Despertei da minha hibernação em função de uma declaração infeliz do cônsul do Haiti em São Paulo, Sr. George Samuel Antoine. Antes de conceder uma entrevista para uma equipe de jornalismo do SBT, o diplomata perdeu a democracia ao ofender o povo africano (“O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano tá foda”), e também ao declarar que a tragédia "está sendo boa para o país se tornar conhecido". Demonstrações infelizes de racismo, arrogância e falta de sensibilidade.
Verdades, algumas meias-verdades e outras nem tão verdadeiras assim... O que importa é o que interessa e o que não interessa não importa. It's all true!!!
quinta-feira, janeiro 21, 2010
segunda-feira, dezembro 14, 2009
Há 20 anos...
No sábado, dia 12, houve a comemoração dos 20 anos de formatura da minha turma do 3º ano do Colégio Militar.
Muito legal o encontro. Daquela gurizada, somos atualmente jornalistas, engenheiros, advogados, médicos, profissionais liberais, militares, enfim, a grande maioria está com uma boa colocação na vida.
Me deu saudade ao entrar no Salão Brasil, ao caminhar pelo Pátio Plácido de Castro e pelas dependências do CMPA.
Recordar é viver!
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quinta-feira, novembro 19, 2009
sábado, outubro 24, 2009
terça-feira, julho 07, 2009
Ditos pelotenses
Encontrei na internet uma relação de expressões muito usadas pelos pelotenses e, lógico, se utiliza em outras regiões do Estado. Confira algumas pérolas:
- quando alguma coisa surpreende negativamente, normalmente de diz algo do tipo "Mas que coisa!" Na minha família, a expressão é "Mas será o pé do cabrito!?" ou ainda "Será o pé do bicho?!" Não me perguntem por quê;
- quando alguém tem um acesso de fúria, ou de paixão do tipo beijo-beijo-beijo-abraço-abraço-aperto, se diz que tá tendo um "ataque de cinco minutos" ou que "bateu a miudinha";
- quando a coisa fica feia, complicada, se diz que "preteou pro lado dos castelhanos"; Recentemente, o cronista Paulo Sant'Anna apresentou uma versão semelhante, em virtude dos resultados não satisfatórios da dupla Grenal na Libertadores e Copa do Brasil, com: "preteou o olho da gatiada".
- "Cisca daí" - Expressão empregada sempre que se quer que uma pessoa ou animal deixe imediatamente o recinto ou pare imediatamente de fazer alguma coisa. Vale para crianças (ver mandinhos), gatos, cachorros e afins;
- Cristiar - Verbo regular que significa enganar, passar pra trás. Ex.: Quando em uma divisão de comida, a outra pessoa está ficando com mais da metade, disse-se "Acho que tu estás me cristiando!";
- Trinque - Designação pelotense para aquilo que todos chamam de trinco de porta.
- Freje - Bagunça, alaúza, balbúrdia. Empregado da seguinte forma "-Chega de freje!" quando a mãe queria cortar o nosso barato;
- quando na minha família se está fazendo alguma coisa e já se encheu o saco, quer terminar logo, ainda que feito não tão bem quanto deveria, se usa a expressão "Pra quem é, bacallhau basta". A expressão é portuguesa e se deve ao fato de que em Portugal o bacalhau chegava com fartura às classes mais modestas. Achei isso em uma página de turismo portuguesa;
- Por que cargas d´água...? É usado em expressões de interrogação, quando não se sabe o motivo de algo ter ocorrido, por ex.: "Mas por que cargas dágua esta cremeira está na estante?";
- Cremeira/cremeirinha: potinho/tigelinha de sobremesa, geralmente de vidro ou porcelana. O nome parece ter sido dado porque eram usados para servir cremes. Muito comuns eram aqueles de louça branca com uns losangulinhos laranja nas bordas, que quando quebravam viravam em mil caquinhos, lembra? Depois foram substituídos pelos Duralex caramelo;
- quando alguém espalha aos 4 ventos alguma coisa que deveria permanecer em segredo, Vó Ninhinha sempre diz: "-Nunca falta um boi corneta!" Obs.: Boi-corneta: boi que, com seus mugidos, reúne parte do rebanho em torno de si;
- algariado/algariação: Um sujeito algariado é alguém que está ou é elétrico, estabanado, inquieto, barulhento. A frase clássica é a segunite: "Vamos parar de algariação!" que equivale a mandar parar com a bagunça;
- venda: mini-mercado, bolicho, pequeno armazém. Em Pelotas tem sempre um a cada 100-150m, ou seja um por quadra;
- quadra: quarteirão;
- pão de meio: pão francês de meio quilo. Sempre dava briga para ver quem ficaria com o bico;
- bico: a ponta do pão. Cada pão tem dois "bicos". Pena isso de ter havido a "evolução" para o pãozinho de 50g (que em Pelotas é cacetinho - sem risos, por favor). Agora todo mundo tem bico. Humpf;
- pão diquartiquilo: pão francês de 250g ou de um quarto de quilo;
- mandinho: criança, garoto, piá
- tirar: Em Pelotas a gente não "cursa" nem "faz" faculdade ou curso nenhum. Lá, pelo menos para os mais velhos, a gente "tira". Ex.: Fulaninha está tirando medicina. Ou melhor, mais de época: Maria Alice tirou o normal. (Normal era magistério). Inacreditável, mas é verdade. Juro;
- quando alguma coisa surpreende negativamente, normalmente de diz algo do tipo "Mas que coisa!" Na minha família, a expressão é "Mas será o pé do cabrito!?" ou ainda "Será o pé do bicho?!" Não me perguntem por quê;
- quando alguém tem um acesso de fúria, ou de paixão do tipo beijo-beijo-beijo-abraço-abraço-aperto, se diz que tá tendo um "ataque de cinco minutos" ou que "bateu a miudinha";
- quando a coisa fica feia, complicada, se diz que "preteou pro lado dos castelhanos"; Recentemente, o cronista Paulo Sant'Anna apresentou uma versão semelhante, em virtude dos resultados não satisfatórios da dupla Grenal na Libertadores e Copa do Brasil, com: "preteou o olho da gatiada".
- "Cisca daí" - Expressão empregada sempre que se quer que uma pessoa ou animal deixe imediatamente o recinto ou pare imediatamente de fazer alguma coisa. Vale para crianças (ver mandinhos), gatos, cachorros e afins;
- Cristiar - Verbo regular que significa enganar, passar pra trás. Ex.: Quando em uma divisão de comida, a outra pessoa está ficando com mais da metade, disse-se "Acho que tu estás me cristiando!";
- Trinque - Designação pelotense para aquilo que todos chamam de trinco de porta.
- Freje - Bagunça, alaúza, balbúrdia. Empregado da seguinte forma "-Chega de freje!" quando a mãe queria cortar o nosso barato;
- quando na minha família se está fazendo alguma coisa e já se encheu o saco, quer terminar logo, ainda que feito não tão bem quanto deveria, se usa a expressão "Pra quem é, bacallhau basta". A expressão é portuguesa e se deve ao fato de que em Portugal o bacalhau chegava com fartura às classes mais modestas. Achei isso em uma página de turismo portuguesa;
- Por que cargas d´água...? É usado em expressões de interrogação, quando não se sabe o motivo de algo ter ocorrido, por ex.: "Mas por que cargas dágua esta cremeira está na estante?";
- Cremeira/cremeirinha: potinho/tigelinha de sobremesa, geralmente de vidro ou porcelana. O nome parece ter sido dado porque eram usados para servir cremes. Muito comuns eram aqueles de louça branca com uns losangulinhos laranja nas bordas, que quando quebravam viravam em mil caquinhos, lembra? Depois foram substituídos pelos Duralex caramelo;
- quando alguém espalha aos 4 ventos alguma coisa que deveria permanecer em segredo, Vó Ninhinha sempre diz: "-Nunca falta um boi corneta!" Obs.: Boi-corneta: boi que, com seus mugidos, reúne parte do rebanho em torno de si;
- algariado/algariação: Um sujeito algariado é alguém que está ou é elétrico, estabanado, inquieto, barulhento. A frase clássica é a segunite: "Vamos parar de algariação!" que equivale a mandar parar com a bagunça;
- venda: mini-mercado, bolicho, pequeno armazém. Em Pelotas tem sempre um a cada 100-150m, ou seja um por quadra;
- quadra: quarteirão;
- pão de meio: pão francês de meio quilo. Sempre dava briga para ver quem ficaria com o bico;
- bico: a ponta do pão. Cada pão tem dois "bicos". Pena isso de ter havido a "evolução" para o pãozinho de 50g (que em Pelotas é cacetinho - sem risos, por favor). Agora todo mundo tem bico. Humpf;
- pão diquartiquilo: pão francês de 250g ou de um quarto de quilo;
- mandinho: criança, garoto, piá
- tirar: Em Pelotas a gente não "cursa" nem "faz" faculdade ou curso nenhum. Lá, pelo menos para os mais velhos, a gente "tira". Ex.: Fulaninha está tirando medicina. Ou melhor, mais de época: Maria Alice tirou o normal. (Normal era magistério). Inacreditável, mas é verdade. Juro;
segunda-feira, maio 18, 2009
Cotas...mais uma vez (dá-lhe, Zulu!)

Estou impressionado com o número elevado de artigos que atualmente pululam em jornais, revistas, sites e outras publicações de autoria de "gentes" se manifestando contra as cotas e outras ações afirmativas. Questionam e criticam a adoção destas ações, ora invocando uma suposta inconstitucionalidade, ora querendo substituir por "cotas sociais", que segundo afirmam, seriam "mais justas".
Pois o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, elaborou um belo texto, intitulado Cotas, mentiras e videotapes!, em resposta à inteligentzia, aos filhos bem criados da classe média e até mesmo a afrodescendentes que querem se celebrizar ao se mostrar contrários às ações compensatórias. Pena que alguns jornais/revistas não tivessem coragem de publicá-lo. Porém, o Blog du Brisa - que adora uma polêmica - reproduz, na íntegra, o texto publicado originalmente na Revista Raça Brasil nº 132.
Cotas, mentiras e videoteipes!
por Zulu Araújo, presidente da Fundação Cultural Palmares / Ministério da Cultura
Os ataques partiram de todos os lados (emissoras de televisão e rádio, jornais, blogs). Não importa que a proposta tenha sido mitigada por critérios sociais na Câmara dos Deputados e que as pesquisas apontem o sucesso onde elas foram implantadas. "Somos contra", afirmaram em uníssono os representantes da maior frente política articulada contra a promoção da igualdade no Brasil.
Enfim, as máscaras caíram. Nenhuma proposta ou alternativa é apresentada. São contra tudo que signifique promoção da igualdade neste país (bolsa-família, cesta básica, demarcação das terras indígenas... ). Desta vez fulanizada em opiniões absolutamente díspares e caricatas, ora pela boca de eminentes antropólogos, sociólogos ou jornalistas, ora por filhos bem criados da nossa classe média privilegiada e de vez em quando por afrodescendentes ávidos pelos 15 minutos de fama, repetiram a ladainha de sempre: As cotas não resolvem o problema da desigualdade racial no ensino, excluem o mérito do processo seletivo, racializam as relações na sociedade brasileira.
Em sua sanha destrutiva foram mais além. Um renomado cientista fez a seguinte afirmação na revista Época (n° 568): "A escravidão é uma coisa horrorosa que aconteceu há mais de 200 anos. Quem é que tem de pagar por isso hoje? O imigrante italiano?" Para este cidadão, quem deve continuar pagando a conta somos nós, que fomos escravizados. Quer algo mais explicito? Pela lógica deste cidadão, os palestinos também poderiam construir a seguinte frase: "A expulsão dos judeus da sua terra natal foi horrorosa, por que passados mais de 2000 anos nós é que temos de pagar a conta? Cômico, senão trágico, se a vida fosse tão simples assim.
Vale a pena lembrar aqui que foi a Organização das Nações Unidas(ONU), da qual o Brasil é membro, que estabeleceu a reparação como mecanismo compensatório à escravidão, reconhecida como crime de lesa-humanidade.
Mentiras - Vale tudo para desconstruir esta pequena possibilidade de reparação da imensa dívida que este país possui para com quase metade de sua população. Escondem-se as pesquisas, os números e a secular exclusão dos afro-brasileiros da educação, do mercado de trabalho, da mídia e de tudo que signifique poder real neste país. Mente-se de forma despudorada. Mistificam-se opiniões isoladas e omitem-se as conseqüências crueis dos anos de escravidão e discriminação racial.
Tudo isto, para que os privilégios sejam justificados em nome de uma meritocracia fajuta, pois está mais do que comprovado que o sistema seletivo atual não avalia mérito algum. Mentem quando afirmam que as cotas raciais são o problema. Querem que tudo continue do jeito que está sob a justificativa de que somos um país pacifico, com um povo ordeiro e mestiço, que nunca viveu os horrores da discriminação e do racismo. Só faltam dizer que a escravidão foi boa para os africanos, pois afinal lhes deram uma religião, bons modos e acesso a uma nova civilização. Nas inúmeras matérias, entrevistas, artigos e editoriais, os representantes dos quase dois terços da população que é favorável às cotas são solenemente ignorados. É um verdadeiro massacre midiático. Seguramente o mais longo e bem articulado dos últimos 20 anos.
Vídeoteipe - Nos últimos ataques, os porta-vozes da elite brasileira revelam bem mais que uma discordância com as ações afirmativas. Avançam para o terreno da defesa pura e simples do direito ao privilégio para uma minoria bem nascida e bem nutrida. Nenhuma política que vise alterar o status quo vigente é correta. É como se todas elas estivessem impregnadas do veneno mortal da igualdade. Sonham de olhos bem abertos com o retorno ao passado, como se a vida pudesse ter remake ou vídeoteipe. É como se houvesse uma determinação divina para que o acesso à universidade, aos melhores empregos, aos cargos de direção do país e às nossas melhores terras sejam exclusivamente dos mesmos que ao longo dos últimos quinhentos anos se locupletaram com as riquezas de nossa nação ao custo da escravização, da exclusão e da discriminação da maioria do povo brasileiro. Ainda bem que os homens e mulheres de boa vontade são a maioria deste país e cada vez mais conscientes de que o Brasil só será uma democracia de fato e de direito quando a fraternidade, justiça e igualdade for para todos. Vamos à luta !
Toca a zabumba que a terra é nossa !
Falou e disse, Zulu!
Pois o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, elaborou um belo texto, intitulado Cotas, mentiras e videotapes!, em resposta à inteligentzia, aos filhos bem criados da classe média e até mesmo a afrodescendentes que querem se celebrizar ao se mostrar contrários às ações compensatórias. Pena que alguns jornais/revistas não tivessem coragem de publicá-lo. Porém, o Blog du Brisa - que adora uma polêmica - reproduz, na íntegra, o texto publicado originalmente na Revista Raça Brasil nº 132.
Cotas, mentiras e videoteipes!
por Zulu Araújo, presidente da Fundação Cultural Palmares / Ministério da Cultura
Os ataques partiram de todos os lados (emissoras de televisão e rádio, jornais, blogs). Não importa que a proposta tenha sido mitigada por critérios sociais na Câmara dos Deputados e que as pesquisas apontem o sucesso onde elas foram implantadas. "Somos contra", afirmaram em uníssono os representantes da maior frente política articulada contra a promoção da igualdade no Brasil.
Enfim, as máscaras caíram. Nenhuma proposta ou alternativa é apresentada. São contra tudo que signifique promoção da igualdade neste país (bolsa-família, cesta básica, demarcação das terras indígenas... ). Desta vez fulanizada em opiniões absolutamente díspares e caricatas, ora pela boca de eminentes antropólogos, sociólogos ou jornalistas, ora por filhos bem criados da nossa classe média privilegiada e de vez em quando por afrodescendentes ávidos pelos 15 minutos de fama, repetiram a ladainha de sempre: As cotas não resolvem o problema da desigualdade racial no ensino, excluem o mérito do processo seletivo, racializam as relações na sociedade brasileira.
Em sua sanha destrutiva foram mais além. Um renomado cientista fez a seguinte afirmação na revista Época (n° 568): "A escravidão é uma coisa horrorosa que aconteceu há mais de 200 anos. Quem é que tem de pagar por isso hoje? O imigrante italiano?" Para este cidadão, quem deve continuar pagando a conta somos nós, que fomos escravizados. Quer algo mais explicito? Pela lógica deste cidadão, os palestinos também poderiam construir a seguinte frase: "A expulsão dos judeus da sua terra natal foi horrorosa, por que passados mais de 2000 anos nós é que temos de pagar a conta? Cômico, senão trágico, se a vida fosse tão simples assim.
Vale a pena lembrar aqui que foi a Organização das Nações Unidas(ONU), da qual o Brasil é membro, que estabeleceu a reparação como mecanismo compensatório à escravidão, reconhecida como crime de lesa-humanidade.
Mentiras - Vale tudo para desconstruir esta pequena possibilidade de reparação da imensa dívida que este país possui para com quase metade de sua população. Escondem-se as pesquisas, os números e a secular exclusão dos afro-brasileiros da educação, do mercado de trabalho, da mídia e de tudo que signifique poder real neste país. Mente-se de forma despudorada. Mistificam-se opiniões isoladas e omitem-se as conseqüências crueis dos anos de escravidão e discriminação racial.
Tudo isto, para que os privilégios sejam justificados em nome de uma meritocracia fajuta, pois está mais do que comprovado que o sistema seletivo atual não avalia mérito algum. Mentem quando afirmam que as cotas raciais são o problema. Querem que tudo continue do jeito que está sob a justificativa de que somos um país pacifico, com um povo ordeiro e mestiço, que nunca viveu os horrores da discriminação e do racismo. Só faltam dizer que a escravidão foi boa para os africanos, pois afinal lhes deram uma religião, bons modos e acesso a uma nova civilização. Nas inúmeras matérias, entrevistas, artigos e editoriais, os representantes dos quase dois terços da população que é favorável às cotas são solenemente ignorados. É um verdadeiro massacre midiático. Seguramente o mais longo e bem articulado dos últimos 20 anos.
Vídeoteipe - Nos últimos ataques, os porta-vozes da elite brasileira revelam bem mais que uma discordância com as ações afirmativas. Avançam para o terreno da defesa pura e simples do direito ao privilégio para uma minoria bem nascida e bem nutrida. Nenhuma política que vise alterar o status quo vigente é correta. É como se todas elas estivessem impregnadas do veneno mortal da igualdade. Sonham de olhos bem abertos com o retorno ao passado, como se a vida pudesse ter remake ou vídeoteipe. É como se houvesse uma determinação divina para que o acesso à universidade, aos melhores empregos, aos cargos de direção do país e às nossas melhores terras sejam exclusivamente dos mesmos que ao longo dos últimos quinhentos anos se locupletaram com as riquezas de nossa nação ao custo da escravização, da exclusão e da discriminação da maioria do povo brasileiro. Ainda bem que os homens e mulheres de boa vontade são a maioria deste país e cada vez mais conscientes de que o Brasil só será uma democracia de fato e de direito quando a fraternidade, justiça e igualdade for para todos. Vamos à luta !
Toca a zabumba que a terra é nossa !
Falou e disse, Zulu!
segunda-feira, maio 04, 2009
Profissão
Moyséis Marques - Profissão
Profissão
(Luiz Carlos da Vila - Sereno - André Renato)
Canta: Moysés Marques
Acrredito que Deus
Me fez um varredor
Pra jogar fora os meus
Infortúnios do amor
Se me fez bacharel
Valeu, meu Deus do Céu
Já tenho defesa pras peças que a vida pregou
Se eu trabalho pra mim
Aí é que eu me dou
E aprendo assim
A ser bom professor
Se o mau tempo me vem
Sorrio e digo amém
Um dia após outro dia o vento levou
Se ele quer um maestro
Eu sigo no gesto e orquestro com a mão
Dando, tirando, buscando
O comando que for o melhor pra canção
Quando eu fui o bombeiro
Eu fui o primeiro que a chama apagou
Aceso solidário coração
Se eu for requisitado
Pra ser deputado ou vereador
Eu vou lutar para honrar
E fazer jus ao voto do meu eleitor
E se eu vier marinheiro
Um bom brasileiro acerto a maré
Eu sou da profissão de amor e fé

Profissão
(Luiz Carlos da Vila - Sereno - André Renato)
Canta: Moysés Marques
Acrredito que Deus
Me fez um varredor
Pra jogar fora os meus
Infortúnios do amor
Se me fez bacharel
Valeu, meu Deus do Céu
Já tenho defesa pras peças que a vida pregou
Se eu trabalho pra mim
Aí é que eu me dou
E aprendo assim
A ser bom professor
Se o mau tempo me vem
Sorrio e digo amém
Um dia após outro dia o vento levou
Se ele quer um maestro
Eu sigo no gesto e orquestro com a mão
Dando, tirando, buscando
O comando que for o melhor pra canção
Quando eu fui o bombeiro
Eu fui o primeiro que a chama apagou
Aceso solidário coração
Se eu for requisitado
Pra ser deputado ou vereador
Eu vou lutar para honrar
E fazer jus ao voto do meu eleitor
E se eu vier marinheiro
Um bom brasileiro acerto a maré
Eu sou da profissão de amor e fé

sexta-feira, abril 24, 2009
RELACIONAMENTOS (Arnaldo Jabor)
'Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim.
Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:
' -Ah,terminei o namoro...
-Nossa, estavam juntos há tanto tempo.....
-Cinco anos...que pena...acabou....
-é...não deu certo...'
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes voce não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga..se não bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar.... ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa
REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O legal é alguém que está com você, só por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por pena.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração.....
Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse....
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar...
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ?????'
texto atribuído a Arnaldo Jabor
quinta-feira, março 26, 2009
Porto Alegre 237 anos

No dia em que Porto Alegre completa 237 anos de fundação (apesar de que há controvérsias quanto à data), a trilha sonora predominante - praticamente a única nesta época do ano - é a música "Porto Alegre é demais", de autoria do prefeito José Fogaça e executada exaustivamente há, no mínimo, 10 anos.
No entanto, o grande puxador de samba Jajá (Paulo da Silva Dias) compôs, ainda na década de 1970, um sambão em homenagem à capital gaúcha, gravada por Antônio Lemos. A música não teve tanta repercussão quanto à composição do prefeito, mas é muito mais bonita e inspirada do que a canção que diz que "é lá que as gurias etc e tal". Uma pena que o samba do Jajá, tão bonito, e praticamente desconhecido e esquecido, não sirva também para o povo parabenizar Porto Alegre.
Nas reportagens que vejo e ouço sobre Porto Alegre, as personalidades/lugares da cidade sempre tem um viés burguês: Eva Sopher, Luis Fernando Verissimo, Tânia Carvalho, Moacyr Scliar, Bom Fim, Calçada da Fama, Moinhos de Vento, Theatro São Pedro... Por que quase nunca se cita a Porto Alegre da "perifa"? Por que não Vila Jardim, Campo da Tuca, Partenon, Floresta Aurora, Bedeu, Wilson Ney, Bataclã F.C., Pagode do Dorinho, Satélite Prontidão, Vera Daisy Barcellos?
A foto que ilustra este tópico retrata o pôr do sol visto da Sociedade Floresta Aurora, na zona sul de POA.
sábado, março 14, 2009
Este ano meu carnaval não foi igual àquele que passou
Não sei explicar exatamente porquê, mas este ano eu não fiquei pilhado com o carnaval. Fosse uns anos atrás, eu ficaria completamente algariado, com as letras dos sambas enredo na ponta da língua, vontade de ir a tudo quanto era ensaio nas escolas daqui e não perder um só segundo das transmissões dos desfiles do Rio de Janeiro.
Este ano, não. Depois da frustração de não ter sido chamado pela rádio para comentar o carnaval, fiquei realmente inclinado a ficar alheio da folia, aventando até, quem sabe passar o período de carnaval fora de Porto Alegre. Curtir o feriadão na praia até que não seria má ideia. Mas a dois ou três dias dos desfiles daqui de Porto Alegre, recebi um convite da AECPARS (Associação das Entidades Carnavalescas) para integrar o júri do Estandarte de Ouro.
Completamente sem grana para ir à praia e sentindo uma comichãozinha para novamente ir até o Complexo do Porto Seco, aceitei ser jurado e passar as três noites de desfiles no sambódromo. Aí, aproveitava e fazia a cobertura da festa para o Kazumba. Mas cá, pra nós, comentar desfiles de carnaval para uma rádio ou tevê é tudo de bom. Azar da Guaíba, que perdeu ao não chamar a mim nem ao meu parceiro Paulo Filandro, depois de três anos comentando carnaval para eles, sendo que os dois primeiros anos não rolou 1 só centavo de cachê.
Ah, falando em não receber 1 único centavo, ser jurado do Estandarte de Ouro também não dá direito a muita regalia não. Cachê (ou ajuda de custo, se preferirem) não rolou, nem para a gasosa pro Brisamóvel se deslocar 16 km ida e volta no trajeto minha casa-Porto Seco. Janta, muito menos. A única coisa que tive direito foi ter acesso a um freezer com água mineral e refrigerantes. Só para me "vingar", aproveitei o calor que fez nas três noites e mandei ver nas garrafinhas d'água e nos refris hehehe. Ao final dos desfiles, nem um "muito obrigado, Gerson". Fazer o quê, né?
O pessoal que veio a peso de ouro do Rio de Janeiro para julgar o carnaval daqui, também estava desgostoso porque queriam mais mordomias do que simplesmente hospedagem em hotéis 5 estrelas, passagens de avião e alimentação. Um dos julgadores ficou de cara porque não tinha cafezinho para os avaliadores depois da janta. Achei engraçado, porque me lembrei deste fato quando, ao acompanhar a apuração dos resultados, o dito cujo resolveu não avaliar e deu nota 10, em seu respectivo quesito, para todas as escolas.
Agora em abril, haverá a cerimônia de entrega do prêmio aos vencedores do Estandarte de Ouro. Tomara que a AECPARS se lembre de me convidar novamente. Pelo menos para assistir a soleniade, nem que seja em pé mesmo...
sexta-feira, março 06, 2009
Quem é você???

Agradeço a visita de quem acessa o Blog du Brisa.
Apenas solicito a quem queira comentar que, ao menos, deixe um e-mail (válido) para que eu responda. Anônimos não terão vez.
sábado, fevereiro 14, 2009
Quem desfila é soldado...

Nessa época de pré-carnaval, meu ídolo Nei Lopes publicou em seu Lote, uma gostosa crônica sobre as origens da folia e algumas considerações do carnaval contemporâneo. Curti tanto que merece reprodução. O texto, bem-humorado, é, também, ácido e implacável.
Manda ver, mestre Nei.
"QUEM DESFILA É SOLDADO”, JÁ DIZIA O WALDINAR.
Um certo jornalismo de variedades, que às vezes nos engana, fantasiado de “cultural”, insiste em confundir samba com carnaval, espetáculo com folia, alhos com bugalhos. É assim que, para esse jornalismo, todo diretor de bateria é “mestre”, todo sambista é “bamba”, toda “musa” tem “samba no pé”, e qualquer bebum deprê, desde que vista uma fantasia no carnaval, mesmo que seja uma reles camiseta de bloco de boteco ilustrada pelo picasso da esquina, é um “folião”.
A mesma linha de “raciocínio”, que repete mais do que pesquisa, vai sempre buscar as origens do carnaval brasileiro nas saturnais romanas, que, dizem, celebravam a volta da primavera e o renascer da natureza; e daí passa pelos bailes de Veneza, Nápoles e Florença, chega ao Zé Pereira e a um certo “Congresso das Sumidades Carnavalescas” que ninguém sabe bem o que foi.
O que quase ninguém menciona é que, embora relacionado ao calendário católico, o carnaval do Brasil e das Américas – o das ruas, livre e solto ( “abada”, camiseta e camarote é outro papo) – tem raízes em várias culturas africanas. Em Gana, por exemplo, entre o povo Akan, é comum a realização de um grande festival anual, o odwira (na ilustração acima), seguido de um longo período de recolhimento e abstinência, como na quaresma. Devido a essa similitude, as celebrações carnavalescas nas Américas com certeza devem sua alegria e seu brilho, fundamentalmente, à música dos afro-descendentes. Assim foi e é, no Brasil, nos ranchos carnavalescos, nas escolas de samba, nos maracatus, afoxés, blocos-afro etc.; no candombe platino; nas comparsas cubanas; e no mardigras, nas Antilhas e em New Orleans.
Em toda a América colonial, isolados pela sociedade dominante, africanos e descendentes uniam-se para celebrar o carnaval à sua moda, com a música e a dança de sua tradição, introduzindo, na festa européia, além dos instrumentos característicos, suas crenças e seu modo de ser. Na Martinica, o costume foi adotado por volta de 1640 e as festividades do kannaval, como é denominado o carnaval martinicano, expressam-se em um estado de espírito peculiar, transmitido de geração para geração. Durante muito tempo a festa realizada na cidade de Saint-Pierre foi o ponto culminante da comemoração na ilha, e, tendo sua fama se estendido pelo Caribe, atrai anualmente milhares de visitantes de todo o mundo. Depois da devastadora erupção vulcânica de 1808, a tradição carnavalesca reviveu em Fort-de-France, a nova capital da Martinica, onde, nos dias de hoje, os preparativos começam na epifania, em meados de janeiro, e se estendem até a quarta-feira de cinzas. Durante esse período e no carnaval propriamente dito, a cada domingo, grupos fantasiados saem às ruas, em trajes variados: casacos velhos, roupas fora de moda, chapéus rasgados, fantasias brilhantes e coloridas de arlequim, pierrôs e diabos. As máscaras também são importantes acessórios da festa: além das que homenageiam ou criticam personalidades do momento, há aquelas relacionadas à morte, repletas de simbologias africanas, cujo significado Aimé Cesaire encontrou em rituais da região de Casamance, no Norte do Senegal (conforme Alain Eloise). No Haiti, de modo geral, o carnaval é celebrado seguindo esse mesmo espírito e com traços semelhantes aos festejos que se realizam no Brasil, em Trinidad e na Louisiana, Estados Unidos. Em Porto Príncipe, o visitante encontra desfiles, festas e fantasias criativas, como os que se vêem nesses lugares. Da mesma forma em Cuba, onde o carnaval é celebrado, desde o século XVII, em julho; e onde a cidade de Santiago é tida por alguns como o berço do carnaval caribenho.
No Brasil, pelo menos desde o início do século XIX, a participação do povo negro nos folguedos carnavalescos sempre foi marcada, também, por uma atitude de resistência, passiva ou ativa, à opressão das classes dominantes. Proibidos por lei de revidar aos ataques dos brancos, africanos e crioulos procuravam outras maneiras de brincar no entrudo. Tanto assim que Debret, entre 1816 e 1831, período em que viveu no Brasil, flagrou cenas interessantes de carnaval, como por exemplo, um grupo de negros que, fantasiados de velhos europeus e caricaturando-lhes os gestos, zombava dos opressores, criando, sem saber, os cordões de velhos, de imenso sucesso no início do século XX. Entre 1892 e 1900 surgiram no carnaval baiano, pela ordem, a “Embaixada Africana*”, os “Pândegos d’África*”, a “Chegada Africana” e os “Guerreiros d’África”, apresentando-se em préstitos constituídos única e exclusivamente de negros. Essa modalidade carnavalesca – “a exibição de costumes africanos com batuques” – seria proibida em 1905 na Bahia. Exatos dois anos depois, surge no Rio de Janeiro o rancho carnavalesco “Ameno Resedá*” que, pretendendo “sair do africanismo orientador dos cordões” (conforme Jota Efegê), conquista, com seus enredos operísticos, importante espaço para os negros no carnaval carioca, preparando o caminho para as escolas de samba, que surgiriam um pouco mais tarde. Estruturadas no final dos anos de 1920, de 1932, ano do primeiro desfile realmente organizado, até os dias de hoje, as escolas de samba cariocas viveram várias fases de um instigante processo dialético. Nunca deixaram de ser, no entanto, pelo menos em tese, núcleos de resistência negra – a rica simbologia das alas de baianas e das velhas-guardas constitui exemplo emblemático.
Enquanto as escolas cariocas iam se transformando, na Bahia eram fundadas agremiações como o afoxé “Filhos de Gandhi”, em 1948, “para divulgação do culto nagô, como forma de afirmação étnica”, segundo seus estatutos; o bloco-afro Ilê aiyê, em 1974, “por um grupo de jovens conscientes da necessidade de manter viva a luta dos seus ancestrais pela completa integração social da população negra no Brasil”, também conforme seus objetivos estatutários; e o afoxé “Badauê”, em 1978, tornando, segundo o escritor Antonio Risério, “irreversível o processo de reafricanização do carnaval da Bahia”.
Mas nessa reafricanização, o capital acabou entrando de cabeça. Aí, vieram, entre outras novidades, os blocos-de-trio e os abadás (“abadá” é, no sentido originário, aquela espécie de blusão masculino, sem gola, usada no oeste africano e nos candomblés). Da mesma forma que, nas escolas de samba cariocas, veio aquele padrão de fantasia que, qualquer que seja o enredo, mistura punhos egípcios com capacetes astecas e capas de super-heróis, etc.
Em meio a tudo isso, veio a síndrome do “desfile”, do espetáculo, em prejuízo da “saída” espontânea, contaminando até o bloquinho mais mixuruca ali da esquina. É, então, que nos vem a cabeça a célebre frase do saudoso jornalista e boêmio carioca Waldinar Ranulpho (1922-1985), o qual, na sua ácida verve de cronista carnavalesco, talvez o último deles, um dia fulminou:
– Sambista “sai”, meu sinhô! Quem “desfila” é soldado! Grande Waldinar!...
Manda ver, mestre Nei.
"QUEM DESFILA É SOLDADO”, JÁ DIZIA O WALDINAR.
Um certo jornalismo de variedades, que às vezes nos engana, fantasiado de “cultural”, insiste em confundir samba com carnaval, espetáculo com folia, alhos com bugalhos. É assim que, para esse jornalismo, todo diretor de bateria é “mestre”, todo sambista é “bamba”, toda “musa” tem “samba no pé”, e qualquer bebum deprê, desde que vista uma fantasia no carnaval, mesmo que seja uma reles camiseta de bloco de boteco ilustrada pelo picasso da esquina, é um “folião”.
A mesma linha de “raciocínio”, que repete mais do que pesquisa, vai sempre buscar as origens do carnaval brasileiro nas saturnais romanas, que, dizem, celebravam a volta da primavera e o renascer da natureza; e daí passa pelos bailes de Veneza, Nápoles e Florença, chega ao Zé Pereira e a um certo “Congresso das Sumidades Carnavalescas” que ninguém sabe bem o que foi.
O que quase ninguém menciona é que, embora relacionado ao calendário católico, o carnaval do Brasil e das Américas – o das ruas, livre e solto ( “abada”, camiseta e camarote é outro papo) – tem raízes em várias culturas africanas. Em Gana, por exemplo, entre o povo Akan, é comum a realização de um grande festival anual, o odwira (na ilustração acima), seguido de um longo período de recolhimento e abstinência, como na quaresma. Devido a essa similitude, as celebrações carnavalescas nas Américas com certeza devem sua alegria e seu brilho, fundamentalmente, à música dos afro-descendentes. Assim foi e é, no Brasil, nos ranchos carnavalescos, nas escolas de samba, nos maracatus, afoxés, blocos-afro etc.; no candombe platino; nas comparsas cubanas; e no mardigras, nas Antilhas e em New Orleans.
Em toda a América colonial, isolados pela sociedade dominante, africanos e descendentes uniam-se para celebrar o carnaval à sua moda, com a música e a dança de sua tradição, introduzindo, na festa européia, além dos instrumentos característicos, suas crenças e seu modo de ser. Na Martinica, o costume foi adotado por volta de 1640 e as festividades do kannaval, como é denominado o carnaval martinicano, expressam-se em um estado de espírito peculiar, transmitido de geração para geração. Durante muito tempo a festa realizada na cidade de Saint-Pierre foi o ponto culminante da comemoração na ilha, e, tendo sua fama se estendido pelo Caribe, atrai anualmente milhares de visitantes de todo o mundo. Depois da devastadora erupção vulcânica de 1808, a tradição carnavalesca reviveu em Fort-de-France, a nova capital da Martinica, onde, nos dias de hoje, os preparativos começam na epifania, em meados de janeiro, e se estendem até a quarta-feira de cinzas. Durante esse período e no carnaval propriamente dito, a cada domingo, grupos fantasiados saem às ruas, em trajes variados: casacos velhos, roupas fora de moda, chapéus rasgados, fantasias brilhantes e coloridas de arlequim, pierrôs e diabos. As máscaras também são importantes acessórios da festa: além das que homenageiam ou criticam personalidades do momento, há aquelas relacionadas à morte, repletas de simbologias africanas, cujo significado Aimé Cesaire encontrou em rituais da região de Casamance, no Norte do Senegal (conforme Alain Eloise). No Haiti, de modo geral, o carnaval é celebrado seguindo esse mesmo espírito e com traços semelhantes aos festejos que se realizam no Brasil, em Trinidad e na Louisiana, Estados Unidos. Em Porto Príncipe, o visitante encontra desfiles, festas e fantasias criativas, como os que se vêem nesses lugares. Da mesma forma em Cuba, onde o carnaval é celebrado, desde o século XVII, em julho; e onde a cidade de Santiago é tida por alguns como o berço do carnaval caribenho.
No Brasil, pelo menos desde o início do século XIX, a participação do povo negro nos folguedos carnavalescos sempre foi marcada, também, por uma atitude de resistência, passiva ou ativa, à opressão das classes dominantes. Proibidos por lei de revidar aos ataques dos brancos, africanos e crioulos procuravam outras maneiras de brincar no entrudo. Tanto assim que Debret, entre 1816 e 1831, período em que viveu no Brasil, flagrou cenas interessantes de carnaval, como por exemplo, um grupo de negros que, fantasiados de velhos europeus e caricaturando-lhes os gestos, zombava dos opressores, criando, sem saber, os cordões de velhos, de imenso sucesso no início do século XX. Entre 1892 e 1900 surgiram no carnaval baiano, pela ordem, a “Embaixada Africana*”, os “Pândegos d’África*”, a “Chegada Africana” e os “Guerreiros d’África”, apresentando-se em préstitos constituídos única e exclusivamente de negros. Essa modalidade carnavalesca – “a exibição de costumes africanos com batuques” – seria proibida em 1905 na Bahia. Exatos dois anos depois, surge no Rio de Janeiro o rancho carnavalesco “Ameno Resedá*” que, pretendendo “sair do africanismo orientador dos cordões” (conforme Jota Efegê), conquista, com seus enredos operísticos, importante espaço para os negros no carnaval carioca, preparando o caminho para as escolas de samba, que surgiriam um pouco mais tarde. Estruturadas no final dos anos de 1920, de 1932, ano do primeiro desfile realmente organizado, até os dias de hoje, as escolas de samba cariocas viveram várias fases de um instigante processo dialético. Nunca deixaram de ser, no entanto, pelo menos em tese, núcleos de resistência negra – a rica simbologia das alas de baianas e das velhas-guardas constitui exemplo emblemático.
Enquanto as escolas cariocas iam se transformando, na Bahia eram fundadas agremiações como o afoxé “Filhos de Gandhi”, em 1948, “para divulgação do culto nagô, como forma de afirmação étnica”, segundo seus estatutos; o bloco-afro Ilê aiyê, em 1974, “por um grupo de jovens conscientes da necessidade de manter viva a luta dos seus ancestrais pela completa integração social da população negra no Brasil”, também conforme seus objetivos estatutários; e o afoxé “Badauê”, em 1978, tornando, segundo o escritor Antonio Risério, “irreversível o processo de reafricanização do carnaval da Bahia”.
Mas nessa reafricanização, o capital acabou entrando de cabeça. Aí, vieram, entre outras novidades, os blocos-de-trio e os abadás (“abadá” é, no sentido originário, aquela espécie de blusão masculino, sem gola, usada no oeste africano e nos candomblés). Da mesma forma que, nas escolas de samba cariocas, veio aquele padrão de fantasia que, qualquer que seja o enredo, mistura punhos egípcios com capacetes astecas e capas de super-heróis, etc.
Em meio a tudo isso, veio a síndrome do “desfile”, do espetáculo, em prejuízo da “saída” espontânea, contaminando até o bloquinho mais mixuruca ali da esquina. É, então, que nos vem a cabeça a célebre frase do saudoso jornalista e boêmio carioca Waldinar Ranulpho (1922-1985), o qual, na sua ácida verve de cronista carnavalesco, talvez o último deles, um dia fulminou:
– Sambista “sai”, meu sinhô! Quem “desfila” é soldado! Grande Waldinar!...
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Show "Tantos carnavais"

Meu dileto amigo e colega no governo do Estado nos tempos da administração Rigotto, o cantor e intérprete Victor Hugo estará em cartaz com o show "Tantos carnavais", recebendo o auxílio luxuoso do pianista Geraldo Flach. O espetáculo é formado por um repertório de marchinhas carnavalescas.
A apresentação acontece no dia 12 de fevereiro, a partir das 20h, no foyer do Teatro Bourbon Country. Vale a pena conferir.
Victor Hugo participou e venceu diversos festivais de músicas nativistas o RS. É jornalista, radialista, foi diretor da Rádio FM Cultura, diretor do Instituto Estadual de Música, secretário substituto e titular da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul.
terça-feira, janeiro 27, 2009
sexta-feira, janeiro 09, 2009
Significa!
Pena que aqui em POA não pega a TV Gazeta. Nem em tevê aberta, nem em UHF e, pelo que me consta, nem na net. É que na emissora paulista rola o Todo seu, apresentado pelo cantor Ronnie Von. Segundo o editorial da atração, trata-se de "um programa feminino com uma visão masculina".
E não é que o cara, ícone da masculinidade e cantor-galã desde os tempos da Jovem Guarda (é só lembrar dos hits "A praça", "Meu bem", "Tranquei a vida", "Cachoeira"), lançou uma gíria nova para chamar uma pessoa de gay. Alguém gravou, postou o vídeo no You Tube e pimba! virou coqueluche. Até a galera do CQC adotou o "Momento Significa".
O "Todo seu" tem um bloco em Ronnie Von dá uma de conselheiro, lendo cartas do público sobre relacionamento, vida sexual, etc. Ele leu a seguinte pergunta: “Ronnie, sou solteiro e há algum tempo atrás fui numa festa do amigo de um amigo meu, que eu não conhecia. Quando chegamos, fomos apresentados e, desde então, não consigo tirar ele da minha cabeça. Estou muito confuso. Isso significa que eu sou gay?”
Sério e sem tirar os olhos da fichinha, ele responde, na lata: Significa!
Well, entonces, quando você ouvir por aí que Fulano de Tal "significa", isso quer dizer que ele é gay. Tá boa, santa?
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Para começar o ano bem...
Um poema de Mario Quintana, para alegrar os nossos corações.
Existe somente uma idade para a gente ser feliz
Somente uma época na vida de cada pessoa
Em que é possível sonhar.
E fazer planos e ter energia bastante para realizá-los
A despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida
E viver apaixonadamente!!
E desfrutar tudo com toda intensidade
Sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar
E recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança.
E vestir-se com todas as cores
E experimentar todos os sabores
E entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem
Em que todo desafio
É mais um convite à luta que a gente enfrenta.
Com toda disposição de tentar algo novo
De novo e de novo, e quantas vezes for preciso.
Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE!!!
E tem a duração do instante que passa.
terça-feira, dezembro 30, 2008
quarta-feira, dezembro 24, 2008
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Fina flor da chinelagem
SC: donativos para os desabrigados são furtados
Reportagem flagra mulher saindo do pavilhão com um carrinho de supermercado cheio de doações. Voluntários e militares também aparecem nas imagens escolhendo roupas para levar.
Reportagem flagra mulher saindo do pavilhão com um carrinho de supermercado cheio de doações. Voluntários e militares também aparecem nas imagens escolhendo roupas para levar.
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