terça-feira, setembro 04, 2018

A "sutil arte"...


Estou bem propenso a ler esse livro*...


* O segundo livro mais vendido no Brasil nos meses de abril, maio e junho de 2018, de acordo com o ranking mensal do portal Publishnews.

segunda-feira, setembro 03, 2018

Crônica de uma tragédia anunciada





Um país que queima literalmente a sua história. Triste demais: sem educação, sem democracia e sem história. O gráfico do orçamento para o Museu Nacional, no Rio de Janeiro,  nos últimos anos (já fartamente divulgado pela imprensa desde ontem), mostra claramente que o conhecimento não é prioridade para o governo federal.

Todo aquele patrimônio adquirido desde os tempos de D.Pedro II, destruído, incluindo as únicas múmias egípcias em um museu na América Latina. Nem no Egito, havia tamanha relíquia egípcia.

Agora vão ser só lembranças. O fogo que arrasou com o Museu Nacional e 200 anos da nossa história é mais um reflexo do nosso descaso com a cultura. Nem os partidos que se dizem “novidade” são diferentes nessa área. A cultura neste país sempre foi considerada algo "menor", supérfluo, algo que não é prioridade. O descaso destrói o patrimônio e a história de um povo.

E nesse caso do Museu Nacional, onde o fogo lambeu todo um relicário da nossa história, infelizmente, temos que parafrasear um samba antigo, dos compositores Bide e Marçal, cujos versos diziam: “agora é cinza, tudo acabado e nada mais”.



sexta-feira, novembro 20, 2015

Dia da Consciência Negra

Se existe um dia da consciência negra, um dia da mulher ou um dia do índio, é porque, como diria Caetano, "alguma coisa está fora da ordem", algo está muito errado.

Acho impressionante quando vejo pessoas quererem ainda desqualificar o dia 20 de novembro, data escolhida pelos movimentos negros para exaltarmos a afrodescendência e referendarmos a unidade de luta pela liberdade de informação, manifestação religiosa e cultural. Consciência negra é buscar maior participação e cidadania para os afro-brasileiros e dizer não ao racismo, à discriminação e ao preconceito racial.

Muitos racistas tentam se opor ao 20 de novembro e todo esse ativismo por uma consciência dos afro-brasileiros. São muito bonitas frases como "alma não tem cor" ou "todos somos iguais" ou, ainda, "precisamos de uma consciência humana". Isso qualquer um sabe ou deveria saber. No entanto, esse discurso é muito cômodo para quem não é atingido por overdoses maciças e cotidianas de preconceito, discriminação, ódio e intolerância.

E dê-lhe exigir boa aparência para o candidato a uma vaga de emprego, ser contra as cotas, destruir terreiros, escorraçar imigrantes e refugiados africanos e caribenhos, perseguir candidatas negras em concursos de beleza, chamar desportistas de macacos, postar comentários raivosos sobre famosos nas redes sociais, se recusar a ser atendido por comerciantes negros, expulsar crianças negras de lojas de grife, exterminar jovens negros, dar tiros durante uma passeata de mulheres negras, entre outras situações injuriosas.

Se existe um dia de consciência negra não é porque queremos, e sim, porque se faz necessário.

quarta-feira, junho 03, 2015

Cotas...já deu!!!

E o programa Encontro, da Fátima Bernardes, volta a discutir o manjado e batido tema das "cotas"...

Sério, não aguento mais esses papinhos. Esse debate sobre cota já "deu". As cotas - ou políticas de ações afirmativas - existem, quer se gostem delas ou não, e continuarão a ser implementadas (afinal, como dizia um samba da Beija-Flor, "a liberdade já raiou, mas a igualdade não") e não há mais possibilidade de retrocesso. Ponto.

Aí fala-se na questão do mérito. Mérito? É um discurso bonito e até comovente, mas... no Brasil, ninguém ascende socialmente sozinho, somente pelos próprios méritos. Se não tiver uma estrutura econômica básica, família organizada, relacionamentos, o máximo que se chega é até o meio do caminho. Quer estudar medicina mas só chega a auxiliar de enfermagem; quer ser economista mas acaba sendo técnico de contabilidade... Aqui é assim.

E o mais engraçado é que tem cota pra tanta coisa (vaga para mulheres em partido político para concorrer em eleição; vaga para deficiente em concurso público e transporte coletivo; vaga para filho de militar em escola militar), mas quando se quer promover a igualdade de oportunidade para afrodescendentes, aí as cotas passam a ser "sociais", que até podem resolver o problema do POBRE, mas não resolvem a questão do NEGRO. Impressionante como o negro no Brasil ainda é visto como um "problema".

sexta-feira, setembro 05, 2014

Momento errado



O episódio da torcedora Patrícia Moreira, que foi flagrada pelas câmeras de televisão nas arquibancadas da Arena do Grêmio, proferindo ofensas racistas contra o goleiro Aranha, durante o jogo entre Grêmio e Santos, no dia 28 de agosto, válido pela Copa do Brasil, me lembra aqueles casos dos tempos de colégio em bancar o maria-vai-com-as-outras.

O que aconteceu com a guria é bem o que ocorre diariamente nas salas de aula do país inteiro: se o Fulano está fazendo, vou fazer também... A turma está uma tremenda bagunça, o professor aparentemente perdeu o controle, os aluninhos fazendo a maior laúza, com gritos, assobios, lançamento de aviõezinhos e bolinhas de papel. Aí, um aluno que tira notas medianas e que não é do mal e nem bagunceiro, inventa de "ir na onda", dá um berro ou solta uma gracinha infeliz, pensando que seu ato ficaria encoberto naquele furdunço. Eis que magicamente o barulho cessa, o professor se vira e surpreende o bagunceiro pouca-prática, que é punido exemplarmente com a expulsão da sala ou até uma suspensão, e é avisado que só retornará à escola se estiver acompanhado do pai ou responsável.

Não sou psicólogo, mas isso talvez algum profissional do ramo possa explicar melhor do que eu. A atitude de pessoas pacíficas muitas vezes são regidas pelo grupo no qual está inserido do que pelo indivíduo em si. Patricia xingou o goleiro de "macaco" porque “entrou na onda” da torcida, que já gritava a palavra depreciativa. Isso por si só não justifica as ofensas ditas pela moça durante a partida.

O pecado dessa azarada torcedora, assim como o do estudante aprendiz de bagunceiro, foi "ter ido na onda" e abrir a boca no momento errado.

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

DICAS PARA QUEM DETESTA CARNAVAL



Êba, é carnaval! Mas para mostrar que sou tolerante com os que detestam os dias de folia, consultei sites, jornais, rede de amigos e me inspirei em um texto de Luiz Antônio Simas e preparei uma lista de programas de índi...(ops!) dicas para quem quer “fugir do agito” (copiei a expressão de um conhecido jornal alegre-portense). Vejam como pode também ser divertido ficar alheio ao evento. Eis aí a lista com “ótemas” opções para quem não é chegado no ziriguidum:

1- Rebanhão. Ah, uns com fé demais e outros com fé de menos... Neguim passa o ano inteiro maldizendo, malfalando, praguejando, xingando a esposa, traindo o marido e batendo nos filhos e aproveita justamente o carnaval para expiar os pecados no retiro espiritual. Mas já que é assim, que se aproveite o tríduo momesco para orar, entoar cânticos de louvor e ouvir a Palavra. E na quarta-feira de Cinzas, volta tudo como era antes no quartel de Abrantes: maldizer, praguejar, xingar a esposa, trair o marido, bater nas crianças...

2- Maratona em mostra cinematográfica. O nome dessas mostras geralmente é muito criativo: Fugindo do Carnaval (genial!). Enquanto eu estiver me preparando para assistir meus Imperadores do Samba e entoar o bonito samba dos Acadêmicos de Gravataí, o sujeito pode assistir a filmes dos mais conhecidos diretores da vanguarda cinematográfica sul-coreana, responsáveis por obras altamente experimentais, privilegiando o ritmo pausado, o forte conteúdo visual muitas vezes sangrento, o parcimonioso uso do diálogo e a ênfase em elementos criminais ou marginais da sociedade.

3 – Se você for amante das artes, vale a pena conferir a exposição A Bela Morte – Confrontos com a Natureza-Morta no Século XXI, no Margs. A ideia é mostrar um olhar atualizado sobre a natureza-morta, a arte de representar frutas e outros objetos inanimados. Tão emocionante quanto o grito de guerra do puxador Alexandre Belo.

4- Quer paz, sossego, e ficar longe de gente suada se esfregando no salão? Seus problemas acabaram, amigão/amigona! Passe o tríduo momesco na Cidade dos Pés Juntos, o famoso cemitério! E curta o melhor da arte cemiterial da nossa cidade. Você pode visitar o túmulo do Teixeirinha no Cemitério da Santa Casa. Indico também ir ao São Miguel e Almas, visitar o mausoléu da família Mathias Velho, onde anjos abrem o túmulo de Cristo diante de um romano espantado. O monumento é um dos melhores exemplos de arte funerária de Porto Alegre. O Jardim da Paz, na Lomba do Pinheiro, é considerado o mais belo “cemitério-parque” do Brasil, tem clima bucólico e não se escuta qualquer baticum.

5- Maratona do descarrego nas unidades da Igreja Universal do Reino de Deus. Durante quatro dias pastores realizarão exorcismos e descarregos em tempo integral. A igreja promete encerrar o evento com a realização do ritual da fogueira santa de Israel, onde os bilhetes com pedidos dos devotos arderão na pira do Leão de Judá. Promete ser mais animado que o desfile da Imperatriz Leopoldense sobre a China.

6- Apreciar as belezas naturais da nossa cidade. Eis um programa tremendamente interessante para os que detestam o tríduo. Levantar às cinco horas da manhã para fazer caminhadas ecológicas, trilhas e trekkings, com oportunidade de integração entre os colegas e a realização de um piquenique comunitário. Deve ser tremendamente divertido, sobretudo se chover.

7- Festas, raves, bailinhos, baladas ou o raio-que-o-parta. Em plena sexta-feira, véspera de carnaval, uma “baita festa” vai acontecer em boate na Cidade Baixa, programa ideal para os descolados de plantão, com direito a muito som indie, funk, soul. Tem outra festa, no mesmo bairro, cujo nome já diz tudo: I Hate Carnaval. É o programa mais indicado para rapazes frescos e jovens lésbicas intelectualizadas.

8- Camarotes vip no Complexo Cultural Porto Seco e das cervejarias na Marquês de Sapucaí; sempre repletos de subcelebridades, gente bem e personalidades (oi?) do meio político. É, sem a menor dúvida, o melhor programa para quem de fato detesta carnaval.

Depois dessas dicas que provam, repito, minha compreensão em relação aos não carnavalescos, abrirei a primeira gelada do dia, pedirei axé aos meus guias, licença ao povo da rua (que não sou besta), e declararei aberto o meu Carnaval.

Evoé!