terça-feira, julho 31, 2007

Meu Deus

De novo, Vanessa da Mata. E essa canção, "Meu Deus", é lindíssima. É a minha faixa preferida do disco Sim (2007).

Em ritmo de bolero, Vanessinha praticamente faz uma declaração de amor para seu homem. Pelo menos, é uma cantora que gosta do sexo oposto, ao contrário de algumas de suas colegas. E o cara para quem ela fez a música deve estar "sissi". Imagina, ser homenageado com uma composição destas e ainda escutar a voz macia e suave da moça ao pé do ouvido...




Um homem bonito assim
O que quer de mim
O que ele fará comigo?
Um homem bonito que planos
O que Deus me deu
E que ele fará com os seus
Braços de amansar desejos
Boca de beijo
Corpo de tocar
Meu coração muito tonto
Quer sair de mim

Olhos flechando meus zelos
Bem que o meu corpo já me mostrava
Tentação das mais safadas
Sem dor sem penar

Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais seria


Um homem bonito assim
O que quer de mim
O que ele fará comigo
Um homem bonito que planos
O que Deus me deu
E o que ele fará com os seus
Braços de arrancar desejos
Olhos de gato
Sabor de hortelã
Meu coração muito louco
Quer chegar-se em mim

Olhos flechando os meus zelos
Bem que o meu corpo já me mostrava
Conclusão das mais safadas
Sem dor sem penar

Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais seria

Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais


segunda-feira, julho 30, 2007

Boa sorte/Good luck

Esta bela música está estourada em tudo quanto é rádio. "Boa sorte/Good luck" é uma parceria virtual entre a brasileira Vanessa da Mata e o norte-americano Ben Harper. Vanessinha mostrou a canção para um dos produtores de Ben que levou para o músico em Los Angeles, que topou a missão e verteu a letra para o inglês.

A música, que fala de separação, é bem melancólica (e direta, até). Os versos iniciais dão a pista de que não tem conversa: é só isso/ não tem mais jeito/ acabou, boa sorte. Além da guitarra de Ben (que a toca sentado, com o instrumento em seu colo), o arranjo conta com o auxílio luxuoso do baterista Sly Dunbar e do contrabaixista Robbie Shakespeare (a cozinha mais poderosa da música jamaicana).

No CD Sim, lançado este ano por Vanessa da Mata, ela e Ben puseram a voz em estúdios diferentes, separados por milhares de quilômetros. Já o clipe foi gravado em L.A. (of course, man!). E em algumas cenas aparecem o encontro (desta vez real) entre os dois.



É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará

Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais

That’s it
There is no way
It over, Good luck
I have nothing left to say
It’s only words
And what l feel
Won’t change

Everything you want to give me
It too much
It’s heavy
There is no peace
All you want from me
Is’nt real
Expectations

Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais

Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais

Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who poisoned you
There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
so many special people in the world in the world
All you want
All you want

Tudo o que quer me dar /Everything you want to give me
É demais / It too much
É pesado / It’s heavy
Não há paz / There is no peace
Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais/ is’nt real
Expectativas / Expectations
Desleais

Now were Falling into the night
Um bom encontro é de dois

sábado, julho 28, 2007

Não tem cara de tiozão

Música bem-humorada, da fictícia banda The Uncles, para o comercial de um tremendo carrão...

Mas só tiozão mesmo teria uns 70 pilas pra comprar este bólido. Mas sem dúvida, o Sentra, da Nissan, "acelerou meu coração".

Musa do Pan


Que Maurren Maggi nada! Que Marta (da Seleção de futebol feminino) nada! A musa dos Jogos Pan-americanos não esteve em nenhuma delegação, não correu, não saltou, nem suou. Não disputou nenhuma medalha e sequer esteve na Arena Olímpica do Rio.

Cristiane Dias foi, sem dúvida, a melhor coisa da cobertura televisiva do Pan 2007. Os boletins noturnos da competição, apresentados pela jornalista e levados ao ar sempre depois do Jornal da Globo e antes do Programa do Jô, foram um show de competência e de charme!

A guria é gaúcha, daqui de Porto Alegre, tem 26 anos, e mora há oito na Cidade Maravilhosa, onde se formou pela Faculdade Hélio Alonso (Facha). Atualmente, co-apresenta o Esporte Espetacular, aos domingos pela manhã.

sexta-feira, julho 27, 2007

Hard working man


Olha aí o negrão refestelado junto com seus colegas da assessoria do IPA. A foto foi tirada no Colégio Americano.

No sentido horário (acima): Carlos Ismael (de braços cruzados), Alex, Carol, Diéli, Vanessa, Aline e Fernando.

quinta-feira, julho 26, 2007

O Astronauta

Adoro esta música...



Roberto Carlos
O astronauta
autores: Edson Ribeiro e Helena dos Santos

Não tenho mais nenhuma razão
Pra continuar vivendo assim
Não posso mais olhar tanta tristeza
Por isso não vou mais ficar aqui
O mundo que eu queria não é esse
O mundo é só de sonhos

Bombas que caem jato que passa
Gente que olha o céu de fumaça
Meu amor não sei por onde anda
Será que os amores já morreram ?
Um astronauta eu queria ser
Pra ficar sempre no espaço

E desligar os controles
Da nave espacial
E pra ficar pra sempre
No espaço sideral
Não vou voltar
Pra terra não, não, não vou voltar


quarta-feira, julho 25, 2007

Bah, nem falei do Pan...



Nossa!!!

Os últimos dias estão sendo complicados em nosso país. A tragédia da queda do avião da TAM no dia 17 de julho obscureceu fatos que tinham tudo para ocupar ininterruptamente todas as manchetes de jornais e rodas de bate-papo até o final do mês, como os Jogos Pan-Americanos Rio 2007. Com isso, o escândalo envolvendo as contas do senador Renan Calheiros foi posto para quinto, sexto ou sétimo plano, já que TAM, Pan, caos aéreo, morte de ACM e até o incêndio no Shopping Total aqui em Porto Alegre tomaram conta das discussões dos últimos dias.

Mas a maior festa esportiva das Américas ainda está acontecendo e, até o próximo domingo, ainda vamos conviver com boletins diários, pódios, ranking de medalhas, quebra de recordes e o ufanismo de Galvão Bueno gritando ÉÉÉÉÉ DOOO BRAAAASIIIIL, se esgoelando a plenos pulmões.

O mascotinho Cauê é bem engraçadinho e, como diria minha afilhada Camile, de três aninhos, o "bonecrinho" é um desenho "muito fofo". No entanto, a organização do Pan Rio 2007 ainda terá que explicar porque a competição estava orçada em R$ 250 milhões e acabou custando mais de R$ 3,5 bi!!!!

Mas é isso aí. Tudo em nome da alegria, tudo em nome do amor... E segue a torcida para ganharmos muitas medalhas e cantarmos o Hino Nacional tantas quantas vezes for possível. Afinal, durante eventos como Copa do Mundo, Olimpíadas, Jogos Pan (e até Grande Prêmio de Fórmula 1) são momentos em que nunca fomos tão brasileiros.

sexta-feira, julho 20, 2007

Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito


Hoje é o dia do amigo.


Me parece que a origem da data é controversa. A versão mais difundida é de que um argentino escolheu o dia 20 de julho (data em que o homem pisou na Lua, em 1969) escolha porque não considerou a conquista não somente uma vitória científica, como também uma oportunidade de se fazer amigos em outras partes do universo(!) Assim, durante um ano, o cara divulgou o lema "meu amigo é meu mestre, meu discípulo e meu companheiro". A data foi estabelecida por decreto na Argentina em 1979. Gradativamente, outros países adotaram o dia 20 de julho como Dia do Amigo.

Na verdade, todos os dias são propícios para as amizades, e nossos amigos devem ser lembrados todos os dias. Mesmo assim, eu desejo a todos meus amigos queridos, neste dia 20 de julho, um feliz Dia do Amigo!


A amizade é uma coisa sagrada e o combustível emocional desta vida. Muito obrigado por vocês existirem, estarem na minha vida e me ajudarem a "agüentar o tirão"!!


Um abraço aos queridos e um beijão nas queridas!!

...


188 vítimas no maior acidente da aviação brasileira. 188 minutos de silêncio...

quarta-feira, julho 11, 2007

Funk do choque do Lasier

Primeiro, enviaram por e-mail.

Depois, publicaram no YouTube.

E não é que agora transformaram a história do choque que o apresentador de tevê Lasier Martins tomou no ar, em plena transmissão ao vivo do Jornal do Almoço direto da Festa da Uva, em um animado funk? Eu não me agüentei de tanto rir.

Mas a cara de "the show must go on" que a Cristina Ranzolin faz no final é impagável... Hay-haaay!!

quinta-feira, julho 05, 2007

Quero ser feliz também

Adoro essa música.

E curto muito o jeitão riponga e a atitude pacifista do Natiruts. Uma das bandas surgidas no final dos anos 90 e que ainda estão por aí e que têm mensagem e muita competência no som. E mais do que nunca, eu "quero ser feliz também"!!

Quero ser feliz também
(Alexandre)

Cresça, independente do que aconteça
Eu não quero que você esqueça
Que eu gosto muito de você

Chego e sinto o gosto do teu beijo
É muito mais do que desejo
Me dá vontade de ficar
Teu olhar
É forte como água do mar
Vem me dar novo sentido pra viver
Encantar a noite

Eu quero ser feliz também
Navegar nas águas do teu mar
Desejar para tudo o que vem
Flores brancas, paz e Iemanjá


Cresça, independente do que aconteça
Eu não quero que você esqueça
Que eu gosto muito de você

Chego e sinto o gosto do teu beijo
É muito mais do que desejo
Dá vontade de ficar
Teu olhar
É forte como água do mar
Vem me dar novo sentido pra viver
Encantar a noite

Eu quero ser feliz também
Navegar nas águas do teu mar
Desejar para tudo o que vem
Flores brancas, paz e Iemanjá
(2x)





Intolerância nos tempos de cólera...

Ainda me causa engulhos aquelas pichações com insultos racistas contra a implementação de cotas raciais que emporcalharam os muros e as calçadas nos arredores do Campus Central da Ufrgs nos últimos dias do mês de junho. Meu Deus!

Já não bastasse a insegurança e a impunidade, agora estamos vítimas também da intolerância!

Tudo isso porque o debate a respeito das ações afirmativas não é qualificado. A maioria das opiniões que leio, vejo e escuto e que se mostram contrários à medida mudam o foco sobre a discussão, sempre cantando o mesmo refrão de que “as cotas têm que ser sociais e não raciais”, chegando ao requinte de questionar “por que elaborar cotas apenas para os negros e não para as outras etnias”? Ou o discurso surrado de que “é preciso melhorar a educação no Brasil e dar acesso à população ao ensino básico”. Ok, mas isso, na prática, só empurra o problema com a barriga e não se resolve nem uma coisa nem outra.

No Brasil, as cotas são realidade em 16 universidades federais e em mais 19 universidades estaduais de Ensino Superior. E o Rio Grande do Sul, estado mais caucasiano do país, nesse aspecto, vem se caracterizando pelo atraso. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que deveria ter votado as cotas em junho, cancelou a reunião e ainda não estabeleceu nova data. Na Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a discussão não deve ocorrer neste ano. A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) não iniciou o debate.

Eu ainda quero escutar de algum filósofo, historiador, atropólogo ou intelectual que explique porque conflitos raciais acontecem nas regiões do ponto cardeal sul. O que é que tem esse tal de sul? É o sul dos Estados Unidos, África do Sul, sul do Brasil...

Se eu não encontrar ninguém que me responda isso eu mesmo pesquisar esse assunto que renderia teses e até livros.










sábado, junho 30, 2007

Da série "Por que eu queria ser Denzel Washington"...



...porque é um excelente ator;
...porque é um baita ator;
...porque, além de um puta ator, é irmão;
...porque deu essa bela "carcada" na Julia Roberts!!!

"Fala sério. Que mané oscar o quê! Troféu de verdade é este de vestido preto e de cabelos ruivos que eu tô agarrando pela cintura..."

terça-feira, junho 26, 2007

All we hear is radio ga ga... radio gu gu... radio blah blah



Às vezes me dá raiva em escutar rádio. Principalmente as ditas "FMs jovens". Quanta abobrinha, meu Pai do Céu!!

E o pior é que eu sou fissurado em rádio. Tenho esse utilitario inventado por Marconi no carro, no quarto, no computador, no walkman (bah, nessa época de iPods, pen drives e mp3 e mp4 players, invocar o hoje quase obsoleto walkman é bem coisa de tiozão) e até na cozinha. E, se possível, não dispenso um radinho quando estou trabalhando nem quando vou dormir. Coisa boa é pegar no sono escutando uma música ou um bom programa na madrugada...

Mas o lance é que é preciso uma paciência de Jó. Para os encontrar os tais "bons" programas de rádio, é necessário dar uma de Indiana Jones para ir ao encontro aos tesouros perdidos.

Digo isso porque me irrita profundamente esses programas para jovens que algumas emissoras têm a coragem de pôr no ar. O público-alvo - o jovem - é retratado como um babaca, beócio, parvo e tolo. Programas sem idéias, sem conteúdo, só cretinice. E um programa se assemelha bastante com o da emissora concorrente. Parece que é deflagrado um campeonato para saber quem é que fala mais bobagem. Meu Deus! Não é só revistas, filmes e novelas que devem ser classificados como impróprios para menores de 18 anos. Tem muito programa de rádio que, de tão ruim, chega a ser pornográfico.

E o jovem, será que aceita consumir esse tipo de produto, que é um verdadeiro atentado ao bom senso, ao bom gosto, à inteligência?

O supergrupo Queen já cantava uma certa decadência da programação radiofônica, nos idos do início da década de 1980, perante o surgimento da MTV e o que se ouvia naquela época era apenas gagá, gugu, bla-blá.

All we hear
Is radio ga ga
Radio goo goo
Radio ga ga
Radio blah blah
Radio what's news?
Radio someone still loves you


Tudo o que se ouve
É gagá, gugu, bla-blá
Rádio, cadê as notícias, as novidades?
Rádio, alguém ainda te ama


Dois programas que eu gosto de escutar nas FMs jovens que, infelizmente, são transmitidos quase no mesmo horário. O Pânico (Jovem Pan FM, do meio-dia às 14h), em que se faz um humor profissional, com direito à iconoclastia dos ídolos de pés de barro e das efêmeras celebridades artificiais catapultadas à fama pelos reallity-shows da vida. E também o Talk Radio (Ipanema FM, do meio-dia às 13h), com a apresentação de Kátia Suman, discutindo assuntos do momento e fazendo a galera pensar.

O resto, infelizmente, é café pequeno.

domingo, junho 24, 2007

Onde estão os negros da Argentina?


Na próxima terça-feira (26) inicia mais uma Copa América de Futebol. E a Seleção Brasileira, treinada por Dunga, estréia na quarta (27) contra o México, na cidade venezuelana de Puerto La Cruz.

Mas peguei o assunto do futebol só como gancho. É que uma coisa sempre vinha me deixando intrigado: nunca vi um negro atuando em qualquer seleção esportiva argentina, seja em Copa do Mundo, Jogos Pan-Americanos ou Olimpíadas. O que aconteceu com os negros do vizinho portenho?

Houve escravidão em toda América Latina. A importação de negros chegou até esta parte do Hemisfério Sul. Basta ver atletas e artistas brasileiros, uruguaios, colombianos, equatorianos, venezuelanos, peruanos, etc. E na Argentina, o que houve? Meu irmão Gilson esteve na Argentina há cerca de 10 anos. Viajou com colegas da faculdade na época em que ele cursava Geografia na Ufrgs para um encontro universitário em Buenos Aires. E ele, que tem a pele levemente mais escura do que a minha, disse que os estudantes argentinos puxavam papo com ele em francês, pensando que ele tivesse nascido no Senegal, Camarões ou Costa do Marfim (países africanos que foram colônias francesas). E ele chamava a atenção por ser negro. Era o chocolate no meio do creme de baunilha. Foi por essas curiosidades que eu resolvi dar uma pesquisadinha no assunto.

Na Argentina não tem negros porque foram todos mortos há pouco mais de um século. Jorge Lanata é um dos mais importantes jornalistas argentinos, fundador do diário “Página/12” e autor de Argentinos (em espanhol, Editora Argentina), uma belíssima história de seu país em dois volumes, lançada em 2002. Nos livros, ele batiza os negros de los primeiros desaparecidos, referência aos mortos pela ditadura militar recente. E traz números: no censo de 1778, 30% da população tinha origem africana. A proporção se mantém no censo de 1810, cai para 25% em 1838. Em 1887, repentinamente, compõe menos de 2%. Mas no início, bem no início, há depoimentos de que a proporção de negros e brancos em Buenos Aires chegou a ser de 5 para 1.

Durante seu primeiro século de vida, a capital argentina sobreviveu às custas do comércio negreiro. No século 16 até a primeira metade do 17, a coroa espanhola drenava o ouro e a prata do Potosí, na atual Bolívia. Foi este o negócio que batizou o Rio da Prata – e foram principalmente mãos negras que tiraram das minas subterrâneas os metais que sustentaram a Europa. Os escravos que trabalharam no Potosí vinham principalmente de Angola. Eram negociados pelos peruleiros, que faziam a rota Potosí-Buenos Aires-Rio-Luanda. O Rio de Janeiro também sobreviveu economicamente por conta do tráfico, numa época em que o açúcar do Nordeste era de qualidade muito maior. No Rio chegavam os escravos, pagos em boa parte não com dinheiro mas com açúcar, cachaça, mandioca e tabaco, que serviam de moeda de troca na África. Os escravos eram transportados então para Buenos Aires, onde entravam ilegalmente, e enviados Prata acima até as minas. Era um jogo onde todos, inclusive os governadores, eram contrabandistas. A relação na rota de tráfico entre Rio e Buenos Aires era tão íntima que, quando veio a separação da União Ibérica, os cariocas chegaram a sugerir aos hermanos que se bandeassem para o lado português.

Como no Brasil, todo o serviço, doméstico ou não, nos séculos 17 e 18 foi feito por mão-de-obra negra e escrava na Argentina. Então desapareceram e a história local ensinada nas escolas se cala sobre o assunto. Francisco Morrone, autor de Los negros en el ejército: declinación demográfica e disolución, é um dos historiadores que tenta recuperar o que houve. Segundo Morrone, uma das coisas que aconteceu foram casamentos mistos que, lentamente, clarearam a pele de filhos e netos. É o tipo da resposta que explica quase nada. Mas aí ele mete o dedo na ferida.

A abolição da escravatura na Argentina começou em 1813, foi confirmada pela Constituição de 1853 – bem antes à brasileira. Durante o século 19 todo, o país se meteu numa guerra após a outra. Contra invasões por parte de Inglaterra e França, então a Guerra da Independência seguida do banho de sangue da luta interna entre caudilhos pelo poder e culminando com a Guerra do Paraguai, na qual seguimos aliados. Por todo este período belicista, a Argentina pôs seus negros na linha de frente dos exércitos, os primeiros a levar tiros, às vezes de espingardas – muitas vezes servindo de isca para que o inimigo gastasse as balas de canhão.O golpe final foi a grande epidemia de Febre Amarela em 1871, que se abateu sobre os bairros de Buenos Aires para onde os negros que sobraram foram transferidos. Depois, nos primeiros anos do século 20, assim como no Brasil, houve uma enorme migração européia, principalmente de italianos, que marcaram o sotaque portenho como marcaram cá o paulistano. A diferença é que, a essas alturas, os poucos mulatos não tiveram melanina suficiente para escurecer a pele da população restante.

A Argentina teve, sim, escravos, exatamente como o Brasil e na mesma proporção. Nos momentos seguintes à sua independência, aboliu a escravidão para pôr em marcha uma política de branqueamento da população. No caso, isso quer dizer genocídio. Diga-se de passagem, nos primeiros anos da República isto foi motivo de inveja por parte do governo brasileiro. Não há inocentes.

sábado, junho 23, 2007

Mangueira, estou na plataforma da estação primeira

Meu pai era fã do cantor Jamelão. Na época da "eletrola", o Seu Paris gostava de botar um LP e ficar imitando a voz do intérprete mangueirense pela casa todas faixas do disco. Eu me criei escutando o meu pai cantar as músicas de Lupicínio Rodrigues na voz do "Jamela".

Poucos dias depois que o meu pai se foi, passou um programa especial sobre o Jamelão na televisão justamente cantando aquelas músicas que eu escutava desde a infância. Pronto. A partir daquele momento, percebi que eu sou uma manteiga derretida e que fiquei muito suscetível a me emocionar facilmente. Não são lágrimas de tristeza, mas gotas de saudade.

Não escuto mais a voz de meu pai e a de Jamelão está debilitada devido a dois AVCs sofridos pelo cantor no ano passado e é bem provável que a gente não a ouça mais, já cansada, do alto de seus 94 anos.

Mas, como as músicas são eternas e para a gente ficar feliz, divido com todos dois momentos do grande Jamelão:

1) primeiro, um vídeo do cantor, recebendo Chico Buarque para uma roda de samba no morro de Mangueira. A música é "Piano na Mangueira", parceria que Chico e Tom Jobim fizeram quando o segundo foi tema do carnaval da verde e rosa, em 1992. O vídeo tem direito até a participação de um cachorro latindo e fazendo xixi.



Mangueira
Estou aqui na plataforma
Da Estação Primeira
O morro veio me chamar
De terno branco e chapéu de palha
Vou me apresentar à minha nova parceira
Já mandei subir o piano pra Mangueira

A minha música não é de levantar
Poeira
Mas pode entrar no barracão
Onde a cabrocha pendura a saia
No amanhecer da quarta-feira
Mangueira
Estação Primeira de Mangueira

2) um arquivo em mp3 do único samba enredo composto por Jamelão que foi levado para a avenida. Trata-se de "Cântico à natureza - Primavera", de 1955, que tem como autores Alfredo Português e Nelson Sargento. Notem a pureza cristalina da sua bonita voz grave. Fosse nascido nos Estados Unidos, Jamelão seria um mito, tipo Louis Armstrong ou Nat King Cole. Mas, sabe como é... estamos no Brasil!

http://www.4shared.com/file/18462723/be17960c/Jamelo_-_Cntico__Natureza.html

Brilha no céu o astro rei
Com fulguração
Abrasando a terra
Anunciando o verão
Outono
Estação singela e pura
É a pujança da natura
Dando frutos em profusão
Inverno
Chuva, geada e garoa
Molhando a terra
Preciosa e tão boa
Desponta
A primavera triunfal
São as estações do ano
Num desfile magistral

A primavera
Matizada e viçosa
Pontilhada de amores
Engalanada, majestosa
Desabrocham as flores
Nos campos, nos jardins e nos quintais
A primavera
É a estação dos vegetais

Oh! Primavera adorada
Inspiradora de amores
Oh! Primavera idolatrada
Sublime estação das flores

sexta-feira, junho 22, 2007

Paulinho da Viola e os Quatro Crioulos



Esse é um tipo de música que deixa a minha vida mais feliz.

Gravado de um especial de tevê de 1980, Paulinho da Viola revive com os "quatro crioulos", momentos do show Rosa de Ouro, que lançou os cinco sambistas e mais a rainha Clementina de Jesus e que alçou os artistas à condição de grandes nomes da MPB.

Os Quatro Crioulos eram:

Elton Medeiros (de óculos, percussão): um dos mais importantes sambistas brasileiros. Parceiro musical mais constante de Paulinho da Viola. No vídeo, canta "O sol nascerá", parceria dele e Cartola.

Nelson Sargento (violão): Tive o prazer de conhecer o sambista em 1997, quando fui cobrir o festival de cinema de Gramado. Nelson foi homenageado com um curta-metragem rodado por Estêvão Chiavatta, marido de Regina Casé. No vídeo, canta "Primavera - Cântico à natureza", samba da Mangueira de 1955.

Anescarzinho (percussão): integrante da ala dos compositores do Acadêmicos do Salgueiro. Autor, entre outros, do samba enredo "Chica da Silva", considerado um dos mais belos da história do carnaval. Faleceu em 2000. No vídeo, canta "Água do rio", de sua autoria, junto com Noel Rosa de Oliveira.

Jair do Cavaquinho (de bigode): também portelense, a exemplo de Paulinho. Integrava a Velha Guarda da Portela desde os anos 80. Faleceu em 2006. No vídeo, canta "Pecadora", de sua autoria, junto com Joãozinho. A música voltou às paradas de sucesso há cerca de dois anos, ao integrar a trilha sonora de uma novela das oito, regravada pelo Grupo Revelação.

Ordem das músicas no vídeo:

Quatro crioulos (Joacir Santana - Elton Medeiros)
Rosa de ouro (Elton Medeiros - Paulinho da Viola - Hermínio Belo de Carvalho)
O sol nascerá (Elton Medeiros - Cartola)
Primavera - Cântico à natureza (Alfredo Português - Jamelão - Nelson Sargento)
Água do rio (Anescarzinho - Noel Rosa de Oliveira)
Pecadora (Jair do Cavaquinho - Joãozinho)
Pode guardar as panelas (Paulinho da Viola)
Guardei minha viola (Paulinho da Viola)

Ô, coisa boa!!!

quarta-feira, junho 20, 2007

À luta, tricolor!


Pior do que não ganhar a final da Taça Libertadores, é não chegar na final da Taça Libertadores e ainda ser eliminado na primeira fase.

Valeu, Grêmio!

Eu acredito


Milagres acontecem...


Afinal, o Inter não ganhou do Barcelona com um gol do Gabiru?


Vâmo, vâmo, vâmo Grêmiooo!!!

De novo a Amy...


Esses dias eu comentei sobre a Amy Winehouse, uma competente cantora que é a nova darling dos "mudernos". Bem, quero dizer que não tenho nada contra o som dela, que é de muita qualidade, aliás. Só acho um exagero de certos setores da mídia quererem transformá-la já numa diva.

Gente, achei uma foto dela na internet que eu me apavorei!!! Ela é bem jovem, tem apenas 23 anos, tem vozeirão, talento e aquela coisa toda. Só que ela já foi "cheinha" e me parece que a própria não curtia muito aquela situação começou a forçar a barra para perder peso. E pelo que se escuta por aí, sua dieta é regada a muito álcool.
Na foto acima, à esquerda, é a imagem atual da Amy. À direita, ela em 2003. Nem parecem a mesma pessoa, né? Na boa, magreza desse jeito é exagero e a cantora parece um cadáver ambulante. Coitada...
Qual dos momentos da Amy vocês preferem? Eu, que sou muito simpático às gordinhas (e a Leticia sabe disso), sou suspeito para falar e já fiz a minha escolha. Mas, brincadeiras à parte, a gata tem que se cuidar.
Além disso, diz que a mocinha adora um barraco. Recentemente, ela precisou cancelar alguns shows, pois quebrou dois dentes, após passar a tarde inteira num pub abaixo de drinques e cair podre de bêbada. Acho que muita gente se lembra do caso da talentosa cantora norte-americana Karen Carpenter, que muito se achava gorda e morreu anoréxica em 1983, com menos de 40 quilos.
O álbum Back to black - o segundo lançado pela cantora - traz como primeiro hit, "Rehab". Esta, por sinal, é barra pesada - a letra - cujo título, em bom português, é "reabilitação". A canção trata dos problemas da cantora com o álcool, já conhecidos publicamente ("eu e a bebida temos uma relação bem intensa, de amor e ódio", confessou ela com exclusividade para um jornal brasileiro, recentemente). Reaja, Amy! Ou melhor:
- "Rehab", guria!!!