sábado, junho 26, 2010

Vuvuzela, grito negro de liberdade


O Dr. Antônio Carlos Côrtes, um dos mais competentes e talentosos advogados criminalistas brasileiros e uma das minhas referências como comunicador em transmissões carnavalescas, além de amigo e confrade, escreveu um comovente artigo no jornal Zero Hora, publicado no dia 23.06.2010 sobre as controversas vuvuzelas, sopradas pelos torcedores sul-africanos que assistem os jogos da Copa do Mundo.

Em vez de ver as cornetas compridas como um incômodo, Côrtes observa que o instrumento, antes de mais nada, pode ser definido como um símbolo de resistência do povo sul-africano. Confira, na íntegra, a reprodução do texto publicado:

"VUVUZELA, GRITO NEGRO DE LIBERDADE, por Antonio Carlos Côrtes

Eu sou o mestre do meu destino.
Eu sou o comandante da minha alma.

Nelson Mandela

As polêmicas vuvuzelas, cornetas sul-africanas, causam diversas manifestações. Muito se tem escrito a respeito. Mas a maioria se posiciona de forma contrária, e pronto. Raros partem a aprofundar o respeito à cultura de um povo.

Um pouco de pesquisa e conhecimento não faz mal a ninguém. Mas o que é a vuvuzela? Isizulu é uma das 11 línguas faladas na África do Sul. Nela, encontramos a tradução de “vuvuzela”, que tem na raiz “vuvu” o significado de soprar, enquanto o sufixo “zela” é o objeto comprido, longo.

Os reclamos partiram das grandes redes de televisão europeias. Como sempre por aqui, apenas começaram a repercutir e ampliar o assunto. Aliás, nosso país sempre importou cultura europeia, desdenhando o que vinha naturalmente do nosso povo, como por exemplo o Carnaval. Júlio de Castilhos chegou a acabar com as cavalhadas porque estas vinham do povo. O que é popular não é cultura, defendem os que têm visão à altura da soleira da porta.

Voltando às vuvuzelas, o Comitê Organizador da Copa do Mundo, frente aos reclamos das emissoras de televisão e rádio, reuniu-se, estudou o assunto e bem decidiu pela manutenção: “Elas têm origem nas cornetas que nossos ancestrais usavam para convocar reuniões”. Logo, é preciso respeito à cultura de um povo, cujo líder, Nelson Mandela, passou 20 anos preso para garantir a liberdade do seu povo, por exemplo. Gente que foi assassinada, estuprada, trucidada, escravizada e espoliada.

O berço da humanidade, está comprovado, tem origem no continente africano, onde sua gente, apesar de tudo, é alegre, dançante e parece perdoar seus algozes em uma atitude de grandeza e amor ao próximo.

Um repórter brasileiro, ouvindo uma moça negra em Joanesburgo, perguntou o que significava para ela a realização da Copa do Mundo de Futebol em seu país. A resposta veio rápida, mas profunda em emoção que resume tudo:

– Me sinto em liberdade!

Ora, bem sabemos que o apartheid, tanto quanto a abolição da escravatura entre nós, acabou de direito, mas não de fato. A verdadeira liberdade ainda precisa ser palmilhada com extremo cuidado. Vejam aqui o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado, mas... sem as cotas.

Tentar calar as vuvuzelas é atentar contra a cultura de um povo. É amordaçar o grito negro de liberdade."

quarta-feira, junho 16, 2010

Autobiografia de um ex-negro



Esta quinta-feira, dia 17 de junho, marca os 139 anos de nascimento de James Weldon Johnson (1871-1938). Professor, poeta e compositor, é autor de um livro que é hoje tido como um clássico da literatura afro-americana, A autobiografia de um ex-negro, inédito em português, é um lançamento da editora 8Inverso Editora.

O livro – publicado anonimamente em 1912 – é considerado um marco por ter sido o primeiro romance de ficção escrito por um negro nos Estados Unidos. Johnson conta a experiência sobre o que é ser um negro estadunidense no final do século 19 e início do século 20. O autor foi um respeitável como respeitável ativista dos direitos civis e um dos mais importantes escritores do movimento artístico conhecido como Harlem Reinassance.

Em seus anos finais, escreveria ainda um dos mais conhecidos livros sobre a questão racial americana, intitulado Negro Americans, What Now? (1934), no qual aponta a integração como o único caminho possível para a solução dos problemas raciais nos EUA. Morto em um acidente automobilístico em 26 de junho de 1938, seu funeral reuniu mais de duas mil pessoas no Harlem, em Nova Iorque.


domingo, junho 13, 2010

Um herói que mata


Em um relacionamento, muitas vezes nós temos que bancar os heróis. Nunca podemos demonstrar medos nem inseguranças. Temos que ser infalíveis como um Bruce Lee ou um anti-herói "cafa" estilo o pirata Jack Sparrow. Ou daqueles bucaneros dos antigos filmes de Erroll Flynn. Um herói que mata, que faz justiça com as próprias mãos, que extermina.

Muitas vezes somos idealizados por outras pessoas como seres perfeitos. Aí é que está o perigo! Como não somos perfeitos (e ninguém o é) e caso sejamos descobertos que não somos perfeitos passamos a ser tachados de fraude, embuste, ou simplesmente, causamos frustração. Nos filmes, desenhos e HQs é tão mais fácil...


UM HERÓI QUE MATA

(autor: Leoni. Canta: Heróis da Resistência - disco Heróis Três/1990)

PRA ELA EU SOU PERFEITO
EU SOU ALGUM PIRATA
PRA ROUBAR TEU SONO
UM HERÓI QUE MATA

EU SEI QUE ELA DESEJA
QUE EU SEJA ESSA AMEAÇA
A DOSE DE CORAGEM
A EMOÇÃO QUE FALTA

E EU TENHO TANTO MEDO
SERÁ QUE É TARDE OU CEDO
E EU ME SINTO DIVIDIDO
ENTRE PRINCÍPIOS E DESEJOS

E ELA TEM TANTO MEDO
E EU NÃO SOU NEM METADE
DA METADE DA METADE
DO QUE EU QUIS SER DE VERDADE

GASTEI TEMPO EM NADA
DA FORMA ERRADA
MAS DEIXEI O MELHOR PRO FIM
NEM PIRATA
NEM HERÓI QUE MATA
PRA VOCÊ O MELHOR DE MIM

ENQUANTO EU BRINCO DE PIRATA
DE BRINCO E TATUAGEM
EU QUASE VIRO ESCRAVO
DESSA PERSONAGEM

SE ELA ENCOSTA NO MEU PEITO
A CABEÇA NO MEU OMBRO
SOU EU QUE PERCO O SONO
PRA ELA EU SOU PERFEITO

E A GENTE É TÃO PEQUENO
E ACHA QUE MOVE O MUNDO
E SE PERDE EM VAIDADE
E SE ACHA SEMPRE TÃO PROFUNDO

ACHO QUE TODO MEDO
É DE NÃO TER SEGREDO
MAS O SEGREDO É NÃO TER MEDO
DE MORRER POR SEUS DESEJOS

sexta-feira, maio 28, 2010

Quer ser feliz? Adote um bichinho...


Minha grande amiga e colega jornalista Marcela Mourão criou um blog para divulgar sobre doação de animais de rua (cachorrinhos, gatinhos, etc). O nome é sugestivo: Quer ser feliz? Adote um bichinho.

Também vale a pena conferir seu belo texto no artigo publicado na Zero Hora de domingo passado (23.05.2010), que transcrevo abaixo, na íntegra. A Marcela, aliás, vem se dedicando a esse assunto: o amor, o carinho e o cuidado que devemos ter com os animais. Parabéns, garota!!

TEMA PARA DEBATE
Quer ser feliz? Adote um bichinho, por Marcela Mourão *


Moro em San Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos, onde curso mestrado. Apesar de não estar fisicamente em Porto Alegre, ajudo constantemente pessoas que fazem de tudo para resgatar animais em situações precárias. Diariamente, recebo relatos revoltantes e fotos de doer na alma. Contribuo financeiramente com o que me é viável e repasso os pedidos de ajuda aos amigos que sei que colaboram. Mas não é o suficiente! Cidadãos como eu fazem o que podem, mas precisam de ajuda.


Vivemos em um mundo que não pertence só ao homem, mas também às plantas e aos animais. Portanto, eles precisam ser cuidados já que é por culpa nossa que se encontram em tal situação.


Porto Alegre tem várias ONGs voltadas para a causa, mas é necessário que empresas participem. Tão em moda, a responsabilidade social empresarial também envolve os animais. Aqui em San Francisco, a Society for the Prevention of Cruelty to Animals (SPCA) (Sociedade para Prevenção da Crueldade aos Animais, em português) é um exemplo. A entidade não governamental conta com parceiros como Macy’s, Bloomingdale’s, Yahoo, Purina One, BMW of San Francisco e o grupo de comunicação ABC.


A estrutura da SF/SPCA impressiona, com um centro veterinário de primeira linha e um abrigo de animais tão confortável quanto um lar. Entre as atividades voluntárias está a “Macy’s Holiday Window” (“Vitrine de Natal da Macy’s”, em português), que teve como resultado cerca de 300 adoções durante novembro e dezembro de 2009.


A Macy’s é uma das mais tradicionais lojas de departamentos dos Estados Unidos. Localizada no centro de San Francisco, é famosa por sua decoração natalina. Mas, além de luzes, o que a faz ainda mais interessante é a atividade da SF/SPCA. Cães e gatos para adoção fazem parte das vitrines, todos com o maior conforto. Grande parte de quem passa para ver os bichinhos entra e se cadastra para adoção.


Então, por que não uma atividade semelhante em Porto Alegre? Que tal se as ONGs se unissem por um bem comum através de uma única campanha – “Quer ser feliz? Adote um bichinho” –, e empresas, lojas, grupos de comunicação etc. patrocinassem a causa, dentro da responsabilidade social empresarial?


E, para quem simplesmente não liga para a questão, dois argumentos: quanto menos animais estiverem abandonados nas ruas, mais limpa fica a cidade e menos riscos correm os motoristas de acidentes causados por cães e gatos circulando no trânsito.


*Jornalista e mestranda em Administração Esportiva na University of San Francisco

sexta-feira, maio 21, 2010

Quase um segundo

Hoje eu acordei pensando nesta música linda de autoria de Herbert Vianna, dos Paralamas, com uma interpretação carregada de emoção de Cazuza.





Quase um Segundo

(Autor: Herbert Vianna - Canta: Cazuza)

Eu queria ver no escuro do mundo
Aonde está o que você quer
Pra me transformar no que te agrada
No que me faça ver
Quais são as cores e as coisas pra te prender
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei

Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?

Às vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
Tudo que não me deixa em paz

Quais são as cores e as coisas pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei

Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?

sexta-feira, maio 07, 2010

Câmara rejeita proposta de "indenização" aos descendentes de proprietários de escravos

Pasmem, sras e srs!!! Às vésperas das comemorações dos 122 anos da abolição da escravatura no Brasil, uma proposta de Lei, realizada pelo jornalista carioca Eduardo Banks visa restaurar parte do sistema escravocrata brasileiro.

A proposta, criada em nome da Associação Eduardo Banks, busca a garantia de indenização aos descendentes de proprietários de escravos, por terem sido, segundo a proposta, "lesados" quanto ao seu direito de posse.

Segundo o jornal O Globo, uma das justificativas estapafúrdias dadas pela Associação e seu dirigente para o pedido de indenização foi uma comparação entre a Lei, que garantiu a liberdade a mais de 700 mil pessoas que ainda viviam sob o regime da escravidão e os animais, ao afirmar que a maneira que a Lei Áurea foi aprovada sem nenhum direito aos proprietários, pode se comparar a possibilidade de nos dias de hoje, fosse aprovada uma lei para a "libertação" de todo o gado, sem indenização aos donos (sic).

Considerada inconstitucional, a proposta, lógico, foi rejeitada pelo presidente da Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS). De acordo com a matéria, Pimenta, além de arquivar o processo, afirmou ainda que “a escravidão foi um imenso erro cometido pela humanidade e que reconhecer o direito à indenização seria um retrocesso à legislação vigente e um ataque à dignidade humana”.

O arquivamento do processo gerou polêmica na Câmara por ter acontecido, sem que a proposta fosse posta em votação. Alguns deputados, mesmo discordando dos argumentos da proposta, acreditaram que o projeto deveria ter sido submetido à comissão antes de ser vetado, já que a comissão visa à participação popular da sociedade.

A possibilidade de pedidos de indenização por parte de proprietários de escravos, não é novidade. Ainda no dia 14 de dezembro de 1890, o então ministro da Fazenda, Ruy Barbosa, ordenou a queima dos registros de matrículas do escravos, que existiam em cartórios brasileiros, para evitar pedidos de indenizações feitos pelos antigos senhores .

Eduardo Banks afirma que não tem nada contra os direitos dos negros, mas que quer o reconhecimento dos direitos dos proprietários, já que alguns estados, como São Paulo, por exemplo, foram arruinados pela Lei Áurea. Essa não é a primeira vez, entretanto, que Banks entra em pauta na mídia brasileira. O jornalista, que já foi candidato a deputado federal e vereador e se classifica como membro da extrema direita, se coloca contra a união civil de homossexuais, o direito ao aborto para mulheres e já defendeu a permanência de um nazista renomado no Brasil.



segunda-feira, maio 03, 2010

De volta!

Voltei! Mas, ao contrário da música do Molejo, não foi para a sacanagem, nem para a casa de massagem. Voltei para Porto Alegre, mais precisamente para a minha casinha, no querido e aconchegante bairro do Partenon.

Mas valeu a experiência em Bento Gonçalves. Uma cidade muito cordial, excelente qualidade de vida, bom índice de empregabilidade e gastronomia maravilhosa. E vinhos e espumantes de sofisticadíssimos.

Ah, o que estou segurando é o troféu Fiema de Jornalismo Ambiental, entregue durante o evento aos colegas de imprensa que se destacaram com reportagens sobre o tema. Mas bem que poderia ser um troféu para cada membro da equipe que se esmerou na organização e viabilidade da feira.

Bueno, vida que segue...



sábado, abril 10, 2010

Tô na Serra!!

Pois é, pessoal. Estou agora atuando na Serra Gaúcha. Desde ontem (09) estou em Bento Gonçalves, trabalhando na assessoria de imprensa da Fiema Brasil 2010.

Como a maioria dos meus amigos e conhecidos devem saber, saí do IPA (ou melhor, fui saído) ainda na primeira quinzena de março. Mas, graças a Deus e a alguns preciosos contatos (e, claro, graças a um pouquinho do meu talento hehehe) não fiquei parado por muito tempo. Já comecei a fazer frilas para a Revista Análise Regional (muito obrigado, Helinho Gama e Lê), pintou este da Fiema e outras coisas também estão pintando.

Taí uma boa oportunidade que está me motivando. Novos ares, novos trabalhos, novos contatos... É bom dar uma mexida, já que eu me sentia um pouco "parado" nos últimos tempos. Me desejem boa sorte e vamos que vamos!!

sábado, março 20, 2010

Presente!

O ontem é história, o amanhã é um mistério, mas o hoje é uma dádiva. É por isso que se chama presente...



sexta-feira, março 19, 2010

Será que eu sou medieval???

Você me pede
Pra ser mais moderno
Que culpa que eu tenho
É só você que eu quero

Às vezes eu amo
E construo castelos
Às vezes eu amo tanto
Que tiro férias
E embarco num tour pro inferno

Será que eu sou medieval?
Baby, eu me acho um cara tão atual
Na moda da nova Idade Média
Na mídia da novidade média


Olha pra mim, me dê a mão
Depois um beijo
Em homenagem a toda
Distância e desejo
Mora em mim
Que eu deixo as portas sempre abertas
Onde ninguém vai te atirar
As mãos vazias nem pedras

Eu acredito nas besteiras
Que eu leio no jornal
Eu acredito no meu lado
Português, sentimental
Eu acredito em paixão e moinhos lindos
Mas a minha vida sempre brinca comigo
De porre em porre, vai me desmentindo

Será que eu sou medieval?
Baby, eu me acho um cara tão atual
Na moda da nova Idade Média
Na mídia da novidade média


MEDIEVAL II (Meanda - Cazuza)

VIVA CAZUZA!

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Desmaio do Batista

Batista, ex-jogador e comentarista esportivo da RBSTV, desmaia ao vivo na TVCom antes da transmissão do jogo do Grêmio, em tarde de 37ºC.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Pisada na bola diplomática

Despertei da minha hibernação em função de uma declaração infeliz do cônsul do Haiti em São Paulo, Sr. George Samuel Antoine. Antes de conceder uma entrevista para uma equipe de jornalismo do SBT, o diplomata perdeu a democracia ao ofender o povo africano (“O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano tá foda”), e também ao declarar que a tragédia "está sendo boa para o país se tornar conhecido". Demonstrações infelizes de racismo, arrogância e falta de sensibilidade.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Há 20 anos...

No sábado, dia 12, houve a comemoração dos 20 anos de formatura da minha turma do 3º ano do Colégio Militar.
Muito legal o encontro. Daquela gurizada, somos atualmente jornalistas, engenheiros, advogados, médicos, profissionais liberais, militares, enfim, a grande maioria está com uma boa colocação na vida.
Me deu saudade ao entrar no Salão Brasil, ao caminhar pelo Pátio Plácido de Castro e pelas dependências do CMPA.
Recordar é viver!



quinta-feira, novembro 19, 2009

sábado, outubro 24, 2009

terça-feira, julho 07, 2009

Ditos pelotenses

Encontrei na internet uma relação de expressões muito usadas pelos pelotenses e, lógico, se utiliza em outras regiões do Estado. Confira algumas pérolas:

- quando alguma coisa surpreende negativamente, normalmente de diz algo do tipo "Mas que coisa!" Na minha família, a expressão é "Mas será o pé do cabrito!?" ou ainda "Será o pé do bicho?!" Não me perguntem por quê;

- quando alguém tem um acesso de fúria, ou de paixão do tipo beijo-beijo-beijo-abraço-abraço-aperto, se diz que tá tendo um "ataque de cinco minutos" ou que "bateu a miudinha";

- quando a coisa fica feia, complicada, se diz que "preteou pro lado dos castelhanos"; Recentemente, o cronista Paulo Sant'Anna apresentou uma versão semelhante, em virtude dos resultados não satisfatórios da dupla Grenal na Libertadores e Copa do Brasil, com: "preteou o olho da gatiada".

- "Cisca daí" - Expressão empregada sempre que se quer que uma pessoa ou animal deixe imediatamente o recinto ou pare imediatamente de fazer alguma coisa. Vale para crianças (ver mandinhos), gatos, cachorros e afins;

- Cristiar - Verbo regular que significa enganar, passar pra trás. Ex.: Quando em uma divisão de comida, a outra pessoa está ficando com mais da metade, disse-se "Acho que tu estás me cristiando!";

- Trinque - Designação pelotense para aquilo que todos chamam de trinco de porta.

- Freje - Bagunça, alaúza, balbúrdia. Empregado da seguinte forma "-Chega de freje!" quando a mãe queria cortar o nosso barato;

- quando na minha família se está fazendo alguma coisa e já se encheu o saco, quer terminar logo, ainda que feito não tão bem quanto deveria, se usa a expressão "Pra quem é, bacallhau basta". A expressão é portuguesa e se deve ao fato de que em Portugal o bacalhau chegava com fartura às classes mais modestas. Achei isso em uma página de turismo portuguesa;

- Por que cargas d´água...? É usado em expressões de interrogação, quando não se sabe o motivo de algo ter ocorrido, por ex.: "Mas por que cargas dágua esta cremeira está na estante?";

- Cremeira/cremeirinha: potinho/tigelinha de sobremesa, geralmente de vidro ou porcelana. O nome parece ter sido dado porque eram usados para servir cremes. Muito comuns eram aqueles de louça branca com uns losangulinhos laranja nas bordas, que quando quebravam viravam em mil caquinhos, lembra? Depois foram substituídos pelos Duralex caramelo;

- quando alguém espalha aos 4 ventos alguma coisa que deveria permanecer em segredo, Vó Ninhinha sempre diz: "-Nunca falta um boi corneta!" Obs.: Boi-corneta: boi que, com seus mugidos, reúne parte do rebanho em torno de si;

- algariado/algariação: Um sujeito algariado é alguém que está ou é elétrico, estabanado, inquieto, barulhento. A frase clássica é a segunite: "Vamos parar de algariação!" que equivale a mandar parar com a bagunça;

- venda: mini-mercado, bolicho, pequeno armazém. Em Pelotas tem sempre um a cada 100-150m, ou seja um por quadra;

- quadra: quarteirão;

- pão de meio: pão francês de meio quilo. Sempre dava briga para ver quem ficaria com o bico;

- bico: a ponta do pão. Cada pão tem dois "bicos". Pena isso de ter havido a "evolução" para o pãozinho de 50g (que em Pelotas é cacetinho - sem risos, por favor). Agora todo mundo tem bico. Humpf;

- pão diquartiquilo: pão francês de 250g ou de um quarto de quilo;

- mandinho: criança, garoto, piá

- tirar: Em Pelotas a gente não "cursa" nem "faz" faculdade ou curso nenhum. Lá, pelo menos para os mais velhos, a gente "tira". Ex.: Fulaninha está tirando medicina. Ou melhor, mais de época: Maria Alice tirou o normal. (Normal era magistério). Inacreditável, mas é verdade. Juro;

segunda-feira, maio 18, 2009

Cotas...mais uma vez (dá-lhe, Zulu!)


Estou impressionado com o número elevado de artigos que atualmente pululam em jornais, revistas, sites e outras publicações de autoria de "gentes" se manifestando contra as cotas e outras ações afirmativas. Questionam e criticam a adoção destas ações, ora invocando uma suposta inconstitucionalidade, ora querendo substituir por "cotas sociais", que segundo afirmam, seriam "mais justas".

Pois o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, elaborou um belo texto, intitulado Cotas, mentiras e videotapes!, em resposta à inteligentzia, aos filhos bem criados da classe média e até mesmo a afrodescendentes que querem se celebrizar ao se mostrar contrários às ações compensatórias. Pena que alguns jornais/revistas não tivessem coragem de publicá-lo. Porém, o Blog du Brisa - que adora uma polêmica - reproduz, na íntegra, o texto publicado originalmente na Revista Raça Brasil nº 132.

Cotas, mentiras e videoteipes!
por Zulu Araújo, presidente da Fundação Cultural Palmares / Ministério da Cultura

Os ataques partiram de todos os lados (emissoras de televisão e rádio, jornais, blogs). Não importa que a proposta tenha sido mitigada por critérios sociais na Câmara dos Deputados e que as pesquisas apontem o sucesso onde elas foram implantadas. "Somos contra", afirmaram em uníssono os representantes da maior frente política articulada contra a promoção da igualdade no Brasil.

Enfim, as máscaras caíram. Nenhuma proposta ou alternativa é apresentada. São contra tudo que signifique promoção da igualdade neste país (bolsa-família, cesta básica, demarcação das terras indígenas... ). Desta vez fulanizada em opiniões absolutamente díspares e caricatas, ora pela boca de eminentes antropólogos, sociólogos ou jornalistas, ora por filhos bem criados da nossa classe média privilegiada e de vez em quando por afrodescendentes ávidos pelos 15 minutos de fama, repetiram a ladainha de sempre: As cotas não resolvem o problema da desigualdade racial no ensino, excluem o mérito do processo seletivo, racializam as relações na sociedade brasileira.

Em sua sanha destrutiva foram mais além. Um renomado cientista fez a seguinte afirmação na revista Época (n° 568): "A escravidão é uma coisa horrorosa que aconteceu há mais de 200 anos. Quem é que tem de pagar por isso hoje? O imigrante italiano?" Para este cidadão, quem deve continuar pagando a conta somos nós, que fomos escravizados. Quer algo mais explicito? Pela lógica deste cidadão, os palestinos também poderiam construir a seguinte frase: "A expulsão dos judeus da sua terra natal foi horrorosa, por que passados mais de 2000 anos nós é que temos de pagar a conta? Cômico, senão trágico, se a vida fosse tão simples assim.

Vale a pena lembrar aqui que foi a Organização das Nações Unidas(ONU), da qual o Brasil é membro, que estabeleceu a reparação como mecanismo compensatório à escravidão, reconhecida como crime de lesa-humanidade.

Mentiras - Vale tudo para desconstruir esta pequena possibilidade de reparação da imensa dívida que este país possui para com quase metade de sua população. Escondem-se as pesquisas, os números e a secular exclusão dos afro-brasileiros da educação, do mercado de trabalho, da mídia e de tudo que signifique poder real neste país. Mente-se de forma despudorada. Mistificam-se opiniões isoladas e omitem-se as conseqüências crueis dos anos de escravidão e discriminação racial.

Tudo isto, para que os privilégios sejam justificados em nome de uma meritocracia fajuta, pois está mais do que comprovado que o sistema seletivo atual não avalia mérito algum. Mentem quando afirmam que as cotas raciais são o problema. Querem que tudo continue do jeito que está sob a justificativa de que somos um país pacifico, com um povo ordeiro e mestiço, que nunca viveu os horrores da discriminação e do racismo. Só faltam dizer que a escravidão foi boa para os africanos, pois afinal lhes deram uma religião, bons modos e acesso a uma nova civilização. Nas inúmeras matérias, entrevistas, artigos e editoriais, os representantes dos quase dois terços da população que é favorável às cotas são solenemente ignorados. É um verdadeiro massacre midiático. Seguramente o mais longo e bem articulado dos últimos 20 anos.

Vídeoteipe - Nos últimos ataques, os porta-vozes da elite brasileira revelam bem mais que uma discordância com as ações afirmativas. Avançam para o terreno da defesa pura e simples do direito ao privilégio para uma minoria bem nascida e bem nutrida. Nenhuma política que vise alterar o status quo vigente é correta. É como se todas elas estivessem impregnadas do veneno mortal da igualdade. Sonham de olhos bem abertos com o retorno ao passado, como se a vida pudesse ter remake ou vídeoteipe. É como se houvesse uma determinação divina para que o acesso à universidade, aos melhores empregos, aos cargos de direção do país e às nossas melhores terras sejam exclusivamente dos mesmos que ao longo dos últimos quinhentos anos se locupletaram com as riquezas de nossa nação ao custo da escravização, da exclusão e da discriminação da maioria do povo brasileiro. Ainda bem que os homens e mulheres de boa vontade são a maioria deste país e cada vez mais conscientes de que o Brasil só será uma democracia de fato e de direito quando a fraternidade, justiça e igualdade for para todos. Vamos à luta !

Toca a zabumba que a terra é nossa !

Falou e disse, Zulu!

segunda-feira, maio 04, 2009

Profissão

 Moyséis Marques - Profissão




Profissão

(Luiz Carlos da Vila - Sereno - André Renato)
Canta: Moysés Marques

Acrredito que Deus
Me fez um varredor
Pra jogar fora os meus
Infortúnios do amor
Se me fez bacharel
Valeu, meu Deus do Céu
Já tenho defesa pras peças que a vida pregou

Se eu trabalho pra mim
Aí é que eu me dou
E aprendo assim
A ser bom professor
Se o mau tempo me vem
Sorrio e digo amém
Um dia após outro dia o vento levou

Se ele quer um maestro
Eu sigo no gesto e orquestro com a mão
Dando, tirando, buscando
O comando que for o melhor pra canção
Quando eu fui o bombeiro
Eu fui o primeiro que a chama apagou
Aceso solidário coração

Se eu for requisitado
Pra ser deputado ou vereador
Eu vou lutar para honrar
E fazer jus ao voto do meu eleitor
E se eu vier marinheiro
Um bom brasileiro acerto a maré
Eu sou da profissão de amor e fé


sexta-feira, abril 24, 2009

RELACIONAMENTOS (Arnaldo Jabor)

        'Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim.
        Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:
        ' -Ah,terminei o namoro...
        -Nossa, estavam juntos há tanto tempo.....
        -Cinco anos...que pena...acabou....
        -é...não deu certo...'

        Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
        E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
        Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
        Às vezes voce não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
        E não temos essa coisa completa.
        Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
        Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
        Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
        Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
        Tudo junto, não vamos encontrar.
        Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
        Pele é um bicho traiçoeiro.
        Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
        E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
        Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga..se não bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
        Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
        O outro tem o direito de não te querer.
        Não brigue, não ligue, não dê pití.
        Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar.... ou não.
        Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
        O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa
        REALMENTE gostar, ela volta.
        Nada de drama.
        Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
        O legal é alguém que está com você, só por você.
        E vice versa.
        Não fique com alguém por pena.
        Ou por medo da solidão.
        Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
        E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
        Tem gente que pula de um romance para o outro.
        Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
        Gostar dói.
        Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração.....
        Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.
        E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse....
        A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
        Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta.
        Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
        Na vida e no amor, não temos garantias.
        Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
        Nem todo beijo é para romancear.
        E nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar...
        Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ?????'


       texto atribuído a Arnaldo Jabor