quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Carnaval de muito trabalho

Como eu falei antes, foi um carnaval de muito trabalho. Que inveja eu tenho desse pessoal que não gosta da folia.

O esquema começou na sexta, com a transmissão do Grupo de Acesso. Como eu não trabalho no jornal este dia, pude resolver várias coisas à tarde para trabalhar tranqüilamente à noite no Porto Seco.

A transmissão terminou às 7h da manhã de domingo. Cheguei em casa com um zumbido no ouvido de tão alto que estava o áudio nos fones. E quem disse que consegui dormir? Imagina... Como é carnaval, era capaz de eu ficar acordado e alerta durante os 4 dias. Agora se fosse 20 de Setembro, Expointer, etc, Deus me livre!

No sábado, dia da noite de gala do carnaval porto-alegrense, fomos com a transmissão até às 8:30 da manhã. Consegui ir até essa hora graças ao maravilhoso carreteiro na banca do Dico, na praça de alimentação lá do sambódromo. Cheguei em casa às 9h de domingo. "Cochilei" um pouco e às 3 da tarde já estava em pé para começar a trabalhar às 16h no Jornal do Comércio. Eu e o Gamboa, meu editor, preparamos as quatro páginas de política bem rápido, já que deixamos muitas matérias de estoque durante a semana justamente para dar conta no feriadão de carnaval. Às 9 da noite eu já estava no Porto Seco para o segundo dia das escolas do Grupo Especial e meu último dia de transmissão, antes do Sábado das Campeãs. Ficamos no ar até às 6:30 da manhã.

Segunda-feira. Folga no jornal e na rádio e dia de acompanhar o segundo desfile das escolas do Rio de Janeiro. Na terça, plantão no JC a partir das 4 e meia. Ufa!

Pena que passou tão rápido. No momento em que estou escrevendo este tópico, já estamos na madrugada da Quarta-feira de Cinzas. Sábado tem mais e, quem sabe, no dia 3 e 4 de março, em Uruguaiana, eu acompanho o carnaval temporão da Fronteira...

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Remember

É incrível como o carnaval daqui de Porto Alegre é pouco valorizado pela mídia. A RBS é a que mima mais o carnaval, apesar de que a menina dos olhos deles é o carnaval do Rio. É um monte de gaúchos bancando ser os cariocas e idolatrando o carnaval deles. E o nosso vai na rabeira.

As outras emissoras poderiam entrar nesse vácuo. Mas fazem uma cobertura muito tímida. Saudades de quando não havia monopólio. Saudades da velha Rádio Princesa.

Saudades até da Band, quando a gente conseguiu fazer algumas coberturas guerrilheiras. Quando eu comecei a fazer carnaval profissionalmente, por exemplo, em 1996, enquanto a Gaúcha e a Princesa escalavam grandes equipes, eu, da Band, entrava no ar ao vivo com aqueles radinhos walkie-talkie da Motorola. Bem faceiro e cheio de assunto.

Em 98, foi engraçado para não dizer trágico. Eu fui um dos maiores incentivadores para que a Band transmitisse o carnaval. Passei 3 meses trabalhando direto nos finais de semana comandando um programa de carnaval, à tarde inteira, sem ganhar um mísero pila a mais por isso. TRÊS MESES! Dezembro, janeiro e fevereiro! Na hora H, a emissora resolveu contratar a equipe da rádio Princesa, que tinha sido extinta meses antes. A Band praticamente locou seu espaço para os forasteiros. Eu iria trabalhar na equipe com posição de destaque, mas na época, aconteceram coisas chatas. Fui escanteado do esquema, assim, na maior. Ao invés de trabalhar como âncora, comentarista ou repórter de pista, me puseram para ser o repórter que entrava com informações de pronto socorro, ocorrências policiais, trânsito, etc. Que merda.

Mas tudo bem, foi um aprendizado. Afinal, eu surgi nesse meio de maneira meteórica e "precisaram" me dar um freio. Comigo as coisas são assim. Nunca vieram fáceis.

Minha forra se deu em 2001, quando aí sim eu comandei absoluto a programação e as transmissões na Band AM, com direito até em escalar a equipe. E foi uma equipe nota 10: Adair "Lalau" Antunes, Waldemar Pernambuco, Oswaldo "Vavá" dos Reis, José Roberto Conceição, mais o auxílio luxuoso do João Garcia e do Ribeiro Neto. Acho que foi meu melhor momento.

Em 2005, estive no carnaval da TVE, na transmissão do Sábado das Campeãs. Eu e a Vanessa Garcia. Engraçado. Com tanto tempo trabalhando com rádio e jornal, algumas pessoas até me conheciam. Na tv, esse reconhecimento é imediato. E olha que teve muita gente que assistiu aquele desfile pela TVE. Quase me pediram autógrafo hehehe.

E este ano vou para o meu segundo carnaval pela Guaíba, apesar de notar que a pré-cobertura deles foi um tanto fria. Parece que vão transmtir só para dizerem que estiveram na avenida. É uma pena que o carnaval de Porto Alegre tenha um tratamento assim tão... nas coxas.

Todo ano a mesma coisa, pô!

Estarei comentando os desfiles das escolas de samba daqui de Poa para a Guaíba. Já estou nessas de cobertura de carnaval, atuando profissionalmente, há mais de 10 anos. E quando chega essa época, os dias que antecedem a festa, é sempre a mesma coisa. O estresse com as credenciais!!

Desde há muito tempo se sabe a data do carnaval. A prefeitura abre o período para o credenciamento para a festa cerca de 1 mês antes. E promete a entrega para o dia da Muamba Oficial, no sábado que antecede o carnaval. E o que acontece? As credenciais não ficaram prontas. Que novidade! Pior que fica aquela aflição, porque se o cara não consegue a credencial, quando chega lá no Porto Seco, neguinho não encontra ninguém e os "responsáveis" nunca estão onde devem estar. Geralmente, as credenciais são entregues 2 dias antes. Então, por que anunciam que estará à disposição uma semana antes?

A minha grande preocupação é a autorização do acesso ao estacionamento. Ir de casa até o Porto Seco de ônibus é uma epopéia. Pegar um táxi sai caro. Não quero depender da van da rádio. Quero que quando encerrar a transmissão, quero pegar meu carro e me tocar logo embora, sem ter que esperar desarmar todo o circo.

Caindo na folia!

A partir de hoje, começo uma incrível maratona. E em pleno carnaval! Nas noites de hoje, amanhã e domingo, à noite (sempre por volta das 21h30min), estarei comentando os desfiles das escolas de samba no Porto Seco pela Rádio Guaíba AM 720 Khz. A cobertura está prevista para terminar às 7:30 da manhã.

No Domingo de Carnaval e na Terça-feira de Cinzas, estarei de plantão no Jornal do Comércio, encarnando o repórter de Política.

No domingo, a coisa será power. Depois de ter passado a noite em claro assistindo os desfiles do primeiro dia do Grupo Especial, devo chegar em casa por volta das 8:00 da manhã. Aí eu "cochilarei" um pouco e, às 4 da tarde, estarei firme e forte (impávido como Muhammad Ali) lá na redação do JC, ajudando o editor João Gamboa a baixar as quatro páginas dedicadas à Política para a edição conjunta de segunda e terça. Ainda bem que já fizemos um bom estoque de reportagens especiais para ajudar a abastecer as páginas, porque o setor político ficará às moscas durante o tríduo momesco. Terminada a missão no prédio da Avenida João Pessoa, me mando pro sambódromo para a cobertura da rádio até às 6 da manhã.

Pelo menos, na segunda, estarei de folga no JC e não terá desfile aqui em Poa. Na terça, só terei compromisso no jornal. Enquanto isso, a maioria das pessoas normais estará numa praia, no interior ou dormindo muito. Fazer o quê, né?

segunda-feira, janeiro 15, 2007

A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

Estava de bobeira em casa neste final de semana e dei uma "bizoiada" na transmissão do Planeta Atlântida Florianópolis, pela tevê. Taí um festival de música que precisa urgentemente de uma reformulação. Seus organizadores precisam apertar a tecla F5 ligeirinho.

O Planeta, que surgiu como uma bela iniciativa de show de música durante o verão, está bem parecido com os especiais de fim de ano do Roberto Carlos: todo ano é a mesma coisa. A começar pelos nomes anunciados. E tome todo ano Jota Quest, Skank, Charlie Brown Jr e Cidade Negra. Eu passei a desconfiar que essas bandas foram criadas só para tocarem no Planeta Atlântida. Mais recentemente, Pitty e Marcelo D2 também se integraram a este time de cativos do evento. Da galerinha aqui dos pagos, tem sempre que ter Armandinho, Papas da Língua ou Nenhum de Nós. Todo Planeta Atlântida que se preze, tem que reservar o seu momento "axé, Bahia", afinal, o evento acontece às vésperas do carnaval. E lá vem Danielas e Ivetes, além da emergente Claudinha Leite, vocalista da banda Babado Novo. E depois de tanto tempo, um festival que sempre privilegiou o pop, o rock e o reggae, se abriu para o samba. Quer dizer, para o pagode. De primeira, vieram Bezerra da Silva e Zeca Pagodinho. De uns tempos para cá, vieram os tais pagodeiros de araque, com seu swing artificial e malandragem pasteurizada.

Mas o que mais me irritou ao assistir a transmissão é ver o jeito que o jovem é retratado: como um retardado, um babaca, um imbecil. Ou seja, a própria mídia reforça o estereótipo do jovem alienado. Os apresentadores e os repórteres se mostram superficiais, com pouca bagagem cultural, vocabulário restrito e até diminuto conhecimento de...música! Antigamente, até para ser repórter de um festival de rock era preciso ter quilate. Há 20 anos, o apresentador do primeiro Rock in Rio na cobertura da TV Globo foi Nelson Motta.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Saí de lá

Pois é, não estou mais trabalhando na sede do Executivo gaúcho. Saí do Palácio Piratini. Mas foi uma separação indolor. Meio que já esperava por isso. Além de ter adquirido alguns fios grisalhos, foram quatro anos de muito trabalho e de tensionamento. E posso dizer que tive momentos legais lá, mas um pouco infelizes.

Passei todo esse tempo me sentindo um intruso. Completamente deslocado nesse lance de política. Em determinados momentos, até me perguntava: "céus, o que estou fazendo aqui?" Não sabia da malícia, da malandragem e nem das "maldades" que este meio tem. Mas aprendi. Anjos, só existem no prédio ao lado, na Catedral Metropolitana. E olhe lá...

Quero retomar a seção "Cenas palacianas", agora sob a forma de memórias, sem o mesmo compromisso ético por estar trabalhando lá.

Agora, a maior vantagem é que não vou precisar vestir paletó e gravata nesse "torror" do sol de 38 graus do verão de Forno Alegre.

domingo, dezembro 31, 2006

Adeus Ano Velho! Que venha o feliz Ano Novo!!

Fim de ano é sempre motivo para aquelas manjadas retrospectivas e balanços sobre tudo o que ocorreu nos 365 dias anteriores.

Para a meia dúzia de pessoas que lêem estas mal-traçadas, eu não poderia deixar de fazer o mesmo e seria desleal com meus leitores hehe. Entre altos e baixos (ou entre cacos e cavacos, como diria Zeca Pagodinho) esse ano até que foi bom para mim, bem melhor do que foi o malfadado 2005. Tirei lições (algumas doloridas e amargas), conheci pessoas legais, que me valorizaram, soube de gente que reconheceu meu trabalho, minha saúde esteve ótima e pude passar mais tempo com as pessoas mais próximas e de quem gosto.

Infelizmente, também foi um ano de baixas. Logo no dia 1º de janeiro, em pleno comecinho de ano, a Mosa, vó da Leticia, nos deixou. Ironicamente, na capela ao lado, no Jardim da Paz, estava sendo velado o jornalista Clóvis Ott, minha primeira referência no Jornalismo, um cara que elegi como uma espécie de padrinho e "muso" inspirador. Em setembro, perdemos o Luciano Bauermann, amigão, gente boa e ex-colega dos tempos de Fabico e da gloriosa tchurma da Bandeirantes dos anos 90.

Passei por maus bocados este ano, mas mais do que nunca comecei a pôr em prática a mensagem presente no único verso de uma antiga canção do Walter Franco: tudo é uma questão de manter a mente esperta, a espinha ereta e o coração tranqüilo.

Criei o blog, uma válvula de escape para meus pensamentos, minhas aflições e ansiedades e uma maneira de que, se não podem me escutar, pelo menos que me leiam e que entendam o que eu penso e conheçam um pouco da maneira de ser deste tímido porém honesto capricorniano.

O trabalho sempre foi um caso à parte. Não tem como não ser, afinal, até então me tomava quase metade do meu dia. Fora o desgaste mental de ter que se preocupar com o dia seguinte e e de ser reponsabilizado por até coisas que eu não fiz. Não é fácil viver quatro anos com a corda esticada. Até os meus sonhos o trabalho invadiu. Exagero? Acho que muitas pessoas já passaram ou passam por esta amarga experiência. Resta resignarmos, já que obrigação e prazer não são necessariamente gêmeos univitelinos. Temos nossas contas a pagar. Esta é a maior motivação profissional que pode existir. Guilherme Arantes já cantava que infelizmente nem tudo é exatamente o que a gente quer. Cada vez eu concordo mais com essa assertiva.

O ano que se avizinha chega com algumas incógnitas. Novos ciclos, novos desafios, novas conquistas. Terei uma primeira resposta já neste primeiro dia de 2007. Há algumas propostas, sondagens, possibilidades. Preciso pensar em mim, lutar pela minha sobrevivência, pelo meu futuro, com estabilidade e algum conforto. E se eu não correr atrás, não lutar por isso, ninguém o fará por mim!!

Para 2007 eu só peço muita saúde (para mim e para as pessoas que gosto), paz, emprego (hehe), amigos e tudo de bom. Quero assistir ainda muitos DVDs, escutar muitas músicas, ver meu carnaval, andar muito de carro (será que ainda com o "brisamóvel"?) e conhecer gente legal. Acho que não é pedir muito. Ah, se eu tirar sozinho na Megasena eu também ficaria um pouquinho contente.

A todos nós: FELIZ 2007

domingo, dezembro 24, 2006

Nada pode ser maior

Eu li por aí uma versão que os colorados fizeram para a letra da chatérrima e manjada música "Querência amada". Segue, então, uma quadrinha dizendo umas verdades. Só para verem com quem estão falando hehehe.

Meu caro irmão
essa tal felicidade
que sentes aí no Japão
trouxe-me uma saudade

Porém, ao contrário de ti
Não preciso de viagem global
Chego na Azenha, ali
E visito o meu memorial

Há anos eu vejo essa taça
Banhada com sangue do De León
E recheada de suor e raça

Os meus passos seguiste tu
Mas eu com a técnica de Renato
E tu, com a sorte de Gabiru

Mas há algo que esquecestes
Estranho, pois deverias saber de cor
Se o momento te favoreces
Nem de longe és o maior.

Admito, mesmo que com pesar
Tua vitória de tirar o chapéu
Não queiras, porém, comparar
A grandeza de nossos troféus

Seguiremos sendo IMORTAIS!!!

GRÊMIO, NADA PODE SER MAIOR!!!!

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Saudações de um gremista a um colorado

Todo mundo sabe que eu sou gremista. Isso não significa ser anticolorado. É legal tocar uma flauta leve ou aquela corneta saudável com os mais próximos numa situação pontual. Ir além disso, puxar brigas, discussões, partir para a ignorância é lamentável e não é do meu feitio. O Inter venceu o todo-poderoso Barcelona, num exemplo de superação. Isso é inegável.

Mas vale a pena tirar uma lasquinha, através de um texto que me mandaram e eu achei a mensagem saborosa...

Este é meu sentimento e não poderia ser diferente: ver um filho ganhar o mundo deixa um pai sempre orgulhoso e contente. Afinal, foram 23 anos ensinando passo a passo. Relembro hoje, neste dia, tudo que passaste para chegar aqui como teu pai já o fez. Anos difíceis de convivência. Lembro do teu semblante quando ganhastes uma bicicleta, quando a Juventude atrapalhava teus passos e teus sonhos, que, por vezes, morriam pela Boca...

Fui eu que te ensinei, com exemplos (que, bem verdade, muitas vezes o eram ignorados por ti), e, talvez por isso, demoraste tanto para chegar aqui,no caminho do mundo. Mas um pai releva tudo isso. Sempre.

Sempre soube que o filho rivalizaria com o pai buscando provar seu valor e buscar seu espaço. Mesmo que para isso faças igualzinho a ele. Relembro do teu choro, quando por vezes papai viajava a trabalho pelo mundo e deixava-te no quintal de casa, voltando com novas lições. Sempre trazia uma lembrancinha. E hoje vejo que não foram em vão. Aquelas surras que levaste quando guri serviu-te para que hoje, possas dizer que, acima de tudo, tens um pai orgulhoso, para que possas cantar que o teu pai é o maior. Foi em casa, que aprendestes a lição mais valiosa, para hoje chegar ao mundo como o teu velho o fez e mesmo sem um "muito obrigado"...

Nem mesmo um simples obrigado, posso ver nos teus olhos, lá no fundo, coisa que só pai vê no olhar do filho que, acima de tudo, tu tens orgulho do teu velho. Ah, e avisa tua mãe, que ano que vem vou viajar para o Japão, de novo. Agora estás grandinho para ficar solito, te trago uma lembrancinha de lá...novamente.

Abraços do teu pai, GREMIO FOOTBALL PORTO ALEGRENSE.

NÃO BASTA SER FORTE, AGUERRIDO E BRAVO TEM QUE SER O GRÊMIO!

E como eu venho dizendo aos co-irmãos: bem-vindos ao clube dos campeões mundiais.

P.S.: A terra ainda é azul. O único planeta vermelho que eu conheço é Marte.

And so this is Christmas

Natal é bom pra quem é criança. Nada mais lúdico do que um velhinho de barbas brancas, botas pretas e roupas vermelhas guiando um trenó puxado por renas e que distribui presentes de casa em casa entrando nas chaminés das residências.

Só que o tempo passa, a gente cresce e a aproximação do Natal vira sinônimo de festas de final de ano na firma, os malfadados amigos-secretos, o programa anual do Roberto Carlos na TV Globo e o estresse de ir às lojas e os lotadérrimos shopping centers para comprar (na última hora, é claro) "lembrancinhas" para presentear a família e as pessoas que a gente gosta. Haja saco. E grana. E o espírito natalino? E muitas vezes esquecemos de felicitar o "cara aquele" que aniversaria no dia 25 de dezembro e que, dizem, morreu na cruz para nos salvar. Mas que nada...

Época de Natal também é tempo de nostalgia das propagandas de rádio e de tevê que eu ouvia durante a minha infância. Jingles bem construídos e fáceis de cantar e que até hoje circulam na minha memória. Alguém se lembra?

Na Mesbla
Na Mesbla
O maior Natal do Brasil
(jingle das lojas Mesbla, meados dos anos 70)

Se a gente for legal
O que o Papai Noel vai dar?
Pra toda a família um presentão
Das lojas HM no Natal
Para mamãe para o papai pra todos nós
Papai noel vai escolher o que convém
Um bom Natal e felicidade
Nas lojas HM tudo tem
Bléin, bléin, bléin, blein
Lojas HM
(jingle das lojas Hermes Macedo, início dos anos 80)

Natal tem que ser assim
Alegria em todos os corações
Natal tem que ser feliz
Muitas festas muitas emoções
Por isso as Lojas Alfred têm
Um Natal especial
Primeiro pagamento é só
Depois do carnaval
(jingle das Lojas Alfred)

Mas o mais bonito de todos, com certeza, é...

Estrela brasileira no céu azul
Iluminando de norte a sul
Mensagem de amor e paz nasceu Jesus, já é Natal
Papai Noel voando a jato pelo céu
Trazendo um natal de felicidade
E um Ano Novo cheio de prosperidade
Varig, Varig, Varig
Cruzeiro, Cruzeiro
(jingle de Natal da Varig)

Oh, my god! Como sou descuidado...

Tá certo. Eu não sou lá muito disciplinado com o meu blog. Pobre Blog du Brisa... Às vezes eu o deixo meio de escanteio, amarelescendo, juntando pó na superfície ou criando mofo. Se o meu blog fosse um dog (ui, que trocadilho cretino!), coitado do meu cachorrinho. Morreria de sede e de inanição. Ou então explodiria de vontade de fazer xixi, já que o incompetente do seu dono não o levaria para passear e nem para satisafazer as suas necessidades biológicas tais como um cocozinho no canteiro de uma praça ou uma trepadinha com uma cadela no cio. Se o meu blog fosse um tamagoshi então...

Mas na verdade, o blog é uma exteriorização das minhas sensações. As poucas pessoas que confessam a mim ler essas mal-traçadas já notaram quando eu estou eufórico, quando eu estou monossilábico, taciturno e meditabundo ou então quando eu estive numa deprê fudidaça.

Como eu não tenho grana pra encarar uma terapia (acho que tomar passe num centro espírita ou então num terreiro de pretos-velhos é mais eficiente e muito mais hype), eu aproveito e exorcizo alguns fantasmas ao escrever no blog.

A razão do atraso em atualizar o blog é muito prosaica. A tal da falta de tempo. Sei lá, mas como um capricorniano altamente cerebral, perfeccionista e cuidadoso com aquilo que falo e (principalmente) com o que eu escrevo, queria poder dedicar numerosos minutos para fazer um troço qualificado. Mas eu sempre estou pensando no que escrever. Seja no banho, na fila do banco, no carro e até quando estou acompanhando uma audiência no gabinete do governador (que o pessoal do Palácio não me leia neste momento hehehe).

Mas vou prometer ser mais presente no meu próprio blog. Promessas, promessas, promises... Quem vive de promessa é santo. E eu não sou santo, meu senhor.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Molho

Placa na garganta, 38 graus de febre, aftas na boca, feridas nos lábios, falta de apetite, indisposição e dores pelo corpo. Eu estou que é o quadro da dor nesta semana! Fora a irritação de estar assim. Não gosto de ficar doente nem de estar com a saúde debilitada. É muito ruim isso.

Amigo secreto

Eu não sou um incentivador desses eventos de final de ano, os quais convencionou-se chamá-los de amigo secreto.

Há quase uma década eu não participo desse ritual hipócrita de troca de presentes. Eu sempre faço um esforço além das minhas possibilidades de presentear uma outra pessoa com alguma coisa boa. Eu gosto de dar presentes e geralmente eu capricho. Só que o contrário não acontece. Da penúltima vez que eu entrei num amigo secreto, eu ganhei um relógio-bibelô, bem ao estilo dos que são vendidos em lojas de 1,99. O presente durou poucas horas na minha mão, tal a fragiliadade do material e a qualidade do mesmo.

E o motivo pelo qual me afastei dos amigos secretos foi que eu simplesmente entrei num e não levei presente. Todo mundo saiu presenteado e o meu amigo secreto alegou mil e um motivos - doença na família, mudança, pagamento do IPVA, etc - mas me garantiu que até o dia 5 do mês seguinte (janeiro) eu estaria com o meu presente na mão. Isso foi em 1999. Até hoje estou na espera.

Isso é falta de respeito e de consideração. Desde então, mantenho a política de até participar das festinhas de fim de ano com os colegas de trabalho, mas sem amigo secreto. Até para me preservar do constrangimento de ter que tirar alguém que eu não gosto, não vou com a cara ou que não conheça direito. Pode ser coisa de criança, mas que é bom receber presentes, ah isso é.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Feriado frustrado

Por falar nisso, hoje é feriado e dia de reflexão em mais de 200 municípios brasileiros. Em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia, entre outros. Menos no Rio Grande do Sul, no estado mais caucasiano do país, é claro.

Aqui no Sul, os imigrantes alemães e italianos têm o seu dia, em 25 de julho, comemorado com feriado e festividades nas regiões da Serra e no Vale do Sinos.

Já o 20 de novembro não vingou como feriado municipal nos pampas.

E a tal "consciência negra"?

Para quem quer saber o que - exatamente - significa "consciência negra" encontrei este texto de autoria do advogado, compositor, filósofo e músico Nei Lopes. Melhor definição, impossível.

Consciência Negra é saber que, no Brasil de hoje, não existe ainda igualdade total entre os descendentes dos africanos que para cá vieram como escravos e os daqueles que vieram da Europa e da Ásia, como colonizadores e depois como imigrantes. Estes, já tiveram representantes em todos os escalões dos três poderes da República, inclusive na Presidência. E o povo negro, não!

Consciência Negra é compreender que isso acontece não por incapacidade intelectual ou de trabalho do povo negro e sim pelo que aconteceu após o fim da escravidão. Os ex-escravos foram "jogados fora", sem terra para plantar, sem emprego, sem teto - a não ser aqueles que permaneceram com seus antigos donos. E aqueles que já não eram mais ou não tinham sido escravos e ganhavam sua vida por conta própria foram perdendo seus lugares, até nas ocupações mais humildes, para os imigrantes que aqui chegavam.

Consciência Negra é entender que desde antes da escravidão criou-se uma literatura através da qual se infundiu na cabeça do brasileiro uma impressão irreal sobre o povo negro como um todo. De que nós somos feios, sujos e pouco inteligentes; que só queremos saber de festa e divertimento; que nossas religiões são infantis; que só somos bons para pegar no pesado, praticar esportes, fazer música e praticar sexo. E muitos negros acreditaram nisso.

Consciência Negra é aprender como negar isso tudo: estudando a História da África, desde o Egito, passando pelos grandes impérios oeste-africanos da Idade Média; tomando conhecimento de que as concepções religiosas africanas têm um profundo fundamento filosófico, como foi inclusive comprovados por padres europeus que as estudaram.

Consciência Negra é saber que o povo negro não resistiu passivamente à escravidão e usou de todos os meios ao seu alcance para se libertar. É saber também que houve negros que lucraram com o tráfico de escravos, a partir do século 17; mas que, essa modalidade de escravidão, foram os europeus que levaram para a África.

Consciência Negra é, hoje, perceber que os que lutam contra a adoção de políticas de ação afirmativa contra o racismo e a exclusão do povo negro (como a chamada "política de cotas") são pessoas que não querem perder os privilégios de que desfrutam, com o possível ingresso em seus "reinados" (caso de alguns professores universitários que fizeram carreira estudando o "problema do negro") de concorrentes até mais bem preparados, pela própria vivência do problema.

Consciência Negra é, enfim, entender que o conceito de "negro" é hoje um conceito político, que engloba pretos, pardos, mulatos (menos ou mais claros) desde que se aceitem como tal e estejam dispostos a dar um basta no que hoje se vê nas telenovelas, nas profissões mais lucrativas, nas gerências empresariais, nos altos escalões de decisão, nos espaços de prestígio e de formação de opinião, nos locais onde se concentra a renda nacional. E o que se vê nesses lugares e situações é um Brasil que não corresponde à realidade de sua população, na qual mais de 60% são descendentes, próximos ou não, dos africanos aqui escravizados.

Valeu, Zumbi!

terça-feira, novembro 14, 2006

Semana de samba

Semana movimentada pra galera do samba. Pena que é tudo junto acontecendo quase ao mesmo tempo.

Na sexta, dia 11, estiveram aqui em Poa Zeca Pagodinho, Luis Carlos da Vila, Carlinhos de Jesus e a mostra de samba enredo para 2007.

Esta semana tem o Wantuir da Unidos da Tijuca e o Dominguinhos do Estácio, que está na Viradouro.

Tem vezes que não tem nada. E quando tem, é tudo na mesma hora.

Feriado na quarta

Feriado em meio de semana é estranho. Pode soar engraçado alguém criticar uma folga em pleno dia útil. Tá, mas que é estranho um feriado na quarta-feira, é estranho. A semana fica diferente. Uma pausa bem no meio. Não dá pra pirar muito quando um feriado acontece na quarta.

Quando o feriado cai numa segunda ou sexta, já sabemos! A sabedoria chama isso de feriadão (feriado num dia útil + o fim de semana). Se cai numa terça ou numa quinta, eu acho bom. Tá bom, a gente trampa no dia ensanduichado (segunda ou sexta), mas a gente meio que consegue empurrar com a barriga. Mas na quartam, não se tem muita diversidade.

Pior mesmo é o feriado que cai no fim de semana. Se o feriado acontece no sábado, o fim de semana passa a ter, na verdade, dois domingos, porque o comércio fecha e a cidade fica deserta. Se cai num domingo, meu Deus! É chover no molhado, um feriado posto fora.

Mas vamos curtir essa folguinha do dia 15 de novembro (a última do ano, fora o indefectível 25 de Dezembro - Natal) e aproveitar da melhor maneira possível. Dormindo, passeando nas praças, visitando os amigos, namorando, lendo um bom livro, escutando um bom CD, assistindo um bom filme. Ou simplesmente a melhor de todas as diversões: vivendo.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Por que "afoxé"?

Um conhecido me perguntou o significa o "afoxé" no endereço do "Blog du Brisa"...

Bem, os nomes que eu dou para as minhas coisas não são tão originais assim devido à minha fértil imaginação. Acho que é mais pelo inusitado da coisa.

O afoxé tem três significados. Pode ser um ritmo, um instrumento musical e tem um significado religioso.

No ritmo, o afoxé em alguns lugares também é conhecido como Igexá. Afoxé é um ritmo do candomblé. A marcação do agogô é sua batida característica, tornando esse ritmo facilmente identificável. O Afoxé se tornou popular, principalmente pela atuação do grupo baiano Filhos de Gandi. Cantores renomados como Gilberto Gil, Clara Nunes, Maria Bethânia e Caetano Veloso também interpretam afoxés, contrubuindo também para a difusão do ritmo.

O afoxé instrumento musical é composto de uma cabaça pequena redonda, recoberta com uma rede de bolinhas de plástico. Pode ser de madeira e/ou plástico com miçangas ou contas ao redor de seu corpo. O som é produzido quando se gira as miçangas em um sentido, e a extremidade do instrumento (o cabo) no sentido oposto. Antigamente era tocado apenas em centros de umbanda e no samba. Atualmente, o afoxé ganhou espaço no reggae, música pop e na chamada "axé music".

E na questão religiosa, o afoxé, também chamado de "candomblé de rua" - é um cortejo de rua que sai durante o carnaval. Sua origem remonta a uma tradição milenar africana: os caminhos sagrados para chegar aos orixás. As principais características são as roupas, nas cores destas divindades africanas, as cantigas em dialeto iorubá, instrumentos de percussão, atabaques, agogôs, afoxés e xequerês. Podem ser encontrados no carnaval da Bahia, em Salvador, e nas cidades de Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

Quando eu estava procurando um nome para o blog, eu estava escutando um antigo samba enredo, de uma escola de samba de Niterói chamada Acadêmicos do Cubango. O nome do samba era justamente "Afoxé", um belíssimo samba. Achei legal o nome, oportuno e aí está.

Quem quiser conferir o "samba que deu origem à série", estejam à vontade...

http://rapidshare.com/files/2722853/cubango1979.mp3

Autores: Heraldo Faria e João Belém

Abrindo o portão imaginário
Do longínquo solo africano
A Cubango traz para o cenário
Afoxé, tema original
Do reino de Oloxum
Na festa de Domurixá
Em homenagem a Oxun
Deusa da nação Ijexá
Onde a figura principal
Era o boneco Babalotim
Mensageiro da alegria, da força do axé
Um ídolo menino, levado por menino em sua fé
E assim teve origem o afoxé

Afoxé lorin, é lorin
Afoxé loriô, é loriô

Nesta festa desfilavam com riquezas
Os soberanos orientais
O advinho joga búzios com presteza
Desvendando o futuro e o que ficou pra traz
Tem as cortes dos Reis Lobossi e Obá Alaké
Xangô em seu camelo sagrado
Esta é a história do afoxé
Que hoje desfila pelas ruas em rituais
Louvando os orixás

Ofi la laê, Olê loá
Ofi la laê, Olê loá

quarta-feira, novembro 08, 2006

Ah, a tal liberdade não existe...

Dias atrás comecei a filosofar. Mas então: o que vem a ser essa tal de liberdade? Alguém é possível ser totalmente livre? Nunca vi ninguém vestindo uma t-shirt com os dizeres: 100% FREE. Também, e se eu encontasse, iria querer saber qual a fórmula mágica para se atingir tal estado.

Nunca estamos totalmente livres. Estamos presos a relacionamentos (namoro, noivado, casamento) ou a ausência destes (separação, divórcio). Não por acaso, nos envolvemos em "laços" afetivos, o que já determina as amarras. Estamos presos a quem está aí e a quem já se foi. Estamos presos à saudade. Estamos presos à necessidade de trabalhar, produzir e labutar. Estamos presos ao cartão de crédito. Estamos presos aos impostos. Estamos presos às regras impostas para conviver em sociedade. Alguns estão presos ao fumo e à bebida. Outros estão presos ao sexo.

Um amigo doidão que eu tive uma vez me disse que, para se libertar, ele viajava, fazendo a cabeça. No entanto, ficou incorrigivelmente preso às drogas. Deve ser uma tristeza viver preso a uma cama de hospital. Deus nos livre! Ou presos às ferragens de um automóvel após um acidente. Igualmente ruim seria viver preso a correntes, gaiolas ou coleiras.

Creio que a liberdade plena é um prêmio a ser conquistado, mas que se mostra inacessível.