sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Bissexto


Hoje é 29 de fevereiro. É, pois é, 2008 é um ano bissexto. Mais um dia no nosso calendário. Nada de muito importante ou muito útil, apesar da data cair numa sexta-feira e a constatação (que pode soar manjada) de que o ano está indo rápido demais. Ou será que a gente não tem nem mais tempo para ver o tempo passar?

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

BBBrrrr...

Mas isso era certo que iria acontecer. Jaque Khury, a primeira participante a ser eliminada da oitava edição do reallity show (argh!) Big Brother Brasil irá estampar a capa da Playboy no mês de março.





O BBB é isso. Fábrica de celebridades efêmeras, inúteis, frívola e que contribui diariamente para o embotamento do cérebro do telespectador.

O jornalista José Simão definiu bem o que é o BBB: é um monte de gente sem nada pra fazer assistindo algumas pessoas não fazerem nada.

Para quem não conhece, existe até um blog de zoação, o Big Bosta Brasil. Mas é sinal que até esses dispensam um tempo para essa bomba.


quarta-feira, fevereiro 27, 2008

MSN fora do ar




Bem que eu notei que algo estava diferente. Eu clicava, clicava, tentava acessar e não conseguia. E eu pensava que era só comigo. Uma pane mundial tirou o messenger MSN do ar ontem. As causas do problema não foram divulgadas pela Microsoft. O Brasil é um dos países com mais contas desse serviço: são 34 milhões de usuários...

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Bah, 2ª feira é f...




Garfield é um sábio. Êta diazinho xaroposo que é segunda-feira. Começar a semana é difícil. Começar de novo, então, é bucha...

Depois da expectativa pela chegada do fim de semana, a 2ª é um anticlímax. Na quinta-feira vem a ansiedade pelo fíndi que se avizinha. A sexta-feira já é o momento em que se está com o pé que é um leque. Sábado e domingo é ócio e entretenimento para quem está de folga. Mesmo para quem trabalha é outro clima. O trânsito está menos selvagem, o ritmo é de plantão, a cidade está menos paranóica. Bancos estão fechados, o número de ônibus cirulando diminui pela metade, quase não se vê caminhões nas ruas.

O tédio já começa no entardecer de domingo. Na tevê, rola Faustão (argh!), Fantástico, Big Brother (aaargh!!) e Teledormindo (putz) já prenunciam que o dia seguinte é dia de São Pega.
Eu evito a segunda-feira. No trabalho, quando eu saio de férias, eu sempre retorno numa terça, nunca em uma segunda.

Geralmente quando rola de, por direito ou merecimento, me oferecem um dia de folga, ao contrário da maioria dos viventes (eu não sei por que), que preferem antecipar o início do fim de semana folgando numa sexta, eu faço o contrário. Eu prefiro prolongar o fim de semana. Prefiro trabalhar na sexta e folgar na segunda e começar a semana na terça. Fiquei sabendo esses tempos que o "domingo" dos padres acontecem às segundas. Experimente encontrar uma igreja aberta na segunda-feira. Não achará. Até que não é uma má idéia, não?

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Mais de 50 horas de folia. Até que foi bom...


Foi satisfatória a cobertura de carnaval que fizemos na Rádio Guaíba. Ao todo, foram quase 50 horas de transmissão. Ou seja, 50 horas no ar. Cinqüenta horas de Porto Seco, contando a cobertura da muamba, dos desfiles do grupo especial e do acesso e mais a noite das campeãs, no sábado passado.

A equipe reuniu informação de qualidade, descontração, alto astral e muito profissionalismo. Espero que haja continuidade no trabalho e que o carnaval tenha importância na programação da emissora ao longo do ano e não somente quando se aproxima o período de folia.

terça-feira, janeiro 29, 2008

As escolas de samba vêm do tempo de Dom João Charuto

O post de hoje eu pedi emprestado ao grande escritor, compositor e sambista brasileiro Nei Lopes e está no blog dele, o Meu Lote, que inclusive consta na minha lista de favoritos. Ele recupera as origens do carnaval brasileiro, além da gênese na Roma Antiga, informando também o nascedouro da folia na África e nas Antilhas. E eu, singelamente, acrescento, ao final, as origens da folia alegre-portense. Aí vai...

Os historiadores do carnaval brasileiro costumam ver suas origens remotas na Roma antiga, como contou a Beija-Flor, há alguns anos. Mas o fato é que os festejos, embora atrelados ao calendário católico, têm também, sob alguns aspectos, raízes na África negra, encontrando similares em várias culturas africanas. Em Gana, por exemplo, entre os povos Akan (fantis e axantis) é comum a realização de um grande festival anual, o odwira, seguido de um longo período de recolhimento e abstinência, como na quaresma. Certamente devido a essa similitude, as celebrações carnavalescas nas Américas devem sua alegria e seu brilho, fundamentalmente, à música dos afro-descendentes. Assim foi e é nos ranchos carnavalescos, escolas de samba, afoxés, blocos-afro etc, no Brasil; no candombe platino; nas comparsas cubanas; no mardigras, nas Antilhas e em New Orleans.

Nas Antilhas, o carnaval foi introduzido pelos católicos franceses, que costumavam estendê-lo por um bom tempo antes de enfrentarem os rigores da quaresma, sendo que, na Martinica, o costume foi adotado por volta de 1640. Isolados pela sociedade dominante, os escravos uniram-se para celebrar o carnaval à sua moda, com a música e a dança de sua tradição, introduzindo, na festa européia, além de seus instrumentos, suas crenças e seu modo de ser. As festividades do carnaval martiniquenho, o kannaval, expressam-se em um peculiar estado de espírito, transmitido de geração a geração. A cidade de Saint Pierre foi, durante muito tempo, o ponto culminante da festa na ilha, tendo sua fama se estendido por todo o Caribe, atraindo a cada ano milhares de visitantes de todo o mundo.

Depois da devastadora erupção vulcânica de 1808, a tradição carnavalesca reviveu em Fort-de-France, a nova capital, onde, hoje, os preparativos têm início na epifania, em meados de janeiro, quando o povo começa a se animar, e se estendem até a quarta-feira de cinzas. Durante esse período e no carnaval propriamente dito, a cada domingo, grupos fantasiados saem às ruas, em trajes variados: casacos velhos, trajes fora de moda, chapéus rasgados, bem como fantasias brilhantes e coloridas de arlequim, pierrôs e diabos. As máscaras também têm lugar destacado na festa. E além das que homenageiam ou criticam personalidades do momento, como artistas, políticos etc, há as relacionadas à morte, cheias de simbologias africanas -- das quais Aimé Césaire encontrou o significado em rituais da região de Casamance, no norte do Senegal (cf. Alain Eloise). No Haiti, de um modo geral, o carnaval é celebrado dentro desse mesmo espírito e com traços semelhantes aos carnavais do Brasil, de Trinidad e da Louisiana. Em Port-au-Prince, o visitante vai encontrar os mesmos desfiles, festas e fantasias criativas que se vêem nesses lugares.

No Brasil, desde pelo menos o início do Século XIX, a participação do povo negro nos folguedos carnavalescos sempre foi marcada por uma atitude de resistência, passiva ou ativa, à opressão das classes dominantes. Proibidos por lei de, no entrudo, revidarem aos ataques dos brancos, africanos e crioulos procuravam outras maneiras de brincar. Tanto assim que Debret, entre 1816 e 1831, flagrava uma interessante cena de carnaval em que um grupo de negros, fantasiados de velhos europeus e caricaturando-lhes os gestos, fazia sua festa, zombando dos opressores e criando, sem o saber, os cordões de velhos, de tanto sucesso no início do século XX.

Entre 1892 e 1900 surgem no carnaval baiano, pela ordem, a “Embaixada Africana”, os “Pândegos D’África”, a “Chegada Africana” e os “Guerreiros D’África”, apresentando-se em forma de préstitos constituídos única e exclusivamente de negros. Essa modalidade carnavalesca (“a exibição de costumes africanos com batuques”) é proibida em 1905 na Bahia. Exatos dois anos depois, surge no Rio de Janeiro o rancho carnavalesco “Ameno Resedá” que, pretendendo “sair do africanismo orientador dos cordões” (cf. Jota Efegê) conquista, com seus enredos operísticos, um espaço importante para os negros no carnaval carioca, cimentando a estrada por onde, mais tarde, viriam as escolas de samba.

Mas a gênese do carnaval negro brasileiro, o dos cortejos que gerararam as escolas de samba, talvez esteja mesmo é em 1808, no Rio, quando das festas em homenagem à família real que aqui chegava. Vejamos esta descrição dos viajantes John e William Robertson, transcrita no precioso livro de, Mary C. Karasch “A vida dos escravos no Rio de Janeiro; 1808-1850” ( Companhia das Letras, 2000):

“Em frente avançavam os grupos das várias nações africanas, para o campo de Sant’Anna, o teatro de destino da festança e da algazarra. Ali estavam os nativos de Moçambique e Quilumana, de Cabinda, Luanda, Benguela e Angola [...]
“A densa população do campo de Sant’Anna estava subdividida em círculos amplos, formados cada um por trezentos a quatrocentos negros, homens e mulheres.
“Dentro desses círculos, os dançarinos moviam-se ao som da música que também estava ali estacionada; e não sei qual a mais admirável, se a energia dos dançarinos, ou a dos músicos. Podiam-se ver as bochechas de um atleta de Angola prontas a arrebentar pelo esforço de produzir um som hediondo de uma cabaça, enquanto outro executante dava golpes tão abundantes e pesados no tímpano que somente a natureza impenetrável do couro de um boi poderia resistir-lhes. Um mestre-de-cerimônias, vestido como um curandeiro, dirigia a dança; mas era para estimular, não para refrear, a alegria turbulenta que prevalecia com supremo domínio. Oito ou dez figurantes iam e vinham no meio do círculo, de forma a exibir a divina compleição humana em todas as variedades concebíveis de contorções e gesticulações. Logo, dois ou três que estavam no meio da multidão pareciam achar que a animação não era suficiente, e com um grito agudo ou uma canção, corriam para entro do círculo e entravam na dança. Os músicos tocavam uma música mais alta e mais destoante; os dançarinos, reforçados pelos auxiliares mencionados, ganhavam nova animação; os auxiliares pareciam envoltos em todo o furor de demônios; os gritos de aprovação e as palmas redobravam; cada observador participava do espírito sibilino que animava os dançarinos e os músicos; o firmamento ressoava com o entusiasmo selvagem das clãs negras [...]”

Que tal? Digam se não parece que foi aí que nasceram o diretor-de-harmonia, a bateria, as pastoras. Hein?


---------

E a partir daqui, eu falo um pouco da história do carnaval de Porto Alegre.

O carnaval de Porto Alegre teve origem no século XVIII com o entrudo, brincadeira trazida pelos açorianos, na qual as pessoas atiravam umas nas outras limões (uma bola de cera do tamanho de um limão, cheia de perfume), e havia casos em que se atiravam ovos e farinha nas "vítimas". No século XIX, o entrudo deu lugar às Sociedades Carnavalescas.

A Esmeralda (verde e branco) e os Venezianos (vermelho e branco) mudaram e dominaram o carnaval nessa época, em torno de larga rivalidade entre ambas. Houve um tempo de grandes bailes no Theatro São Pedro. Quem não freqüentava os salões partia para a Cidade Baixa, Menino Deus, Azenha ou bairro Santana, onde a diversão era garantida. As variadas fantasias só dependiam da imaginação dos foliões. Os homens adoravam se vestir de mulher, sendo ajudados pelas esposas, mães ou irmãs.

Blocos, ranchos, cordões de sociedade e tribos carnavalescas foram as primeiras grandes atrações de nossos desfiles, até que surgisse, por volta de 1960, as primeiras Escolas de Samba. Os primeiros desfiles oficiais foram realizados na Av. Borges de Medeiros, e anos depois, na Avenida João Pessoa (1969-1975), depois na Avenida Loureiro da Silva, a Perimetral (1976-1987)) e Avenida Augusto de Carvalho (1988-2003). A partir de 2004, os desfiles se transferiram para o sambódromo no Complexo Cultural Porto Seco. Uma obra destinada para ter a maior e mais moderna pista de desfiles do país, investimento do poder público municipal para o carnaval da Grande Porto Alegre.

Tantos carnavais...
O corso, desfile de carros alegóricos pelas ruas de Porto Alegre, marcava uma festa vivenciada pela camada mais abastada da população.
A muamba é uma atração porto-alegrense, exclusiva dos gaúchos. Esse evento era realizado bem antes do carnaval, pois era uma maneira de arrecadar dinheiro para as festas e fantasias. Ocorria em diversos pontos da cidade, geralmente o pavilhão da escola era carregado aberto e as pessoas jogavam moedas ali.

As tribos carnavalescas foram uma atração à parte nos desfiles locais e eram em torno de 15 grupos, hoje restam apenas duas: Os Comanches e Os Guaianazes.

As bandas eram comuns na época e alegravam muito o povo nas ruas. Nomes como: "Por Causa de Quê", "Filhos da Candinha", "Comigo Ninguém Pode", "Banda DK" foram desaparecendo, levando com elas uma animação que deixou muita saudade. Algumas viraram escolas de samba.


domingo, janeiro 27, 2008

E vamos novamente para mais um carnaval


Estarei nos dias 1º, 2 e 3 de fevereiro participando da transmissão dos desfiles das escolas de samba de Porto Alegre pela Rádio Guaíba AM - 720 khz. As transmissões começarão sempre por volta das 21 horas. Quem quiser prestigiar o nosso trabalho, será um prazer tê-los na audiência.

Ontem, acompanhamos a Muamba oficial de POA, uma pequena prévia do que será o desfile da próxima semana. E, entre tantas personalidades que estiveram na cabine da emissora, recebemos a visita do Rei Momo Frota Jr e das três beldades que compõem a corte do carnaval da cidade: Joselaine de Jesus (2ª princesa), Letícia Costa (1ª princesa) e Emily Ribeiro (rainha).


Ah, o casaco é porque apesar dos 25 graus que fazia lá no Porto Seco, o vento que sopra por lá é bem rigoroso e quem não se agasalhar acaba batendo queixo de frio. Eu, já bastante cancheiro, pus uma jaquetinha jeans...hehehehe

sábado, janeiro 05, 2008

Envelheço na cidade, feliz aniversário

Estou de aniversário. Envelheço na cidade. Três ponto oito. Chegou a me impressionar. Fosse um tempo atrás, eu diria "tudo isso?". Mas estou bem assim, cheio de amor para dar e com muita vontade de aprender coisas e conhecer mais coisas ainda.

E, em homenagem a mim (hehehe), vamos relembrar esse clássico do Ira, - uma das minhas bandas favoritas - composto pelo guitarrista Edgard Scandurra, lá no longínquo ano de 1985.



Mais um ano que se passa
Mais um ano sem você
Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade
Essa vida é jogo rápido
Para mim ou pra você
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
(3x)

Feliz aniversário!...

Meus amigos, minha rua
As garotas da minha rua
Não os sinto, não os tenho
Mais um ano sem você
As garotas desfilando
Os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade
Não pertenço a ninguém

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
(3x)

Feliz aniversário!
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá...
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá...

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
(4x)

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Tudo é tudo e nada é nada


Estou lendo e recomendo o livro "Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia", de Nelson Motta, pela Editora Objetiva. Com um texto talentoso e fluente, Motta parece que esteve sempre ao lado de Tim durante os 55 anos (1942-1998) que o síndico doidão da MPB viveu. Estou devorando o livro e me divertindo com as passagens da vida do Sebastião Rodrigues Maia, um dos artistas mais magníficos que o Brasil já teve. Mas nem só de glamour vivia Tim. A biografia revela os problemas com drogas, a deportação dos Estados Unidos, as neurosas, o gênio difícil, o envolvimento com a seita Universo em Desencanto (que gerou os discos Tim Maia Racional Vol. 1 e Vol. 2) e a inclinação que o cantor tinha para aplicar o "171", já que pagava músicos e comprava carros, instrumentos musicais e imóveis com monumentais cheques sem fundo.




Abaixo, recolhido do You Tube, uma síntese do pensamento Maia, pelo próprio.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Vai começar tudo de novo


Então tá, né? Vamos lá encarar 2008...

Quarta-feira de ressaca, após três dias em Rainha do Mar, revéillon na praia, calorão intenso, muito banho de mar e ardência na pele após ter torrado no sol sem a devida proteção do filtro solar.

Mas valeu a pena. Tudo foi festa para quem, depois de dois anos, nem chegou perto da orla marítima gaúcha.

E o melhor de tudo: semaninha curta e a quarta-feira com maior cara de segunda. É hoje, amanhã e depois de amanhã já é sexta-feira e mais um fim de semana.

E ainda é tempo de desejar: muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender.

Feliz ano novo, meu povo!

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Filas



É incrível como as pessoas gostam de uma fila. Não aquela simpática raça canina. Fila mesmo, tipo indiana, de um atrás do outro. Tinha até um samba, do Paulinho Mocidade, que tratava sobre isso: "fila para entrar na fila, fila pra furar a fila, fila pra sair da fila..." e por aí vai.

Hoje foi o último dia de expediente externo nas agências bancárias. Muita gente procurou as agências para quitar impostos e tributos, sobretudo IPVA, IPTU e afins. E dê-lhe fila. E eu detesto entrar em banco. Procuro, sempre que possível, pagar todas as minhas contas através do débito em conta, sem enfrentar fila de espera e sem sentir a dor da separação com o rico dinheirinho.

Alguém ainda precisa fazer um estudo psicológico ou antropológico do que se passa em um banco quando as filas estão grandes ou gigantescas. Sempre tem um chato que fica falando alto, e reclamando do atendimento e enchendo o saco dos clientes e dos bancários. Ora, se os trabalhadores que ficam nos guichês tivessem uma varinha de condão, lógico que eles gostariam que o atendimento fosse o mais rápido possível. Mas muitas vezes, o próprio correntista tem sua parcela de culpa. Um funcionário do banco percorreu a fila para tentar resolver o problema dos clientes e até abreviar a permanência dos mesmos dentro da agência, se colocando à disposição para ajudar a pessoa a pagar as contas no caixa eletrônica e a fazer depósitos sem ter que passar pelos guichês. Mas não. A maioria das pessoas fincava o pé e dizia que queriam fazer as movimentações no próprio caixa. Vai entender...

Eu mesmo fui no Banrisul para quitar o IPVA 2008 do Brisamóvel. E iria pagar o imposto com um cheque do Real, tudo porque o Real não recebe pagamento do IPVA. Se eu fosse correntista do Banrisul eu nem entrava na agência.

Mas, voltando à visão antropológica, a fila do banco (assim como as filas de posto de saúde) tem poder mágico de aproximar as pessoas. É possível fazer amigos naqueles escassos minutos de aguardo para ser atendido. É uma amizade efêmera, mas tem pessoas que possuem o dom de se "desnudarem" e confiarem intimidades para outras que nunca viram na vida.
Hoje, dia 28, foi o último dia de atendimento dos bancos. No retorno do feriadão, no dia 2 de janeiro, o movimento tende a ser ainda maior e, com isso, mais extensas serão as filas. E vamos que vamos porque a fila tem que andar!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Chumbo nas renas


Como diz o jornalista José Simão: o Brasil é mesmo o país da piada pronta.

Manchete do site G1 da tarde de hoje:


Helicóptero que levava papai noel vira alvo de tiros

Aeronave foi atingida ao sobrevoar favela no conjunto de favelas da Maré, Zona Norte do Rio. Piloto retornou para heliponto e Bom Velhinho teve que seguir de carro até festa de Natal.

A violência do Rio não dá trégua nem para Papai Noel. No último domingo (16), um helicóptero que transportava um bom velhinho, rumo a uma festa de Natal na favela Baixa do Sapateiro, no conjunto de favelas da Maré, Zona Norte do Rio, foi atingido por duas balas de fuzil quando sobrevoava a comunidade Vila do João, dominada por uma facção rival. Ninguém ficou ferido, mas o piloto decidiu retornar ao heliponto da empresa, no Recreio dos Bandeirantes. Restou ao papai noel voltar de carro até a comunidade para distribuir presentes para as crianças.

É... a coisa não tá fácil pra ninguém... Até Papai Noel tá levando pipoco.

domingo, dezembro 16, 2007

Eu e os botecos da vida


Eu sou um cara que não tenho uma relação muito estreita com bares e botecos.

O primeiro motivo é prosaico: eu não bebo nada de álcool. Bem, para não dizer que eu não bebo naaaada, eu sou chegado a um espumante (de preferência que não seja brütt) que deve ser degustado em ocasiões especiais e gosto de um bom vinho. No entanto, para ter uma idéia da quantidade que eu ingiro estas bebidas, acho que eu não consumiria três garrafas de cada, ao ano.

Mas, voltando aos bares. Eu chego até a ter uma certa inveja de amigos e conhecidos que tratam um boteco como se fosse um templo. Para esses, é o máximo passar a noite inteira sentado, bebemorando, mordiscando petiscos, batendo longos papos ou filosofando, afinal, o bar é o berço das grandes resoluções...

Eu é que não sou muito dessa viagem. Pra começar, quem não bebe cerveja e sempre pede refrigerante para o garçom - como eu -, se sente pouco à vontade. E eu não posso beber o equivalente em refri o que meus amigos bebem em ceva. Alguém, em sã consciência, conseguiria ingerir, em apenas uma noite, 4 litros de pepsi ou guaraná?

Ao meu ver, o bar serve como uma escala, o local de aquecimento para algo mais grandioso ou apoteótico. Tipo, reunir a galera para sair. Um boteco é um bom ponto de reunião para depois se deslocar a uma festa, um show ou outra efeméride. Para mim, o bar é o meio, nunca um fim.
A duração ideal para que eu fique em um bar varia entre uma a duas horas. E deu. Eu não sairia de casa para passar a noite sentado em um bar. Não consigo. E, de quebra, ainda ter que levar pinguço para casa? Sem chance.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

3 Efes


Assisti hoje, no dia do lançamento nacional, o novo filme do cineasta gaúcho Carlos Gerbase, "3 Efes". Gerbase foi meu professor da cadeira de Fundamentos de Cinema na Fabico e um misto de professor, músico (foi vocalista e baterista d'Os Replicantes), jornalista, escritor e multimídia.

E foi justamente nas "múltiplas mídias" que Gerbase resolveu apostar. A novidade é que o diretor decidiu lançar seu novo longa simultaneamente no cinema, televisão a cabo (Canal Brasil e TV Com), internet (Terra) e DVD. Segundo o realizador, a iniciativa procura driblar o complicado esquema de distribuição de filmes de baixo orçamento no Brasil.

O longa concentra-se em alguns dias na vida de poucos personagens cujas maiores necessidades explicam o título - comida, sexo e "fasma", palavra que vem do grego e tem a ver com a vida em sociedade. A protagonista é Sissi (Cris Kessler), uma jovem universitária que trabalha no telemarketing para ajudar o pai viúvo e desempregado. Como nunca tem dinheiro, ela vive com fome. Uma amiga diz que está ganhando muito fazendo programas, e a moça começa a pensar nessa possibilidade para aumentar a renda. Sua tia Martina (Carla Cassapo), cozinheira de mão cheia, também anda desgostosa com a vida. O marido Rogério (Leonardo Machado) mal tem tempo para ela, pois está cheio de problemas na agência de publicidade onde trabalha. A mulher, que faz pratos elaborados, começa a convidar um catador de papel (Paulo Rodrigues) para dividir a refeição. Da mesa para a cama é só um passo. Rogério não sente muita fome, mas o sexo passa a ter um papel fundamental quando é obrigado a virar amante de sua chefe para garantir o emprego.

O elenco é composto, na maioria, por atores novatos, como Cris Kessler (fisicamente é uma mistura de Débora Falabella com Heloisa Perissée) e Paulo Rodrigues. O sotaque é carregadíssimo e o porto-alegrês campeia nos diálogos. A história mescla momentos de humor, sarcasmo e até significativas doses de tensão.

"3 Efes" não é bem um filme de tramas, mas de personagens, que se concentra nas pessoas e em suas jornadas em busca de suas três maiores necessidades. Aos poucos, suas vidas vão se cruzando até chegar a um clímax. Feito com uma equipe pequena, o longa foi filmado com uma câmera mini-DV, o que facilitou a gravação, reduzindo os custos de produção e exibição.

Abaixo, o trailer do filme:

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Que sina!




Sou escolado em trabalhar em lugares que estão sempre passando por dificuldades financeiras ou as pra lá de manjadas "fases de transição".

Na época em que eu estagiei na Rádio da Ufrgs, pairava no ar o fantasma da privatização da universidade pública. Vivíamos a Era Collor e começavam a escassear os recursos para a educação superior. Os orçamentos eram enxutos e os investimentos para a emissora eram rasos. Contratação de pessoal, nem pensar!

Recém-formado em jornalismo, encontrei na Rede Bandeirantes meu primeiro emprego com carteira assinada, oba! Entrei no plantel da Band FM que, na época, empregava 13 jornalistas. Ao mesmo tempo que a emissora foi adquirindo computadores para a redação, o quadro de profissionais foi diminuindo, diminuindo... Vivíamos a famosa fase de "reengenharia". Um belo dia, o diretor da REde, Bira Valdez, reuniu todos os funcionários no estúdio B da TV para anunciar que a "empresa ia bem". Semanas após, houve um "passaralho" (jargão jornalístico que significa demissão em grande escala) e o quadro de 30 jornalistas que trabalhavam nas quatro mídias da empresa (TV, Ipanema e Band AM e Band FM) foi reduzido para menos da metade. Entre os atingidos, estava eu. Foi muito emocionante, a minha primeira demissão. Meses depois, eu estava de volta, mas a Band sempre foi uma corporação muito instável. A gente anoitecia empregado e corria o risco de amanhecer desempregado.

A Caldas Júnior, no tempo que era dirigida pelos Ribeiro, não tinha estresse nenhum. Meu saudoso amigo Clóvis Ott, responsável pela Editoria Internacional do Correio do Povo, dizia que a Cajú era tipo o INSS. Depois de se encostar na empresa, o cara só saía se morresse. O Jornal do Comércio também não. Entretanto, se não havia perigo de ser demitido por qualquer coisa, a empresa também não investia em melhorias. Saí de lá no início de 2003 e o número de computadores que tinham acesso à internet não enchia uma mão. Na minha breve volta, no início deste ano, eu trabalhei em um pc que ainda usava o Windows 98 como sistema operacional...

Os quatro anos que passei no governo do Estado, meu Deus do céu... Era uma choradeira por falta de grana. Faltavam investimentos para o profissional (pelo menos, ao pessoal que realmente queria trabalhar), demoraram 3 anos e meio para trocar toda a rede computadores que estavam uma década defasados, teve um ano em que fomos proibidos de tirarmos férias nos meses de janeiro e fevereiro, havia sempre o fantasma do atraso no 13º salário e o governador sempre falando que o Rio Grande do Sul estava falido...

Que sina, meu Deus!

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Viagens insólitas


Uma das (poucas) coisas que eu sinto saudades dos tempos quando eu trabalhava no Palácio Piratini eram as viagens. Percorri muitas cidades pelo Rio Grande do Sul afora e que, certamente, se não fosse por trabalho, dificilmente eu conseguiria ter conhecido aqueles municípios.


E foram vários. Acho que uns 50, num cálculo baixo. Muito em função das tais interiorizações, que era a transferência do gabinete do governador para uma cidade do interior. Geralmente isso acontecia 1 ou 2 vezes por mês.


Em alguns lugares, passei calorões mormacentos. Em outros, frios de congelar as orelhas. A situação é que a viagem, em si, é que era relaxante, pelo menos para mim. Era o momento em que eu saía daquele ambiente sufocador que era o prédio do palácio. Ainda mais o lugar onde eu trabalhava - eu coordenava o estúdio de rádio, um lugar sem ventilação, sem janelas, que se entrava para lá e se perdia a noção se era dia ou noite, se lá fora fazia tempo bom ou ruim, se o mundo tinha acabado ou não. Fora os perrengues que eu tinha que administrar junto aos colegas e meus "subordinados".


Viajar para uma outra cidade, por menor que fosse, era uma sensação de liberdade, de deixar para trás aquela gente falsa e hipócrita e entrar em um mundo desconhecido por mim em meu próprio Estado.


O mais divertido dessas viagens eram as próprias viagens. Carros e vans que estragavam, tempestades que a gente pegava no meio do caminho, motorista que errava de estrada, viagens que duravam cinco, seis até sete horas, almoços em restaurantes em pleno meio de mato, hospedagem em hotéis sofisticados e pousadas rústicas, noites mal-dormidas, atrasos na ida e na volta, chegada em Porto Alegre em plena madrugada e muito, mas muito trabalho mesmo.


No último ano de governo eu parei de viajar, por opção própria, e por várias razões. As diárias pagas eram ridículas. Para pernoitar em uma cidade, tipo, chegar numa quinta de tarde para ir embora 24 horas depois, a gente ganhava cerca de R$ 75, que eram ressarcidos uns 10 dias DEPOIS da apresentação da nota que comprovasse o afastamento.


Outro motivo foi porque enquanto eu viajava, o estúdio virava uma gandaia. O pessoal do setor brigava e se discutia uns com os outros, fulano chegava tarde para trabalhar e saía cedo (acreditem: tinha gente que nestes dias nem apareciam no palácio), se eu ligasse pro estúdio para pedir alguma coisa o telefone chamava, chamava e ninguém atendia porque estava todo mundo em outros lugares. A galera achava que pelo fato do governador estar em outra cidade, meio que virava ponto facultativo. É, amigo, repartição pública estadual é isso aí... Eu reclamava, mas de que adiantava? Nunca dava nada...


Mas o brabo mesmo era o estresse para se conseguir um carro (e um motorista) para a viagem. Uma determinação ridícula de Sua Excelência, o governador (ou de seus respectivos aspones, que não eram poucos) orientava que "o governador não queria ver tanto carro oficial na volta dele". Logo, os setores da assessoria de imprensa (rádio, tv, foto, editoria do interior) tinham que ir em apenas 1 (e somente 1) carro. Várias vezes eu ia pros fim-de-mundo e tinha que pedir carona para os colegas de outras secretarias porque o carro que nos levava tinha que levar a galera que ia acompanhar o governador em outros compromissos. Ou seja, se a gente quisesse voltar para Porto Alegre (casa) tinha que arranjar carona, no melhor estilo "se virem". E eu, que aprendi a ser organizado (até porque sempre me foi exigido muita organização), cansei dessa palhaçada. Se era para me incomodar, que eu me incomodasse só em Porto Alegre.


A foto que ilustra esse tópico foi clicada em março de 2005, tendo ao fundo o castelo da família Assis Brasil, em Pedras Altas, cidade localizada a uns 300 km de Poa. Outra hora eu conto como foi essa viagem. Tem histórias hilárias...hehehe. Aguardem!

quinta-feira, outubro 25, 2007

Não se perca no tempo


O relógio postado aqui no blog não reconhece o horário brasileiro de verão e está 1 hora atrasado...


Culpa da Click Link. Queimei a mufa tentando "acertar" os ponteiros, mas não houve cristão que me desse uma luz.


Dizem que relógio atrasado não adianta nada, mas fazer o quê? Conto com a boa vontade dos visitantes do blog.

terça-feira, outubro 23, 2007

Nau do insensato


Uma boa dica para quem gosta de exposições artísticas é o projeto Essa Poa é Boa, que está instalada na antiga fábrica da Renner, ao lado do DC Shopping.


Vários artistas locais, que ficaram de fora da Bienal de Artes Visuais do Mercosul e da Bienal do B, se uniram em mutirão e resolveram organizar uma terceria mostra. Essa Poa é Boa tem entrada gratuita e funciona de terças a domingos, das 10 da manhã às 22h, e estará aberta até o dia 2 de dezembro.


Esta obra em que eu estou - um barco de papel gigante - é uma das vedetes da exposição. Vale a pena conferir, pois o trabalho é bem construído e cheio de surpresas.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Céus, o Natal já chegou... no comércio!


Ainda faltam dois meses, mas o Natal já chegou no comércio aqui em Porto Alegre.


Nem bem terminaram as promoções do Dia da Criança e as lojas já começam a nos bombardear com as decorações natalinas, promoções para compra de presentes, ofertas prometendo pagamentos "só depois do carnaval" e a lembrança de que o bom velhinho logo, logo vem aí. Já tem até presépio montado nos shoppings centers, com a trilha de Jingle Bells.


Isso significa, gente amiga, que o fim do ano chegou, que 2007 passou voando e que 2008 já está batendo na porta! Y así pasan los dias e los años.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Que preguiça!


Às vezes é duro transcrever o que pensamos para a tela do pc. As idéias fervilham, pululam, pipocam e jorram aos borbotões, mas na hora de teclar, bate aquela preguiça e o grande texto se enfumaça.
Mas já, já, o Macunaíma vai descer dessa rede.