Verdades, algumas meias-verdades e outras nem tão verdadeiras assim... O que importa é o que interessa e o que não interessa não importa. It's all true!!!
sexta-feira, setembro 05, 2014
Momento errado
O episódio da torcedora Patrícia Moreira, que foi flagrada pelas câmeras de televisão nas arquibancadas da Arena do Grêmio, proferindo ofensas racistas contra o goleiro Aranha, durante o jogo entre Grêmio e Santos, no dia 28 de agosto, válido pela Copa do Brasil, me lembra aqueles casos dos tempos de colégio em bancar o maria-vai-com-as-outras.
O que aconteceu com a guria é bem o que ocorre diariamente nas salas de aula do país inteiro: se o Fulano está fazendo, vou fazer também... A turma está uma tremenda bagunça, o professor aparentemente perdeu o controle, os aluninhos fazendo a maior laúza, com gritos, assobios, lançamento de aviõezinhos e bolinhas de papel. Aí, um aluno que tira notas medianas e que não é do mal e nem bagunceiro, inventa de "ir na onda", dá um berro ou solta uma gracinha infeliz, pensando que seu ato ficaria encoberto naquele furdunço. Eis que magicamente o barulho cessa, o professor se vira e surpreende o bagunceiro pouca-prática, que é punido exemplarmente com a expulsão da sala ou até uma suspensão, e é avisado que só retornará à escola se estiver acompanhado do pai ou responsável.
Não sou psicólogo, mas isso talvez algum profissional do ramo possa explicar melhor do que eu. A atitude de pessoas pacíficas muitas vezes são regidas pelo grupo no qual está inserido do que pelo indivíduo em si. Patricia xingou o goleiro de "macaco" porque “entrou na onda” da torcida, que já gritava a palavra depreciativa. Isso por si só não justifica as ofensas ditas pela moça durante a partida.
O pecado dessa azarada torcedora, assim como o do estudante aprendiz de bagunceiro, foi "ter ido na onda" e abrir a boca no momento errado.
sexta-feira, fevereiro 28, 2014
DICAS PARA QUEM DETESTA CARNAVAL

Êba, é carnaval! Mas para mostrar que sou tolerante com os que detestam os dias de folia, consultei sites, jornais, rede de amigos e me inspirei em um texto de Luiz Antônio Simas e preparei uma lista de programas de índi...(ops!) dicas para quem quer “fugir do agito” (copiei a expressão de um conhecido jornal alegre-portense). Vejam como pode também ser divertido ficar alheio ao evento. Eis aí a lista com “ótemas” opções para quem não é chegado no ziriguidum:
1- Rebanhão. Ah, uns com fé demais e outros com fé de menos... Neguim passa o ano inteiro maldizendo, malfalando, praguejando, xingando a esposa, traindo o marido e batendo nos filhos e aproveita justamente o carnaval para expiar os pecados no retiro espiritual. Mas já que é assim, que se aproveite o tríduo momesco para orar, entoar cânticos de louvor e ouvir a Palavra. E na quarta-feira de Cinzas, volta tudo como era antes no quartel de Abrantes: maldizer, praguejar, xingar a esposa, trair o marido, bater nas crianças...
2- Maratona em mostra cinematográfica. O nome dessas mostras geralmente é muito criativo: Fugindo do Carnaval (genial!). Enquanto eu estiver me preparando para assistir meus Imperadores do Samba e entoar o bonito samba dos Acadêmicos de Gravataí, o sujeito pode assistir a filmes dos mais conhecidos diretores da vanguarda cinematográfica sul-coreana, responsáveis por obras altamente experimentais, privilegiando o ritmo pausado, o forte conteúdo visual muitas vezes sangrento, o parcimonioso uso do diálogo e a ênfase em elementos criminais ou marginais da sociedade.
3 – Se você for amante das artes, vale a pena conferir a exposição A Bela Morte – Confrontos com a Natureza-Morta no Século XXI, no Margs. A ideia é mostrar um olhar atualizado sobre a natureza-morta, a arte de representar frutas e outros objetos inanimados. Tão emocionante quanto o grito de guerra do puxador Alexandre Belo.
4- Quer paz, sossego, e ficar longe de gente suada se esfregando no salão? Seus problemas acabaram, amigão/amigona! Passe o tríduo momesco na Cidade dos Pés Juntos, o famoso cemitério! E curta o melhor da arte cemiterial da nossa cidade. Você pode visitar o túmulo do Teixeirinha no Cemitério da Santa Casa. Indico também ir ao São Miguel e Almas, visitar o mausoléu da família Mathias Velho, onde anjos abrem o túmulo de Cristo diante de um romano espantado. O monumento é um dos melhores exemplos de arte funerária de Porto Alegre. O Jardim da Paz, na Lomba do Pinheiro, é considerado o mais belo “cemitério-parque” do Brasil, tem clima bucólico e não se escuta qualquer baticum.
5- Maratona do descarrego nas unidades da Igreja Universal do Reino de Deus. Durante quatro dias pastores realizarão exorcismos e descarregos em tempo integral. A igreja promete encerrar o evento com a realização do ritual da fogueira santa de Israel, onde os bilhetes com pedidos dos devotos arderão na pira do Leão de Judá. Promete ser mais animado que o desfile da Imperatriz Leopoldense sobre a China.
6- Apreciar as belezas naturais da nossa cidade. Eis um programa tremendamente interessante para os que detestam o tríduo. Levantar às cinco horas da manhã para fazer caminhadas ecológicas, trilhas e trekkings, com oportunidade de integração entre os colegas e a realização de um piquenique comunitário. Deve ser tremendamente divertido, sobretudo se chover.
7- Festas, raves, bailinhos, baladas ou o raio-que-o-parta. Em plena sexta-feira, véspera de carnaval, uma “baita festa” vai acontecer em boate na Cidade Baixa, programa ideal para os descolados de plantão, com direito a muito som indie, funk, soul. Tem outra festa, no mesmo bairro, cujo nome já diz tudo: I Hate Carnaval. É o programa mais indicado para rapazes frescos e jovens lésbicas intelectualizadas.
8- Camarotes vip no Complexo Cultural Porto Seco e das cervejarias na Marquês de Sapucaí; sempre repletos de subcelebridades, gente bem e personalidades (oi?) do meio político. É, sem a menor dúvida, o melhor programa para quem de fato detesta carnaval.
Depois dessas dicas que provam, repito, minha compreensão em relação aos não carnavalescos, abrirei a primeira gelada do dia, pedirei axé aos meus guias, licença ao povo da rua (que não sou besta), e declararei aberto o meu Carnaval.
Evoé!
sexta-feira, janeiro 03, 2014
As sociedades negras, por Antônio Carlos Côrtes
Fui citado pelo eminente advogado e radialista Dr. Antônio Carlos Côrtes em seu artigo "As sociedades negras", publicado no Jornal do Comércio, no dia 30.12.2013, o que muito me honra. O Dr. Côrtes só exagerou ao falar que eu ensino. Na verdade, só repassei um conhecimento que me foi fornecido pelos nossos Mais Velhos. Quem tiver o desejo de conferir, aí vai o link do artigo. Obrigado, Dr Côrtes.
As sociedades negras
Antônio Carlos Côrtes
“O 13 de maio nada representa para a raça negra” (Alceu Collares, no livro Nós, os afro-gaúchos). A Sociedade Floresta Aurora foi fundada em 31 de dezembro de 1872 por negros que lutaram e conquistaram alforria, daí a expressão “forros”. Seu caráter beneficente foi causa primeira. Ajudar famílias negras a pagar enterros dos parentes bem como prestar assistência material, moral e espiritual. Os sócios, na maioria operários, eram moradores nos bairros Menino Deus, Bom Fim e Rio Branco. O jornal A Federação registra que em 1918 o nome oficial era Sociedade de Dança e Beneficência Floresta Aurora. Em 25 de setembro de 1961, alterou o nome para Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora. Presentemente, ao completar 141 anos, é proprietária de aprazível sede na estrada Afonso Lourenço Mariante, 437/489, no bairro Belém Velho em Porto Alegre. É a sociedade negra mais antiga do Estado. É exemplo que os clubes sociais negros são lugares de memória, resistência na preservação, apreciação e valorização da cultura.
Espaços culturais no compasso dos sons, na métrica dos saberes para as sociedades negras. Lembrando Gilberto Gil: a Bahia já me deu régua e compasso. Logo, posso medir meus passos em laços que abraçam todas as sociedades negras. Se o RS possui mais de 50 clubes sociais negros, ninguém tem dúvida. Lugares, memórias, resistências são patrimônio imaterial comportando desde logo análise, eis que, via de regra, estão ativos e presentes. A existência da Floresta Aurora é o reconhecimento do valor cultural do bem, que transforma em patrimônio imaterial a cultura negra.
O jornalista Gerson Brisolara ensina: os índios do Xingu dizem que nos troncos de árvores moram, encantados e perpetuados, os espíritos de seus ancestrais. Quando o terreiro de batuque ou candomblé é criado, planta-se no solo o axé da casa, que perpetuará naquele local o acúmulo de saberes que a ancestralidade proporciona à comunidade. Negros e índios sabem que a experiência está fincada em certos locais, sacralizados pelo que foi vivido ali.
Abater clubes negros, sociedades e escolas de samba é, portanto, matar o axé, derrubar os troncos das árvores sagradas, é quebrar o elo de ancestralidade que faz a vida em comunidade ser possível. A longevidade da Sociedade Floresta Aurora é a prova de que a luta para preservar sociedades negras é possível.
Advogado
quinta-feira, dezembro 13, 2012
Rir, assim falou Patch Adams
"Rir não é o melhor remédio. A amizade é. O riso é apenas uma graxa que lubrifica as relações." (Hunter Doherty 'Patch' Adams, em palestra no Hospital da PUC, em Porto Algre (12.12.2012).
terça-feira, novembro 20, 2012
A tal da "Consciência Negra"...
Quando te disserem que você quer dividir o Brasil em “pretos” e “brancos”, mostre que essa divisão sempre existiu. Se insistirem na acusação, mostre que, neste país, 124 anos após a Abolição, em todas as instâncias, o Poder é sempre branco. Até mesmo como técnicos de futebol ou carnavalescos de escolas de samba, os negros só aparecem como exceção.
Quando te disserem que o Brasil é um país mestiço, concorde. Mas ressalve que essa mestiçagem só ocorre, com naturalidade, na base da pirâmide social, e nunca nas altas esferas do Poder.
Quando te jogarem na cara a afirmação de que a África também teve escravidão, ensine a eles a diferença entre “servidão” e “cativeiro”. Mostre que a escravidão tradicional africana tinha as mesmas características da instituição em outras partes do mundo, principalmente numa época em que essa era a forma usual de exploração da força de trabalho. O bom escravo podia casar na família do seu senhor, e até tornar-se herdeiro. E assim, se, por exemplo, no século XVII, Zumbi dos Palmares teve escravos, como parece certo, foi exatamente dentro desse contexto histórico e social.
Se ainda insistirem, responda que embora africanos também tenham vendido africanos como escravos, a África não ganhou nada com o escravismo, muito pelo contrário. Mas a Europa, esta sim, deu o seu grande salto, assumindo o protagonismo mundial, graças ao capital que acumulou com a escravidão africana.
Quando, de dedo em riste, te disserem que cotas raciais são uma forma de preconceito e que o certo seriam "cotas sociais", responda que praticamente todos os segmentos sociais já foram beneficiados com cotas: filhos de fazendeiros, militares, mulheres, idosos, deficientes físicos, etc. Depois questione ao seu interlocutor a razão pela qual quando o afro-descendente reivindica a sua ação afirmativa esta lhes é negada.
Quando te questionarem por que consciência negra, "se não há uma consciência branca, judia, nipônica, selenita, helênica, marciana", tenha a pachorra de responder que - parafraseando Leopold Senghor – não é racismo ou complexo de inferioridade e, sim, um anseio legitimo de expansão e crescimento. Não é separatismo, segregacionismo, ressentimento, ódio ou desprezo pelos outros grupos que constituem a Nação brasileira.
Consciência Negra somos nós, em nossa real dimensão de seres humanos, sabendo claramente o que somos, de onde viemos e para onde vamos, interagindo, de igual pra igual, com todos os outros seres humanos, em busca de um futuro de força, paz, estabilidade e desenvolvimento. Fui claro?
Meu muito obrigado a Nei Lopes e ao Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África.
segunda-feira, setembro 17, 2012
Lanceiros Negros
Nesta semana em que se comemora a "epopéia farrapa", na verdade, uma guerra que foi perdida, uma homenagem a heróis anônimos da história: os lanceiros negros, escravos que lutaram como leões na Guerra dos Farrapos e que tiveram a esperança de conquistarem a liberdade.
Com o término da guerra, os militares nas suas respectivas patentes não tinham mais o que fazer com os negros. Davi Canabarro deu ordem de desarmar os lanceiros, que foram atacados, desarmados e chacinados no chamado Massacre de Porongos, localidade próxima ao município de Pinheiro Machado (RS). Vítimas desta terrível traição, passaram a ser também Mártires do Brasil .
E agora, deixo com vocês este comovente poema de Azuir Filho.
LANCEIROS NEGROS
Um mundo todo Cristão, Negro e Índio escravizados.
Cristão que não é irmão, dos humanos expropriados.
Contra modos tranqueiros, impedindo a felicidade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
O Império explorador, costume racista e escravista.
Das relações sem amor, só pelo lucro desumanista.
Mais juntam companheiros, a combater a iniqüidade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
Piratini transformação, Corpo da Guarda Nacional.
Em tão importante atuação, na Vitória de Seival.
Farroupilha o bom cavaleiro, elevado na probidade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
Do herói destemido, o Corpo de Lanceiros Negros.
Pra Piratini constituido, os combatentes sem medo.
Nossos dignos Brasileiros, lutando pela igualdade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
Negros Livres e libertados, de guerra e revolução.
Tão valorosos e preparados, capazes para a decisão.
Corajosos e altaneiros, pro bem de toda Sociedade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
Corpo Negro recrutado, Herval, Pelotas até o Pirai.
Bagé, e Pinheiro Machado, Pedro Osório e Piratini.
Era o povo Brasileiro, na construção da igualdade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
Combatentes de Cavalaria, toda garra e disposição.
Consciência e cidadania, pra todos a emancipação.
Nos ideais verdadeiros, com Cristo em irmandade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
Lutadores da Liberdade, por sí e a cada um de cor.
Com grande habilidade, o peito aberto ao destemor.
Haviam os Super Traçoeiros, contra a Africanidade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
Em Laguna na Expedição, Davi Canabarro chefiando.
Garibaldi e Anita na ação, lanças longas asseguarndo.
Como Anjos e companheiros, honrando a irmandade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
Vanguarda do que avança, e retaguarda da retirada.
Uma tropa de esperança, verdadeiramente sagrada.
Sempre dedicado e ordeiro, na total confiabilidade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
Farrapos foi diferente, de toda revolta e insurreição.
Tinha o Negro e toda gente, e prometeram abolição.
Honra de Cavalheiros, diante de Deus e eternidade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
Decisivo papel na Vitória, contra a força Imperial.
Lanceiros estão na glória, Juntos na luta de Seival.
O Lutar mais derradeiro, o tempo todo honestidade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
É Contribuição de fato, na vitória e proclamação.
O Gaúcho Negro e Mulato, construindo a abolição.
Lutadores companheiros, com alforria de finalidade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
Lanceiros negros memorial, pra orgulho e reflexão.
O Povo e sua paixão divinal, atingindo a comunhão.
Maravilhosos e obreiros, são heróis da humanidade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
O maior nojo e vil escarro, tem a infame maldição.
Caxias e Davi Canabarro, responsáveis da traição.
Pos Cristo nos Cruzeiros, tal Judas da venalidade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
A Mente humana dá medo, sua capacidade de traição.
O que fazer com negro, num Império de escravidão.
O acordo foi lameiro, e enlameou a nacionalidade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
E Canabarro ordenou, lanceiros foram desarmados.
14 de novembro chegou, com Lanceiros Chacinados.
Deus e Jesus de olheiros, a ver a falsa Cristandade.
Os Heróis Negros Lanceiros, e o preço da liberdade.
domingo, novembro 20, 2011
Dom Gílio recebe o Troféu Zumbi/2011
Dom Gílio Felício (dir) recebendo o Troféu Zumbi do presidente da Associação Satélite-Prontidão, Nilo Feijó. Foto: Divulgação/ASP
O amigo e confrade Antonio Carlos Côrtes enviou este texto em função da cerimônia de entrega do Troféu Zumbi ao bispo Dom Gílio Felício, na Associação Satélite-Prontidão, em Porto Alegre, no dia 20 de novembro, quando se celebra o Dia da Consciência Negra. Estive envolvido em dois concursos e infelizmente não pude participar, mas coloco à disposição o Blog du Brisa para fazer o registro da merecidíssima homenagem.
.............................................................
O bispo Dom Gílio Felício, da Diocese de Bagé, recebeu na noite deste domingo, 20, o Troféu Zumbi. Promovida pela Associação Satélite-Prontidão, a homenagem tem o objetivo de reverenciar as pessoas que têm lutado pela valorização da cultura dos negros na sociedade brasileira.
Conforme a professora Vera Triumpho, na saudação ao homenageado, “Dom Gílio tem sido um herói para o povo negro, pois, com o poder que possui como uma autoridade religiosa, consegue realizar ações para qualificar a comunidade negra.”
O homenageado
Nascido no município de Sério (RS), Dom Gílio é o único bispo negro do Estado do Rio Grande do Sul. Sua ordenação como padre ocorreu em 1978, e a indicação como bispo foi em 1998, pelo então Papa João Paulo II. Ganhou notoriedade na cidade de Santa Cruz do Sul por celebrar missas usando coloridos trajes africanos e por dançar com os fiéis. No ofertório, incluía pipoca, frutas, pão caseiro e instrumentos de trabalho que lembravam a época da escravidão. “O povo precisa, quer e merece ser respeitado por seus valores culturais, sociais e religiosos, pois enriquece a Igreja e o mundo”, ressaltou ele.
Dom Gílio ressaltou, também, a necessidade de se dar atenção ao Continente Africano. “A África grita por ajuda, e temos que cooperar para que haja vida em abundância para cada um e todos, pois este é o objetivo da Igreja”, salientou Dom Gílio. Ainda segundo ele, “a maioria dos negros está à margem do festim da vida”, e precisamos mudar essa situação. Na mesma noite, a Associação prestou homenagem póstuma ao maestro Manoel Luiz Mota Dias, cidadão emérito de Porto Alegre (2004).
Participaram do evento na nova sede da Associação, na Rua Alberto Rangel, 528, Parque dos Maias, o presidente da entidade, Nilo Alberto Feijó, a coordenação do Gabinete de Políticas Públicas para o Povo Negro de Porto Alegre, representantes dos clubes Farrapos e Teresópolis Tênis Clube e demais convidados.
quinta-feira, outubro 27, 2011
Trick or treat?
Hoje observei que o nosso país segue não fazendo nada para deixar de ser um arremedo de quinta categoria dos irmãos do Norte. As crianças do meu condomínio passaram o dia brincando de Halloween e batendo nas portas dos apartamentos gritando "DOCES OU TRAVESSURAS?". Eu, que tenho o coração mole que nem manteiga, doei minha barra de Alpino àqueles erezinhos.
Mas, depois, o Brisa lembrou dos tempos de sua tenra idade quando as crianças se divertiam recebendo balas e guloseimas no dia 27 de setembro, dia de São Cosme e São Damião, festa brazuca que é mto mais legal do que a tal celebração aculturada de bruxinhas e abóboras demoníacas.
domingo, outubro 02, 2011
O barulho do Seu Cláudio

Cláudio Custódio dos Santos é um dos nomes seminais do samba porto-alegrense. Dono de uma voz de timbre agradável caracterizado por uma maciez vocal, o popular Cláudio Barulho fez história cantando na noite e no carnaval da Capital.
Na noite, cantou em todos os bares famosos da cidade: Gente da Noite, Pandeiro de Prata, Casa de Samba Evolução, Carinhoso, etc. No carnaval, nos últimos 30 anos, deteve o microfone número 1 de várias agremiações: Restinga, Imperadores do Samba, Império da Zona Norte, Figueira, Praiana, Embaixadores do Ritmo, só para citar algumas. Antes disso, no início da década de 1970, o talentoso negãozinho e praça do Exército exercitava seus dotes artísticos e instrumentais na banda de música do antigo 18º Regimento de Infantaria Motorizada (na avenida Bento Gonçalves, onde hoje está o TecnoPuc).
E agora, finalmente, o músico lança seu primeiro CD, Cantar samba é..., cujo show de lançamento acontece na terça-feira, dia 4, no Teatro da Cia das Artes. Ainda não escutei o disco, mas com certeza, o repertório deve estar recheado de pagodes pegados e sambas dolentes, daqueles que só o Barulho sabe cantar. O show será gravado por uma equipe da TVE/Canal 7 e será exibido no programa Palcos da Vida a partir do dia 15 de outubro.
Ah, e para quem for ao show e adquirir o CD, fica a dica: o que o Cláudio faz, é música de qualidade. Não tem nada a ver com uns "barulhos" que se ouvem por aí.
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
O pierrô está de volta
O Pierrô está de volta. É que ele andou bancando o cafa por uns tempos. Novamente solteiro, o pierrô resolveu deixar de lado o alaúde e parou de cantar para sua amada lua. Achou que aquela lágrima pintada que escorria-lhe pelo olhos era muito baixo astral e que não combinava com a sua nova postura. Não quero ser Robert Smith, porra! Qual mulher iria prestar atenção num cara desses? Ainda mais a Colombina? Sem chance...E o pierrô resolveu cafajestear, afinal, a situação faz o cafajeste. Nunca viu tanta mulher solteira e "dando banda" na night. Marcou encontro com solteiras em sites de relacionamentos. Adicionou gente pra dedéu nas redes sociais. Foi apresentado às amigas encalhadas de outras amigas igualmente encalhadas. Contou muitas verdades e meias-verdades. Mas também mentiu muito, afinal, uma boa conversa entre amigos e/ou pretensoso amantes só é boa se regada a boas doses de risadas e de mentiras. Nem que seja de mentiras sinceras. E estas, me interessam...
O pierrô estava que era um poço de romantismo. Distribuía carinhos despudoradamente em todos os cantos por que passava. Atiçou a curiosidade de mulheres mais velhas, despertou o interesse por mulheres de sua geração, era admirado pelas gatinhas e patricinhas dos shoppings. O pierrô esbanjava verve e inspiração. Palavras românticas jorravam aos borbotões. O pierrô estava no auge da carreira. Praticamente um Ronaldinho Gaúcho dos tempos do Barcelona ou um Zidane na época em que perturbava o sono dos brasileiros. Só fazia gol de placa e se dava bem. Ô, se davam.
Mas o pierrô também sabe que não dá para ficar nessas aí por muito tempo. Sabe que é bom voltar para o ninho de quando em vez. O alaúde não pode ficar de lado. A amada lua precisa dos seus acordes. E após breve período de diversão, eis o pierrô novamente.
terça-feira, fevereiro 15, 2011
Bah, desisti!

Ok, confesso que já sonhei em ter a chamada barriga tanquinho. Aliás, até já tive um abdômen definido, musculatura fortalecida, estilo "tábua" e quase zero de taxa de gordura.
Na época do Colégio Militar, durante o 2º grau, malhar era a palavra de ordem. Não no sentido de "ordem", de ser obrigado, mas é que com 16, 17, 18 anos, é natural que um rapaz adolescente queira ter um corpo legal. E além disso, nós fazíamos educação física três vezes por semana, englobando corridas ao redor da Redenção, ginástica, práticas desportivas, testes de aptidão, musculação, fora as ordens unidas e os tradicionais "marcha-soldado".
Passada a fase escolar, houve um natural relaxamento. As atividades físicas começam a rarear: vem a faculdade, o trabalho (às vezes até com jornada dupla), vêm as festas, e pronto! Tudo aquilo que foi plantado na pós-adolescência afunda nas profundezas do sedentarismo e da preguiça. E aí, bye-bye, barriga sarada.
Eu já desisti de voltar a ter um abdômen cheio de gominhos, tipo os caras que fazem comercial de cueca. Até porque a minha profissão não requer um corpo perfeito. Se eu fosse modelo, aí sim, teria que caprichar, porque o meu corpo seria meu instrumento de trabalho. Mas não é nada fácil manter uma barriga tanquinho. Além da questão genética, não se pode descartar a atividade física e (tchan-tchan-tchan) alimentação! Nada de doces, refris, gorduras. Vícios, tais como cigarro, álcool ou drogas, nem pensar! Ou seja, o preço é altíssimo.
E, lógico, tem o detalhe da danada da preguiça. Com certeza, a aparência de “tanquinho” pode atrair a mulherada, mas é um preço alto a ser pago, em nome da vaidade ou do narcisismo. Mas ao menos tenho o cuidado de não deixar criar pança, nem a tal da barriguinha de chope, porque aí é decadência total. Pena que a ginástica que eu faço em pensamento não refletiu o resultado necessário de uma barriga sarada. Mas juro que vou pensar no assunto e tomar vergonha na cara, já que com o avanço da idade, a tendência é piorar e é muito caro e arriscado fazer uma lipo.
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
Renascer das cinzas

Vamos renascer das cinzas
Plantar de novo o arvoredo
Bom calor nas mãos unidas
Na cabeça de um grande enredo
Ala de compositores
Mandando o samba no terreiro
Cabrocha sambando
Cuíca roncando
Viola e pandeiro
No meio da quadra
Pela madrugada
Um senhor partideiro
(Renascer das cinzas - Zé Catimba, Martinho da Vila)
Um incêndio de grandes proporções atingiu a Cidade do Samba nesta segunda-feira. O fogo destruiu os barracões da Liesa, da Ilha, da Grande Rio e da Portela. A escola com maior prejuízo foi a Grande Rio. Apesar dos danos, o desfile vai acontecer com todas as agremiações no Carnaval. Não haverá rebaixamento.
Beijos de arame farpado
Naqueles dias
Todo dia eu renascia
Na pele dos teus lábios
E trazia comigo uma oração
Pros tumultos da paz
Porque naqueles dias
Eu te amava demais
Eram dias de pura luz
Refletindo nos metais
E pelos nossos beijos
Caravelas e língua passeavam
Em delírios fluviais
Amor à luz de velas
Mensagem na garrafa perdida
Vinda na saliva de outros carnavais
Mas hoje em dia meu amor
Nossos beijos tem sabor enferrujado
E nos machucam a boca
Feito arame farpado
Meus cabelos já cresceram
E eu não vi passar
Nem pétala, nem rastro
Daqueles dias
Sobre os nossos ombros, nunca mais pousaram os anjos
Apenas os escombros
Sobre os nossos ombros
Nunca mais pousaram os anjos
Apenas os escombros
Beijos de arame farpado (Dé, Sérgio Serra e Ezequiel Neves)
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
Louvações à Rainha do Aiuká
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Ah, a tal liberdade não existe...

Quando a inspiração se nega a me visitar, vou passar a republicar alguns posts do blog que eu acho maneiro. Este eu escrevi há mais de cinco anos e acho legal e tudo a ver com meu momento. Dizia assim...
Dias atrás comecei a filosofar. Mas então: o que vem a ser essa tal de liberdade? Alguém é possível ser totalmente livre? Nunca vi ninguém vestindo uma t-shirt com os dizeres: 100% FREE. Também, e se eu encontasse, iria querer saber qual a fórmula mágica para se atingir tal estado.
Nunca estamos totalmente livres. Estamos presos a relacionamentos (namoro, noivado, casamento) ou a ausência destes (separação, divórcio). Não por acaso, nos envolvemos em "laços" afetivos, o que já determina as amarras. Estamos presos a quem está aí e a quem já se foi. Estamos presos à saudade. Estamos presos à necessidade de trabalhar, produzir e labutar. Estamos presos ao cartão de crédito. Estamos presos aos impostos. Estamos presos às regras impostas para conviver em sociedade. Alguns estão presos ao fumo e à bebida. Outros estão presos ao sexo.
Um amigo doidão que eu tive uma vez me disse que, para se libertar, ele viajava, fazendo a cabeça. No entanto, ficou incorrigivelmente preso às drogas. Deve ser uma tristeza viver preso a uma cama de hospital. Deus nos livre! Ou presos às ferragens de um automóvel após um acidente. Igualmente ruim seria viver preso a correntes, gaiolas ou coleiras.
Creio que a liberdade plena é um prêmio a ser conquistado, mas que se mostra inacessível.
Publicado originalmente no 1º semestre de 2006 no Blog du Brisa.
quarta-feira, janeiro 12, 2011
Pequeno Grande Amor - Papas da Língua (ao vivo)
Noh Noh Noh Noh Ioh
Noh Noh Ioh
Noh Noh, Noh Noh
Noh Noh Noh Noh Ioh
Noh Noh Ioh, Noh Noh(2x)
Meu amor
Pequeno, grande amor
Que mora longe
Numa branca estrela
Me fará sorrir
Me fará chorar
Quando ele chegar
Quero estar aqui (2x)
Viaja, na cauda
De um cometa
Vem na velocidade
De um desejo meu
Que me enfeitiçou
Que me acorrentou
Quando ele chegar
Quero estar aqui (2x)
Tempo, tempo, tempo
Da minha cabeça
Tempo, tempo, tempo
Desapareça
Desapareça!
quarta-feira, dezembro 01, 2010
Dia Mundial de Combate à Aids

A escolha da data de 1º de dezembro em Dia Mundial de Luta Contra a Aids foi uma decisão da Assembleia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids.
O laço vermelho foi escolhido por causa de sua ligação ao sangue e à ideia de paixão, afirma Frank Moore, do grupo Visual Aids, e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados norte-americanos na Guerra do Golfo. As atividades desenvolvidas nesse dia visam divulgar mensagens de esperança, solidariedade, prevenção e incentivar novos compromissos com essa luta.
Para esta semana, a MTV Brasil preparou uma programação especial para marcar o Dia de Prevenção à Aids. Vale a pena conferir (clique aqui).
Solidão (Alceu Valença)
Essa música do Alceu Valença é uma verdadeira obra-prima.
Solidão
A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão é fera,
É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.
A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão é fera,
É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.
Solidão
A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão é fera,
É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.
A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão é fera,
É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.
sexta-feira, novembro 19, 2010
Que tal música africana?
Dia desses, em um momento de descontração no trabalho, um colega comentou que estava cansado de ouvir as musiquinhas que tocam nas FMs e nas emissoras musicais que pululam por aí. O amigo disse que não tinha mais paciência para letrinhas e melodias toscas e visuais coloridinhos. E falou em alto e bom tom: não há mais criatividade na música.
Cai o pano.
Depois disso, comecei a pensar que a indústria cultural realmente massifica. O jabaculê se espalha nas emissoras de rádio e tevê feito tumor em metástase. Resta a quem tem um gosto mais apurado ou que não aceita qualquer coisa, ir atrás da informação, ir atrás da boa música e da boa arte. Sim, pessoal, isso é possível.
Lógico que há um preço pelo refino e pelo bom gosto. Mas, filé mignon custa caro não é?
Os set lists das programações musicais das rádios são sempre o que vem ditado pelas majors norte-americanas e inglesas, respaldados pelas revistas ditas especializadas. Se a gravadora lançou e a revista carimbou que é legal, então, o brasileiro que engula o sucesso de popezinhos descartáveis e pouco inventivos. As rádios só consideram 3 tipos de música: a que vem dos EUA, a que vem da Inglaterra e a MPB. Os verdadeiros e bons artistas estão alijados do cenário. Nos EUA e na Inglaterra, os hit parades estão tomados por grupelhos teenagers, rappers com cara de gangsters e físico de lutadores de box e bandas de rock barulhentas e deseafinadas. Aqui no Brasil... bem, só citar o exemplo de "créus" e "rebolations" são suficientes.
Apesar da vizinhança territorial com dez países da América do Sul (Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela), muito pouco ou quase nada se conhece, se sabe ou se escuta da riquíssima música dessas nações.
Eu, por exemplo, sou um fã declarado da música latino americana e caribenha. Passei também a procurar e pesquisar na fonte a música popular africana, que é vasta e variada. Muitos gêneros de música popular como blues, jazz, salsa, rumba, reggae e o samba (ou seja, praticamente tudo que inclua ritmos) derivam em diversos graus das musicais tradicionais da África, levadas para as Américas por escravos africanos. Alguns, por puro preconceito, classificam a música que não é feita nos EUA ou Inglaterra com o ridículo rótulo de "world music".
Portanto, para quem se interessa em pesquisar ou simplesmente para atiçar a curiosidade musical, indico nomes como: Ali Farka Touré (guitarrista do Mali), soukous (estilo do Congo), Fela Kuti (artista fudamental da Nigéria), afro-beat, juju music (Nigéria), jive (África do Sul), Salif Keita (cantor do Senegal), Youssou N'Dour (Senegal), Tubarões (Angola), Papa Wemba (Congo), Tartit (norte da África-Tuaregs), Angelique Kidjo (Benin), makossa (Camarões), Ebenezer Obey (Nigéria), King Sunny Ade (Nigéria), Lura (Cabo Verde), Richard Bonna (Camarões).
Cai o pano.
Depois disso, comecei a pensar que a indústria cultural realmente massifica. O jabaculê se espalha nas emissoras de rádio e tevê feito tumor em metástase. Resta a quem tem um gosto mais apurado ou que não aceita qualquer coisa, ir atrás da informação, ir atrás da boa música e da boa arte. Sim, pessoal, isso é possível.
Lógico que há um preço pelo refino e pelo bom gosto. Mas, filé mignon custa caro não é?
Os set lists das programações musicais das rádios são sempre o que vem ditado pelas majors norte-americanas e inglesas, respaldados pelas revistas ditas especializadas. Se a gravadora lançou e a revista carimbou que é legal, então, o brasileiro que engula o sucesso de popezinhos descartáveis e pouco inventivos. As rádios só consideram 3 tipos de música: a que vem dos EUA, a que vem da Inglaterra e a MPB. Os verdadeiros e bons artistas estão alijados do cenário. Nos EUA e na Inglaterra, os hit parades estão tomados por grupelhos teenagers, rappers com cara de gangsters e físico de lutadores de box e bandas de rock barulhentas e deseafinadas. Aqui no Brasil... bem, só citar o exemplo de "créus" e "rebolations" são suficientes.
Apesar da vizinhança territorial com dez países da América do Sul (Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela), muito pouco ou quase nada se conhece, se sabe ou se escuta da riquíssima música dessas nações.
Eu, por exemplo, sou um fã declarado da música latino americana e caribenha. Passei também a procurar e pesquisar na fonte a música popular africana, que é vasta e variada. Muitos gêneros de música popular como blues, jazz, salsa, rumba, reggae e o samba (ou seja, praticamente tudo que inclua ritmos) derivam em diversos graus das musicais tradicionais da África, levadas para as Américas por escravos africanos. Alguns, por puro preconceito, classificam a música que não é feita nos EUA ou Inglaterra com o ridículo rótulo de "world music".
Portanto, para quem se interessa em pesquisar ou simplesmente para atiçar a curiosidade musical, indico nomes como: Ali Farka Touré (guitarrista do Mali), soukous (estilo do Congo), Fela Kuti (artista fudamental da Nigéria), afro-beat, juju music (Nigéria), jive (África do Sul), Salif Keita (cantor do Senegal), Youssou N'Dour (Senegal), Tubarões (Angola), Papa Wemba (Congo), Tartit (norte da África-Tuaregs), Angelique Kidjo (Benin), makossa (Camarões), Ebenezer Obey (Nigéria), King Sunny Ade (Nigéria), Lura (Cabo Verde), Richard Bonna (Camarões).

quarta-feira, novembro 03, 2010
Novas mandingas do Nei

O escritor, compositor, carioca, suburbano e amigo Nei Lopes - e um dos ídolos do Brisa - retorna ao Alegre Porto, para novamente uma sessão de autógrafos na Feira do Livro. O Velho do Lote (como o próprio se autointitula) estará aqui no próximo dia 05 de novembro, sexta-feira, às 14h30, na Praça de Autógrafos, na Praça da Alfândega, onde lançará seu primeiro romance, Mandingas da mulata velha na Cidade Nova, pela Editora Língua Nova.
Com 23 livros no currículo, Nei também joga nas posições de lexicógrafo, etimologista, enciclopedista e compositor. Mandingas... é uma ficção inspirada na vida de Tia Ciata, personagem fundamental da cultura afro-brasileira.
Compositor consagrado da MPB, teve sucessos gravados por ícones da música brasileira do quilate de Roberto Ribeiro, Zeca Pagodinho, Alcione, Grupo Fundo de Quintal, Clara Nunes, Gilberto Gil, Beth Carvalho, João Nogueira, Jair Rodrigues, Zezé Mota, Dudu Nobre, entre muitos outros. É autor de clássicos como Judia de mim, Gostoso veneno, Goiabada Cascão, Coisa da antiga, Raio de luar, Gotas de veneno, Senhora Liberdade, só para citar alguns.
Estive com Nei quando da sua vinda à feira em 2008. Naquela oportunidade, e com zero de divulgação, o carioca lançou Kofi e o menino do fogo, livro no qual se aventurou pela literatura infanto-juvenil. Durante quase 1 hora conversamos com muito bom humor sobre os mais diversos assuntos, mas confesso que fiquei um pouco envergonhado de tão pouquíssima gente ter sido avisada sobre a presença do cara por aqui. Enquanto isso, um sem-número de queridinhos da mídia (alguns sem um pingo de talento literário, é verdade) ocupavam listas dos mais vendidos e tinham filas formadas com analfabetos funcionais à procura de uma rubrica. Acredito que um intelectual do porte de Nei Lopes merece a atenção da nossa comunidade afrodescendente porto-alegrense e gaúcha.
Aos que puderem multiplicar a divulgação, comparecer e prestigiar o evento, fica o meu agradecimento. E o do Nei também
Com 23 livros no currículo, Nei também joga nas posições de lexicógrafo, etimologista, enciclopedista e compositor. Mandingas... é uma ficção inspirada na vida de Tia Ciata, personagem fundamental da cultura afro-brasileira.
Compositor consagrado da MPB, teve sucessos gravados por ícones da música brasileira do quilate de Roberto Ribeiro, Zeca Pagodinho, Alcione, Grupo Fundo de Quintal, Clara Nunes, Gilberto Gil, Beth Carvalho, João Nogueira, Jair Rodrigues, Zezé Mota, Dudu Nobre, entre muitos outros. É autor de clássicos como Judia de mim, Gostoso veneno, Goiabada Cascão, Coisa da antiga, Raio de luar, Gotas de veneno, Senhora Liberdade, só para citar alguns.
Estive com Nei quando da sua vinda à feira em 2008. Naquela oportunidade, e com zero de divulgação, o carioca lançou Kofi e o menino do fogo, livro no qual se aventurou pela literatura infanto-juvenil. Durante quase 1 hora conversamos com muito bom humor sobre os mais diversos assuntos, mas confesso que fiquei um pouco envergonhado de tão pouquíssima gente ter sido avisada sobre a presença do cara por aqui. Enquanto isso, um sem-número de queridinhos da mídia (alguns sem um pingo de talento literário, é verdade) ocupavam listas dos mais vendidos e tinham filas formadas com analfabetos funcionais à procura de uma rubrica. Acredito que um intelectual do porte de Nei Lopes merece a atenção da nossa comunidade afrodescendente porto-alegrense e gaúcha.
Aos que puderem multiplicar a divulgação, comparecer e prestigiar o evento, fica o meu agradecimento. E o do Nei também
Assinar:
Postagens (Atom)









