sábado, setembro 20, 2008

Parabéns!





















Seu aniversário
(Lulu Santos)
Canta: Lulu Santos

Hoje é seu dia
É muito justo
Que seja tão especial
Toda a sua tribo
Também concorda
E acha supernatural

A gente quer tanto bem a você
Sua alegria contagia a todos nós
A gente quer é lhe devolver
Parte do que você
Traz pra gente

Parabéns! Parabéns!
Hoje é o seu aniversário
Parabéns! Parabéns!
Mais uma volta no calendário


Que você sorria
É o que importa
Baby! todo dia
Ter você presente
É nossa sorte
É o que nos faz potentes

A gente quer tanto bem a você
Sua inocência purifica todos nós
A gente quer é lhe devolver
Parte do que você
Faz pra gente

Parabéns! Parabéns!
Hoje é o seu aniversário
Parabéns! Parabéns!
Mais uma volta no calendário


A gente quer tanto bem a você
Sua energia modifica todos nós
E quer é lhe devolver
Parte do que você
É pra gente!

Parabéns! Parabéns!
Hoje é o seu aniversário
Parabéns! Parabéns!
Mais uma volta no calendário


E essa é pra você tocar
Na sua festa...



domingo, setembro 07, 2008

Não vi


Acabou a Expointer e, graças a Deus, não vi boizinhos, vaquinhas, cavalinhos, porquinhos e ovelhinhas. Faz dois anos que não piso no Parque Assis Brasil, em Esteio. E espero não ter que ir para lá nos próximos anos. Eu é que sei o que sofri...

terça-feira, setembro 02, 2008

Um convite

Meu amigo e ex-colega de Fabico e hoje escritor e poeta consagrado Fabrício Carpinejar vai autografar no próximo dia 9, na Livraria Cultura, do Shopping Bourbon Country, "Canalha", seu mais recente livro, uma coletânea de crônicas.


Está aí mais uma obra deste artista "performático, poliédrico e hiperativo", como se define.



sábado, agosto 30, 2008

Hoje, preciso de você...

Nossa! Como estou romântico hoje...




Só Hoje

(Fernanda Mello e Rogério Flausino)

Jota Quest

Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito
Nem que seja só pra te levar pra casa
Depois de um dia normal
Olhar teus olhos de promessas fáceis
E te beijar a boca de um jeito que te faça rir
(que te faça rir)

Hoje eu preciso te abraçar
Sentir teu cheiro de roupa limpa
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz!

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria
Em estar vivo

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia
Que eu faço tudo errado sempre, sempre.

Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje

(solo)

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria
Em estar vivo

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia
Que eu faço tudo errado sempre, sempre

Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso!
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje (repete 2x)

quarta-feira, agosto 20, 2008

Da série "Teu passado te condena"...

Dois momentos nos anos 80 em que eu canalizava minhas energias em prol da música (principalmente do rock and roll).

Abaixo, Eduardo "Zé" Garcya (bass), eu (drums), Ricardo "Steve" Boeira (lead guitar) e Márcio Allegretti (keyboards), em 1989. Banda INVASÃO A DOMICÍLIO, aquela que poderia ter sido...



Aqui, uma banda "paralela", comigo (sentado em cima da mesa, detalhe para a meia branca com o sapato preto), Marcio, Zé e o saudoso Nêgo Sílvio (de óculos). O ano era 1988.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Por fora do Festival de Gramado


Terminou ontem a 36ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Tá, e daí? Certamente que você não verá em nenhum cinema perto de você os filmes que foram exibidos e/ou premiados na mostra deste ano. Nem na do ano passado, nem na do retrasado. Com sorte, poderá assistir a alguma película premiada durante a programação do Canal Brasil. Daqui a uns 6 meses.


Festival de cinema de filmes brasileiros é assim que funciona. É tipo festa privê, fechada, feita e direcionada para os seus pares. E o povo? O povo fica se acotovelando atrás do cordão de isolamento para ver os astros e estrelas caminharem no tapete vermelho em direção ao Palácio dos Festivais.


Ah, parabéns a todos os premiados do festival de cinema (que eu não sei quem são).

terça-feira, julho 22, 2008

Solano, cem anos


Nesta semana, mais precisamente no dia 24 de julho, completam-se cem anos do nascimento de um dos mais significativos poetas populares brasileiros. Solano Trindade foi poeta, pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Nasceu em 1908, no bairro de São José, no Recife (PE), era filho de Manuel Abílio, mestiço, sapateiro, e da quituteira Dona Emerenciana de Jesus. Estudou até completar um ano de desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Solano teve uma importante militância à causa desenvolvida em favor de um povo até ento oprimido.

Começou a militância a partir de 1930, quando começou a compor poemas afro-brasileiros e, já integrado nesta corrente, participa em 1934 do I e II Congresso Afro-Brasileiro, no Recife e Salvador. Em 1936 fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro, que tinha o objetivo de divulgar os intelectuais e artistas negros. Em 1940 transfere-se para Belo Horizonte. Depois chegou ao Rio Grande do Sul, fixando-se por um tempo em Pelotas, onde fundou com o poeta Balduíno de Oliveira um grupo de arte popular. Esta foi sua primeira tentativa de criar um teatro do povo, o que não se concretizou devido à enchente de 1941, que carregou todo o material. Voltou então para Recife, indo logo depois para o Rio, onde no "Café Vermelhinho", detém-se a discutir e a conversar com jovens poetas e intelectuais, artistas de teatro, políticos e jornalistas. Ali fez sucesso.

Em 1944, edita o livro "Poemas de uma vida simples", onde se encontra o seu declamad�ssimo "Trem sujo da Leopoldina". Em 1945 funda o Comitê Democrático Afro-brasileiro, com Raimundo Souza Dantas, Aladir Custódio e Corsino de Brito. Em 1954 está em São Paulo, criando na cidade de Embu, um pólo de cultura e tradições afro-americanas. Em São Paulo também funda o Teatro Popular Brasileiro - TPB, onde desenvolveu uma intensa atividade cultural voltada para o folclore e para a denúncia do racismo. Em 1955 viaja para a Europa, com o TPB, onde dá espetáculos de canto e dança. Em 1958 edita "Seis tempos de poesia"; em 1961, "Cantares ao meu povo" (com uma reunião de poemas anteriores).

Solano Trindade faleceu no Rio de janeiro, em 19 de fevereiro de 1974, aos 66 anos.


Tem gente com fome

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Piiiiii

Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha
Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Tantas caras tristes
querendo chegarem algum destino
em algum lugar
Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer

Mas o freio de ar
todo autoritário
manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuuu


SOU NEGRO


SOU NEGRO
MEUS AVÓS FORAM QUEIMADOS
PELO SOL DA ÁFRICA
MINH’ALMA RECEBEU O BATISMO DOS TAMBORES
ATABAQUES, GONGUÊS E AGOGÔS

CONTARAM-ME QUE MEUS AVÓS
VIERAM DE LOANDA
COMO MERCADORIA DE BAIXO PREÇO
PLANTARAM CANA PRO SENHOR DO ENGENHO NOVO
E FUNDARAM O PRIMEIRO MARACATU
DEPOIS MEU AVÔ BRIGOU COM UM DANADO
NAS TERRAS DE ZUMBI
ERA VALENTE COMO QUÊ
NA CAPOEIRA OU NA FACA
ESCREVEU NÃO LEU
O PAU COMEU
NÃO FOI UM PAI JOÃO
HUMILDE E MANSO
MESMO VOVÓ
NÃO FOI DE BRINCADEIRA
NA GUERRA DOS MALÉS
ELA SE DESTACOU
NA MINH’ALMA FICOU
O SAMBA
O BATUQUE
O BAMBOLEIO
E O DESEJO DE LIBERTAÇÃO...


In:“SOLANO TRINDADE CANTARES AO MEU POVO”
ED FULGOR
1961


Gravata Colorida
Quando eu tiver bastante pão
para meus filhos
para minha amada
pros meus amigos
e pros meus vizinhos
quando eu tiver
livros para ler
então eu comprarei
uma gravata colorida
larga
bonita
e darei um laço perfeito
e ficarei mostrando
a minha gravata colorida
a todos os que gostam
de gente engravatada...

Quem tá gemendo?

Quem tá gemendo,

Negro ou carro de boi?
Carro de boi geme quando quer,
Negro, não,
Negro geme porque apanha,
Apanha pra não gemer...

Gemido de negro é cantiga,
Gemido de negro é poema...

Gemem na minh'alma,
A alma do Congo,
Da Niger, da Guiné,
De toda África enfim...
A alma da América...
A alma Universal...

Quem tá gemendo,
negro ou carro de boi?

sexta-feira, julho 04, 2008

Respirando água


Não agüento mais essa neblina que assola a cidade. Há uma semana Porto Alegre é só umidade e cerração. O sol tá nos devendo uma visita há dias. Estamos respirando água. Pô, São Pedro, alivia...

quarta-feira, junho 25, 2008

Obrigado, Dudu



Eu costumo dizer que, como jornalista, eu gosto muito do que faço. No entanto, nem sempre eu faço o que quero.

Mas, ontem foi um dia especial. Motivador. Um aluno do IPA, portador de paralisia cerebral, mostrando determinação e superação dos obstáculos naturais, defendeu sua monografia no curso de Jornalismo. Mandamos releases para a imprensa e a notícia bombou, com repercussão no país inteiro através dos telejornais, sites noticiosos (Terra, G1, UOL)e também foi capa da Zero Hora do dia de hoje. Foi até matéria que encerrou a edição do Jornal Nacional (o sonho de quem é assessorado por jornalistas). Com direito até a lágrimas e voz embargada da Fátima Bernardes.

A cada aparição do jovem Eduardo Purper na tevê ou na internet, nós, a equipe da Assessoria, comemorávamos como se tivéssemos feito um gol. E, na verdade, foi. Um gol de placa. Principalmente do Dudu, que nos fez trabalhar no pré e no pós evento de maneira apaixonada e felizes por vermos concretizado o fruto do nosso trabalho.

Sem dúvida, um golaço. É isso aí, Dudu. Muito obrigado.

terça-feira, junho 17, 2008

Jamelão, meu parente



Ao receber a notícia da morte do cantor Jamelão (1913-2008) eu senti como se eu tivesse perdido um parente querido. Explico: eu me criei, desde pequeno, escutando a voz tronitroante do sr. José Bispo Clementino dos Santos, através dos discos que o meu pai tinha. E o pai (ardoroso fã) gostava de cantar as mesmas músicas imitando o timbre de voz do Jamela. Além de ouvir o fino da dor-de-cotovelo (Lupicínio Rodrigues, Lúcio Cardim e Ari Barroso, entre outros), eu também curtia aquela voz que entoava os sambas da Estação Primeira de Mangueira.
Ou seja, a voz de Jamelão estava permanentemente presente em nossa casa. Era como se fosse o irmão mais velho do meu pai. Ambos torciam pelas cores verde e rosa. No futebol, o pai era flamenguista roxo, e Jamelão, vascaíno de vestir camisa. Mas este último detalhe pouco importava.

Uma das minhas grandes frustrações foi não ter conseguido conhecer pessoalmente o Jamelão. E por duas vezes, na época em que eu trabalhava na Rede Bandeirantes, eu QUASE consegui.
Na primeira, lá pelos idos de 1997, eu apresentava um programa de carnaval na Band AM, aos sábados, e o Jamelão estaria em Porto Alegre naquele dia. Rolou o boato de que o Jamelão poderia visitar os estúdios da rádio, pois um dos outros apresentadores do programa garantiu que o velho intérprete apareceria. Que nada! Fiquei quatro horas no ar e nada do Seu José Bispo aparecer.

Na outra vez, em 2000, Jamelão veio a POA inaugurar a boate Se Acaso Você Chegasse, de propriedade do filho de Lupcínio. Como todos sabem, Jamelão foi o intérprete maior das músicas de Lupi. Só que o show de inauguração aconteceria na noite de uma quinta-feira, e o programa que eu trabalhava, chamado Manhã Bandeirantes, ia ao ar das 9h30 às 11h e o cantor só chegaria na cidade durante a tarde. Putz!

Depois disso, as vindas de Jamelão a POA passaram a ser mais escassas, eu saí da rádio e não tive mais oportunidade, profissionalmente, de ter contato com o cantor. Na semana em que meu pai morreu, Jamelão estava completando 90 anos. O aniversário do cantor aconteceu no dia 12 de maio e meu pai fez a passagem quatro dias depois. E, no hospital, eu lembro de ter falado pro meu pai sobre o aniversário do Jamelão. E eu tinha visto, dias antes, o CD "Cada vez melhor", que era o mais recente lançamento. Pensei em comprar, gravar numa fitinha k-7 e entregar para o pai escutar no hospital. Infelizmente, não deu tempo...

Mas eu me lembro a primeira vez que eu vi o Jamelão. Eu tinha uns 5, 6 anos, e ele pôs o auditório Araújo Vianna inteiro pra gingar com o samba enredo da Mangueira naquele carnaval: "oba-ba, oba oba-bá/ é a Mãe do Ouro/ que vem nos salvar".

Para quem gosta, aí vai um link do disco "Jamelão interpreta Lupicínio Rodrigues", gravado em 1972, extraído do blog Cápsula da Cultura. Siga em paz, velho mestre!




* Para baixar o arquivo é só clicar no link (não se preocupe, não é vírus). Vai abrir uma página, depois, é clicar onde diz "star the download". Aí é só escolher entre abrir o arquivo (que virá zipado) ou salvar em alguma pasta do pc.


segunda-feira, junho 16, 2008

Coisa estranha


É muito estranho para um torcedor gremista ver o técnico Adenor Bachi, o Tite, fardado de colorado.

O treinador, responsável pela penúltima boa fase do clube (a última boa fase foi vivida até o final do ano passado, com Mano Menezes), é um excelente profissional que até hoje os tricolores suspiram de saudade. Digamos que Tite, Mano e Felipão formam uma espécie de "santíssima trindade" entre os treinadores que marcaram época no estádio Olímpico nos últimos 15 anos.
Estranho, muito estranho.

sábado, maio 31, 2008

Visão restrita de Santa Maria


Algumas ruas do centro de Santa Maria (RS) vistas do 8º andar de um hotel da cidade da Boca do Monte. Manhã de um domingo no final do mês de abril...

sexta-feira, maio 02, 2008

Em memória de Aimé Césaire*


Faleceu dia 17 de abril o político martiniquenho Aimé Césaire, aos 94 anos. Grande poeta da Negritude, cantada em seu célebre poema de 1939, "Caderno de volta ao país natal", onde afirmou: "É-belo-e-bom-e-legítimo ser negro".


Césaire foi um dos fundadores da Negritude e um anticolonialista determinado. Parlamentar francês-martiniquenho entre 1945 e 1994. Foi inicialmente membro do Partido Comunista Francês, fundou o Partido Progressista Martiniquenho, aderiu ao Partido Socialista, enfim, combateu toda sua vida pela liberdade e pela dignidade do ser humano, do povo martiniquenho, em particular, do povo negro, especialmente.


Seu nome completo era Aimé Fernand David Césaire, nascido aos 26 de junho de 1913 em Basse Pointe, na Martinica, e falecido no dia 17 ultimo em Fort-de-France.


"Uma grande voz se apaga, a de um homem de opinião, de criatividade, de testemunho, que, durante toda sua vida, foi um despertador de consciências, uma lucidez sobre o seu tempo, um portador de esperanças para todos os humilhados, um combatente incansável pela dignidade humana", declarou a ex-presidenciável socialista francesa Ségolène Royal, em Poitou.


Césaire esteve no Brasil no início da década de 1960. Em 2006 seu nome foi indicado por uma instituição da Bélgica para o Prêmio Nobel da Paz, no momento em que o Congo teve a primeira experiência de eleições livres para presidente da República.


Reconhecemos em Aimé Césaire a importância do seu pensamento, de sua obra e de seu trabalho político, de sua profunda sinceridade com suas causas.


O poeta surrealista francês André Breton, em prefácio ao "Caderno de volta ao país natal", considerou Césaire "o maior poeta surrealista do século XX". Ao prefaciar a Antologia da poesia negra e malgaxe, organizada por Léopold Senghor, uma outra liderança da Negritude, Jean-Paul Sartre considerou longamente a beleza e o espírito provocador e revoltado dos poemas de Césaire. O que queriam os brancos, se perguntava Sartre. Ele esperava que os brancos recebessem a literatura dos negros com o respeito que é devido aos bons autores, e não como se acolhessem produções de crianças precoces.


Césaire preocupava-se com a condição humana do negro em qualquer lugar do planeta, de um modo tal que suas reflexões interessam não apenas aos negros, mas a todos aqueles que desejam uma humanização do mundo em que vivemos.


Ele foi membro do Partido Comunista Francês, do qual se afastou em 1956, e fundou o Partido Progressista Martiniquenho, no qual permaneceu toda sua vida, como representante de seu povo no Parlamento Francês.


A poesia de Aimé Césaire é uma realização que ilustra o melhor do surrealismo literário no século XX. O texto surrealista valoriza as descobertas da psicanálise: o inconsciente, as livres associações de idéias, etc. Não é por acaso que Aimé Césaire parte para o texto histórico e para o teatro.


No texto histórico e nas peças de teatro, as questões cruciais da identidade cultural ganharão sua complexidade e profundidade próprias, de modo acessível.


No teatro, a questão racial, a questão étnica e cultural, as questões políticas relativas às ilhas francesas no Caribe ou à independência de países africanos ganham vida e serão polemizadas de um modo tal que se tornam importantes para todo leitor interessado na humanização das relações sociais e culturais, independentemente de raça, religião ou origem geográfica.


Para compreender toda a dimensão de Aimé Césaire, é indispensável reler sua obra poética, mas sobretudo sua teatrologia: Uma temporada no Congo (Une saison au Congo), A tragédia do Rei Cristóvão (do Haiti), E os Cães se calavam, Uma tempestade etc, que retratam as experiências chaves na política dos povos negros, na África, no Caribe, nas Américas.


Dos escritores do negro-renascimento americano, dos poetas e escritores da Negritude antilhana, os herdeiros espirituais retomarão o conceito, palavras, idéias, sugestões de estilo, fragmentos de emoções compartilhadas, a serem expressos de outra maneira, a serem aprofundados.

Césaire e a Negritude

O substantivo Negritude é cunhado em 1939, em um texto famoso do poeta martiniquenho Aimé Césaire: O Caderno de volta ao país natal. A idéia de volta é a de um retorno à realidade própria do antilhano, situando-o emocionalmente nas Antilhas, historicamente vinculado à África, à Europa, às Américas.


Para os africanos, o objetivo de uma retomada da procura da "identidade negra" é o enraizamento nos valores negro-africanos e a abertura aos "valores complementares das demais raças", na linguagem de Senghor, liderança africana da Negritude.


Assim, a questão da identidade cultural será muito importante para antilhanos e africanos, em um mesmo momento histórico. O Movimento Modernista, no Brasil (1917-1945) teve preocupações e objetivos semelhantes aos da Negritude antilhana: busca a afirmação de uma identidade cultural brasileira.


Aimé Césaire e Mário de Andrade lançaram sobre o mundo um olhar novo que, graças a eles, já não era mais o mesmo. As contradições, tão presentes em suas obras, estão fortemente ligadas a um ideal do eu deslocado para as mais diversas terras que formam estas sociedades: Américas, África, Europa, Ásia: "Europa. África. Ásia. Eu ouço urrar o aço, o tam-tam dentre a mata, o templo dentre os bananais. E eu sei que é o homem quem fala".


Césaire está muito consciente do fato de que ao expressar-se com verdade, também expressa um povo, uma cultura. Em uma entrevista na revista Tropiques, ele considera que fazer "arte pela arte" é inadmissível: "Eu consideraria como um monstro de egoísmo um martinicano que fizesse arte pela arte. Significaria que ele nunca olhou diante dele, em frente a ele. Há uma sorte de intolerância da situação coletiva, isto me engaja".


O poema “Corpo perdido” (Corps perdu) é significativo da fantasia de poder libertar as ilhas do peso emocional e histórico da escravidão que alimentou toda a obra do poeta. Peso do qual, individualmente, ele de fato libertou-se, pela literatura, como vimos em seu livro Moi, laminaire... , de 1983.


Como observou Jean-Paul Sartre em seu ensaio Orfeu Negro, a utilização do termo "negro" não podia ser senão o primeiro aspecto importante de uma linguagem recuperadora da dignidade ultrajada. E tal uso marcará assim a produção literária da negritude dos anos 30 como da jovem Negritude brasileira que renasce nos anos 70.

* texto extraído de artigo de Maria de Lourdes Teodoro, ao Jornal Ìrohin Online.

quarta-feira, abril 30, 2008

Ronaldo e o "narciso ao avesso" dos brasileiros



Ao ter escutado e lido muitas piadas de mau gosto, zoações e sacanagens que o povo está fezendo envolvendo o escândalo do jogador Ronaldo Fenômeno com as travestis, fico pensando naquela frase do Nelson Rodrigues: "o brasileiro é um Narciso ao contrário, que cospe na própria imagem..."

Que Ronaldo é um craque de bola, não se discute. Afinal, ninguém recebe gratuitamente, por parte dos espanhóis, o apelido de "Fenômeno", ganho no tempo em que o atleta jogava no Barcelona. O cara surgiu nas profundezas da miséria do subúrbio carioca de Bento Ribeiro, venceu na vida graças ao seu talento, teve uma lesão fudidaça no ano 2000, passou 1 ano se recuperando e, em 2002, presenteou os brasileiros com o pentacampeonato na Copa da Coréia/Japão. E, em troca, recebe o quê? Apelidos desairosos, como Ronaldo Gorducho, Fofucho e zoação total por causa deste lamentável episódio.


Na Argentina, mesmo tendo cheirado todas as carreiras do mundo e estar mais gordo do que muito Rei Momo do carnaval brasileiro, os portenhos até hoje endeusam Maradona e ainda acreditam que Dieguito "Mano de Dios" seja melhor do que Pelé.


Na Copa de 1998, no jogo das quartas-de-final entre Inglaterra x Argentina, o então jovem David Beckham foi expulso antes da metade do 1º tempo, colocando o English Team em maus lençóis na partida. No dia seguinte à desclassificação na Copa, os jornais ingleses elegeram Beckham como vilão daquela decisão e chamaram o jogador de "stupid boy". Pouco tempo depois, Beckham (que joga beeem menos do que Ronaldo) reverteu o jogo a seu favor. A opinião pública inglesa e mundial passou a comer na sua mão, o cara se transformou em sinônimo de elegância, educação britânica, refino e sofisticação. Nem o fato da mulher dele, a ex-Spice Girl Vitória Adams ter declarado certa vez que "David usa as minhas calcinhas" abalou o prestígio do metrossexual. Já Ronaldo, aqui no Brasil...


Com a grana que tem, o Fenômeno poderia ter todas as mulheres (ou travestis) de programa que ele quisesse. Por ser uma pessoa pública, talvez tivesse dispensado pouca atenção a esse fato. No entanto, está claro que aconteceu uma extorsão. Só que Ronaldo está bastante visado pela lesão no joelho, por ter sido chamado de gordo em plena Copa do Mundo, por ter sido visto em noitadas, etc. Mas a intolerância e a troça cruel dos brasileiros o lincharam publicamente.

Força, Ronaldo!

quarta-feira, abril 23, 2008

Salve, Jorge!


Jorge da Capadócia

(Jorge Ben Jor)

Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos, não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e nao me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal

Armas de fogo,meu corpo não alcançará
Espadas, facas e lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Jorge é de Capadócia, viva Jorge!
Jorge é de Capadócia, salve Jorge!

Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor
Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor

Ogam toca pra Ogum
Ogam toca pra Ogum
Ogam, Ogam toca pra Ogum

Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia


Jorge BenJor - Jorge de Capadócia

sexta-feira, abril 04, 2008

Eu tenho um sonho


Há 40 anos um tiro calou a voz do reverendo Martin Luther King Jr. A bala pode ter calado a voz, mas não calou o sonho.


Relembre - ou conheça - o mais famoso discurso de King, "I have a dream" (Eu tenho um sonho), proferido em 28 de agosto de 1963, nos degraus do Lincoln Memorial, em Washington DC.




quarta-feira, abril 02, 2008

Flagrante na AL




Flagrante do Brisa, quando acompanhava, no plenário da Assembléia Legislativa, o Grande Expediente que homenageou os 85 anos do Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista. Paletó, gravata, sapato e uma marra sem tamanho...hehehehe. O jeito de estar formal e compenetrado me lembrou dos tempos que eu trabalhava na assessoria de imprensa do Palácio Piratini.

sexta-feira, março 14, 2008

Não ao rodízio!


Estamos em 2008, ano eleitoral e de propostas eleitoreiras. A mais nova idéia de jerico da cidade é um projeto que está sendo discutido na Câmara de Vereadores que propõe a adoção de rodízio de automóveis em Porto Alegre.

O projeto, idealizado por um vereador, até que é dotada de boa intenção: propõe um revezamento de veículos num raio de 15 quilômetros a partir do centro da Capital entre segunda e sexta-feira a fim de reduzir os engarrafamentos na cidade. Medida semelhante já existe há mais de 10 anos em São Paulo.

Sabiamente, a prefeitura afirma que não adotará revezamento.

Ora, comparar a realidade do trânsito de São Paulo com Porto Alegre com São Paulo é um desvario. Aqui não há a frota de veículos que tem a terra da garoa. A capital paulista adota o rodízio desde 1997 e tem uma frota de 6 milhões de veículos. O índice é 10 vezes maior do que os 591 mil registrados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) em dezembro na capital gaúcha.

E de mais a mais, quem seria atingido pela medida? Nós, motoristas particulares, já que veículos de carga, transporte coletivo e escolar, táxis, motos, guinchos e ambulâncias não fariam parte do projeto, assim como acredito que os veículos oficiais também não.

Numa leitura mais aprofundada, percebe-se que o projeto lembra aquela piada de que se um paciente vai ao dentista com dor de dente, o médico prefere arrancar o dente para que não sinta mais dor, ao invés de tratá-lo.

Quais seriam as soluções, além (obviamente) de qualificar o transporte coletivo? Que tal começar por uma varredura nos milhares de carros que circulam irregulares pela cidade?Quantos automóveis circulam pela cidade sem que os documentos estejam em dia? Quantos motoristas dirigem sem estarem habilitados (sei de gente que não tem nem certidão de nascimento, o que dirá carteira de motorista)? E os DKWs, kombis, brasílias e caminhonetes detonadas que rodam por aí impunemente sem cinto de segurança, faróis queimados e com os pneus carecas oferecendo serviços de fretes e carretos na frente dos supermercados e armarinhos? E os condutores que circulam por aí com os pontos estourados na habilitação? E as carroças que atravancam as grandes avenidas a qualquer hora do dia?

Propor rodízio de carros é muito simples, afinal, é mais fácil proibir do que educar ou realmente atacar os problemas que interessam. Além do que, o projeto não resolve definitivamente o problema. Quem é dependente de automóvel e - principalmente - tem condições financeiras, é capaz até de comprar outro carro para fugir do rodízio.

quinta-feira, março 13, 2008

Obrigado, gente!


Agradeço a todas as pessoas que me deram força e encaminharam palavras de carinho e de estímulo ou que simplesmente me ligaram, escreveram ou mandaram e-mails e scraps querendo saber como eu estava. São gestos simples, mas que neste momento se revelam muito preciosos. Valeuzão!

sexta-feira, março 07, 2008

A estrela mais linda é ela


Desde ontem, dia 6 de março, a constelação que decora o céu ficou ainda mais brilhante, ainda mais forte. É que chegou uma estrela nova, forte, linda, bondosa e toda amorosa.


O nome desta estrela é Maria da Conceição. Desde ontem, minha mãe deixou este plano terrestre para se tornar uma estrela. Ao meu ver, a estrela mais bonita e radiante que existe no céu. Eu, egoisticamente, queria que ela ainda estivesse aqui junto conosco. Mas o Arquiteto do Universo assim quis e chamou a minha mãe para o lado Dele. E sabe como é, com o Chefe não tem tergiversação.

A saúde da Dona Maria ficou debilitada de fevereiro para cá. As dores começaram a ser constantes nela. E imagino que fossem dores lancinantes, porque minha mãe nunca foi de fazer fita.

Tudo aconteceu muito rápido. Entre terça e quarta-feira foram 3 hospitais envolvidos. Infelizmente, o coração gigante e bondoso dela (coração de mãe mesmo) parou de bater na manhã de quinta-feira. Ela foi embora, mas foi melhor desse jeito do que viver sofrendo ou ficar com seqüelas.

É, minha gente. Para morrer, basta estar vivo. Tanto com o meu pai quanto agora com a minha mãe, foi tudo muito rápido. Acredito que Deus, Oxalá, Jeová, Tupã, Alá, Zeus ou seja qual for o Ente Superior que nos guia quando chama para Si essas pessoas especiais, o faz sem que elas sofram. Claro que para nós, que ficamos, o sofrimento é enorme.

Chorei bastante, me emocionei, mas tenho a consciência tranqüila de que fui um bom filho, que eu sempre tratei a minha mãe com muito carinho, com muito afeto e amor, me preocupava com ela e tudo que a gente pôde fazer para mantê-la aqui conosoco foi feito. Eu ja tinha dito isso quando da morte do pai: se eu pudesse doar anos da minha vida para o meu pai ou a minha mãe viverem um pouco mais eu faria.

Bem, o que interessa agora é que mamãe descansou e, de certa forma, nós, familiares, também, pois quando uma pessoa adoece, toda a familia fica doente também. Esse é o consolo que fica.
Portanto, para aqueles que a conheceram (e para os que não a conheceram também) quando olharem para o céu e virem uma estrela bem brilhante, abanem para ela e digam "Oi, dona Maria". Com um pouco de atenção, vocês poderão reparar que a estrela irá sorrir e retribuir o aceno também.

E depois de quase 5 anos de separação, minha mãe, Dona Maria se reencontra novamente com meu pai, o Seu Paris. Já que eles estão juntos novamente e provavelmente felizes, aqui eu fico feliz por eles também.

Obrigado por tudo. Te amo, mamãe querida!

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Bissexto


Hoje é 29 de fevereiro. É, pois é, 2008 é um ano bissexto. Mais um dia no nosso calendário. Nada de muito importante ou muito útil, apesar da data cair numa sexta-feira e a constatação (que pode soar manjada) de que o ano está indo rápido demais. Ou será que a gente não tem nem mais tempo para ver o tempo passar?

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

BBBrrrr...

Mas isso era certo que iria acontecer. Jaque Khury, a primeira participante a ser eliminada da oitava edição do reallity show (argh!) Big Brother Brasil irá estampar a capa da Playboy no mês de março.





O BBB é isso. Fábrica de celebridades efêmeras, inúteis, frívola e que contribui diariamente para o embotamento do cérebro do telespectador.

O jornalista José Simão definiu bem o que é o BBB: é um monte de gente sem nada pra fazer assistindo algumas pessoas não fazerem nada.

Para quem não conhece, existe até um blog de zoação, o Big Bosta Brasil. Mas é sinal que até esses dispensam um tempo para essa bomba.


quarta-feira, fevereiro 27, 2008

MSN fora do ar




Bem que eu notei que algo estava diferente. Eu clicava, clicava, tentava acessar e não conseguia. E eu pensava que era só comigo. Uma pane mundial tirou o messenger MSN do ar ontem. As causas do problema não foram divulgadas pela Microsoft. O Brasil é um dos países com mais contas desse serviço: são 34 milhões de usuários...

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Bah, 2ª feira é f...




Garfield é um sábio. Êta diazinho xaroposo que é segunda-feira. Começar a semana é difícil. Começar de novo, então, é bucha...

Depois da expectativa pela chegada do fim de semana, a 2ª é um anticlímax. Na quinta-feira vem a ansiedade pelo fíndi que se avizinha. A sexta-feira já é o momento em que se está com o pé que é um leque. Sábado e domingo é ócio e entretenimento para quem está de folga. Mesmo para quem trabalha é outro clima. O trânsito está menos selvagem, o ritmo é de plantão, a cidade está menos paranóica. Bancos estão fechados, o número de ônibus cirulando diminui pela metade, quase não se vê caminhões nas ruas.

O tédio já começa no entardecer de domingo. Na tevê, rola Faustão (argh!), Fantástico, Big Brother (aaargh!!) e Teledormindo (putz) já prenunciam que o dia seguinte é dia de São Pega.
Eu evito a segunda-feira. No trabalho, quando eu saio de férias, eu sempre retorno numa terça, nunca em uma segunda.

Geralmente quando rola de, por direito ou merecimento, me oferecem um dia de folga, ao contrário da maioria dos viventes (eu não sei por que), que preferem antecipar o início do fim de semana folgando numa sexta, eu faço o contrário. Eu prefiro prolongar o fim de semana. Prefiro trabalhar na sexta e folgar na segunda e começar a semana na terça. Fiquei sabendo esses tempos que o "domingo" dos padres acontecem às segundas. Experimente encontrar uma igreja aberta na segunda-feira. Não achará. Até que não é uma má idéia, não?

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Mais de 50 horas de folia. Até que foi bom...


Foi satisfatória a cobertura de carnaval que fizemos na Rádio Guaíba. Ao todo, foram quase 50 horas de transmissão. Ou seja, 50 horas no ar. Cinqüenta horas de Porto Seco, contando a cobertura da muamba, dos desfiles do grupo especial e do acesso e mais a noite das campeãs, no sábado passado.

A equipe reuniu informação de qualidade, descontração, alto astral e muito profissionalismo. Espero que haja continuidade no trabalho e que o carnaval tenha importância na programação da emissora ao longo do ano e não somente quando se aproxima o período de folia.

terça-feira, janeiro 29, 2008

As escolas de samba vêm do tempo de Dom João Charuto

O post de hoje eu pedi emprestado ao grande escritor, compositor e sambista brasileiro Nei Lopes e está no blog dele, o Meu Lote, que inclusive consta na minha lista de favoritos. Ele recupera as origens do carnaval brasileiro, além da gênese na Roma Antiga, informando também o nascedouro da folia na África e nas Antilhas. E eu, singelamente, acrescento, ao final, as origens da folia alegre-portense. Aí vai...

Os historiadores do carnaval brasileiro costumam ver suas origens remotas na Roma antiga, como contou a Beija-Flor, há alguns anos. Mas o fato é que os festejos, embora atrelados ao calendário católico, têm também, sob alguns aspectos, raízes na África negra, encontrando similares em várias culturas africanas. Em Gana, por exemplo, entre os povos Akan (fantis e axantis) é comum a realização de um grande festival anual, o odwira, seguido de um longo período de recolhimento e abstinência, como na quaresma. Certamente devido a essa similitude, as celebrações carnavalescas nas Américas devem sua alegria e seu brilho, fundamentalmente, à música dos afro-descendentes. Assim foi e é nos ranchos carnavalescos, escolas de samba, afoxés, blocos-afro etc, no Brasil; no candombe platino; nas comparsas cubanas; no mardigras, nas Antilhas e em New Orleans.

Nas Antilhas, o carnaval foi introduzido pelos católicos franceses, que costumavam estendê-lo por um bom tempo antes de enfrentarem os rigores da quaresma, sendo que, na Martinica, o costume foi adotado por volta de 1640. Isolados pela sociedade dominante, os escravos uniram-se para celebrar o carnaval à sua moda, com a música e a dança de sua tradição, introduzindo, na festa européia, além de seus instrumentos, suas crenças e seu modo de ser. As festividades do carnaval martiniquenho, o kannaval, expressam-se em um peculiar estado de espírito, transmitido de geração a geração. A cidade de Saint Pierre foi, durante muito tempo, o ponto culminante da festa na ilha, tendo sua fama se estendido por todo o Caribe, atraindo a cada ano milhares de visitantes de todo o mundo.

Depois da devastadora erupção vulcânica de 1808, a tradição carnavalesca reviveu em Fort-de-France, a nova capital, onde, hoje, os preparativos têm início na epifania, em meados de janeiro, quando o povo começa a se animar, e se estendem até a quarta-feira de cinzas. Durante esse período e no carnaval propriamente dito, a cada domingo, grupos fantasiados saem às ruas, em trajes variados: casacos velhos, trajes fora de moda, chapéus rasgados, bem como fantasias brilhantes e coloridas de arlequim, pierrôs e diabos. As máscaras também têm lugar destacado na festa. E além das que homenageiam ou criticam personalidades do momento, como artistas, políticos etc, há as relacionadas à morte, cheias de simbologias africanas -- das quais Aimé Césaire encontrou o significado em rituais da região de Casamance, no norte do Senegal (cf. Alain Eloise). No Haiti, de um modo geral, o carnaval é celebrado dentro desse mesmo espírito e com traços semelhantes aos carnavais do Brasil, de Trinidad e da Louisiana. Em Port-au-Prince, o visitante vai encontrar os mesmos desfiles, festas e fantasias criativas que se vêem nesses lugares.

No Brasil, desde pelo menos o início do Século XIX, a participação do povo negro nos folguedos carnavalescos sempre foi marcada por uma atitude de resistência, passiva ou ativa, à opressão das classes dominantes. Proibidos por lei de, no entrudo, revidarem aos ataques dos brancos, africanos e crioulos procuravam outras maneiras de brincar. Tanto assim que Debret, entre 1816 e 1831, flagrava uma interessante cena de carnaval em que um grupo de negros, fantasiados de velhos europeus e caricaturando-lhes os gestos, fazia sua festa, zombando dos opressores e criando, sem o saber, os cordões de velhos, de tanto sucesso no início do século XX.

Entre 1892 e 1900 surgem no carnaval baiano, pela ordem, a “Embaixada Africana”, os “Pândegos D’África”, a “Chegada Africana” e os “Guerreiros D’África”, apresentando-se em forma de préstitos constituídos única e exclusivamente de negros. Essa modalidade carnavalesca (“a exibição de costumes africanos com batuques”) é proibida em 1905 na Bahia. Exatos dois anos depois, surge no Rio de Janeiro o rancho carnavalesco “Ameno Resedá” que, pretendendo “sair do africanismo orientador dos cordões” (cf. Jota Efegê) conquista, com seus enredos operísticos, um espaço importante para os negros no carnaval carioca, cimentando a estrada por onde, mais tarde, viriam as escolas de samba.

Mas a gênese do carnaval negro brasileiro, o dos cortejos que gerararam as escolas de samba, talvez esteja mesmo é em 1808, no Rio, quando das festas em homenagem à família real que aqui chegava. Vejamos esta descrição dos viajantes John e William Robertson, transcrita no precioso livro de, Mary C. Karasch “A vida dos escravos no Rio de Janeiro; 1808-1850” ( Companhia das Letras, 2000):

“Em frente avançavam os grupos das várias nações africanas, para o campo de Sant’Anna, o teatro de destino da festança e da algazarra. Ali estavam os nativos de Moçambique e Quilumana, de Cabinda, Luanda, Benguela e Angola [...]
“A densa população do campo de Sant’Anna estava subdividida em círculos amplos, formados cada um por trezentos a quatrocentos negros, homens e mulheres.
“Dentro desses círculos, os dançarinos moviam-se ao som da música que também estava ali estacionada; e não sei qual a mais admirável, se a energia dos dançarinos, ou a dos músicos. Podiam-se ver as bochechas de um atleta de Angola prontas a arrebentar pelo esforço de produzir um som hediondo de uma cabaça, enquanto outro executante dava golpes tão abundantes e pesados no tímpano que somente a natureza impenetrável do couro de um boi poderia resistir-lhes. Um mestre-de-cerimônias, vestido como um curandeiro, dirigia a dança; mas era para estimular, não para refrear, a alegria turbulenta que prevalecia com supremo domínio. Oito ou dez figurantes iam e vinham no meio do círculo, de forma a exibir a divina compleição humana em todas as variedades concebíveis de contorções e gesticulações. Logo, dois ou três que estavam no meio da multidão pareciam achar que a animação não era suficiente, e com um grito agudo ou uma canção, corriam para entro do círculo e entravam na dança. Os músicos tocavam uma música mais alta e mais destoante; os dançarinos, reforçados pelos auxiliares mencionados, ganhavam nova animação; os auxiliares pareciam envoltos em todo o furor de demônios; os gritos de aprovação e as palmas redobravam; cada observador participava do espírito sibilino que animava os dançarinos e os músicos; o firmamento ressoava com o entusiasmo selvagem das clãs negras [...]”

Que tal? Digam se não parece que foi aí que nasceram o diretor-de-harmonia, a bateria, as pastoras. Hein?


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E a partir daqui, eu falo um pouco da história do carnaval de Porto Alegre.

O carnaval de Porto Alegre teve origem no século XVIII com o entrudo, brincadeira trazida pelos açorianos, na qual as pessoas atiravam umas nas outras limões (uma bola de cera do tamanho de um limão, cheia de perfume), e havia casos em que se atiravam ovos e farinha nas "vítimas". No século XIX, o entrudo deu lugar às Sociedades Carnavalescas.

A Esmeralda (verde e branco) e os Venezianos (vermelho e branco) mudaram e dominaram o carnaval nessa época, em torno de larga rivalidade entre ambas. Houve um tempo de grandes bailes no Theatro São Pedro. Quem não freqüentava os salões partia para a Cidade Baixa, Menino Deus, Azenha ou bairro Santana, onde a diversão era garantida. As variadas fantasias só dependiam da imaginação dos foliões. Os homens adoravam se vestir de mulher, sendo ajudados pelas esposas, mães ou irmãs.

Blocos, ranchos, cordões de sociedade e tribos carnavalescas foram as primeiras grandes atrações de nossos desfiles, até que surgisse, por volta de 1960, as primeiras Escolas de Samba. Os primeiros desfiles oficiais foram realizados na Av. Borges de Medeiros, e anos depois, na Avenida João Pessoa (1969-1975), depois na Avenida Loureiro da Silva, a Perimetral (1976-1987)) e Avenida Augusto de Carvalho (1988-2003). A partir de 2004, os desfiles se transferiram para o sambódromo no Complexo Cultural Porto Seco. Uma obra destinada para ter a maior e mais moderna pista de desfiles do país, investimento do poder público municipal para o carnaval da Grande Porto Alegre.

Tantos carnavais...
O corso, desfile de carros alegóricos pelas ruas de Porto Alegre, marcava uma festa vivenciada pela camada mais abastada da população.
A muamba é uma atração porto-alegrense, exclusiva dos gaúchos. Esse evento era realizado bem antes do carnaval, pois era uma maneira de arrecadar dinheiro para as festas e fantasias. Ocorria em diversos pontos da cidade, geralmente o pavilhão da escola era carregado aberto e as pessoas jogavam moedas ali.

As tribos carnavalescas foram uma atração à parte nos desfiles locais e eram em torno de 15 grupos, hoje restam apenas duas: Os Comanches e Os Guaianazes.

As bandas eram comuns na época e alegravam muito o povo nas ruas. Nomes como: "Por Causa de Quê", "Filhos da Candinha", "Comigo Ninguém Pode", "Banda DK" foram desaparecendo, levando com elas uma animação que deixou muita saudade. Algumas viraram escolas de samba.


domingo, janeiro 27, 2008

E vamos novamente para mais um carnaval


Estarei nos dias 1º, 2 e 3 de fevereiro participando da transmissão dos desfiles das escolas de samba de Porto Alegre pela Rádio Guaíba AM - 720 khz. As transmissões começarão sempre por volta das 21 horas. Quem quiser prestigiar o nosso trabalho, será um prazer tê-los na audiência.

Ontem, acompanhamos a Muamba oficial de POA, uma pequena prévia do que será o desfile da próxima semana. E, entre tantas personalidades que estiveram na cabine da emissora, recebemos a visita do Rei Momo Frota Jr e das três beldades que compõem a corte do carnaval da cidade: Joselaine de Jesus (2ª princesa), Letícia Costa (1ª princesa) e Emily Ribeiro (rainha).


Ah, o casaco é porque apesar dos 25 graus que fazia lá no Porto Seco, o vento que sopra por lá é bem rigoroso e quem não se agasalhar acaba batendo queixo de frio. Eu, já bastante cancheiro, pus uma jaquetinha jeans...hehehehe

sábado, janeiro 05, 2008

Envelheço na cidade, feliz aniversário

Estou de aniversário. Envelheço na cidade. Três ponto oito. Chegou a me impressionar. Fosse um tempo atrás, eu diria "tudo isso?". Mas estou bem assim, cheio de amor para dar e com muita vontade de aprender coisas e conhecer mais coisas ainda.

E, em homenagem a mim (hehehe), vamos relembrar esse clássico do Ira, - uma das minhas bandas favoritas - composto pelo guitarrista Edgard Scandurra, lá no longínquo ano de 1985.



Mais um ano que se passa
Mais um ano sem você
Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade
Essa vida é jogo rápido
Para mim ou pra você
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
(3x)

Feliz aniversário!...

Meus amigos, minha rua
As garotas da minha rua
Não os sinto, não os tenho
Mais um ano sem você
As garotas desfilando
Os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade
Não pertenço a ninguém

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
(3x)

Feliz aniversário!
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá...
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá...

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
(4x)

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Tudo é tudo e nada é nada


Estou lendo e recomendo o livro "Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia", de Nelson Motta, pela Editora Objetiva. Com um texto talentoso e fluente, Motta parece que esteve sempre ao lado de Tim durante os 55 anos (1942-1998) que o síndico doidão da MPB viveu. Estou devorando o livro e me divertindo com as passagens da vida do Sebastião Rodrigues Maia, um dos artistas mais magníficos que o Brasil já teve. Mas nem só de glamour vivia Tim. A biografia revela os problemas com drogas, a deportação dos Estados Unidos, as neurosas, o gênio difícil, o envolvimento com a seita Universo em Desencanto (que gerou os discos Tim Maia Racional Vol. 1 e Vol. 2) e a inclinação que o cantor tinha para aplicar o "171", já que pagava músicos e comprava carros, instrumentos musicais e imóveis com monumentais cheques sem fundo.




Abaixo, recolhido do You Tube, uma síntese do pensamento Maia, pelo próprio.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Vai começar tudo de novo


Então tá, né? Vamos lá encarar 2008...

Quarta-feira de ressaca, após três dias em Rainha do Mar, revéillon na praia, calorão intenso, muito banho de mar e ardência na pele após ter torrado no sol sem a devida proteção do filtro solar.

Mas valeu a pena. Tudo foi festa para quem, depois de dois anos, nem chegou perto da orla marítima gaúcha.

E o melhor de tudo: semaninha curta e a quarta-feira com maior cara de segunda. É hoje, amanhã e depois de amanhã já é sexta-feira e mais um fim de semana.

E ainda é tempo de desejar: muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender.

Feliz ano novo, meu povo!

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Filas



É incrível como as pessoas gostam de uma fila. Não aquela simpática raça canina. Fila mesmo, tipo indiana, de um atrás do outro. Tinha até um samba, do Paulinho Mocidade, que tratava sobre isso: "fila para entrar na fila, fila pra furar a fila, fila pra sair da fila..." e por aí vai.

Hoje foi o último dia de expediente externo nas agências bancárias. Muita gente procurou as agências para quitar impostos e tributos, sobretudo IPVA, IPTU e afins. E dê-lhe fila. E eu detesto entrar em banco. Procuro, sempre que possível, pagar todas as minhas contas através do débito em conta, sem enfrentar fila de espera e sem sentir a dor da separação com o rico dinheirinho.

Alguém ainda precisa fazer um estudo psicológico ou antropológico do que se passa em um banco quando as filas estão grandes ou gigantescas. Sempre tem um chato que fica falando alto, e reclamando do atendimento e enchendo o saco dos clientes e dos bancários. Ora, se os trabalhadores que ficam nos guichês tivessem uma varinha de condão, lógico que eles gostariam que o atendimento fosse o mais rápido possível. Mas muitas vezes, o próprio correntista tem sua parcela de culpa. Um funcionário do banco percorreu a fila para tentar resolver o problema dos clientes e até abreviar a permanência dos mesmos dentro da agência, se colocando à disposição para ajudar a pessoa a pagar as contas no caixa eletrônica e a fazer depósitos sem ter que passar pelos guichês. Mas não. A maioria das pessoas fincava o pé e dizia que queriam fazer as movimentações no próprio caixa. Vai entender...

Eu mesmo fui no Banrisul para quitar o IPVA 2008 do Brisamóvel. E iria pagar o imposto com um cheque do Real, tudo porque o Real não recebe pagamento do IPVA. Se eu fosse correntista do Banrisul eu nem entrava na agência.

Mas, voltando à visão antropológica, a fila do banco (assim como as filas de posto de saúde) tem poder mágico de aproximar as pessoas. É possível fazer amigos naqueles escassos minutos de aguardo para ser atendido. É uma amizade efêmera, mas tem pessoas que possuem o dom de se "desnudarem" e confiarem intimidades para outras que nunca viram na vida.
Hoje, dia 28, foi o último dia de atendimento dos bancos. No retorno do feriadão, no dia 2 de janeiro, o movimento tende a ser ainda maior e, com isso, mais extensas serão as filas. E vamos que vamos porque a fila tem que andar!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Chumbo nas renas


Como diz o jornalista José Simão: o Brasil é mesmo o país da piada pronta.

Manchete do site G1 da tarde de hoje:


Helicóptero que levava papai noel vira alvo de tiros

Aeronave foi atingida ao sobrevoar favela no conjunto de favelas da Maré, Zona Norte do Rio. Piloto retornou para heliponto e Bom Velhinho teve que seguir de carro até festa de Natal.

A violência do Rio não dá trégua nem para Papai Noel. No último domingo (16), um helicóptero que transportava um bom velhinho, rumo a uma festa de Natal na favela Baixa do Sapateiro, no conjunto de favelas da Maré, Zona Norte do Rio, foi atingido por duas balas de fuzil quando sobrevoava a comunidade Vila do João, dominada por uma facção rival. Ninguém ficou ferido, mas o piloto decidiu retornar ao heliponto da empresa, no Recreio dos Bandeirantes. Restou ao papai noel voltar de carro até a comunidade para distribuir presentes para as crianças.

É... a coisa não tá fácil pra ninguém... Até Papai Noel tá levando pipoco.

domingo, dezembro 16, 2007

Eu e os botecos da vida


Eu sou um cara que não tenho uma relação muito estreita com bares e botecos.

O primeiro motivo é prosaico: eu não bebo nada de álcool. Bem, para não dizer que eu não bebo naaaada, eu sou chegado a um espumante (de preferência que não seja brütt) que deve ser degustado em ocasiões especiais e gosto de um bom vinho. No entanto, para ter uma idéia da quantidade que eu ingiro estas bebidas, acho que eu não consumiria três garrafas de cada, ao ano.

Mas, voltando aos bares. Eu chego até a ter uma certa inveja de amigos e conhecidos que tratam um boteco como se fosse um templo. Para esses, é o máximo passar a noite inteira sentado, bebemorando, mordiscando petiscos, batendo longos papos ou filosofando, afinal, o bar é o berço das grandes resoluções...

Eu é que não sou muito dessa viagem. Pra começar, quem não bebe cerveja e sempre pede refrigerante para o garçom - como eu -, se sente pouco à vontade. E eu não posso beber o equivalente em refri o que meus amigos bebem em ceva. Alguém, em sã consciência, conseguiria ingerir, em apenas uma noite, 4 litros de pepsi ou guaraná?

Ao meu ver, o bar serve como uma escala, o local de aquecimento para algo mais grandioso ou apoteótico. Tipo, reunir a galera para sair. Um boteco é um bom ponto de reunião para depois se deslocar a uma festa, um show ou outra efeméride. Para mim, o bar é o meio, nunca um fim.
A duração ideal para que eu fique em um bar varia entre uma a duas horas. E deu. Eu não sairia de casa para passar a noite sentado em um bar. Não consigo. E, de quebra, ainda ter que levar pinguço para casa? Sem chance.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

3 Efes


Assisti hoje, no dia do lançamento nacional, o novo filme do cineasta gaúcho Carlos Gerbase, "3 Efes". Gerbase foi meu professor da cadeira de Fundamentos de Cinema na Fabico e um misto de professor, músico (foi vocalista e baterista d'Os Replicantes), jornalista, escritor e multimídia.

E foi justamente nas "múltiplas mídias" que Gerbase resolveu apostar. A novidade é que o diretor decidiu lançar seu novo longa simultaneamente no cinema, televisão a cabo (Canal Brasil e TV Com), internet (Terra) e DVD. Segundo o realizador, a iniciativa procura driblar o complicado esquema de distribuição de filmes de baixo orçamento no Brasil.

O longa concentra-se em alguns dias na vida de poucos personagens cujas maiores necessidades explicam o título - comida, sexo e "fasma", palavra que vem do grego e tem a ver com a vida em sociedade. A protagonista é Sissi (Cris Kessler), uma jovem universitária que trabalha no telemarketing para ajudar o pai viúvo e desempregado. Como nunca tem dinheiro, ela vive com fome. Uma amiga diz que está ganhando muito fazendo programas, e a moça começa a pensar nessa possibilidade para aumentar a renda. Sua tia Martina (Carla Cassapo), cozinheira de mão cheia, também anda desgostosa com a vida. O marido Rogério (Leonardo Machado) mal tem tempo para ela, pois está cheio de problemas na agência de publicidade onde trabalha. A mulher, que faz pratos elaborados, começa a convidar um catador de papel (Paulo Rodrigues) para dividir a refeição. Da mesa para a cama é só um passo. Rogério não sente muita fome, mas o sexo passa a ter um papel fundamental quando é obrigado a virar amante de sua chefe para garantir o emprego.

O elenco é composto, na maioria, por atores novatos, como Cris Kessler (fisicamente é uma mistura de Débora Falabella com Heloisa Perissée) e Paulo Rodrigues. O sotaque é carregadíssimo e o porto-alegrês campeia nos diálogos. A história mescla momentos de humor, sarcasmo e até significativas doses de tensão.

"3 Efes" não é bem um filme de tramas, mas de personagens, que se concentra nas pessoas e em suas jornadas em busca de suas três maiores necessidades. Aos poucos, suas vidas vão se cruzando até chegar a um clímax. Feito com uma equipe pequena, o longa foi filmado com uma câmera mini-DV, o que facilitou a gravação, reduzindo os custos de produção e exibição.

Abaixo, o trailer do filme:

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Que sina!




Sou escolado em trabalhar em lugares que estão sempre passando por dificuldades financeiras ou as pra lá de manjadas "fases de transição".

Na época em que eu estagiei na Rádio da Ufrgs, pairava no ar o fantasma da privatização da universidade pública. Vivíamos a Era Collor e começavam a escassear os recursos para a educação superior. Os orçamentos eram enxutos e os investimentos para a emissora eram rasos. Contratação de pessoal, nem pensar!

Recém-formado em jornalismo, encontrei na Rede Bandeirantes meu primeiro emprego com carteira assinada, oba! Entrei no plantel da Band FM que, na época, empregava 13 jornalistas. Ao mesmo tempo que a emissora foi adquirindo computadores para a redação, o quadro de profissionais foi diminuindo, diminuindo... Vivíamos a famosa fase de "reengenharia". Um belo dia, o diretor da REde, Bira Valdez, reuniu todos os funcionários no estúdio B da TV para anunciar que a "empresa ia bem". Semanas após, houve um "passaralho" (jargão jornalístico que significa demissão em grande escala) e o quadro de 30 jornalistas que trabalhavam nas quatro mídias da empresa (TV, Ipanema e Band AM e Band FM) foi reduzido para menos da metade. Entre os atingidos, estava eu. Foi muito emocionante, a minha primeira demissão. Meses depois, eu estava de volta, mas a Band sempre foi uma corporação muito instável. A gente anoitecia empregado e corria o risco de amanhecer desempregado.

A Caldas Júnior, no tempo que era dirigida pelos Ribeiro, não tinha estresse nenhum. Meu saudoso amigo Clóvis Ott, responsável pela Editoria Internacional do Correio do Povo, dizia que a Cajú era tipo o INSS. Depois de se encostar na empresa, o cara só saía se morresse. O Jornal do Comércio também não. Entretanto, se não havia perigo de ser demitido por qualquer coisa, a empresa também não investia em melhorias. Saí de lá no início de 2003 e o número de computadores que tinham acesso à internet não enchia uma mão. Na minha breve volta, no início deste ano, eu trabalhei em um pc que ainda usava o Windows 98 como sistema operacional...

Os quatro anos que passei no governo do Estado, meu Deus do céu... Era uma choradeira por falta de grana. Faltavam investimentos para o profissional (pelo menos, ao pessoal que realmente queria trabalhar), demoraram 3 anos e meio para trocar toda a rede computadores que estavam uma década defasados, teve um ano em que fomos proibidos de tirarmos férias nos meses de janeiro e fevereiro, havia sempre o fantasma do atraso no 13º salário e o governador sempre falando que o Rio Grande do Sul estava falido...

Que sina, meu Deus!

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Viagens insólitas


Uma das (poucas) coisas que eu sinto saudades dos tempos quando eu trabalhava no Palácio Piratini eram as viagens. Percorri muitas cidades pelo Rio Grande do Sul afora e que, certamente, se não fosse por trabalho, dificilmente eu conseguiria ter conhecido aqueles municípios.


E foram vários. Acho que uns 50, num cálculo baixo. Muito em função das tais interiorizações, que era a transferência do gabinete do governador para uma cidade do interior. Geralmente isso acontecia 1 ou 2 vezes por mês.


Em alguns lugares, passei calorões mormacentos. Em outros, frios de congelar as orelhas. A situação é que a viagem, em si, é que era relaxante, pelo menos para mim. Era o momento em que eu saía daquele ambiente sufocador que era o prédio do palácio. Ainda mais o lugar onde eu trabalhava - eu coordenava o estúdio de rádio, um lugar sem ventilação, sem janelas, que se entrava para lá e se perdia a noção se era dia ou noite, se lá fora fazia tempo bom ou ruim, se o mundo tinha acabado ou não. Fora os perrengues que eu tinha que administrar junto aos colegas e meus "subordinados".


Viajar para uma outra cidade, por menor que fosse, era uma sensação de liberdade, de deixar para trás aquela gente falsa e hipócrita e entrar em um mundo desconhecido por mim em meu próprio Estado.


O mais divertido dessas viagens eram as próprias viagens. Carros e vans que estragavam, tempestades que a gente pegava no meio do caminho, motorista que errava de estrada, viagens que duravam cinco, seis até sete horas, almoços em restaurantes em pleno meio de mato, hospedagem em hotéis sofisticados e pousadas rústicas, noites mal-dormidas, atrasos na ida e na volta, chegada em Porto Alegre em plena madrugada e muito, mas muito trabalho mesmo.


No último ano de governo eu parei de viajar, por opção própria, e por várias razões. As diárias pagas eram ridículas. Para pernoitar em uma cidade, tipo, chegar numa quinta de tarde para ir embora 24 horas depois, a gente ganhava cerca de R$ 75, que eram ressarcidos uns 10 dias DEPOIS da apresentação da nota que comprovasse o afastamento.


Outro motivo foi porque enquanto eu viajava, o estúdio virava uma gandaia. O pessoal do setor brigava e se discutia uns com os outros, fulano chegava tarde para trabalhar e saía cedo (acreditem: tinha gente que nestes dias nem apareciam no palácio), se eu ligasse pro estúdio para pedir alguma coisa o telefone chamava, chamava e ninguém atendia porque estava todo mundo em outros lugares. A galera achava que pelo fato do governador estar em outra cidade, meio que virava ponto facultativo. É, amigo, repartição pública estadual é isso aí... Eu reclamava, mas de que adiantava? Nunca dava nada...


Mas o brabo mesmo era o estresse para se conseguir um carro (e um motorista) para a viagem. Uma determinação ridícula de Sua Excelência, o governador (ou de seus respectivos aspones, que não eram poucos) orientava que "o governador não queria ver tanto carro oficial na volta dele". Logo, os setores da assessoria de imprensa (rádio, tv, foto, editoria do interior) tinham que ir em apenas 1 (e somente 1) carro. Várias vezes eu ia pros fim-de-mundo e tinha que pedir carona para os colegas de outras secretarias porque o carro que nos levava tinha que levar a galera que ia acompanhar o governador em outros compromissos. Ou seja, se a gente quisesse voltar para Porto Alegre (casa) tinha que arranjar carona, no melhor estilo "se virem". E eu, que aprendi a ser organizado (até porque sempre me foi exigido muita organização), cansei dessa palhaçada. Se era para me incomodar, que eu me incomodasse só em Porto Alegre.


A foto que ilustra esse tópico foi clicada em março de 2005, tendo ao fundo o castelo da família Assis Brasil, em Pedras Altas, cidade localizada a uns 300 km de Poa. Outra hora eu conto como foi essa viagem. Tem histórias hilárias...hehehe. Aguardem!