornalista José Simão definiu bem o que é o BBB: é um monte de gente sem nada pra fazer assistindo algumas pessoas não fazerem nada.

Para quem não conhece, existe até um blog de zoação, o Big Bosta Brasil. Mas é sinal que até esses dispensam um tempo para essa bomba.


quarta-feira, fevereiro 27, 2008

MSN fora do ar




Bem que eu notei que algo estava diferente. Eu clicava, clicava, tentava acessar e não conseguia. E eu pensava que era só comigo. Uma pane mundial tirou o messenger MSN do ar ontem. As causas do problema não foram divulgadas pela Microsoft. O Brasil é um dos países com mais contas desse serviço: são 34 milhões de usuários...

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Bah, 2ª feira é f...




Garfield é um sábio. Êta diazinho xaroposo que é segunda-feira. Começar a semana é difícil. Começar de novo, então, é bucha...

Depois da expectativa pela chegada do fim de semana, a 2ª é um anticlímax. Na quinta-feira vem a ansiedade pelo fíndi que se avizinha. A sexta-feira já é o momento em que se está com o pé que é um leque. Sábado e domingo é ócio e entretenimento para quem está de folga. Mesmo para quem trabalha é outro clima. O trânsito está menos selvagem, o ritmo é de plantão, a cidade está menos paranóica. Bancos estão fechados, o número de ônibus cirulando diminui pela metade, quase não se vê caminhões nas ruas.

O tédio já começa no entardecer de domingo. Na tevê, rola Faustão (argh!), Fantástico, Big Brother (aaargh!!) e Teledormindo (putz) já prenunciam que o dia seguinte é dia de São Pega.
Eu evito a segunda-feira. No trabalho, quando eu saio de férias, eu sempre retorno numa terça, nunca em uma segunda.

Geralmente quando rola de, por direito ou merecimento, me oferecem um dia de folga, ao contrário da maioria dos viventes (eu não sei por que), que preferem antecipar o início do fim de semana folgando numa sexta, eu faço o contrário. Eu prefiro prolongar o fim de semana. Prefiro trabalhar na sexta e folgar na segunda e começar a semana na terça. Fiquei sabendo esses tempos que o "domingo" dos padres acontecem às segundas. Experimente encontrar uma igreja aberta na segunda-feira. Não achará. Até que não é uma má idéia, não?

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Mais de 50 horas de folia. Até que foi bom...


Foi satisfatória a cobertura de carnaval que fizemos na Rádio Guaíba. Ao todo, foram quase 50 horas de transmissão. Ou seja, 50 horas no ar. Cinqüenta horas de Porto Seco, contando a cobertura da muamba, dos desfiles do grupo especial e do acesso e mais a noite das campeãs, no sábado passado.

A equipe reuniu informação de qualidade, descontração, alto astral e muito profissionalismo. Espero que haja continuidade no trabalho e que o carnaval tenha importância na programação da emissora ao longo do ano e não somente quando se aproxima o período de folia.

terça-feira, janeiro 29, 2008

As escolas de samba vêm do tempo de Dom João Charuto

O post de hoje eu pedi emprestado ao grande escritor, compositor e sambista brasileiro Nei Lopes e está no blog dele, o Meu Lote, que inclusive consta na minha lista de favoritos. Ele recupera as origens do carnaval brasileiro, além da gênese na Roma Antiga, informando também o nascedouro da folia na África e nas Antilhas. E eu, singelamente, acrescento, ao final, as origens da folia alegre-portense. Aí vai...

Os historiadores do carnaval brasileiro costumam ver suas origens remotas na Roma antiga, como contou a Beija-Flor, há alguns anos. Mas o fato é que os festejos, embora atrelados ao calendário católico, têm também, sob alguns aspectos, raízes na África negra, encontrando similares em várias culturas africanas. Em Gana, por exemplo, entre os povos Akan (fantis e axantis) é comum a realização de um grande festival anual, o odwira, seguido de um longo período de recolhimento e abstinência, como na quaresma. Certamente devido a essa similitude, as celebrações carnavalescas nas Américas devem sua alegria e seu brilho, fundamentalmente, à música dos afro-descendentes. Assim foi e é nos ranchos carnavalescos, escolas de samba, afoxés, blocos-afro etc, no Brasil; no candombe platino; nas comparsas cubanas; no mardigras, nas Antilhas e em New Orleans.

Nas Antilhas, o carnaval foi introduzido pelos católicos franceses, que costumavam estendê-lo por um bom tempo antes de enfrentarem os rigores da quaresma, sendo que, na Martinica, o costume foi adotado por volta de 1640. Isolados pela sociedade dominante, os escravos uniram-se para celebrar o carnaval à sua moda, com a música e a dança de sua tradição, introduzindo, na festa européia, além de seus instrumentos, suas crenças e seu modo de ser. As festividades do carnaval martiniquenho, o kannaval, expressam-se em um peculiar estado de espírito, transmitido de geração a geração. A cidade de Saint Pierre foi, durante muito tempo, o ponto culminante da festa na ilha, tendo sua fama se estendido por todo o Caribe, atraindo a cada ano milhares de visitantes de todo o mundo.

Depois da devastadora erupção vulcânica de 1808, a tradição carnavalesca reviveu em Fort-de-France, a nova capital, onde, hoje, os preparativos têm início na epifania, em meados de janeiro, quando o povo começa a se animar, e se estendem até a quarta-feira de cinzas. Durante esse período e no carnaval propriamente dito, a cada domingo, grupos fantasiados saem às ruas, em trajes variados: casacos velhos, trajes fora de moda, chapéus rasgados, bem como fantasias brilhantes e coloridas de arlequim, pierrôs e diabos. As máscaras também têm lugar destacado na festa. E além das que homenageiam ou criticam personalidades do momento, como artistas, políticos etc, há as relacionadas à morte, cheias de simbologias africanas -- das quais Aimé Césaire encontrou o significado em rituais da região de Casamance, no norte do Senegal (cf. Alain Eloise). No Haiti, de um modo geral, o carnaval é celebrado dentro desse mesmo espírito e com traços semelhantes aos carnavais do Brasil, de Trinidad e da Louisiana. Em Port-au-Prince, o visitante vai encontrar os mesmos desfiles, festas e fantasias criativas que se vêem nesses lugares.

No Brasil, desde pelo menos o início do Século XIX, a participação do povo negro nos folguedos carnavalescos sempre foi marcada por uma atitude de resistência, passiva ou ativa, à opressão das classes dominantes. Proibidos por lei de, no entrudo, revidarem aos ataques dos brancos, africanos e crioulos procuravam outras maneiras de brincar. Tanto assim que Debret, entre 1816 e 1831, flagrava uma interessante cena de carnaval em que um grupo de negros, fantasiados de velhos europeus e caricaturando-lhes os gestos, fazia sua festa, zombando dos opressores e criando, sem o saber, os cordões de velhos, de tanto sucesso no início do século XX.

Entre 1892 e 1900 surgem no carnaval baiano, pela ordem, a “Embaixada Africana”, os “Pândegos D’África”, a “Chegada Africana” e os “Guerreiros D’África”, apresentando-se em forma de préstitos constituídos única e exclusivamente de negros. Essa modalidade carnavalesca (“a exibição de costumes africanos com batuques”) é proibida em 1905 na Bahia. Exatos dois anos depois, surge no Rio de Janeiro o rancho carnavalesco “Ameno Resedá” que, pretendendo “sair do africanismo orientador dos cordões” (cf. Jota Efegê) conquista, com seus enredos operísticos, um espaço importante para os negros no carnaval carioca, cimentando a estrada por onde, mais tarde, viriam as escolas de samba.

Mas a gênese do carnaval negro brasileiro, o dos cortejos que gerararam as escolas de samba, talvez esteja mesmo é em 1808, no Rio, quando das festas em homenagem à família real que aqui chegava. Vejamos esta descrição dos viajantes John e William Robertson, transcrita no precioso livro de, Mary C. Karasch “A vida dos escravos no Rio de Janeiro; 1808-1850” ( Companhia das Letras, 2000):

“Em frente avançavam os grupos das várias nações africanas, para o campo de Sant’Anna, o teatro de destino da festança e da algazarra. Ali estavam os nativos de Moçambique e Quilumana, de Cabinda, Luanda, Benguela e Angola [...]
“A densa população do campo de Sant’Anna estava subdividida em círculos amplos, formados cada um por trezentos a quatrocentos negros, homens e mulheres.
“Dentro desses círculos, os dançarinos moviam-se ao som da música que também estava ali estacionada; e não sei qual a mais admirável, se a energia dos dançarinos, ou a dos músicos. Podiam-se ver as bochechas de um atleta de Angola prontas a arrebentar pelo esforço de produzir um som hediondo de uma cabaça, enquanto outro executante dava golpes tão abundantes e pesados no tímpano que somente a natureza impenetrável do couro de um boi poderia resistir-lhes. Um mestre-de-cerimônias, vestido como um curandeiro, dirigia a dança; mas era para estimular, não para refrear, a alegria turbulenta que prevalecia com supremo domínio. Oito ou dez figurantes iam e vinham no meio do círculo, de forma a exibir a divina compleição humana em todas as variedades concebíveis de contorções e gesticulações. Logo, dois ou três que estavam no meio da multidão pareciam achar que a animação não era suficiente, e com um grito agudo ou uma canção, corriam para entro do círculo e entravam na dança. Os músicos tocavam uma música mais alta e mais destoante; os dançarinos, reforçados pelos auxiliares mencionados, ganhavam nova animação; os auxiliares pareciam envoltos em todo o furor de demônios; os gritos de aprovação e as palmas redobravam; cada observador participava do espírito sibilino que animava os dançarinos e os músicos; o firmamento ressoava com o entusiasmo selvagem das clãs negras [...]”

Que tal? Digam se não parece que foi aí que nasceram o diretor-de-harmonia, a bateria, as pastoras. Hein?


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E a partir daqui, eu falo um pouco da história do carnaval de Porto Alegre.

O carnaval de Porto Alegre teve origem no século XVIII com o entrudo, brincadeira trazida pelos açorianos, na qual as pessoas atiravam umas nas outras limões (uma bola de cera do tamanho de um limão, cheia de perfume), e havia casos em que se atiravam ovos e farinha nas "vítimas". No século XIX, o entrudo deu lugar às Sociedades Carnavalescas.

A Esmeralda (verde e branco) e os Venezianos (vermelho e branco) mudaram e dominaram o carnaval nessa época, em torno de larga rivalidade entre ambas. Houve um tempo de grandes bailes no Theatro São Pedro. Quem não freqüentava os salões partia para a Cidade Baixa, Menino Deus, Azenha ou bairro Santana, onde a diversão era garantida. As variadas fantasias só dependiam da imaginação dos foliões. Os homens adoravam se vestir de mulher, sendo ajudados pelas esposas, mães ou irmãs.

Blocos, ranchos, cordões de sociedade e tribos carnavalescas foram as primeiras grandes atrações de nossos desfiles, até que surgisse, por volta de 1960, as primeiras Escolas de Samba. Os primeiros desfiles oficiais foram realizados na Av. Borges de Medeiros, e anos depois, na Avenida João Pessoa (1969-1975), depois na Avenida Loureiro da Silva, a Perimetral (1976-1987)) e Avenida Augusto de Carvalho (1988-2003). A partir de 2004, os desfiles se transferiram para o sambódromo no Complexo Cultural Porto Seco. Uma obra destinada para ter a maior e mais moderna pista de desfiles do país, investimento do poder público municipal para o carnaval da Grande Porto Alegre.

Tantos carnavais...
O corso, desfile de carros alegóricos pelas ruas de Porto Alegre, marcava uma festa vivenciada pela camada mais abastada da população.
A muamba é uma atração porto-alegrense, exclusiva dos gaúchos. Esse evento era realizado bem antes do carnaval, pois era uma maneira de arrecadar dinheiro para as festas e fantasias. Ocorria em diversos pontos da cidade, geralmente o pavilhão da escola era carregado aberto e as pessoas jogavam moedas ali.

As tribos carnavalescas foram uma atração à parte nos desfiles locais e eram em torno de 15 grupos, hoje restam apenas duas: Os Comanches e Os Guaianazes.

As bandas eram comuns na época e alegravam muito o povo nas ruas. Nomes como: "Por Causa de Quê", "Filhos da Candinha", "Comigo Ninguém Pode", "Banda DK" foram desaparecendo, levando com elas uma animação que deixou muita saudade. Algumas viraram escolas de samba.


domingo, janeiro 27, 2008

E vamos novamente para mais um carnaval


Estarei nos dias 1º, 2 e 3 de fevereiro participando da transmissão dos desfiles das escolas de samba de Porto Alegre pela Rádio Guaíba AM - 720 khz. As transmissões começarão sempre por volta das 21 horas. Quem quiser prestigiar o nosso trabalho, será um prazer tê-los na audiência.

Ontem, acompanhamos a Muamba oficial de POA, uma pequena prévia do que será o desfile da próxima semana. E, entre tantas personalidades que estiveram na cabine da emissora, recebemos a visita do Rei Momo Frota Jr e das três beldades que compõem a corte do carnaval da cidade: Joselaine de Jesus (2ª princesa), Letícia Costa (1ª princesa) e Emily Ribeiro (rainha).


Ah, o casaco é porque apesar dos 25 graus que fazia lá no Porto Seco, o vento que sopra por lá é bem rigoroso e quem não se agasalhar acaba batendo queixo de frio. Eu, já bastante cancheiro, pus uma jaquetinha jeans...hehehehe

sábado, janeiro 05, 2008

Envelheço na cidade, feliz aniversário

Estou de aniversário. Envelheço na cidade. Três ponto oito. Chegou a me impressionar. Fosse um tempo atrás, eu diria "tudo isso?". Mas estou bem assim, cheio de amor para dar e com muita vontade de aprender coisas e conhecer mais coisas ainda.

E, em homenagem a mim (hehehe), vamos relembrar esse clássico do Ira, - uma das minhas bandas favoritas - composto pelo guitarrista Edgard Scandurra, lá no longínquo ano de 1985.



Mais um ano que se passa
Mais um ano sem você
Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade
Essa vida é jogo rápido
Para mim ou pra você
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
(3x)

Feliz aniversário!...

Meus amigos, minha rua
As garotas da minha rua
Não os sinto, não os tenho
Mais um ano sem você
As garotas desfilando
Os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade
Não pertenço a ninguém

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
(3x)

Feliz aniversário!
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá...
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá...

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
(4x)

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Tudo é tudo e nada é nada


Estou lendo e recomendo o livro "Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia", de Nelson Motta, pela Editora Objetiva. Com um texto talentoso e fluente, Motta parece que esteve sempre ao lado de Tim durante os 55 anos (1942-1998) que o síndico doidão da MPB viveu. Estou devorando o livro e me divertindo com as passagens da vida do Sebastião Rodrigues Maia, um dos artistas mais magníficos que o Brasil já teve. Mas nem só de glamour vivia Tim. A biografia revela os problemas com drogas, a deportação dos Estados Unidos, as neurosas, o gênio difícil, o envolvimento com a seita Universo em Desencanto (que gerou os discos Tim Maia Racional Vol. 1 e Vol. 2) e a inclinação que o cantor tinha para aplicar o "171", já que pagava músicos e comprava carros, instrumentos musicais e imóveis com monumentais cheques sem fundo.




Abaixo, recolhido do You Tube, uma síntese do pensamento Maia, pelo próprio.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Vai começar tudo de novo


Então tá, né? Vamos lá encarar 2008...

Quarta-feira de ressaca, após três dias em Rainha do Mar, revéillon na praia, calorão intenso, muito banho de mar e ardência na pele após ter torrado no sol sem a devida proteção do filtro solar.

Mas valeu a pena. Tudo foi festa para quem, depois de dois anos, nem chegou perto da orla marítima gaúcha.

E o melhor de tudo: semaninha curta e a quarta-feira com maior cara de segunda. É hoje, amanhã e depois de amanhã já é sexta-feira e mais um fim de semana.

E ainda é tempo de desejar: muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender.

Feliz ano novo, meu povo!

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Filas



É incrível como as pessoas gostam de uma fila. Não aquela simpática raça canina. Fila mesmo, tipo indiana, de um atrás do outro. Tinha até um samba, do Paulinho Mocidade, que tratava sobre isso: "fila para entrar na fila, fila pra furar a fila, fila pra sair da fila..." e por aí vai.

Hoje foi o último dia de expediente externo nas agências bancárias. Muita gente procurou as agências para quitar impostos e tributos, sobretudo IPVA, IPTU e afins. E dê-lhe fila. E eu detesto entrar em banco. Procuro, sempre que possível, pagar todas as minhas contas através do débito em conta, sem enfrentar fila de espera e sem sentir a dor da separação com o rico dinheirinho.

Alguém ainda precisa fazer um estudo psicológico ou antropológico do que se passa em um banco quando as filas estão grandes ou gigantescas. Sempre tem um chato que fica falando alto, e reclamando do atendimento e enchendo o saco dos clientes e dos bancários. Ora, se os trabalhadores que ficam nos guichês tivessem uma varinha de condão, lógico que eles gostariam que o atendimento fosse o mais rápido possível. Mas muitas vezes, o próprio correntista tem sua parcela de culpa. Um funcionário do banco percorreu a fila para tentar resolver o problema dos clientes e até abreviar a permanência dos mesmos dentro da agência, se colocando à disposição para ajudar a pessoa a pagar as contas no caixa eletrônica e a fazer depósitos sem ter que passar pelos guichês. Mas não. A maioria das pessoas fincava o pé e dizia que queriam fazer as movimentações no próprio caixa. Vai entender...

Eu mesmo fui no Banrisul para quitar o IPVA 2008 do Brisamóvel. E iria pagar o imposto com um cheque do Real, tudo porque o Real não recebe pagamento do IPVA. Se eu fosse correntista do Banrisul eu nem entrava na agência.

Mas, voltando à visão antropológica, a fila do banco (assim como as filas de posto de saúde) tem poder mágico de aproximar as pessoas. É possível fazer amigos naqueles escassos minutos de aguardo para ser atendido. É uma amizade efêmera, mas tem pessoas que possuem o dom de se "desnudarem" e confiarem intimidades para outras que nunca viram na vida.
Hoje, dia 28, foi o último dia de atendimento dos bancos. No retorno do feriadão, no dia 2 de janeiro, o movimento tende a ser ainda maior e, com isso, mais extensas serão as filas. E vamos que vamos porque a fila tem que andar!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Chumbo nas renas


Como diz o jornalista José Simão: o Brasil é mesmo o país da piada pronta.

Manchete do site G1 da tarde de hoje:


Helicóptero que levava papai noel vira alvo de tiros

Aeronave foi atingida ao sobrevoar favela no conjunto de favelas da Maré, Zona Norte do Rio. Piloto retornou para heliponto e Bom Velhinho teve que seguir de carro até festa de Natal.

A violência do Rio não dá trégua nem para Papai Noel. No último domingo (16), um helicóptero que transportava um bom velhinho, rumo a uma festa de Natal na favela Baixa do Sapateiro, no conjunto de favelas da Maré, Zona Norte do Rio, foi atingido por duas balas de fuzil quando sobrevoava a comunidade Vila do João, dominada por uma facção rival. Ninguém ficou ferido, mas o piloto decidiu retornar ao heliponto da empresa, no Recreio dos Bandeirantes. Restou ao papai noel voltar de carro até a comunidade para distribuir presentes para as crianças.

É... a coisa não tá fácil pra ninguém... Até Papai Noel tá levando pipoco.

domingo, dezembro 16, 2007

Eu e os botecos da vida


Eu sou um cara que não tenho uma relação muito estreita com bares e botecos.

O primeiro motivo é prosaico: eu não bebo nada de álcool. Bem, para não dizer que eu não bebo naaaada, eu sou chegado a um espumante (de preferência que não seja brütt) que deve ser degustado em ocasiões especiais e gosto de um bom vinho. No entanto, para ter uma idéia da quantidade que eu ingiro estas bebidas, acho que eu não consumiria três garrafas de cada, ao ano.

Mas, voltando aos bares. Eu chego até a ter uma certa inveja de amigos e conhecidos que tratam um boteco como se fosse um templo. Para esses, é o máximo passar a noite inteira sentado, bebemorando, mordiscando petiscos, batendo longos papos ou filosofando, afinal, o bar é o berço das grandes resoluções...

Eu é que não sou muito dessa viagem. Pra começar, quem não bebe cerveja e sempre pede refrigerante para o garçom - como eu -, se sente pouco à vontade. E eu não posso beber o equivalente em refri o que meus amigos bebem em ceva. Alguém, em sã consciência, conseguiria ingerir, em apenas uma noite, 4 litros de pepsi ou guaraná?

Ao meu ver, o bar serve como uma escala, o local de aquecimento para algo mais grandioso ou apoteótico. Tipo, reunir a galera para sair. Um boteco é um bom ponto de reunião para depois se deslocar a uma festa, um show ou outra efeméride. Para mim, o bar é o meio, nunca um fim.
A duração ideal para que eu fique em um bar varia entre uma a duas horas. E deu. Eu não sairia de casa para passar a noite sentado em um bar. Não consigo. E, de quebra, ainda ter que levar pinguço para casa? Sem chance.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

3 Efes


Assisti hoje, no dia do lançamento nacional, o novo filme do cineasta gaúcho Carlos Gerbase, "3 Efes". Gerbase foi meu professor da cadeira de Fundamentos de Cinema na Fabico e um misto de professor, músico (foi vocalista e baterista d'Os Replicantes), jornalista, escritor e multimídia.

E foi justamente nas "múltiplas mídias" que Gerbase resolveu apostar. A novidade é que o diretor decidiu lançar seu novo longa simultaneamente no cinema, televisão a cabo (Canal Brasil e TV Com), internet (Terra) e DVD. Segundo o realizador, a iniciativa procura driblar o complicado esquema de distribuição de filmes de baixo orçamento no Brasil.

O longa concentra-se em alguns dias na vida de poucos personagens cujas maiores necessidades explicam o título - comida, sexo e "fasma", palavra que vem do grego e tem a ver com a vida em sociedade. A protagonista é Sissi (Cris Kessler), uma jovem universitária que trabalha no telemarketing para ajudar o pai viúvo e desempregado. Como nunca tem dinheiro, ela vive com fome. Uma amiga diz que está ganhando muito fazendo programas, e a moça começa a pensar nessa possibilidade para aumentar a renda. Sua tia Martina (Carla Cassapo), cozinheira de mão cheia, também anda desgostosa com a vida. O marido Rogério (Leonardo Machado) mal tem tempo para ela, pois está cheio de problemas na agência de publicidade onde trabalha. A mulher, que faz pratos elaborados, começa a convidar um catador de papel (Paulo Rodrigues) para dividir a refeição. Da mesa para a cama é só um passo. Rogério não sente muita fome, mas o sexo passa a ter um papel fundamental quando é obrigado a virar amante de sua chefe para garantir o emprego.

O elenco é composto, na maioria, por atores novatos, como Cris Kessler (fisicamente é uma mistura de Débora Falabella com Heloisa Perissée) e Paulo Rodrigues. O sotaque é carregadíssimo e o porto-alegrês campeia nos diálogos. A história mescla momentos de humor, sarcasmo e até significativas doses de tensão.

"3 Efes" não é bem um filme de tramas, mas de personagens, que se concentra nas pessoas e em suas jornadas em busca de suas três maiores necessidades. Aos poucos, suas vidas vão se cruzando até chegar a um clímax. Feito com uma equipe pequena, o longa foi filmado com uma câmera mini-DV, o que facilitou a gravação, reduzindo os custos de produção e exibição.

Abaixo, o trailer do filme:

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Que sina!




Sou escolado em trabalhar em lugares que estão sempre passando por dificuldades financeiras ou as pra lá de manjadas "fases de transição".

Na época em que eu estagiei na Rádio da Ufrgs, pairava no ar o fantasma da privatização da universidade pública. Vivíamos a Era Collor e começavam a escassear os recursos para a educação superior. Os orçamentos eram enxutos e os investimentos para a emissora eram rasos. Contratação de pessoal, nem pensar!

Recém-formado em jornalismo, encontrei na Rede Bandeirantes meu primeiro emprego com carteira assinada, oba! Entrei no plantel da Band FM que, na época, empregava 13 jornalistas. Ao mesmo tempo que a emissora foi adquirindo computadores para a redação, o quadro de profissionais foi diminuindo, diminuindo... Vivíamos a famosa fase de "reengenharia". Um belo dia, o diretor da REde, Bira Valdez, reuniu todos os funcionários no estúdio B da TV para anunciar que a "empresa ia bem". Semanas após, houve um "passaralho" (jargão jornalístico que significa demissão em grande escala) e o quadro de 30 jornalistas que trabalhavam nas quatro mídias da empresa (TV, Ipanema e Band AM e Band FM) foi reduzido para menos da metade. Entre os atingidos, estava eu. Foi muito emocionante, a minha primeira demissão. Meses depois, eu estava de volta, mas a Band sempre foi uma corporação muito instável. A gente anoitecia empregado e corria o risco de amanhecer desempregado.

A Caldas Júnior, no tempo que era dirigida pelos Ribeiro, não tinha estresse nenhum. Meu saudoso amigo Clóvis Ott, responsável pela Editoria Internacional do Correio do Povo, dizia que a Cajú era tipo o INSS. Depois de se encostar na empresa, o cara só saía se morresse. O Jornal do Comércio também não. Entretanto, se não havia perigo de ser demitido por qualquer coisa, a empresa também não investia em melhorias. Saí de lá no início de 2003 e o número de computadores que tinham acesso à internet não enchia uma mão. Na minha breve volta, no início deste ano, eu trabalhei em um pc que ainda usava o Windows 98 como sistema operacional...

Os quatro anos que passei no governo do Estado, meu Deus do céu... Era uma choradeira por falta de grana. Faltavam investimentos para o profissional (pelo menos, ao pessoal que realmente queria trabalhar), demoraram 3 anos e meio para trocar toda a rede computadores que estavam uma década defasados, teve um ano em que fomos proibidos de tirarmos férias nos meses de janeiro e fevereiro, havia sempre o fantasma do atraso no 13º salário e o governador sempre falando que o Rio Grande do Sul estava falido...

Que sina, meu Deus!

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Viagens insólitas


Uma das (poucas) coisas que eu sinto saudades dos tempos quando eu trabalhava no Palácio Piratini eram as viagens. Percorri muitas cidades pelo Rio Grande do Sul afora e que, certamente, se não fosse por trabalho, dificilmente eu conseguiria ter conhecido aqueles municípios.


E foram vários. Acho que uns 50, num cálculo baixo. Muito em função das tais interiorizações, que era a transferência do gabinete do governador para uma cidade do interior. Geralmente isso acontecia 1 ou 2 vezes por mês.


Em alguns lugares, passei calorões mormacentos. Em outros, frios de congelar as orelhas. A situação é que a viagem, em si, é que era relaxante, pelo menos para mim. Era o momento em que eu saía daquele ambiente sufocador que era o prédio do palácio. Ainda mais o lugar onde eu trabalhava - eu coordenava o estúdio de rádio, um lugar sem ventilação, sem janelas, que se entrava para lá e se perdia a noção se era dia ou noite, se lá fora fazia tempo bom ou ruim, se o mundo tinha acabado ou não. Fora os perrengues que eu tinha que administrar junto aos colegas e meus "subordinados".


Viajar para uma outra cidade, por menor que fosse, era uma sensação de liberdade, de deixar para trás aquela gente falsa e hipócrita e entrar em um mundo desconhecido por mim em meu próprio Estado.


O mais divertido dessas viagens eram as próprias viagens. Carros e vans que estragavam, tempestades que a gente pegava no meio do caminho, motorista que errava de estrada, viagens que duravam cinco, seis até sete horas, almoços em restaurantes em pleno meio de mato, hospedagem em hotéis sofisticados e pousadas rústicas, noites mal-dormidas, atrasos na ida e na volta, chegada em Porto Alegre em plena madrugada e muito, mas muito trabalho mesmo.


No último ano de governo eu parei de viajar, por opção própria, e por várias razões. As diárias pagas eram ridículas. Para pernoitar em uma cidade, tipo, chegar numa quinta de tarde para ir embora 24 horas depois, a gente ganhava cerca de R$ 75, que eram ressarcidos uns 10 dias DEPOIS da apresentação da nota que comprovasse o afastamento.


Outro motivo foi porque enquanto eu viajava, o estúdio virava uma gandaia. O pessoal do setor brigava e se discutia uns com os outros, fulano chegava tarde para trabalhar e saía cedo (acreditem: tinha gente que nestes dias nem apareciam no palácio), se eu ligasse pro estúdio para pedir alguma coisa o telefone chamava, chamava e ninguém atendia porque estava todo mundo em outros lugares. A galera achava que pelo fato do governador estar em outra cidade, meio que virava ponto facultativo. É, amigo, repartição pública estadual é isso aí... Eu reclamava, mas de que adiantava? Nunca dava nada...


Mas o brabo mesmo era o estresse para se conseguir um carro (e um motorista) para a viagem. Uma determinação ridícula de Sua Excelência, o governador (ou de seus respectivos aspones, que não eram poucos) orientava que "o governador não queria ver tanto carro oficial na volta dele". Logo, os setores da assessoria de imprensa (rádio, tv, foto, editoria do interior) tinham que ir em apenas 1 (e somente 1) carro. Várias vezes eu ia pros fim-de-mundo e tinha que pedir carona para os colegas de outras secretarias porque o carro que nos levava tinha que levar a galera que ia acompanhar o governador em outros compromissos. Ou seja, se a gente quisesse voltar para Porto Alegre (casa) tinha que arranjar carona, no melhor estilo "se virem". E eu, que aprendi a ser organizado (até porque sempre me foi exigido muita organização), cansei dessa palhaçada. Se era para me incomodar, que eu me incomodasse só em Porto Alegre.


A foto que ilustra esse tópico foi clicada em março de 2005, tendo ao fundo o castelo da família Assis Brasil, em Pedras Altas, cidade localizada a uns 300 km de Poa. Outra hora eu conto como foi essa viagem. Tem histórias hilárias...hehehe. Aguardem!

quinta-feira, outubro 25, 2007

Não se perca no tempo


O relógio postado aqui no blog não reconhece o horário brasileiro de verão e está 1 hora atrasado...


Culpa da Click Link. Queimei a mufa tentando "acertar" os ponteiros, mas não houve cristão que me desse uma luz.


Dizem que relógio atrasado não adianta nada, mas fazer o quê? Conto com a boa vontade dos visitantes do blog.

terça-feira, outubro 23, 2007

Nau do insensato


Uma boa dica para quem gosta de exposições artísticas é o projeto Essa Poa é Boa, que está instalada na antiga fábrica da Renner, ao lado do DC Shopping.


Vários artistas locais, que ficaram de fora da Bienal de Artes Visuais do Mercosul e da Bienal do B, se uniram em mutirão e resolveram organizar uma terceria mostra. Essa Poa é Boa tem entrada gratuita e funciona de terças a domingos, das 10 da manhã às 22h, e estará aberta até o dia 2 de dezembro.


Esta obra em que eu estou - um barco de papel gigante - é uma das vedetes da exposição. Vale a pena conferir, pois o trabalho é bem construído e cheio de surpresas.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Céus, o Natal já chegou... no comércio!


Ainda faltam dois meses, mas o Natal já chegou no comércio aqui em Porto Alegre.


Nem bem terminaram as promoções do Dia da Criança e as lojas já começam a nos bombardear com as decorações natalinas, promoções para compra de presentes, ofertas prometendo pagamentos "só depois do carnaval" e a lembrança de que o bom velhinho logo, logo vem aí. Já tem até presépio montado nos shoppings centers, com a trilha de Jingle Bells.


Isso significa, gente amiga, que o fim do ano chegou, que 2007 passou voando e que 2008 já está batendo na porta! Y así pasan los dias e los años.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Que preguiça!


Às vezes é duro transcrever o que pensamos para a tela do pc. As idéias fervilham, pululam, pipocam e jorram aos borbotões, mas na hora de teclar, bate aquela preguiça e o grande texto se enfumaça.
Mas já, já, o Macunaíma vai descer dessa rede.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Eu voltei, pras coisas que eu deixei...


Fiquei mais de duas semanas sem computer e na sexta passada peguei o equipamento de volta da UTI, ops... da assistência técnica.

Tive um gasto que não estava previsto, mas não saí perdendo de todo. Aproveitei e torquei a placa de memória RAM do pc. Agora, a memória está com 512 MB. Maravilha.

Bem, agora é me disciplinar e não deixar o blog tanto tempo sem novidades.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Sem pc


Bah, que crise.


Meu pc está estragado. Deu tilt no monitor, que ficou que nem as antigas tevês a válvula... O vídeo escureceu e ficou apenas um feixe luminoso no meio da tela. Holly shit!


E para completar a falta de sorte, o equipamento pifou na noite da quinta-feira passada. No dia seguinte, liguei pruns conhecidos de assistência técnica e pedi que fizessem um orçamento. Só que fiquei esperando em vão. O povo não apareceu na sexta. E como eles não trabalham sábado e domingo, fiquei o fíndi sem pc.


Na segunda, o pessoal da assistência técnica recolheu o monitor e na terça me deram o orçamento: 110 pilas pro conserto. Ok, my boy! Aprovei o serviço e fiquei sem o pc na quarta, na quinta (feriado de 20 de Setembro aqui no RS) e na sexta. Bom, terei minha máquina novamente apenas na segunda que vem.


Eu sou useiro e vezeiro de ficar sem computador às vésperas de final de semana e de feriadões. Lembro que teve um ano que o computdor foi infectado com vírus numa quinta-feira antes do carnaval e não acessava a internet de jeito nenhum. Chamei a assistência técnica e eles só me devolveram o pc dois dias depois da quarta-feira de Cinzas. Pensa que é mole?

terça-feira, setembro 11, 2007

Um tônico para o ego


Cuidado! O elogio entrou em extinção.

Infelizmente, o ato de uma pessoa expressar admiração a alguém, em função de seus dotes físicos, profissionais, artísticos ou morais está démodé. Digo isso porque é mais fácil aprender japonês em braile do que extrair elogios de outrem.

Se for na esfera profissional, então... Aí é melhor tirar o burro da chuva. Engraçado que nos ambientes militares se valoriza bastante o trabalho feito, a missão cumprida. Na época em que eu estudava no Colégio Militar, os alunos eram punidos caso não tirasse boas notas e não tivesse um bom comportamento e uma boa apresentção. No entanto, quem se destacasse positivamente também recebia elogios e premiações.

Receber um elogio, um incentivo, um estímulo, é sempre uma grande satisfação. É melhor até do que receber dinheiro. É uma verdadeira massagem no ego. No entanto, ficou fora de moda. No trabalho, é comum escutar algo como "trabalhar bem é mais do que a obrigação". Ou então: "se o trabalho foi feito errado, se critica. Se foi feito certo, não se diz nada". Ou a mais infame atitude: "não vamos elogiar porque senão se perde a motivação de melhorar".

Chefes de todo o Brasil, de todo mundo. Uni-vos. Elogiem seus subalternos. Engrandeçam o trabalho de seus subordinados. Não há nada melhor do que este afago no ego. Isso só faz bem e nos deixa com a responsabilidade de melhorar ainda mais. Podem acreditar que sim.

sexta-feira, setembro 07, 2007

O cliente da minha mãe


- Morreu o meu cliente!

Assim reagiu a minha mãe, dona Maria, na quinta-feira passada, quando eu li a notícia no jornal sobre a morte do tenor italiano Luciano Pavarotti.

Em abril de 1998, o cantor esteve em Porto Alegre para um show com Roberto Carlos, com acompanhamento da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Pavarotti chegou dois dias antes da apresentação e ficou hospedado no antigo hotel Caesar Tower (hoje Blue Tree Tower), na Lucas de Oliveira. Minha mãe, que é esteticista e que trabalha com massagem terapêutica, na época, trabalhava nesse hotel. Entonces, não foi muito complicado, já que o estabelecimento oferecia aos hóspedes esse serviço, além de ginástica, hidroginástica, sauna, etc.

Assim, há nove anos, minha mãe afumentou as costas adiposas do cantor erudito mais pop do mundo. E lamentou a morte do cliente mais internacional que ela já teve.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Aberta a temporada de feriadões


Oba!!!


Chegamos ao mês de setembro. Mês de transição. O inverno vai dando tchauzinho e dentro de 20 dias começará a primavera. Os dias passam a ser um pouco mais longos, já não anoitece tão cedo e o clima ameniza, não apresentando os terríveis dias friolentos e as temíveis temperaturas geladas.


E o melhor: começou a temporada de feriadões!!!


E já tem um nesta semana, o feriadão do Sete de Setembro, que cai numa sexta-feira. Na seqüência, teremos o dia da gauderiada, o 20 de setembro, que será numa quinta-feira (com uma sexta com jeito de "enforcável"). Em outubro, o feriado nacional do dia 12 cairá também numa sexta-feira, assim como o dia de Finados, em 2 de novembro. Beleza, beleza, beleza.


Ufa, há duas semanas, estou com meu coração e mente voltada para a confecção de três reportagens para uma revista que envolve os três colégios da rede metodista, o que vinha sugando meus esforços nos últimos dez dias. Entreguei meus textos na sexta-feira e agora vou recuperar meu fôlego porque nas próximas semanas passaremos a pensar em uma nova publicação. Daí porque o blog está aparentemente inativo. Mas só aparentemente. As idéias sempre fervilham na cabeça, mas até serem transpostas para a tela do computador é uma longa distância. Mas, como diriam os gringos serranos, andiamo!

sábado, agosto 25, 2007

Eu sou aquele que disse


Na década de 1980 eu escutava muito Raul Seixas. Cheguei a ter uma coleção considerável de álbuns e gravações do artista. Tempos depois, eu descobri outro maldito igualmente genial: Sérgio Sampaio (1947-1994). E foi de uma maneira interessante: eu encontrei o disco "Tem que acontecer" (1976), na discoteca da Rádio da Universidade, na época em que eu era estagiário na emissora. Pus a bolacha a rodar em um dos toca-discos e pirei com o álbum.


Até então, eu só me lembrava da música "Eu quero é botar meu bloco na rua", que o artista participou de um festival da canção, no início dos anos 70. Tempos depois eu achei na net a íntegra do álbum que Sérgio Sampaio gravou após o festival e adorei a inquietude do compositor. E destaco a música "Eu sou aquele que disse", uma pequena obra-prima. Para mais informações de Sérgio Sampaio, acesse o Dicionário de MPB, de Ricardo Cravo Albin (clique aqui).



Eu sou aquele que disse

(Sérgio Sampaio)

Eu tenho os dias contados
Um encontro marcado
E as mãos na cabeça
Eu tenho o corpo fechado
Que soltem as feras
Diante da mesa
Eu sou aquele que disse
Tanto limão pelo chão
Soltem cachorros nos parques
No pátio interno os ladrões
Cante, converse comigo
Antes que eu cresça e apareça
Mesmo eu não estando em perigo
Quero que você me aqueça

Neste inverno, ou não
Neste inferno, ou não

Aqui, meus olhos vermelhos
Meu rosto pregado
Antes que eu esqueça
Aqui, eu abro meu jogo
Não mato, não morro
Nem perco a cabeça

Eu sou aquele que disse
Tanto limão pelo chão
Soltem cachorros nos parques
No pátio interno os ladrões
Cante, converse comigo
Antes que eu cresça e apareça
Mesmo eu não estando em perigo
Quero que você me aqueça

Neste inverno, ou não
Neste inferno, ou não

Eu sou quem pede e não manda
Mantenha distância
Da minha cabeça
Eu sou quem acha e não acha
E se fala e se cala
É debaixo as mesa

Eu sou aquele que disse
Tanto limão pelo chão
Soltem cachorros nos parques
No pátio interno os ladrões
Cante, converse comigo
Antes que eu cresça e apareça
Mesmo eu não estando em perigo
Quero que você me aqueça

Neste inverno, ou não
Neste inferno, ou não

quarta-feira, agosto 22, 2007

Carroças


Um dos problemas insolucionáveis que existe em Porto Alegre é a circulação de carroças, em pleno século 21. De um tempo para cá, a situação piorou, quase beirando a calamidade.


No tempo em que a cidade era governada pelo PT (cuja administração fez a proeza que promover o emplacamento de carroças) o trânsito de veículos de tração animal era regulado. As carroças não podiam circular nas grandes avenidas entre as 8 da manhã até às 6 da tarde. A administração Fogaça chegou, faz vistas grossas e parece que há um estado de "liberou geral".


Enquanto isso, a gente observa as carroças se arrastando nas vias rápidas em plena luz do dia, a qualquer hora, forçando os pobres animais a carregarem pesos insuportáveis. O pior é quando a gente vê crianças guiando esses...vá lá... veículos. E a EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação) se omitindo...
Até quando? Acho que só até o ano que vem, que é ano eleitoral...

quarta-feira, agosto 01, 2007

Que tempo bom, que não volta nunca mais


Meu amigo Nelson Furtado, ex-colega de Fabico e que mora na Alemanha, me enviou essa foto-relíquia, tirada às durante uma aula de Jornalismo.

Sempre gostei de fotografias em preto e branco. E uma imagem como essa confere uma aura de "tempos românticos", de "eu era feliz e não sabia" que eu acho bacana. Acredito que essa foto deve ter sido feita por volta de abril/maio de 1994. Portanto, às vésperas da nossa formatura, que ocorreu no dia 7 de agosto daquele ano. Pô, vamos fazer 13 anos de formados! Parece até que foi ontem...

Na foto, tem gente que eu vejo seguido, gente que eu não vejo tão seguido e outros que nunca mais eu vi. No sentido dos ponteiros do relógio:

Claudia Borges (a loira sentada na mesa): Uma das amigas mais queridas que eu tive na Fabico. Apesar do estilo femme-fatale, a Claudia sempre foi muito na dela. Paradoxalmente, seu sonho era tornar-se médica. Atualmente é repórter do Jornal do Comércio. Trabalhamos juntos no início do ano, quando eu fiz um frila de dois meses no jornal.

Inês Figueiró: (de perfil): Inês é uma relações-públicas que resolveu se tornar jornalista. Uma colega muito simpática, comunicativa e com um bom humor indomável. Poucos meses após a formatura, ela esteve na Europa e foi trabalhar no eixo Rio-São Paulo. Esteve em vários jornais, entre eles, a Gazeta Mercantil, e em algumas agências noticiosas. A última vez que eu tive notícias dela, Inezita estava trabalhando para a Revista Caras, cobrindo o universo das celebridades.

Ieda Fumagalli: O Nelson me ajudou a identificar esta colega. Ela era muito gente boa, muito solícita e participativa nas aulas. Era um pouquinho mais velha do que o grosso da turma, formada por muita gurizada.

Márcia Lerina: Uma colega estilo low-profile. Era oriunda de uma ou duas turmas anteriores à nossa (que entrou na faculdade no segundo semestre de 1990). Por essas coincidências do destino, encontrei a Márcia em Não-Me-Toque, durante uma feira agrícola, há cerca de dois anos. Ela estava cobrindo o evento para uma agência de notícias. E eu, trabalhava na assessoria de imprensa do Palácio Piratini e acompanhava o então governador Rigotto.

Ana Cristina Beheregaray: Outra das minhas colegas mais chegadas. Fizemos juntos muitos trabalhos em grupo. Tivemos muitos bate-papos nas mesas do bar da faculdade, no R.U, nas idas e vindas nos ônibus da linha São Manoel. A Ana se formou em Jornal mas não trabalhou na área. Logo em seguida, ingressou diplomada na faculdade de Letras e passou num concurso público. Faz muito tempo que não a vejo. Que saudades, Aninha!

Sylvia Santibañez: Essa chilena simpática e tranqüila estudou na Fabico graças àqueles intercâmbios com as universidades federais de outros países latinos. Aliás, a Ufrgs tinha e ainda têm muito disso: além de brasileiros, era possível encontrar nas salas de aula estudantes argentinos, chilenos, colombianos e até guatemaltecos. Pelo que eu sabia, a Sylvia tinha casado com o seu - na época - namorado brasileiro pouco depois da formatura. Não a vi mais desde então.

Paulo Gilvane: Tremenda figuraça! O Gilvane se formou na nossa turma depois de quase 10 anos de universidade. Eu o conheci numa das reuniões de formandos e fiquei irritado com aquele cara avulso que queria ditar regra na nossa colação de grau. Pouco tempo depois da formatura, acabamos trabalhando junto na Rede Band e nos tornamos bastante amigos. Junto com Denian Couto formávamos uma espécie de Irmãos Metralhas nas muitas festas que fizemos. Depois de sair da Band e trabalhar na Gaúcha, abandonou a RBS e criou um pequeno império de comunicação chamado Agência Radioweb. Eu brinco dizendo que o Paulo Gilvane é o "pequeno Cidadão Kane".

Marcelo Silva, vulgo Marcelinho: Um ótimo colega. Era assim chamado, no diminutivo, para ser diferenciado de outros tantos Marcelos que existiam na Fabico. Na nossa turma, aliás, tinha outro, o Cavalcante, carinhosamente chamado pelos colegas de Marcelo Mala. Marcelinho era bastante inteligente, dono de um aguçado senso de humor, porém, era muito tímido e introvertido. Logo após a formatura, passou num concurso público e é servidor do Estado.

Luísa Vaghetti (de cabelos curtos, sentada no computador): Também era uma figura. Uma mulher de fases. Seu humor oscilava bastante. Mas era incapaz de fazer mal a uma mosca. Quando estava de bem, Luísa era a festa em pessoa. Quando não estava tão de bem, sumia da faculdade e, quando retornava, tinha seu visual alterado, geralmente cortando os cabelos. Ávida leitora e um faro incomum para a reportagem, alguns amigos a chamavam de Lois Lane (a namorada-repórter do Super Homem). Contestadora e militante da Anistia Internacional, Luísa ainda hoje está envolvida em causas sociais na sua terra natal, Pelotas.

Paulo James (sentado, de pernas cruzadas): Um rocker! Esta era a definição do Paulinho. Músico, desde seu ingresso na faculdade, foi baterista de bandas de rock, como Os Rebeldes e, logo em seguida ajudou a fundar os Acústicos e Valvulados, grupo em que atua até hoje. Mesmo adepto do rock and roll, James (apelido em função de seu visual à la James Dean) nunca foi alienado e sempre participava ativamente das aulas.

Eu, Gerson (acocorado): Estou segurando nas mãos um exemplar da revista Goool. Eu já estava atuando na publicação como sub-editor. Na época, o editor era meu amigo e colega Marcelo Donelles Coelho (hoje na TVE). E eu ostentava com orgulho o fruto de meu primeiro trabalho assinado como profissional num veículo impresso.

Alexandre Rocha: O Rochinha foi meu colega no Colégio Militar. Apesar disso, freqüentamos poucas aulas juntos na faculdade, em virtude dele ter ingressado um semestre antes de mim, apesar de termos sido aprovados no mesmo vestibular. Alexandre enveredou para a carreira acadêmica e é professor da Universidade Federal de Santa Catarina, onde é Doutor em Semiótica. Na foto, segura um exemplar da Sextante, revista-laboratório dos alunos de Jornalismo da Fabico.

Carla Andrade: A Carla era uma das poucas colegas casadas da nossa turma. Casada e já com filhos, apesar de não ser tão mais velha que o restante da turma. Junto com a Inês, pertencia ao time de mulheres-com-voz-rouca. Passou por vários veículos, até abrir sua própria empresa de comunicação, atuando no ramo de assessoria de imprensa.

Nelson Furtado: Meu brotherzão na turma de Jornalismo. Nos primeiros semestres, eu me dava bastante com o Jairo e o Felipe, que cursavam PP. Com o Nelson, encontrei uma espécie de alma-gêmea. Tínhamos gostos parecidos com música, futebol e também por jogar conversa fora. Quando assumi como editor na Goool, convidei-o a fazer uns frilas para a revista. Até hoje nem sei se o Aveline o pagou... Quando entrei na Band, tentei levá-lo junto, mas ele já estava com planos de se mudar para a Alemanha, onde já mora há 12 anos.

Laura Glüer: Outra espécie de alma-gêmea que eu tive na Fabico. Também é capricorniana e muito inteligente. Nos tornamos amigos bem no início da faculdade. Sempre integrávamos os mesmos grupos para fazer os trabalhinhos acadêmicos. Muita amizade, almoços no R.U., no bar da Fabico, bate papos descontraídos e gostos em comum. Depois da formatura, casou-se, morou no interior, tornou-se mãe de uma menina e nos reencontramos no ano passado graças ao Orkut. É professora de Jornalismo e leciona no IPA.

Outros colegas que não estão na foto e que merecem ser citados: Fabrício Carpi Nejar (hoje um consagrado poetas, considerado um dos nomes mais fortes da nova geração literária), Géssica Trindade (atualmente, repórter de Zero Hora no Vale dos Sinos), Sylvio Sirângelo (repórter-fotográfico, funcionário do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, muito provavelmente deve ter sido ele quem bateu a foto acima), Marcelo Cavalcante (o querido "Marcelo Mala", cinegrafista e jornalista veterano), Denise Garcia (produtora cultural, é casada com o cartunista Alan Sieber. Ela tinha os cabelos longos, escorridos e pretos, da cor da asa da graúna.

Como diria o rapper Thaíde: que tempo bom, que não volta nunca mais.