domingo, novembro 20, 2011

Dom Gílio recebe o Troféu Zumbi/2011

Dom Gílio Felício (dir) recebendo o Troféu Zumbi do presidente da Associação Satélite-Prontidão, Nilo Feijó.
Foto: Divulgação/ASP



O amigo e confrade Antonio Carlos Côrtes enviou este texto em função da cerimônia de entrega do Troféu Zumbi ao bispo Dom Gílio Felício, na Associação Satélite-Prontidão, em Porto Alegre, no dia 20 de novembro, quando se celebra o Dia da Consciência Negra. Estive envolvido em dois concursos e infelizmente não pude participar, mas coloco à disposição o Blog du Brisa para fazer o registro da merecidíssima homenagem.

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O bispo Dom Gílio Felício, da Diocese de Bagé, recebeu na noite deste domingo, 20, o Troféu Zumbi. Promovida pela Associação Satélite-Prontidão, a homenagem tem o objetivo de reverenciar as pessoas que têm lutado pela valorização da cultura dos negros na sociedade brasileira.

Conforme a professora Vera Triumpho, na saudação ao homenageado, “Dom Gílio tem sido um herói para o povo negro, pois, com o poder que possui como uma autoridade religiosa, consegue realizar ações para qualificar a comunidade negra.”

O homenageado

Nascido no município de Sério (RS), Dom Gílio é o único bispo negro do Estado do Rio Grande do Sul. Sua ordenação como padre ocorreu em 1978, e a indicação como bispo foi em 1998, pelo então Papa João Paulo II. Ganhou notoriedade na cidade de Santa Cruz do Sul por celebrar missas usando coloridos trajes africanos e por dançar com os fiéis. No ofertório, incluía pipoca, frutas, pão caseiro e instrumentos de trabalho que lembravam a época da escravidão. “O povo precisa, quer e merece ser respeitado por seus valores culturais, sociais e religiosos, pois enriquece a Igreja e o mundo”, ressaltou ele.

Dom Gílio ressaltou, também, a necessidade de se dar atenção ao Continente Africano. “A África grita por ajuda, e temos que cooperar para que haja vida em abundância para cada um e todos, pois este é o objetivo da Igreja”, salientou Dom Gílio. Ainda segundo ele, “a maioria dos negros está à margem do festim da vida”, e precisamos mudar essa situação. Na mesma noite, a Associação prestou homenagem póstuma ao maestro Manoel Luiz Mota Dias, cidadão emérito de Porto Alegre (2004).

Participaram do evento na nova sede da Associação, na Rua Alberto Rangel, 528, Parque dos Maias, o presidente da entidade, Nilo Alberto Feijó, a coordenação do Gabinete de Políticas Públicas para o Povo Negro de Porto Alegre, representantes dos clubes Farrapos e Teresópolis Tênis Clube e demais convidados.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Trick or treat?




Hoje observei que o nosso país segue não fazendo nada para deixar de ser um arremedo de quinta categoria dos irmãos do Norte. As crianças do meu condomínio passaram o dia brincando de Halloween e batendo nas portas dos apartamentos gritando "DOCES OU TRAVESSURAS?". Eu, que tenho o coração mole que nem manteiga, doei minha barra de Alpino àqueles erezinhos.

Mas, depois, o Brisa lembrou dos tempos de sua tenra idade quando as crianças se divertiam recebendo balas e guloseimas no dia 27 de setembro, dia de São Cosme e São Damião, festa brazuca que é mto mais legal do que a tal celebração aculturada de bruxinhas e abóboras demoníacas.




domingo, outubro 02, 2011

O barulho do Seu Cláudio


Cláudio Custódio dos Santos é um dos nomes seminais do samba porto-alegrense. Dono de uma voz de timbre agradável caracterizado por uma maciez vocal, o popular Cláudio Barulho fez história cantando na noite e no carnaval da Capital.

Na noite, cantou em todos os bares famosos da cidade: Gente da Noite, Pandeiro de Prata, Casa de Samba Evolução, Carinhoso, etc. No carnaval, nos últimos 30 anos, deteve o microfone número 1 de várias agremiações: Restinga, Imperadores do Samba, Império da Zona Norte, Figueira, Praiana, Embaixadores do Ritmo, só para citar algumas. Antes disso, no início da década de 1970, o talentoso negãozinho e praça do Exército exercitava seus dotes artísticos e instrumentais na banda de música do antigo 18º Regimento de Infantaria Motorizada (na avenida Bento Gonçalves, onde hoje está o TecnoPuc).

E agora, finalmente, o músico lança seu primeiro CD, Cantar samba é..., cujo show de lançamento acontece na terça-feira, dia 4, no Teatro da Cia das Artes. Ainda não escutei o disco, mas com certeza, o repertório deve estar recheado de pagodes pegados e sambas dolentes, daqueles que só o Barulho sabe cantar. O show será gravado por uma equipe da TVE/Canal 7 e será exibido no programa Palcos da Vida a partir do dia 15 de outubro.

Ah, e para quem for ao show e adquirir o CD, fica a dica: o que o Cláudio faz, é música de qualidade. Não tem nada a ver com uns "barulhos" que se ouvem por aí.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

O pierrô está de volta

O Pierrô está de volta. É que ele andou bancando o cafa por uns tempos. Novamente solteiro, o pierrô resolveu deixar de lado o alaúde e parou de cantar para sua amada lua. Achou que aquela lágrima pintada que escorria-lhe pelo olhos era muito baixo astral e que não combinava com a sua nova postura. Não quero ser Robert Smith, porra! Qual mulher iria prestar atenção num cara desses? Ainda mais a Colombina? Sem chance...

E o pierrô resolveu cafajestear, afinal, a situação faz o cafajeste. Nunca viu tanta mulher solteira e "dando banda" na night. Marcou encontro com solteiras em sites de relacionamentos. Adicionou gente pra dedéu nas redes sociais. Foi apresentado às amigas encalhadas de outras amigas igualmente encalhadas. Contou muitas verdades e meias-verdades. Mas também mentiu muito, afinal, uma boa conversa entre amigos e/ou pretensoso amantes só é boa se regada a boas doses de risadas e de mentiras. Nem que seja de mentiras sinceras. E estas, me interessam...

O pierrô estava que era um poço de romantismo. Distribuía carinhos despudoradamente em todos os cantos por que passava. Atiçou a curiosidade de mulheres mais velhas, despertou o interesse por mulheres de sua geração, era admirado pelas gatinhas e patricinhas dos shoppings. O pierrô esbanjava verve e inspiração. Palavras românticas jorravam aos borbotões. O pierrô estava no auge da carreira. Praticamente um Ronaldinho Gaúcho dos tempos do Barcelona ou um Zidane na época em que perturbava o sono dos brasileiros. Só fazia gol de placa e se dava bem. Ô, se davam.

Mas o pierrô também sabe que não dá para ficar nessas aí por muito tempo. Sabe que é bom voltar para o ninho de quando em vez. O alaúde não pode ficar de lado. A amada lua precisa dos seus acordes. E após breve período de diversão, eis o pierrô novamente.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Bah, desisti!


Ok, confesso que já sonhei em ter a chamada barriga tanquinho. Aliás, até já tive um abdômen definido, musculatura fortalecida, estilo "tábua" e quase zero de taxa de gordura.

Na época do Colégio Militar, durante o 2º grau, malhar era a palavra de ordem. Não no sentido de "ordem", de ser obrigado, mas é que com 16, 17, 18 anos, é natural que um rapaz adolescente queira ter um corpo legal. E além disso, nós fazíamos educação física três vezes por semana, englobando corridas ao redor da Redenção, ginástica, práticas desportivas, testes de aptidão, musculação, fora as ordens unidas e os tradicionais "marcha-soldado".

Passada a fase escolar, houve um natural relaxamento. As atividades físicas começam a rarear: vem a faculdade, o trabalho (às vezes até com jornada dupla), vêm as festas, e pronto! Tudo aquilo que foi plantado na pós-adolescência afunda nas profundezas do sedentarismo e da preguiça. E aí, bye-bye, barriga sarada.

Eu já desisti de voltar a ter um abdômen cheio de gominhos, tipo os caras que fazem comercial de cueca. Até porque a minha profissão não requer um corpo perfeito. Se eu fosse modelo, aí sim, teria que caprichar, porque o meu corpo seria meu instrumento de trabalho. Mas não é nada fácil manter uma barriga tanquinho. Além da questão genética, não se pode descartar a atividade física e (tchan-tchan-tchan) alimentação! Nada de doces, refris, gorduras. Vícios, tais como cigarro, álcool ou drogas, nem pensar! Ou seja, o preço é altíssimo.

E, lógico, tem o detalhe da danada da preguiça. Com certeza, a aparência de “tanquinho” pode atrair a mulherada, mas é um preço alto a ser pago, em nome da vaidade ou do narcisismo. Mas ao menos tenho o cuidado de não deixar criar pança, nem a tal da barriguinha de chope, porque aí é decadência total. Pena que a ginástica que eu faço em pensamento não refletiu o resultado necessário de uma barriga sarada. Mas juro que vou pensar no assunto e tomar vergonha na cara, já que com o avanço da idade, a tendência é piorar e é muito caro e arriscado fazer uma lipo.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Renascer das cinzas


Vamos renascer das cinzas
Plantar de novo o arvoredo
Bom calor nas mãos unidas
Na cabeça de um grande enredo
Ala de compositores
Mandando o samba no terreiro
Cabrocha sambando
Cuíca roncando
Viola e pandeiro
No meio da quadra
Pela madrugada
Um senhor partideiro

(Renascer das cinzas - Zé Catimba, Martinho da Vila)

Um incêndio de grandes proporções atingiu a Cidade do Samba nesta segunda-feira. O fogo destruiu os barracões da Liesa, da Ilha, da Grande Rio e da Portela. A escola com maior prejuízo foi a Grande Rio. Apesar dos danos, o desfile vai acontecer com todas as agremiações no Carnaval. Não haverá rebaixamento.

Beijos de arame farpado



Naqueles dias
Todo dia eu renascia
Na pele dos teus lábios
E trazia comigo uma oração
Pros tumultos da paz
Porque naqueles dias
Eu te amava demais

Eram dias de pura luz
Refletindo nos metais
E pelos nossos beijos
Caravelas e língua passeavam
Em delírios fluviais
Amor à luz de velas
Mensagem na garrafa perdida
Vinda na saliva de outros carnavais

Mas hoje em dia meu amor
Nossos beijos tem sabor enferrujado
E nos machucam a boca
Feito arame farpado

Meus cabelos já cresceram
E eu não vi passar
Nem pétala, nem rastro
Daqueles dias
Sobre os nossos ombros, nunca mais pousaram os anjos

Apenas os escombros
Sobre os nossos ombros
Nunca mais pousaram os anjos
Apenas os escombros

Beijos de arame farpado (Dé, Sérgio Serra e Ezequiel Neves)

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Louvações à Rainha do Aiuká



Uma pedra, uma concha, pedra e concha tem areia
Quem mora no fundo do mar é sereia.´
Louvando a Rainha do Aiuká
Saravá, mamãe sereia
Odoyá minha mãe
Iemanjá.


quinta-feira, janeiro 27, 2011

Ah, a tal liberdade não existe...


Quando a inspiração se nega a me visitar, vou passar a republicar alguns posts do blog que eu acho maneiro. Este eu escrevi há mais de cinco anos e acho legal e tudo a ver com meu momento. Dizia assim...

Dias atrás comecei a filosofar. Mas então: o que vem a ser essa tal de liberdade? Alguém é possível ser totalmente livre? Nunca vi ninguém vestindo uma t-shirt com os dizeres: 100% FREE. Também, e se eu encontasse, iria querer saber qual a fórmula mágica para se atingir tal estado.

Nunca estamos totalmente livres. Estamos presos a relacionamentos (namoro, noivado, casamento) ou a ausência destes (separação, divórcio). Não por acaso, nos envolvemos em "laços" afetivos, o que já determina as amarras. Estamos presos a quem está aí e a quem já se foi. Estamos presos à saudade. Estamos presos à necessidade de trabalhar, produzir e labutar. Estamos presos ao cartão de crédito. Estamos presos aos impostos. Estamos presos às regras impostas para conviver em sociedade. Alguns estão presos ao fumo e à bebida. Outros estão presos ao sexo.

Um amigo doidão que eu tive uma vez me disse que, para se libertar, ele viajava, fazendo a cabeça. No entanto, ficou incorrigivelmente preso às drogas. Deve ser uma tristeza viver preso a uma cama de hospital. Deus nos livre! Ou presos às ferragens de um automóvel após um acidente. Igualmente ruim seria viver preso a correntes, gaiolas ou coleiras.

Creio que a liberdade plena é um prêmio a ser conquistado, mas que se mostra inacessível.

Publicado originalmente no 1º semestre de 2006 no Blog du Brisa.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Pequeno Grande Amor - Papas da Língua (ao vivo)



Noh Noh Noh Noh Ioh
Noh Noh Ioh
Noh Noh, Noh Noh
Noh Noh Noh Noh Ioh
Noh Noh Ioh, Noh Noh(2x)

Meu amor
Pequeno, grande amor
Que mora longe
Numa branca estrela

Me fará sorrir
Me fará chorar
Quando ele chegar
Quero estar aqui (2x)

Viaja, na cauda
De um cometa
Vem na velocidade
De um desejo meu

Que me enfeitiçou
Que me acorrentou
Quando ele chegar
Quero estar aqui (2x)

Tempo, tempo, tempo
Da minha cabeça
Tempo, tempo, tempo
Desapareça
Desapareça!

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Dia Mundial de Combate à Aids


A escolha da data de ‎1º de dezembro em Dia Mundial de Luta Contra a Aids foi uma decisão da Assembleia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids.


O laço vermelho foi escolhido por causa de sua ligação ao sangue e à ideia de paixão, afirma Frank Moore, do grupo Visual Aids, e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados norte-americanos na Guerra do Golfo. As atividades desenvolvidas nesse dia visam divulgar mensagens de esperança, solidariedade, prevenção e incentivar novos compromissos com essa luta.


Para esta semana, a MTV Brasil preparou uma programação especial para marcar o Dia de Prevenção à Aids. Vale a pena conferir (clique aqui).

Solidão (Alceu Valença)

Essa música do Alceu Valença é uma verdadeira obra-prima.





Solidão

A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.

A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.

A solidão é fera,
É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.

A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.

A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.

A solidão é fera,
É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.

A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.

sexta-feira, novembro 19, 2010

Que tal música africana?

Dia desses, em um momento de descontração no trabalho, um colega comentou que estava cansado de ouvir as musiquinhas que tocam nas FMs e nas emissoras musicais que pululam por aí. O amigo disse que não tinha mais paciência para letrinhas e melodias toscas e visuais coloridinhos. E falou em alto e bom tom: não há mais criatividade na música.

Cai o pano.

Depois disso, comecei a pensar que a indústria cultural realmente massifica. O jabaculê se espalha nas emissoras de rádio e tevê feito tumor em metástase. Resta a quem tem um gosto mais apurado ou que não aceita qualquer coisa, ir atrás da informação, ir atrás da boa música e da boa arte. Sim, pessoal, isso é possível.

Lógico que há um preço pelo refino e pelo bom gosto. Mas, filé mignon custa caro não é?

Os set lists das programações musicais das rádios são sempre o que vem ditado pelas majors norte-americanas e inglesas, respaldados pelas revistas ditas especializadas. Se a gravadora lançou e a revista carimbou que é legal, então, o brasileiro que engula o sucesso de popezinhos descartáveis e pouco inventivos. As rádios só consideram 3 tipos de música: a que vem dos EUA, a que vem da Inglaterra e a MPB. Os verdadeiros e bons artistas estão alijados do cenário. Nos EUA e na Inglaterra, os hit parades estão tomados por grupelhos teenagers, rappers com cara de gangsters e físico de lutadores de box e bandas de rock barulhentas e deseafinadas. Aqui no Brasil... bem, só citar o exemplo de "créus" e "rebolations" são suficientes.

Apesar da vizinhança territorial com dez países da América do Sul (Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela), muito pouco ou quase nada se conhece, se sabe ou se escuta da riquíssima música dessas nações.

Eu, por exemplo, sou um fã declarado da música latino americana e caribenha. Passei também a procurar e pesquisar na fonte a música popular africana, que é vasta e variada. Muitos gêneros de música popular como blues, jazz, salsa, rumba, reggae e o samba (ou seja, praticamente tudo que inclua ritmos) derivam em diversos graus das musicais tradicionais da África, levadas para as Américas por escravos africanos. Alguns, por puro preconceito, classificam a música que não é feita nos EUA ou Inglaterra com o ridículo rótulo de "world music".

Portanto, para quem se interessa em pesquisar ou simplesmente para atiçar a curiosidade musical, indico nomes como: Ali Farka Touré (guitarrista do Mali), soukous (estilo do Congo), Fela Kuti (artista fudamental da Nigéria), afro-beat, juju music (Nigéria), jive (África do Sul), Salif Keita (cantor do Senegal), Youssou N'Dour (Senegal), Tubarões (Angola), Papa Wemba (Congo), Tartit (norte da África-Tuaregs), Angelique Kidjo (Benin), makossa (Camarões), Ebenezer Obey (Nigéria), King Sunny Ade (Nigéria), Lura (Cabo Verde), Richard Bonna (Camarões).










quarta-feira, novembro 03, 2010

Novas mandingas do Nei


O escritor, compositor, carioca, suburbano e amigo Nei Lopes - e um dos ídolos do Brisa - retorna ao Alegre Porto, para novamente uma sessão de autógrafos na Feira do Livro. O Velho do Lote (como o próprio se autointitula) estará aqui no próximo dia 05 de novembro, sexta-feira, às 14h30, na Praça de Autógrafos, na Praça da Alfândega, onde lançará seu primeiro romance, Mandingas da mulata velha na Cidade Nova, pela Editora Língua Nova.

Com 23 livros no currículo, Nei também joga nas posições de lexicógrafo, etimologista, enciclopedista e compositor. Mandingas... é uma ficção inspirada na vida de Tia Ciata, personagem fundamental da cultura afro-brasileira.

Compositor consagrado da MPB, teve sucessos gravados por ícones da música brasileira do quilate de Roberto Ribeiro, Zeca Pagodinho, Alcione, Grupo Fundo de Quintal, Clara Nunes, Gilberto Gil, Beth Carvalho, João Nogueira, Jair Rodrigues, Zezé Mota, Dudu Nobre, entre muitos outros. É autor de clássicos como Judia de mim, Gostoso veneno, Goiabada Cascão, Coisa da antiga, Raio de luar, Gotas de veneno, Senhora Liberdade, só para citar alguns.

Estive com Nei quando da sua vinda à feira em 2008. Naquela oportunidade, e com zero de divulgação, o carioca lançou Kofi e o menino do fogo, livro no qual se aventurou pela literatura infanto-juvenil. Durante quase 1 hora conversamos com muito bom humor sobre os mais diversos assuntos, mas confesso que fiquei um pouco envergonhado de tão pouquíssima gente ter sido avisada sobre a presença do cara por aqui. Enquanto isso, um sem-número de queridinhos da mídia (alguns sem um pingo de talento literário, é verdade) ocupavam listas dos mais vendidos e tinham filas formadas com analfabetos funcionais à procura de uma rubrica. Acredito que um intelectual do porte de Nei Lopes merece a atenção da nossa comunidade afrodescendente porto-alegrense e gaúcha.

Aos que puderem multiplicar a divulgação, comparecer e prestigiar o evento, fica o meu agradecimento. E o do Nei também

terça-feira, outubro 26, 2010

Pierrô indomável


* "Sentado na lua pra te ver passar
Um Pierrot a dedilhar nossa canção
"

Meu amigo Manfredinho é um cara romântico. Mais. É um cara ultrarromântico. Tivesse nascido no século 18 seria um poeta ao estilo Álvares de Azevedo, um Casemiro de Abreu. É do tipo que sofre por mulher. Praticamente um pierrô. Daqueles que dedilha suaves melodias em um alaúde olhando para o luar.

Manfredinho não estava feliz no seu relacionamento. Rapaz trabalhador, porém, de origem humilde, batalhava na agrura do dia a dia. Porém, os pais de sua namorada não o consideravam "à altura" de desposar sua filha. Sabe como é, família de posses, poderiam achar que o cara queria dar um golpe do baú, ser sustentado, sogro e cunhada não lhe viam com bons olhos, etc. Ao saber e perceber isso, Manfredinho ficou bem mal, tal qual um palhaço melancólico saído da Commedia dell'arte. Nunca antes na história deste país sentiu esse tipo de desgosto. Pensou até em terminar com a namorada. Sacrificaria seu relacionamento, mas manteria sua dignidade. Quem é que não quer ser feliz?, já perguntava Edivaldo Santana.

Nesse tempo de carência, Manfredinho se reaproximou de Lenara, uma ex-colega de trabalho. Os dois nutriam há tempos uma bela amizade um pelo outro, mas, até então era tão somente amizade. Falante, bem humorada e extrovertida. E bonita. Sim, bonita, com atitude e sex-appeal. Assim era Lenara, que divertia bastante Manfredinho. Uma verdadeira colombina. Trocaram papos. Trocaram ideias. Trocaram confidências. Trocaram carícias. Até beijos trocaram. Mas, assim ó, sem compromisso, visse?

- Que legal. Achei uma nova razão para viver!, exultava Manfredinho, enquanto seu relacionamento com a namo descia ladeira abaixo. O fato de passar a gostar de Lenara rendeu vários encontros, boas risadas, alguns beijos e a agradável sensação de novamente ser bem-quisto e amado por alguém.

Tava tudo muito bom, tava tudo muito bem, mas... sempre tem que ter um "mas", não é mesmo? Alegando ter reencontrado um ex-grande amor que jazia inerte nas profundezas do passado, Lenara resolve dar uma segunda chance ao hellraiser. E, novamente, nosso pierrô fica sem a paixão de uma colombina.

Manfredinho aceitou que Lenara fosse atrás de seu antigo amor, mas gostaria de continuar tendo acesso àquelas conversas sempre regadas de bom humor, inteligência e amizade, tão bem alicerçadas num momento delicado. O fato de Manfredinho ter aceitado numa boa parece que até rendeu comentários elogiosos junto às miguxas da moça, frisando a maturidade do dito cujo. Mas em seguida, Lenara afastou-se. Foi embora da vida de Manfredinho que nem chuva de verão. E isso não estava previsto no script, Mr. Hitchcock!

- Por que você sumiu?, indagou nosso tolo personagem em alguns caracteres redigidos às pressas em uma beócia e ingênua mensagem SMS. Perguntou na boa, sempre nenhum tipo de cobrança, afinal, eram apenas bons amigos e isso tinha ficado bem claro. Ou melhor, tinha ficado tácito. Ninguém quer sofrer a perda de uma amizade.

A menina parece que não curtiu muito essa "cobrança". Dizem até que a moça comentou o assunto com as miguxas, salientando a imaturidade do dito cujo. "Ah, se fosse eu que tivesse feito isso", pensou o clown. "Se é um homem que faz isso - acender a paixão de uma mulher e depois se afastar - o cara é um insensível, um oportunista que deixa os corações femininos em frangalhos e é classificado com toda uma série de impropérios sob a óptica das indefesas damas". Mas como é uma dama a fazer isso, entonces, let it be.

Mas Manfredinho é um pierrô indomável. Voltou a dedilhar seu alaúde, olhando para o céu, mirando a lua, entoando uma cantiga dolente para sua colombina imaginária e perdoando as amebas do mal.
Mais romântico, impossível.

* Meu agradecimento aos compositores Rodrigo Raposa, James Bernardes, Leandro Kfé, Júnior Santana e Thiago Meiners, autores dos versos que ilustraram e inspiraram este miniconto.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Eu voltei, pras coisas que eu deixei...




Uau! Tá fazendo 2 meses que não me digno a postar nada por aqui. Mas não foi por falta de assunto, não! Foi um misto de falta de tempo com preguiça (ah, essa danada!).

Mas vamos recapitular...desde a última postagem no Blog até hoje, aconteceram várias coisas boas! Primeiro, durante todo o mês de setembro e até o dia 3 de outubro, participei da campanha eleitoral, como assessor de imprensa de um candidato ao governo do Estado. Trinta dias que pareceram três meses, de tão intensos que foram. Viagens para o interior do Rio Grande do Sul, produção de releases, idas a entrevistas a emissoras de rádio e tevê, jornais, acompanhamento a debates, panfletagens e muitas (mas muitas mesmo!) noites mal-dormidas e sono atrasado. Por estar em um partido com pequena estrutura em nível estadual e até nacional, o candidato que assessorei obviamente não venceu a eleição, mas foi uma experiência superboa, apesar de ter dormido, em média, 4 horas por noite durante exatos 30 dias.

Mas considero que foi uma espécie de prova dos nove pra mim para perceber que é preciso ser casca-grossa para trabalhar em campanha política em época de eleição. Primeiro, porque todos - e eu disse TODOS - os candidatos a cargos eletivos querem sempre os espaços mais nobres de rádio, tevê e jornal e acham sempre que a imprensa não os estão favorecendo, e estão sempre favorecendo "os outros". Depois, porque os candidatos, na verdade, querem que os assessores sejam meros executores de tarefas, e não pessoas que podem contribuir com ideias e contrapor com iniciativas que podem não dar resultados. Tudo isso porque os candidatos deixam de lado o know-how de quem conhece em função de se deixar levar por suas respectivas "intuições políticas" - que eu, particularmente, chamo de achismo, chutologia ou biduzagem. Quem se elegeu por intuição política, que eu saiba, foi o Tiririca.

Mas, enfim, o trabalho foi feito e a grana do cachê está na minha conta bancária (graças a Deus!). Aliás, para o nível de trabalho, estresse e fatos muitas vezes sem-noção que temos que enfrentar, a remuneração é bem aquém do que se merece. No meio deste turbilhão, ainda arranjei tempo para fazer um freela acompanhando o dia do voluntariado dos funcionários de uma grande empresa de telefonia. Também rendeu um dindim extra (uêba!).

Por fim, mas não menos importante, a boa notícia para as pessoas que sempre torcem e torceram por mim. Estou novamente empregado!!! No dia seguinte à realização do primeiro turno das eleições, fui contratado pela Ulbra TV para atuar no setor de EAD (Educação a Distância), onde sou apresentador e repórter. Como diria aquela música do Cidade Negra: você não sabe o quanto eu caminhei para chegar até aqui. Outra hora eu conto.

Bueno, estas são as novidades, que narrei muito au passant. Mas o importante é que eu voltei pras coisas que eu deixei!

sexta-feira, agosto 27, 2010

Quem vive de promessa é santo...e eu não sou santo, meu senhor!

Estamos em plena campanha política, horário eleitoral gratuito - e obrigatório - invadindo os espaços nobres das emissoras de rádio e TV e um sem-número de candidatos (muitos deles completamente despreparados) querendo vagas e cadeiras para se locupletarem nas assembléias legislativas, no Congresso e nas sedes dos governos estadual e federal.

Saúde, educação, cidadania e inclusão social são os temos mais pronunciados - e desgastados - na propaganda de suas excelências. É muito papo furado, bla-bla-blá e conversa para boi dormir.

Com isso, me lembrei de um antigo samba enredo que a simpática escola carioca Caprichosos de Pilares desfilou no carnaval de 1987, chamado "Eu prometo". A agremiação chamava a atenção do folião-eleitor contra os políticos oportunistas e corruptos que queriam uma vaga na assembléia Constituite daquele ano e que não desperdiçassem seu voto. O samba traz na letra alguns termos datados - "Constituinte", "cruzados" - mas o conceito permanece atual.

Segue a letra do samba, composto por Evandro Bóia, Naldo do Cavaco e Toninho 70, e cantado pelo inesquecível Carlinhos de Pilares, nessa vinheta do carnaval Globeleza. Ajoelhou, tem que rezar.




G.R.E.S. CAPRICHOSOS DE PILARES
Samba-Enredo 1987

Eu prometo (Ajoelhou, tem que rezar...)

autores: Evandro Boia, Naldo do Cavaco, Toninho 70

Estou cansado de ser enganado
Papo furado e demagogia
Não vão encher (o quê)
A minha barriga vazia
Espero da constituinte
Em minha mesa muito pão
Uma poupança cheia de Cruzados
E um Carnaval com muita paz no coração

Vou deitar, rolar
Pular feliz (bis)
Essa é a vida
Que eu sempre quis

Vamos, meu povo
Democracia é participar
Vote, canta, grite
É tempo de mudar
Quem vive de promessa é Santo
E eu não sou Santo, meu senhor

Seu deputado, eu votei
Agora posso exigir
Quero ver você cumprir
Seu lero-lero, blá, blá, blá
Conversa mole isso aí
É papo pra boi dormir

Ajoelhou tem que rezar
Não quero mais viver de ilusão (de ilusão) (bis)
Você prometeu
Agora vai ter que pagar
Não vai me deixar na mão

sábado, agosto 14, 2010

Mulheres cabeças, desequilibradas, confusas...


Muitas vezes é difícil entendê-las, complicado compreendê-las, mas, realmente não dá para viver sem elas.


Já tive mulheres
De todas as cores
De várias idades
De muitos amores
Com umas até
Certo tempo fiquei
Prá outras apenas
Um pouco me dei...

Já tive mulheres
Do tipo atrevida
Do tipo acanhada
Do tipo vivida
Casada carente
Solteira feliz
Já tive donzela
E até meretriz...

Mulheres cabeça
E desequilibradas
Mulheres confusas
De guerra e de paz
Mas nenhuma delas
Me fez tão feliz
Como você me faz...

Procurei
Em todas as mulheres
A felicidade
Mas eu não encontrei
E fiquei na saudade
Foi começando bem
Mas tudo teve um fim...

Você é
O sol da minha vida
A minha vontade
Você não é mentira
Você é verdade
É tudo o que um dia
Eu sonhei prá mim...

(Mulheres - autor: Toninho Geraes)

sexta-feira, agosto 13, 2010

Jornalista sofre atentado em São Gabriel


O jornalista e pastor Cláudio Moreira, irmão dos meus colegas e diletos amigos jornalistas Carlos Ismael e Carlos André, foi vítima de agressão quando retornava para sua residência. O lamentável fato aconteceu na noite de quarta-feira (11), em São Gabriel, cidade onde Cláudio mora.

Moreira conta que foi agredido a golpes de relho por um indivíduo chamado Iderli Souza, em plena rua. “O fato se deu pela fútil razão de eu ter esquecido de citar o nome de sua esposa em um evento de campanha da candidata Yeda Crusius, em São Gabriel”, ressaltou a vítima. O jornalista afirma que após cair no chão devido a golpes com o cabo do relho, seguiu sendo açoitado continuamente na cabeça, nos braços e pelas costas.

Um amigo do jornalista, que passava de carro pelo local, viu o amigo caído e sob golpes do rebenque e interveio e impediu que as agressões continuassem. Sentindo que mais pessoas ou mesmo a polícia pudessem chegar ao local, o agressor, de forma covarde, fugiu.

A vítima foi conduzida primeiramente à delegacia para prestar depoimento e, em seguida, ao Pronto Socorro. Claudio Moreira ficou com hematomas no rosto e na região craniana.

foto: site Coluna Ponto de Vista

domingo, agosto 08, 2010

Espelho

Neste Dia dos Pais, deixo com vocês esta lindíssima música chamada "Espelho", composta por João Nogueira e Paulo César Pinheiro, e lançada em disco, por João, em 1977, em homenagem ao seu pai.

Trinta anos depois, Diogo Nogueira, filho de João, homenageia seu pai, fazendo uma releitura desse clássico. E é uma maneira, também, de eu prestar uma homenagem à memória do Seu Paris. De filho para pai.



Espelho

Composição: João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Nascido no subúrbio nos melhores dias
Com votos da família de vida feliz
Andar e pilotar um pássaro de aço
Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço
Com as fardas mais bonitas desse meu país
O pai de anel no dedo e dedo na viola
Sorria e parecia mesmo ser feliz

Eh, vida boa
Quanto tempo faz
Que felicidade!
E que vontade de tocar viola de verdade
E de fazer canções como as que fez meu pai (Bis)

Num dia de tristeza me faltou o velho
E falta lhe confesso que ainda hoje faz
E me abracei na bola e pensei ser um dia
Um craque da pelota ao me tornar rapaz
Um dia chutei mal e machuquei o dedo
E sem ter mais o velho pra tirar o medo
Foi mais uma vontade que ficou pra trás

Eh, vida à toa
Vai no tempo vai
E eu sem ter maldade
Na inocência de criança de tão pouca idade
Troquei de mal com Deus por me levar meu pai (Bis)

E assim crescendo eu fui me criando sozinho
Aprendendo na rua, na escola e no lar
Um dia eu me tornei o bambambã da esquina
Em toda brincadeira, em briga, em namorar
Até que um dia eu tive que largar o estudo
E trabalhar na rua sustentando tudo
Assim sem perceber eu era adulto já

Eh, vida voa
Vai no tempo, vai
Ai, mas que saudade
Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai
Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar