Quinta-feira, Janeiro 21, 2010

Pisada na bola diplomática

Despertei da minha hibernação em função de uma declaração infeliz do cônsul do Haiti em São Paulo, Sr. George Samuel Antoine. Antes de conceder uma entrevista para uma equipe de jornalismo do SBT, o diplomata perdeu a democracia ao ofender o povo africano (“O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano tá foda”), e também ao declarar que a tragédia "está sendo boa para o país se tornar conhecido". Demonstrações infelizes de racismo, arrogância e falta de sensibilidade.

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

Há 20 anos...

No sábado, dia 12, houve a comemoração dos 20 anos de formatura da minha turma do 3º ano do Colégio Militar.
Muito legal o encontro. Daquela gurizada, somos atualmente jornalistas, engenheiros, advogados, médicos, profissionais liberais, militares, enfim, a grande maioria está com uma boa colocação na vida.
Me deu saudade ao entrar no Salão Brasil, ao caminhar pelo Pátio Plácido de Castro e pelas dependências do CMPA.
Recordar é viver!



Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Putz!!!


Meu Deus!!!

Onde foi que eu fui me meter??
SOCUERRO, EL JUSTICERO! AYUDAME POR FAVOR...

Sábado, Outubro 24, 2009

Que rufem os tambores

Semana de expectativas... Boas, com certeza!
Então, que rufem os tambores!!




Terça-feira, Julho 07, 2009

Ditos pelotenses

Encontrei na internet uma relação de expressões muito usadas pelos pelotenses e, lógico, se utiliza em outras regiões do Estado. Confira algumas pérolas:

- quando alguma coisa surpreende negativamente, normalmente de diz algo do tipo "Mas que coisa!" Na minha família, a expressão é "Mas será o pé do cabrito!?" ou ainda "Será o pé do bicho?!" Não me perguntem por quê;

- quando alguém tem um acesso de fúria, ou de paixão do tipo beijo-beijo-beijo-abraço-abraço-aperto, se diz que tá tendo um "ataque de cinco minutos" ou que "bateu a miudinha";

- quando a coisa fica feia, complicada, se diz que "preteou pro lado dos castelhanos"; Recentemente, o cronista Paulo Sant'Anna apresentou uma versão semelhante, em virtude dos resultados não satisfatórios da dupla Grenal na Libertadores e Copa do Brasil, com: "preteou o olho da gatiada".

- "Cisca daí" - Expressão empregada sempre que se quer que uma pessoa ou animal deixe imediatamente o recinto ou pare imediatamente de fazer alguma coisa. Vale para crianças (ver mandinhos), gatos, cachorros e afins;

- Cristiar - Verbo regular que significa enganar, passar pra trás. Ex.: Quando em uma divisão de comida, a outra pessoa está ficando com mais da metade, disse-se "Acho que tu estás me cristiando!";

- Trinque - Designação pelotense para aquilo que todos chamam de trinco de porta.

- Freje - Bagunça, alaúza, balbúrdia. Empregado da seguinte forma "-Chega de freje!" quando a mãe queria cortar o nosso barato;

- quando na minha família se está fazendo alguma coisa e já se encheu o saco, quer terminar logo, ainda que feito não tão bem quanto deveria, se usa a expressão "Pra quem é, bacallhau basta". A expressão é portuguesa e se deve ao fato de que em Portugal o bacalhau chegava com fartura às classes mais modestas. Achei isso em uma página de turismo portuguesa;

- Por que cargas d´água...? É usado em expressões de interrogação, quando não se sabe o motivo de algo ter ocorrido, por ex.: "Mas por que cargas dágua esta cremeira está na estante?";

- Cremeira/cremeirinha: potinho/tigelinha de sobremesa, geralmente de vidro ou porcelana. O nome parece ter sido dado porque eram usados para servir cremes. Muito comuns eram aqueles de louça branca com uns losangulinhos laranja nas bordas, que quando quebravam viravam em mil caquinhos, lembra? Depois foram substituídos pelos Duralex caramelo;

- quando alguém espalha aos 4 ventos alguma coisa que deveria permanecer em segredo, Vó Ninhinha sempre diz: "-Nunca falta um boi corneta!" Obs.: Boi-corneta: boi que, com seus mugidos, reúne parte do rebanho em torno de si;

- algariado/algariação: Um sujeito algariado é alguém que está ou é elétrico, estabanado, inquieto, barulhento. A frase clássica é a segunite: "Vamos parar de algariação!" que equivale a mandar parar com a bagunça;

- venda: mini-mercado, bolicho, pequeno armazém. Em Pelotas tem sempre um a cada 100-150m, ou seja um por quadra;

- quadra: quarteirão;

- pão de meio: pão francês de meio quilo. Sempre dava briga para ver quem ficaria com o bico;

- bico: a ponta do pão. Cada pão tem dois "bicos". Pena isso de ter havido a "evolução" para o pãozinho de 50g (que em Pelotas é cacetinho - sem risos, por favor). Agora todo mundo tem bico. Humpf;

- pão diquartiquilo: pão francês de 250g ou de um quarto de quilo;

- mandinho: criança, garoto, piá

- tirar: Em Pelotas a gente não "cursa" nem "faz" faculdade ou curso nenhum. Lá, pelo menos para os mais velhos, a gente "tira". Ex.: Fulaninha está tirando medicina. Ou melhor, mais de época: Maria Alice tirou o normal. (Normal era magistério). Inacreditável, mas é verdade. Juro;

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Cotas...mais uma vez (dá-lhe, Zulu!)


Estou impressionado com o número elevado de artigos que atualmente pululam em jornais, revistas, sites e outras publicações de autoria de "gentes" se manifestando contra as cotas e outras ações afirmativas. Questionam e criticam a adoção destas ações, ora invocando uma suposta inconstitucionalidade, ora querendo substituir por "cotas sociais", que segundo afirmam, seriam "mais justas".

Pois o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, elaborou um belo texto, intitulado Cotas, mentiras e videotapes!, em resposta à inteligentzia, aos filhos bem criados da classe média e até mesmo a afrodescendentes que querem se celebrizar ao se mostrar contrários às ações compensatórias. Pena que alguns jornais/revistas não tivessem coragem de publicá-lo. Porém, o Blog du Brisa - que adora uma polêmica - reproduz, na íntegra, o texto publicado originalmente na Revista Raça Brasil nº 132.

Cotas, mentiras e videoteipes!
por Zulu Araújo, presidente da Fundação Cultural Palmares / Ministério da Cultura

Os ataques partiram de todos os lados (emissoras de televisão e rádio, jornais, blogs). Não importa que a proposta tenha sido mitigada por critérios sociais na Câmara dos Deputados e que as pesquisas apontem o sucesso onde elas foram implantadas. "Somos contra", afirmaram em uníssono os representantes da maior frente política articulada contra a promoção da igualdade no Brasil.

Enfim, as máscaras caíram. Nenhuma proposta ou alternativa é apresentada. São contra tudo que signifique promoção da igualdade neste país (bolsa-família, cesta básica, demarcação das terras indígenas... ). Desta vez fulanizada em opiniões absolutamente díspares e caricatas, ora pela boca de eminentes antropólogos, sociólogos ou jornalistas, ora por filhos bem criados da nossa classe média privilegiada e de vez em quando por afrodescendentes ávidos pelos 15 minutos de fama, repetiram a ladainha de sempre: As cotas não resolvem o problema da desigualdade racial no ensino, excluem o mérito do processo seletivo, racializam as relações na sociedade brasileira.

Em sua sanha destrutiva foram mais além. Um renomado cientista fez a seguinte afirmação na revista Época (n° 568): "A escravidão é uma coisa horrorosa que aconteceu há mais de 200 anos. Quem é que tem de pagar por isso hoje? O imigrante italiano?" Para este cidadão, quem deve continuar pagando a conta somos nós, que fomos escravizados. Quer algo mais explicito? Pela lógica deste cidadão, os palestinos também poderiam construir a seguinte frase: "A expulsão dos judeus da sua terra natal foi horrorosa, por que passados mais de 2000 anos nós é que temos de pagar a conta? Cômico, senão trágico, se a vida fosse tão simples assim.

Vale a pena lembrar aqui que foi a Organização das Nações Unidas(ONU), da qual o Brasil é membro, que estabeleceu a reparação como mecanismo compensatório à escravidão, reconhecida como crime de lesa-humanidade.

Mentiras - Vale tudo para desconstruir esta pequena possibilidade de reparação da imensa dívida que este país possui para com quase metade de sua população. Escondem-se as pesquisas, os números e a secular exclusão dos afro-brasileiros da educação, do mercado de trabalho, da mídia e de tudo que signifique poder real neste país. Mente-se de forma despudorada. Mistificam-se opiniões isoladas e omitem-se as conseqüências crueis dos anos de escravidão e discriminação racial.

Tudo isto, para que os privilégios sejam justificados em nome de uma meritocracia fajuta, pois está mais do que comprovado que o sistema seletivo atual não avalia mérito algum. Mentem quando afirmam que as cotas raciais são o problema. Querem que tudo continue do jeito que está sob a justificativa de que somos um país pacifico, com um povo ordeiro e mestiço, que nunca viveu os horrores da discriminação e do racismo. Só faltam dizer que a escravidão foi boa para os africanos, pois afinal lhes deram uma religião, bons modos e acesso a uma nova civilização. Nas inúmeras matérias, entrevistas, artigos e editoriais, os representantes dos quase dois terços da população que é favorável às cotas são solenemente ignorados. É um verdadeiro massacre midiático. Seguramente o mais longo e bem articulado dos últimos 20 anos.

Vídeoteipe - Nos últimos ataques, os porta-vozes da elite brasileira revelam bem mais que uma discordância com as ações afirmativas. Avançam para o terreno da defesa pura e simples do direito ao privilégio para uma minoria bem nascida e bem nutrida. Nenhuma política que vise alterar o status quo vigente é correta. É como se todas elas estivessem impregnadas do veneno mortal da igualdade. Sonham de olhos bem abertos com o retorno ao passado, como se a vida pudesse ter remake ou vídeoteipe. É como se houvesse uma determinação divina para que o acesso à universidade, aos melhores empregos, aos cargos de direção do país e às nossas melhores terras sejam exclusivamente dos mesmos que ao longo dos últimos quinhentos anos se locupletaram com as riquezas de nossa nação ao custo da escravização, da exclusão e da discriminação da maioria do povo brasileiro. Ainda bem que os homens e mulheres de boa vontade são a maioria deste país e cada vez mais conscientes de que o Brasil só será uma democracia de fato e de direito quando a fraternidade, justiça e igualdade for para todos. Vamos à luta !

Toca a zabumba que a terra é nossa !

Falou e disse, Zulu!